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O escritor como guia

terça-feira, 9 de agosto de 2011

por Hosana Souza


Por mais prazeroso que seja experimentar e descobrir sozinho, ter alguém que lhe aponte uma determinada direção é, por diversas vezes, tudo o que mais precisamos. Pelo dicionário guia é um manual que contém informações, instruções e conselhos de diversas naturezas ou uma pessoa que conduz, que dirige, que mostra o caminho. Durante minha trajetória, que passa longe do termo autodidata, sempre tive quem me “desse uma mão” e para os amantes da escrita, que também precisam de certo apoio, o SESC e a Shahid Produções Culturais estão preparando o ciclo “O escritor como guia”.

As cores de Alvito

quarta-feira, 6 de julho de 2011

por Hosana Souza


Recordo-me da primeira vez em que vi Marcos Alvito. Um homem alto, magro e branco, cinquentão, parado ao lado da já conhecida imagem falante de Julio Ludemir. Estávamos em Nova Iguaçu, a minha cidade que, naquela manhã, se revelaria um pouco mais. Caminhamos para uma ação do programa da prefeitura local, o Livro Livre, os dois escritores e as duas meninas curiosas. Pois como era de se prever Jéssica Oliveira me acompanhava em mais essa aventura, ela que é minha companheira desde a infância.

O destino era a Polinter. Eu que nunca havia visitado meu primo que fora preso, entraria na cadeia por outro motivo: pela fé de que a leitura é capaz de libertar. A cada passo na subida da ladeira imaginei a dor que minha tia sentia ao visitá-lo. Recordei que na quinta-feira anterior, enquanto ia para a escola, a encontrei no ônibus, firme com sua sacola de utensílios e lanches para ele. Só ela e a esposa o visitavam. Não que a família o houvesse rejeitado. O próprio não queria que tivéssemos dele uma lembrança assim. Agradeci mentalmente por ele não estar ali, naquela Polinter. Me muni da câmera fotográfica e parti para o trabalho.

Arrisco dizer que a penitenciaria é nosso capitulo zero. Minha primeira lembrança de Alvito. A primeira lembrança de Alvito no desenho de suas cores.

Abecedário on-line

quinta-feira, 16 de junho de 2011

por Hosana Souza


Atraso. Pela primeira vez em dois anos de projeto essa palavra não fará referência a mim. Não cheguei pontualmente às duas da tarde, confesso. Mas estava lá antes do novo secretario da SEMCTUR, que se atrasou, pois estava se despedindo de seu ex-cargo: chefe de gabinete da SEMASPV.

Batata. É o nome, apelido, referência de Anderson. Um homem de 31 anos, baixinho e quase calvo. Que chegou de terno grafite e blusa azul-claro, na mão um tablet.

Curiosidade. E até um tanto de amedrontamento. Em uma grande roda, os jovens repórteres se espalhavam pelo piso de madeira do Espaço Cultural Sylvio Monteiro. Na cabeça milhões de perguntas, no coração a grande dúvida sobre o futuro do projeto.


Boa vontade com tudo

terça-feira, 7 de junho de 2011

por Hosana Souza


Quem vê Marcele Moreira Azevedo correndo atrasada pela rua não imagina a ligação que a jovem estudante de 20 anos tem com a educação em Nova Iguaçu. “É uma missão muito grande ser tema de uma matéria do CulturaNI”, diz com um sorriso tímido a menina dos longos cabelos castanhos. Marcele é mais conhecida pelos amigos como Moraze, que é a união de Moreira e Azevedo. Mora em Morro Agudo “desde sempre” e é filha do eletricista/pedreiro/encanador Francisco de Assis com a Dona de Casa Edi Moreira.

