por Hosana Souza
O escritor como guia
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As cores de Alvito
por Hosana Souza
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Abecedário on-line
por Hosana Souza
Atraso. Pela primeira vez em dois anos de projeto essa palavra não fará referência a mim. Não cheguei pontualmente às duas da tarde, confesso. Mas estava lá antes do novo secretario da SEMCTUR, que se atrasou, pois estava se despedindo de seu ex-cargo: chefe de gabinete da SEMASPV.
Batata. É o nome, apelido, referência de Anderson. Um homem de 31 anos, baixinho e quase calvo. Que chegou de terno grafite e blusa azul-claro, na mão um tablet.
Curiosidade. E até um tanto de amedrontamento. Em uma grande roda, os jovens repórteres se espalhavam pelo piso de madeira do Espaço Cultural Sylvio Monteiro. Na cabeça milhões de perguntas, no coração a grande dúvida sobre o futuro do projeto.
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Boa vontade com tudo
por Hosana Souza
Quem vê Marcele Moreira Azevedo correndo atrasada pela rua não imagina a ligação que a jovem estudante de 20 anos tem com a educação em Nova Iguaçu. “É uma missão muito grande ser tema de uma matéria do CulturaNI”, diz com um sorriso tímido a menina dos longos cabelos castanhos. Marcele é mais conhecida pelos amigos como Moraze, que é a união de Moreira e Azevedo. Mora em Morro Agudo “desde sempre” e é filha do eletricista/pedreiro/encanador Francisco de Assis com a Dona de Casa Edi Moreira.
Como caçula de três irmãs teve suas regalias, o menor é sempre mais paparicado, porém foi também a exceção da casa estudando sempre em escola pública. “Minha irmã mais velha estudou na particular até a oitava, a do meio até a quarta, eu só escola pública se tivesse a quarta nem estudaria”, brinca. O ensino fundamental foi cursado na Escola Estadual João Much, próximo à badalada praça do skate em Nova Iguaçu. “Tenho muitas lembranças boas de lá e muitos amigos com quem falo até hoje. Tive sorte de estudar em escolas públicas boas aqui na cidade”, diz.
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Abecedário da Supervia
por Fernando Fonseca, Hosana Souza, Josias Sabino, Thayara Cristine e Vinicius Freitas
A – Atraso, amigos, aconchego, amendoim. “Sempre três por um real”.
B – Bilhete único, Belford Roxo, barulho, balanço. “Não entendo como as pessoas dormem com esse sacolejo todo!”
C – Coca-Cola, camelô, cansaço, Central do Brasil. “Ainda bem que fico na Central, do contrário me perderia todos os dias. O que eu reponho de sono no trem, não está no mapa”.
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Treino para a vida
por Hosana Souza
Na manhã do último sábado ensolarado, ainda cedo, preguiçosamente me arrumei para o trabalho. Meu destino era um evento do Programa do Governo Federal “Brasil Alfabetizado”. Logo ao entrar no pátio da Escola Municipal Monteiro Lobato, me vejo recepcionada pelo Mickey e por uma animada banda a tocar O Barquinho, de Roberto Menescal. Sorri. A banda formada pelas crianças da escola com seu uniforme azul era conduzida por um maestro caprichosamente vestido com um terno. Em alguns minutos, descobri que o alegre personagem da Disney era, na verdade, um morador do bairro da Posse. E que não enxergava nada com aquela cabeça gigante de espuma que lhe tranasformava. “É insuportavelmente quente”, resmungou Adriano França, o Mickey, enquanto distribuía maçãs do amor para crianças com o olhar encantado.
Para entrar no pátio da escola é necessário atravessar um corredor, branco e largo, com alguns degraus. Eu o fiz na companhia de Dona Ione Vital, de 69 anos. “Eles não podem fazer escada sem corrimão, fica muito mais dificil”, disse ela enquanto a auxiliava na subida dos cinco degraus. Ao finalmente entrar no pátio e subir o olhar, fui tomada por uma explosão de cores, movimentos, aromas, sons. Crianças, adultos, idosos. Filas, apresentações, brincadeiras, politicos. Dezenas de coisas acontecendo em um pequeno espaço de tempo e lugar.
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De volta ao trem
por Hosana Souza
22h15m – Central do Brasil. Composição com destino ao terminal Japeri. Trem parador, tempo estimado de viagem: uma hora e quarenta minutos.
“Vem que tem, vem que tem. Economia é com o gordo do trem”, grita com chocolates a um real e sorrisos gratuitos Pedro Bezerra. Engana-se profundamente quem supõe que o trem é um simples transporte público. A sagaz e exploradora Supervia avisou: “O Rio passa por aqui”. O trem, principalmente nos horários de rush, é simplesmente o maior pedaço de vida da cidade.
Primeiro vagão
“Esse é o vagão que não paga a conta de luz”, brinca a diarista Luciana Lima com o fato de que raramente as luzes desse vagão estão acesas. O que não é de modo algum um incômodo. Para os dorminhocos de plantão, o balanço do trem é melhor que qualquer música calma e um quarto de dormir. “O trem é um berço pra mim”, diz o jornalista Vinicius Tomas.
