A fama do desajeitado

terça-feira, 30 de março de 2010

por Renato Acácio

Quem circula pelos eventos undergrounds ligados à música, ou cultura em geral, de Nova Iguaçu, ou mesmo do Rio de Janeiro, é bem provável que já tenha ao menos ouvido falar de Robson Gabiru. O artista independente, que ficou conhecido por trazer de volta o samba de breque e traduzir em sua música o espírito do subúrbio carioca com seu bom humor inconfundível, gravou seu primeiro CD no ano passado, com verba do Fundo Municipal de Cultura Escritor Antônio Fraga. Aos 49 anos, todos bem vividos na cidade de Nova Iguaçu, Robson Gabiru, ou simplesmente Gabiru, como prefere ser chamado, está pronto para alçar vôos mais altos e ganhar o mundo. Formado em administração e música, o cantor e produtor só tem um desejo: ser famoso. Segundo o próprio, o apelido vem desde a adolescência e tem muitos significados, tanto em tupi quanto na língua portuguesa. Dentre eles alguns são: rato, bezerro, velhaco e até mesmo sujeito desajeitado, sendo esse último o que Robson mais se identifica e que também, sem dúvida, é o mais compatível com sua aparência.

Entre uma perambulação e outra pela cidade, como uma mistura de Flâneur francês e malandro da Lapa, com direito ao seu inconfundível chapéu e bom humor contagiante, Gabirú arrumou um tempo para “dar um pulo” em uma segunda-feira à tarde no espaço cultural Sylvio Monteiro e me conceder uma entrevista.



culturani: Quais são as suas principais influências?

Gabiru: Minha influência basicamente é o samba do Rio de Janeiro e todo o Nordeste. São informações que eu recebi quando comecei, ainda adolescente. Do tipo Luiz Gonzaga, Novos Baianos, Jackson do Pandeiro, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, a Bossa Nova, o Tropicalismo, a lista é imensa.

culturani: Como é seu processo de criação? E o que vem primeiro? A letra ou a melodia?

Gabiru: Eu nunca consigo imaginar uma situação e fazer daquilo ali uma música. Eu só consigo relatar aquilo que eu vivo ou ouvi sendo vivido. Todo meu trabalho é quase autobiográfico. Também dou sempre ênfase no lado positivo de qualquer vivência, por pior que ela seja. Quando não vem tudo junto, eu tenho uma facilidade muito maior de “letrar” uma música, pegar uma melodia e colocar uma letra em cima.

culturani: Qual a importância que você dá a carreira?

Gabiru: Eu a coloco em primeiro lugar, apesar do que muitos podem pensar. A minha dificuldade em relação a minha carreira é que eu não tenho que só fazer sucesso, eu preciso ser famoso. Mas essa busca da fama eu deixo por vir. É complicado você buscar a fama pela fama e só. Isso é uma coisa que vai acontecer inevitavelmente por si.

culturani: Como foi tocar com Moraes Moreira e o Alceu Valença?

Robson Gabiru: Os caras são bem simples e foram bem receptivos, foi bem tranquilo. E é sempre bom também porque nunca é demais conhecer gente do nosso próprio meio, criar laços, fazer trocas de experiências. Foi bem bacana.

culturani: Você se sente realizado artisticamente? Você já experimentou tudo o que você gostaria de experimentar?

Robson Gabiru: Não. Ainda não. Eu não tenho a fama, eu preciso da fama. Preciso do retorno financeiro que ela pode me trazer pra viver tranquilamente vivendo só da minha arte. Quanto às experimentações ainda estou longe de fazer tudo o que eu quero. Preciso estar em outros lugares, ainda preciso fazer misturas que eu ainda não fiz, conhecer mais pessoas também. E isso vai aos poucos acontecendo. Por exemplo: tem um poema do Afonso Guimarães que eu musiquei que é uma mistura de batida Afro com o rock´n´roll.

culturani: Com que artista ainda vivo você faria uma parceria?

Robson Gabiru: Acho que Chico Buarque. Porque ele acha que eu não sou um artista. Ele acha que o cara que faz a música como eu faço não é artista. Eu sei fazer música do jeito que ele faz, queria vê-lo fazer música do meu jeito.

culturani: Conta um pouco sobre a trajetória do seu primeiro CD gravado oficialmente.

Gabiru: Gravamos um CD com a parceria da Secretaria Municipal de Cultura e com o Fundo Municipal Escritor Antônio Fraga. Foi uma sugestão da classe artística de Nova Iguaçu. Nós distribuímos mil CDs. Distribuí porque quero que as pessoas escutem meu trabalho, me conheçam. Foi bom também porque eu sempre me mantive ativo artisticamente e querendo ou não, as pessoas depois de um trabalho, de um CD gravado, elas te olham com outros olhos, um CD é um portfólio.

culturani: Você tem algum plano pra 2010?

Gabiru: Ficar famoso. A minha necessidade desse ano é essa. Eu preciso disso. Sucesso eu já faço lá em casa com meus amigos. Agora eu preciso da fama.


culturani: Você daria algum recado ou conselho para alguém que também está na batalha na cena independente?

Gabiru: Chame os seus sonhos à realidade, chame-os para existência.


Para conhecer o trabalho de Gabiru, assistir vídeos e ter acesso à agenda de shows, acessem o mypace dele: http://www.myspace.com/robsongabiru

3 Comentários:

Jão disse...

hj em dia pra alcançar a fama, nao é preciso ter necessariamente talento... tanto cara bom e talentoso por ae, como o gabiru, mas quem faz sucesso msmo é um mané ou uma bunduda do BBB

Carol S. disse...

Realmente alcançar o estrelato é dfícil pra todo mundo, a não ser praquele que já tem bala na agulha.. mas esperamos que o Gabiru possa despontar aí, e fazer sua fama não só em Nova Iguaçu e na Baixada, mas como em todo o cenário musical do país.

Mayara F. disse...

a materia ficou ótima. Parabens!

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