Como caçula de três irmãs teve suas regalias, o menor é sempre mais paparicado, porém foi também a exceção da casa estudando sempre em escola pública. “Minha irmã mais velha estudou na particular até a oitava, a do meio até a quarta, eu só escola pública se tivesse a quarta nem estudaria”, brinca. O ensino fundamental foi cursado na Escola Estadual João Much, próximo à badalada praça do skate em Nova Iguaçu. “Tenho muitas lembranças boas de lá e muitos amigos com quem falo até hoje. Tive sorte de estudar em escolas públicas boas aqui na cidade”, diz.

Abecedário da Supervia

sexta-feira, 27 de maio de 2011

por Fernando Fonseca, Hosana Souza, Josias Sabino, Thayara Cristine e Vinicius Freitas

A – Atraso, amigos, aconchego, amendoim. “Sempre três por um real”.

B – Bilhete único, Belford Roxo, barulho, balanço. “Não entendo como as pessoas dormem com esse sacolejo todo!”

C – Coca-Cola, camelô, cansaço, Central do Brasil. “Ainda bem que fico na Central, do contrário me perderia todos os dias. O que eu reponho de sono no trem, não está no mapa”.

Treino para a vida

quinta-feira, 26 de maio de 2011

por Hosana Souza

Na manhã do último sábado ensolarado, ainda cedo, preguiçosamente me arrumei para o trabalho. Meu destino era um evento do Programa do Governo Federal “Brasil Alfabetizado”. Logo ao entrar no pátio da Escola Municipal Monteiro Lobato, me vejo recepcionada pelo Mickey e por uma animada banda a tocar O Barquinho, de Roberto Menescal. Sorri. A banda formada pelas crianças da escola com seu uniforme azul era conduzida por um maestro caprichosamente vestido com um terno. Em alguns minutos, descobri que o alegre personagem da Disney era, na verdade, um morador do bairro da Posse. E que não enxergava nada com aquela cabeça gigante de espuma que lhe tranasformava. “É insuportavelmente quente”, resmungou Adriano França, o Mickey, enquanto distribuía maçãs do amor para crianças com o olhar encantado.

Para entrar no pátio da escola é necessário atravessar um corredor, branco e largo, com alguns degraus. Eu o fiz na companhia de Dona Ione Vital, de 69 anos. “Eles não podem fazer escada sem corrimão, fica muito mais dificil”, disse ela enquanto a auxiliava na subida dos cinco degraus. Ao finalmente entrar no pátio e subir o olhar, fui tomada por uma explosão de cores, movimentos, aromas, sons. Crianças, adultos, idosos. Filas, apresentações, brincadeiras, politicos. Dezenas de coisas acontecendo em um pequeno espaço de tempo e lugar.

De volta ao trem

sexta-feira, 20 de maio de 2011

por Hosana Souza

22h15m – Central do Brasil. Composição com destino ao terminal Japeri. Trem parador, tempo estimado de viagem: uma hora e quarenta minutos.

“Vem que tem, vem que tem. Economia é com o gordo do trem”, grita com chocolates a um real e sorrisos gratuitos Pedro Bezerra. Engana-se profundamente quem supõe que o trem é um simples transporte público. A sagaz e exploradora Supervia avisou: “O Rio passa por aqui”. O trem, principalmente nos horários de rush, é simplesmente o maior pedaço de vida da cidade.

Primeiro vagão

“Esse é o vagão que não paga a conta de luz”, brinca a diarista Luciana Lima com o fato de que raramente as luzes desse vagão estão acesas. O que não é de modo algum um incômodo. Para os dorminhocos de plantão, o balanço do trem é melhor que qualquer música calma e um quarto de dormir. “O trem é um berço pra mim”, diz o jornalista Vinicius Tomas.

Shopping de metal

terça-feira, 10 de maio de 2011

por Hosana Souza

A maioria das pessoas, quando perguntadas sobre grandes centros de consumo, automaticamente pensariam em um Shopping Center. A primeira imagem, porém, que me vem à cabeça é de um elemento com apenas quatro letras: o trem. As velha composições de metal que cortam o estado do Rio de Janeiro, com seus barulhos, histórias e aromas. Um mercado de pessoas e vida.