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Shopping de metal
por Hosana Souza
A maioria das pessoas, quando perguntadas sobre grandes centros de consumo, automaticamente pensariam em um Shopping Center. A primeira imagem, porém, que me vem à cabeça é de um elemento com apenas quatro letras: o trem. As velha composições de metal que cortam o estado do Rio de Janeiro, com seus barulhos, histórias e aromas. Um mercado de pessoas e vida.
Os camelôs são praticamente a alma do trem. Sem eles e seus objetos de extrema importância cotidiana, as viagens de no mínimo uma hora provavelmente não teriam a menor graça. No trem, você pode comprar desde um belo lanche – doces, biscoitos, pipoca, amendoins, bebidas e picolé -, até utensílios domésticos como descascador de abacaxi, guarda-chuva, cadeira de praia, revista, controle remoto, carteira, bolsa, caderno, caneta e manual para concursos públicos. “Tudo isso e muito mais é aqui na minha mão, senhoras e senhores. O passatempo da sua viagem!”, grita um deles, enquanto some na multidão.
“São inúmeras as coisas que a gente encontra no trem e que não podemos deixar de comprar”, diz a técnica de laboratório Elza Beatriz. “Tem muita coisa boba, tipo caneta. Em dez minutos, ela para de funcionar, mas tem muita coisa útil também. Eu tenho, por exemplo, um descascador de batatas que é uma maravilha que comprei no trem”, completa Marli dos Santos, uma das muitas amigas que Elza fez em viagens da Central até Japeri, cortando a Baixada Fluminense e outras regiões.
O mercado dos trens cariocas atrai não só olhares curiosos como também empreendedores. Luciano Matos, um paulista de 34 anos, se orgulha de ter abandonado a terra da garoa para viver como camelô nos trens do Rio. “Estou aqui já há 16 anos. Minha renda é muito boa, mas não é só por isso que eu continuo aqui. Amo meu trabalho”, diz ele que com o dinheiro que produz no trem já constituiu família em Bonsucesso.
Melhor que a Polishop
Luciano é conhecido nos trens por ser o vendedor com microfone. “Eu o conheci vendendo um aparelho de tirar suco de laranja sem precisar descascar a fruta. Eu nunca vou usar aquilo, provavelmente já perdi dentro da minha mochila, mas a apresentação dele é tão legal que me convenceu. Melhor que a Polishop”, brinca o estudante de Química da UFRRJ Eduardo Veroneses.
“Eu só trabalho com produtos de utilidade doméstica. O que faz as vendas crescerem é a apresentação. Não me visto de qualquer jeito, brinco e tiro suco na hora. Ensino as pessoas a usarem. Se você reparar bem é um pedaço de plástico, mas a minha apresentação faz com que isso tenha valor”, explica Luciano, que fabrica seus produtos em parceria com um amigo de São Paulo, “Eu não trabalho com porcaria! Vejo o que mais vai vender, converso com ele, monto a apresentação e posso garantir que meus produtos duram mais de dois anos”.
O microfone sem fio que utiliza foi comprado apenas por causa de um problema na garganta. Contudo, o retorno foi tão positivo que se tornou estratégia de marketing e marca registrada. “As pessoas me reconhecem pelo microfone. Hoje forneço meus produtos para mais oito camelôs”, conta ele enquanto atende o telefonema de um companheiro, que o avisava sobre a marcação que os seguranças da SuperVia – empresa responsável pela administração dos trens do Rio de Janeiro - estavam fazendo em Deodoro.
Luciano se preparava para cursar a faculdade de nutrição em sua terra natal, quando foi surpreendido por um problema na visão. “Eu quase fiquei cego. Tive de fazer transplante nas duas córneas. Hoje enxergo mais ou menos”, relembra. Por causa da cirurgia e de seu tempo de recuperação longo, acabou perdendo seu emprego de estoquista. “Meu irmão comentou que vender coisas no trem dava certa grana e não exigia tanto esforço. Eu fui”, conta ele, que começou nos metrôs de São Paulo, mas ao saber da fama dos trens do Rio embarcou em um ônibus sem medo para tentar a sorte.
Boa vontade
Engana-se quem pensa que trabalhar de camelô é fácil. Além de passar o dia todo caminhando entre um vagão e outro, esses homens e mulheres têm de aprender a dar atenção a seus consumidores e mais ainda, estar sempre atentos aos guardas das estações da Supervia, caso não queiram perder a mercadoria. “É ilegal, nós sabemos. Mas acredito que a Supervia podia nos cadastrar. Quem trabalha direito pagaria até taxa, numa boa. Até porque eles aceitam o pessoal da Vivo, da Nestlé. Tinha que incorporar, com ordem, todo mundo. O que falta é boa vontade”, explica o camelô Roberto Silva.