Os camelôs são praticamente a alma do trem. Sem eles e seus objetos de extrema importância cotidiana, as viagens de no mínimo uma hora provavelmente não teriam a menor graça. No trem, você pode comprar desde um belo lanche – doces, biscoitos, pipoca, amendoins, bebidas e picolé -, até utensílios domésticos como descascador de abacaxi, guarda-chuva, cadeira de praia, revista, controle remoto, carteira, bolsa, caderno, caneta e manual para concursos públicos. “Tudo isso e muito mais é aqui na minha mão, senhoras e senhores. O passatempo da sua viagem!”, grita um deles, enquanto some na multidão.

“São inúmeras as coisas que a gente encontra no trem e que não podemos deixar de comprar”, diz a técnica de laboratório Elza Beatriz. “Tem muita coisa boba, tipo caneta. Em dez minutos, ela para de funcionar, mas tem muita coisa útil também. Eu tenho, por exemplo, um descascador de batatas que é uma maravilha que comprei no trem”, completa Marli dos Santos, uma das muitas amigas que Elza fez em viagens da Central até Japeri, cortando a Baixada Fluminense e outras regiões.

O mercado dos trens cariocas atrai não só olhares curiosos como também empreendedores. Luciano Matos, um paulista de 34 anos, se orgulha de ter abandonado a terra da garoa para viver como camelô nos trens do Rio. “Estou aqui já há 16 anos. Minha renda é muito boa, mas não é só por isso que eu continuo aqui. Amo meu trabalho”, diz ele que com o dinheiro que produz no trem já constituiu família em Bonsucesso.

Melhor que a Polishop 
Luciano é conhecido nos trens por ser o vendedor com microfone. “Eu o conheci vendendo um aparelho de tirar suco de laranja sem precisar descascar a fruta. Eu nunca vou usar aquilo, provavelmente já perdi dentro da minha mochila, mas a apresentação dele é tão legal que me convenceu. Melhor que a Polishop”, brinca o estudante de Química da UFRRJ Eduardo Veroneses.

“Eu só trabalho com produtos de utilidade doméstica. O que faz as vendas crescerem é a apresentação. Não me visto de qualquer jeito, brinco e tiro suco na hora. Ensino as pessoas a usarem. Se você reparar bem é um pedaço de plástico, mas a minha apresentação faz com que isso tenha valor”, explica Luciano, que fabrica seus produtos em parceria com um amigo de São Paulo, “Eu não trabalho com porcaria! Vejo o que mais vai vender, converso com ele, monto a apresentação e posso garantir que meus produtos duram mais de dois anos”.

O microfone sem fio que utiliza foi comprado apenas por causa de um problema na garganta. Contudo, o retorno foi tão positivo que se tornou estratégia de marketing e marca registrada. “As pessoas me reconhecem pelo microfone. Hoje forneço meus produtos para mais oito camelôs”, conta ele enquanto atende o telefonema de um companheiro, que o avisava sobre a marcação que os seguranças da SuperVia – empresa responsável pela administração dos trens do Rio de Janeiro - estavam fazendo em Deodoro.

Luciano se preparava para cursar a faculdade de nutrição em sua terra natal, quando foi surpreendido por um problema na visão. “Eu quase fiquei cego. Tive de fazer transplante nas duas córneas. Hoje enxergo mais ou menos”, relembra. Por causa da cirurgia e de seu tempo de recuperação longo, acabou perdendo seu emprego de estoquista. “Meu irmão comentou que vender coisas no trem dava certa grana e não exigia tanto esforço. Eu fui”, conta ele, que começou nos metrôs de São Paulo, mas ao saber da fama dos trens do Rio embarcou em um ônibus sem medo para tentar a sorte.