A organização dos camelôs é verdadeiramente surpreendente e de um cálculo matemático que vai além da compreensão de quem não pertence àquele mundo. Sem papel ou caneta, eles se mantêm organizados, desde os horários até as linhas de trem que irão passar. Evitando, assim, um acúmulo de pessoal ou produto em uma linha ou horário. “Normalmente a gente reveza os horários durante a semana e troca de linha a cada mês. Hoje estou no trem das dez na linha Japeri. Daqui a duas semanas estarei à tarde na linha de Belford Roxo”, explica Luciano.
No grande Shopping de Metal, você pode encontrar de tudo um pouco. O maior transporte público do Rio de Janeiro tem mais que a função de levar e trazer pessoas; carregam vidas, grandes histórias, talentos. Como brincaria o camelô: “Refrigerante quente é na mão do concorrente!” Embarque no Japeri mais próximo e se permita viver.
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Paixão de Comendador Soares
por Hosana Sousa
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Jura por Deus
por Hosana Souza
Religião (do latim: "religio" usado na Vulgata, que significa "prestar culto a uma divindade", “ligar novamente", ou simplesmente "religar") é um conjunto de crenças sobre as causas, natureza e finalidade da vida e do universo, especialmente quando considerada como a criação de um agente sobrenatural, ou a relação dos seres humanos ao que eles consideram como santo, sagrado, espiritual ou divino. (Fonte: Minidicionário Soares Amora – Editora Saraiva, 2006).
Há de perceber por toda a história humana a influência da religião sobre a vida em sociedade. Aqui em Nova Iguaçu, mais precisamente no Conjunto Residencial Ouro Preto – em Morro Agudo/Comendador Soares –, tal influência é além de mista e difusa, fonte de grandes informações e indagações. O conjunto residencial, mais conhecido como Condomínio da Marinha, em seus trinta anos de histórias sempre foi povoado, em sua maioria, por cristãos protestantes. “Senti uma grande diferença ao me mudar para cá, pois nunca havia morado em um lugar em que todos os meus vizinhos fossem protestantes e que achavam que eu tinha distúrbios mentais por não o ser”, explica Maria José Abranches de Souza, 48 anos, esposa de um marinheiro hoje aposentado.
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Lindas e falidas
por Hosana Souza
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Jesus ouviu sininhos
por Hosana Souza
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Marcelle Abreu |
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Mãe, eu conheci o Txutxucão
por Hosana Souza
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É CINEROCK!
por Hosana Souza; fotos Evento Cinerock
“Tem gente que vem pelo Cine, tem gente que vem pelo Rock. O importante é estar no evento”, brinca nossa companheira de redação Jéssica de Oliveira, como quem anunciava sem querer o quanto todo o trabalho renderia frutos. As noites mal dormidas e as incessantes mensagens espalhadas pelas redes sociais reuniram diversas pessoas construindo mais sessões de sucesso. “O Cinerock me deixa mais nervosa que o casamento”, revelou Josy Antunes, produtora do evento.
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Cama móvel
por Hosana Souza
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Imagem Google |
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A essência do MST
por Hosana Souza
Quem, como eu, passa todo fim de tarde pelo Calçadão e observa Wanderley Laurindo e sua banca, não imagina que atrás de cada essência existe uma marca desses quarenta anos de história. O simpático e magro homem me recebe e reconta sua trajetória enquanto atende os fregueses, que vaidosos experimentam perfumes. O inicio de sua estrada nem mesmo Wanderley consegue recordar, mas sem delongas me envia ao período, com certeza, mais marcante: O Movimento dos Sem Terra.
“Cansei do MST”, afirma ele com convicção, para meu espanto. “Sinto muita falta, confesso. O ideal de lutar pela divisão das coisas entre os pobres é algo que ainda se move em mim, mas cansei daquilo lá”. Wanderley deixou para trás um dos maiores movimentos de luta pela reforma agrária do país, e deixou também duas esposas e três filhas em Campos dos Goytacases em um assentamento.
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A embriaguez do cinema
por Hosana Souza
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Geografia sagaz
por Hosana Souza
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Cine Tela Brasil 2010 |
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Calçadão perfumado
por Hosana Souza e Marcele Abreu
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Com a corda toda
por Hosana Souza
O aniversário da Cidade de Nova Iguaçu, dia 15, promete várias atrações culturais, dentre elas a oficina de cordel com o grupo e Pontinho de Cultura “Cordel com a Corda Toda”. A oficina ocorrerá durante a primeira parte das comemorações, pela manhã, a partir das 10h na Igreja de Nossa Senhora da Piedade, na Prata.
O grupo, que desenvolve suas atividades há cinco anos e ministra oficinas culturais para as crianças do Bairro Escola já há três anos, conta, além da verba do Fundo Municipal Escritor Antonio Fraga, com o patrocínio da Casa da Moeda e da empresa Eletrobrás. “Graças a essas parcerias, nós podemos desenvolver oficinas que mostram e ensinam a arte do cordel”, diz o coordenador e oficineiro Marco Covaski. “A maioria dos pontinhos se contentou com a verba da prefeitura, nós a interpretamos apenas como um pontapé para vários aprendizados”, completa.
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