Boa vontade
Engana-se quem pensa que trabalhar de camelô é fácil. Além de passar o dia todo caminhando entre um vagão e outro, esses homens e mulheres têm de aprender a dar atenção a seus consumidores e mais ainda, estar sempre atentos aos guardas das estações da Supervia, caso não queiram perder a mercadoria. “É ilegal, nós sabemos. Mas acredito que a Supervia podia nos cadastrar. Quem trabalha direito pagaria até taxa, numa boa. Até porque eles aceitam o pessoal da Vivo, da Nestlé. Tinha que incorporar, com ordem, todo mundo. O que falta é boa vontade”, explica o camelô Roberto Silva.

A organização dos camelôs é verdadeiramente surpreendente e de um cálculo matemático que vai além da compreensão de quem não pertence àquele mundo. Sem papel ou caneta, eles se mantêm organizados, desde os horários até as linhas de trem que irão passar. Evitando, assim, um acúmulo de pessoal ou produto em uma linha ou horário. “Normalmente a gente reveza os horários durante a semana e troca de linha a cada mês. Hoje estou no trem das dez na linha Japeri. Daqui a duas semanas estarei à tarde na linha de Belford Roxo”, explica Luciano.

No grande Shopping de Metal, você pode encontrar de tudo um pouco. O maior transporte público do Rio de Janeiro tem mais que a função de levar e trazer pessoas; carregam vidas, grandes histórias, talentos. Como brincaria o camelô: “Refrigerante quente é na mão do concorrente!” Embarque no Japeri mais próximo e se permita viver.

Paixão de Comendador Soares

terça-feira, 3 de maio de 2011

por Hosana Sousa

Todo brasileiro adora um bom feriado, não podemos negar. As datas são extremamente aguardadas e, em geral, funcionam como uma folga, uma válvula de escape para o estresse do dia-a-dia. O último Feriadão de Páscoa – de 21 a 24 de abril deste ano – foi um dos mais movimentados de todos os tempos. As estradas, comumente já lotadas desde a quarta-feira, já sinalizavam isso.

Jura por Deus

terça-feira, 19 de abril de 2011

por Hosana Souza

Religião (do latim: "religio" usado na Vulgata, que significa "prestar culto a uma divindade", “ligar novamente", ou simplesmente "religar") é um conjunto de crenças sobre as causas, natureza e finalidade da vida e do universo, especialmente quando considerada como a criação de um agente sobrenatural, ou a relação dos seres humanos ao que eles consideram como santo, sagrado, espiritual ou divino. (Fonte: Minidicionário Soares Amora – Editora Saraiva, 2006).

Há de perceber por toda a história humana a influência da religião sobre a vida em sociedade. Aqui em Nova Iguaçu, mais precisamente no Conjunto Residencial Ouro Preto – em Morro Agudo/Comendador Soares –, tal influência é além de mista e difusa, fonte de grandes informações e indagações. O conjunto residencial, mais conhecido como Condomínio da Marinha, em seus trinta anos de histórias sempre foi povoado, em sua maioria, por cristãos protestantes. “Senti uma grande diferença ao me mudar para cá, pois nunca havia morado em um lugar em que todos os meus vizinhos fossem protestantes e que achavam que eu tinha distúrbios mentais por não o ser”, explica Maria José Abranches de Souza, 48 anos, esposa de um marinheiro hoje aposentado.

Lindas e falidas

domingo, 10 de abril de 2011

por Hosana Souza


“Por que as mulheres compram? Por que somos loucas desvairadas, essa é a verdade”, diz entre risos a publicitaria e moradora de Comendador Soares Glayciellen Gomes. Para algumas mulheres, a palavra comprar é praticamente sinônimo de existir. Ainda mais quando envolvidas pela lógica capitalista e suas ‘meigas e conhecidas facilidades’, como cartão de crédito.

Algumas, mais controladas, compram apenas por necessidade. Outras não resistem às tentações e no meio da matemática feminina - que envolve as palavras liquidação e seis vezes sem juros - terminam lindas e falidas. “Eu não sei explicar, meus olhos simplesmente brilham quando vejo uma roupa nova, ou algum acessório”, explica Glayciellen. “E não poder comprar é um suplício, uma frustração. Passei na C&A essa semana – que está com coleção nova – e tive que subir para pagar o cartão olhando apenas para o piso. Do contrário não resistiria”, completa Jéssica Oliveira, nossa companheira de redação.

Jesus ouviu sininhos

sexta-feira, 25 de março de 2011

por Hosana Souza


Marcelle Abreu
Você consegue imaginar a Marcelle Abreu, colunista de moda do CulturaNI e esmaltólatra de plantão correndo descalça na rua ou, até mesmo, caindo em um valão em Miguel Couto? “Eu era um verdadeiro moleque, até cicatriz na canela eu tenho, por causa de um vergalhão em que me enfiei correndo atrás de pipa”, relembra entre risos a universitária de 21 anos. A imagem de boneca dessa simpática menina foi construída nos últimos anos e junto com feminilidade de Marcelle foi edificada a maturidade e a memória de uma grande mulher.

Sempre apaixonada, a filha de Jorgina Abreu e Isaias Abreu nasceu em Miguel Couto e veio morar no bairro Califórnia com apenas sete anos. “Eu não queria me mudar porque lá eu já tinha amigas”, relembra. A mudança se deu, principalmente, porque sua escola ficava distante demais de sua casa, o que implicava em mais custos financeiros. “Eu devo tudo aos meus pais, eles nunca me negaram nada, principalmente com educação. Sempre estudei em escola privada, fiz curso de idioma. Eles se apertavam e davam um jeito”.

E com a escola vieram as primeiras grandes aventuras. A primeira parte do ensino fundamental foi cursada no Instituto de Ensino Santo Antônio (IESA), no bairro da Prata, e Marcelle de Jesus Frederico Abreu relembra com carinho os apelidos de Fred, por causa do sobrenome, ou de formiguinha, por ser pequena e magrela. “Nossa, eu fui muito zoada na escola! Ainda tinham as rixas com outros grupinhos ou a hora da chamada em que o professor falava apenas ‘Marcelle de Jesus’ e em coro eles respondiam ‘amém!’”, conta ela, que sempre preferia a presença dos meninos e tinha como matéria favorita a Educação Fisica.

Mãe, eu conheci o Txutxucão

por Hosana Souza



Quem fez parte da Geração Xuxa pode levantar a mão sem medo. A simpática e sempre loira gaúcha global faz parte da vida e das lembranças de milhares de jovens em todo o território nacional. Porém, Filipi Carvalho, jovem jornalista e morador de Austin, foi além. “Eu era o Txutxucão”, revela encabulado diante de meus arregalados olhos.

Filipi, hoje com 22 anos, interpretava o cachorro da rainha dos baixinhos em suas aventuras pelo PROJAC, quando tinha 17. “Era muito divertido e mais ainda cansativo e quente”, revela sorrindo. O jovem, na época, trabalhava como figurante em várias novelas globais. Convidado para fazer figuração também no Show da Xuxa, Filipi terminou conquistando o lugar do dançarino e coreógrafo Fly. “Eu estava lá apenas para a figuração. Era o Fly, que não podia ir. Aí gritaram: 'Filipi bota essa roupa'. Pronto eu era o Txutxucão”.


É CINEROCK!

terça-feira, 1 de março de 2011

por Hosana Souza; fotos Evento Cinerock


Sem preconceitos e com um único critério: criatividade. O evento organizado pelo coletivo Pública Alternativa já chegou a sua terceira edição e com todo seu poder de sedução agitou o Sesc de Nova Iguaçu na tarde/noite do último sábado. Ainda não sabe do que estou falando? É claro que é o CINEROCK!


“Tem gente que vem pelo Cine, tem gente que vem pelo Rock. O importante é estar no evento”, brinca nossa companheira de redação Jéssica de Oliveira, como quem anunciava sem querer o quanto todo o trabalho renderia frutos. As noites mal dormidas e as incessantes mensagens espalhadas pelas redes sociais reuniram diversas pessoas construindo mais sessões de sucesso. “O Cinerock me deixa mais nervosa que o casamento”, revelou Josy Antunes, produtora do evento.

A mostra de cinematográfica contou com a presença de diversas pessoas que “Fizeram a sua cena”. Dos 50 curtas inscritos vindos da Baixada, de todo Rio de Janeiro, de Minas Gerais e de São Paulo, os filmes escolhidos foram: "Laranjais", do Alejandro Medallo; "O banquete de Platão", do Coletivo Heróis do Cotidiano; "Basta um sopro", de Roberta Dittz; "Making of do estudo Dama da Noite", do Coletivo Cubo; "Orgulho de morar na comunidade", do VJ Paulo China; "Müll Musik - Restos sonoros", de Ricardo Paris; "A flor das esporas", de Hanny Saraiva; "Macarrones instantáneos", de Renato Acácio; "Não me deixe te deixar", de Pedro Dias e "Sound of Things", de Baractho.

Cama móvel

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

por Hosana Souza


Imagem Google

Em um sobressalto, os olhos se abrem assustados e ao olhar pela janela surge a constatação de que mais uma vez o ponto desejado havia ficado para trás. Após respirar fundo e provavelmente mentalizar algum xingamento, resolve pegar o celular: “Alô, mãe? Então, eu vou chegar um pouco tarde, mas não precisa se preocupar, eu tô bem. É que eu tenho que esperar outro ônibus... É mãe, eu tô em Austin!”. A cena protagonizada pelo universitário Ramon Guedes, 19 anos, morador de Comendador Soares, não é exclusiva do jovem conhecido pelos amigos como “o rei das sonecas”.

Da mesma forma que para morrer basta estar vivo, para dormir basta fechar os olhos. É seguindo essa linha de pensamento que, por necessidade, várias pessoas utilizam os meios de transporte como cama móvel. “Se eu não dormir no trem o meu dia está acabado, viro um zumbi”, afirma Elza Beatriz, 42, que se reveza entre o papel de mãe e técnica de laboratório na UERJ. “Quando não consigo um lugar para meu sagrado cochilo, o pessoal tem que aturar pelo resto do dia meu mau humor, fico no automático”, diz.

A essência do MST

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

por Hosana Souza


Quem, como eu, passa todo fim de tarde pelo Calçadão e observa Wanderley Laurindo e sua banca, não imagina que atrás de cada essência existe uma marca desses quarenta anos de história. O simpático e magro homem me recebe e reconta sua trajetória enquanto atende os fregueses, que vaidosos experimentam perfumes. O inicio de sua estrada nem mesmo Wanderley consegue recordar, mas sem delongas me envia ao período, com certeza, mais marcante: O Movimento dos Sem Terra.

“Cansei do MST”, afirma ele com convicção, para meu espanto. “Sinto muita falta, confesso. O ideal de lutar pela divisão das coisas entre os pobres é algo que ainda se move em mim, mas cansei daquilo lá”. Wanderley deixou para trás um dos maiores movimentos de luta pela reforma agrária do país, e deixou também duas esposas e três filhas em Campos dos Goytacases em um assentamento.

A embriaguez do cinema

por Hosana Souza

O cinema é especialista em modificar personagens, criando novas e surpreendentes situações. Mas você conseguiria imaginar Diego Bion, do Cineclube Buraco do Getúlio, como enfermeiro? “Eu quase entrei nessa. Minha mãe, meu pai, meu avô, todos estão na área da saúde, eu até fiz o técnico por um tempo”, diz Bion, relembrando a adolescência. A troca do uniforme branco pelo papel, caneta e câmera digital foi apenas uma das mudanças ocorridas na sua vida.

O que era para ser apenas um curso que ocupasse as horas vagas terminou se tornando a razão de viver de Bion. “Uma vizinha nossa que era merendeira contou pra minha mãe que na escola que ela trabalhava teria uma oficina de cinema e minha mãe falou para ir e aproveitar”, conta ele, que partiu para o Bairro Botafogo atrás da oportunidade. “Eu fiquei na reserva, o curso era para vinte pessoas e eu era o vigésimo quinto, mas eu consegui. Depois terminei largando o curso de enfermagem e entrando na FAETEC para fazer Produção Audiovisual”, explica.

Geografia sagaz

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

por Hosana Souza


Cine Tela Brasil 2010
A cadeira na calçada, mais uma tarde quente do típico verão em Nova Iguaçu. “Desculpa o atraso”, argumentaram em uníssono meus entrevistados. Naquele momento recordei a primeira tarde, bem parecida com essa e que me levou até ali. “Você não pode se atrasar”, disse Wanderson Duke em seu melhor tom ameaçador. Era sábado e eu mataria o último tempo de matemática do pré-vestibular. O destino também era o Sylvio Monteiro, mas o motivo era a exibição de curta-metragens produzidos na estada iguaçuana do Cine Tela Brasil.

A luz do teatro se apagou. Revelaram-se um jovem casal, uma criança e uma relação destrutiva. O FIM. Oito minutos de uma produção feita por um time que nem de longe pode ser considerado amador. Com roteiro por Carlos Camacho e Yasmin Thayná, fotografia de Saulo Martins e os atores Johnny Rocha e Natália Magalhães, o surpreendente filme seria comentado até mesmo pelo convidado da noite, José Wilker.

Calçadão perfumado

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

por Hosana Souza e Marcele Abreu


Afinal, quem não gosta de ser reconhecido por um agradável aroma? “Eu não saio em hipótese alguma de casa sem perfume. Diversas vezes voltei em casa mesmo atrasado só para passar o ‘meu cheiro’”, confessa Gustavo Sá, 19 anos.

A paixão pelo perfume pode ser considerada a maior das vaidades, atingindo todos os públicos. O particular apreço iguaçuano pelas fragrâncias é de longa data, e comumente é repassado de uma geração para outra. “Minha família é repleta de mulheres vaidosas e lindas e sempre cheirosas, herdei isso delas”, diz a jovem repórter Jéssica Oliveira.

Assim como em todas as vaidades, o mercado consumidor de perfumes vem se fortalecendo cada dia mais, confundindo hábito de higiene, paixão e vício. “Minha mãe no mínimo compra dois perfumes por mês”, explica Jéssica. “Minhas tias são revendedoras de cosmético e minha mãe leva a revista para o trabalho e ganha lá os seus 30%, que são completamente voltados à aquisição de mais perfumes”.

 

Com a corda toda

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

por Hosana Souza


O aniversário da Cidade de Nova Iguaçu, dia 15, promete várias atrações culturais, dentre elas a oficina de cordel com o grupo e Pontinho de Cultura “Cordel com a Corda Toda”. A oficina ocorrerá durante a primeira parte das comemorações, pela manhã, a partir das 10h na Igreja de Nossa Senhora da Piedade, na Prata.

O grupo, que desenvolve suas atividades há cinco anos e ministra oficinas culturais para as crianças do Bairro Escola já há três anos, conta, além da verba do Fundo Municipal Escritor Antonio Fraga, com o patrocínio da Casa da Moeda e da empresa Eletrobrás. “Graças a essas parcerias, nós podemos desenvolver oficinas que mostram e ensinam a arte do cordel”, diz o coordenador e oficineiro Marco Covaski. “A maioria dos pontinhos se contentou com a verba da prefeitura, nós a interpretamos apenas como um pontapé para vários aprendizados”, completa.

 
 
 
 
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