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Essência do carnaval de rua

sexta-feira, 4 de março de 2011

por Felipe Branco

Carnaval é época de engarrafar a Rio-Manilha rumo à Região dos Lagos ou de seguir a moda, indo curtir  os badalados blocos de rua no Centro do Rio. Mas e quem fica na Baixada? E quem não tem grana para bancar um engarrafamento para Arraial, Cabo Frio ou Rio das Ostras, nem tem disposição de se aventurar nos blocos cariocas?

O morador “classe média” da Baixada tem um certo complexo de vira-lata, que cisma de achar que o dos outros é melhor. Chega fevereiro ou março, como neste ano, o cidadão médio começa a se agitar para sair do seu ambiente, tentando ser feliz nas praias das cidades além dos pedágios, ou tenta ser descolado e carioca curtindo o Cordão do Bola Preta ou o Suvaco de Cristo, sem muita opção para mijar.

Fogo no cinema

quinta-feira, 3 de março de 2011

por Felipe Branco

Uma das grandes queixas de quem mora na periferia é a falta de salas de cinema. Desde a década de 1980 que Queimados não tem uma sala de exibição, e o mais perto é o cinema blockbuster do Top Shopping e os cineclubes de Nova Iguaçu. Em 2007, surgiu em Queimados um espaço cultural, o Queimados Encena, idealizado pelo ator e produtor cultural Leandro Santanna, de 32 anos. O cineclube, inaugurado no dia 17 de fevereiro, foi agraciado pelo edital do MinC Cine Mais Cultura, sendo o 8º dos 54 projetos do Rio.

O Espaço Queimados Encena, que abriga oficinas de teatro, violão e artesanato e agora o Cine Marapicu, fica na rua Mustafá 116, mas é mais fácil achá-lo pelas suas paredes verdes, que se destacam no centro de Queimados. No dia da inauguração, havia cerca de 30 pessoas, que entraram por um tapete vermelho, digno das melhores estreias. O filme exibido foi Preto no Branco, de Ronaldo German, filme em que Leandro atuou.

Esperança mínima

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

por Felipe Branco

Dia desses pensei sobre a tragédia que aconteceu na região serrana do Rio, particularmente naquelas pessoas que se apresentaram de imediato como voluntárias, para oferecer algum tipo de ajuda. Seria injusto com esses heróis não destinar nossa atenção e lhes dar o devido crédito pela melhora na nossa sociedade em geral. Não só pelos que ajudam em tragédias, mas como os que se solidarizam com o próximo independentemente de tragédias de vulto ou de apelo da mídia.

Lembrei de pronto de uma amiga do Cacuia, bairro de Austin, que sempre teve esse espírito caridoso. Falo de Ana Célia Fernandes Martins, uma católica de 40 anos da Paróquia Menino Jesus de Praga do Cacuia. Ele vem exercendo sua capacidade de solidariedade há cerca de seis anos, quando, ao longo de dois anos, reunia a família e alguns vizinhos nas manhãs de sábado para preparar um sopão que distribuía por intermédio das CEB´s (Comunidade Eclesiais de Base) e da Renovação Carismática. "Eles vinham de várias partes de Austin, principalmente do Tinguazinho. Traziam vasilha, panela ou algum tipo de pote para poder levar a sopa pra casa", lembra Ana Célia.

Colegas de trabalho

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

por Felipe Branco

Quem passa pelo calçadão de Nova Iguaçu sempre se defronta com o barulho, o caos e a desordem. É praticamente impossível se concentrar em algo ou em alguém devido à algazarra. E no meio de toda essa bagunça, destacam-se os locutores, que usam os microfones para chamar a atenção de quem está ali. Os mais famosos trabalham na esquina da Amaral Peixoto com a Nilo Peçanha, que, embora trabalhem em modalidades de comércio, ficam se provocando como se estivessem disputando o mesmo tipo de cliente.

Fogo no templo

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

por Felipe Branco


Ouvir jazz e heavy metal, tocar rock e hip-hop, dançar, produzir eventos, estudar e fazer roteiros e filmes, ir a estádios de futebol são só uma pequena mostra do que os novos crentes estão fazendo. Crentes nunca foram de ouvir jazz, heavy metal ou hip-hop, por serem recriminados ou simplesmente por essas coisas terem muita afinidade com o meio cristão tradicional. Fazer filme é coisa de gente moderninha ou descolada, coisa que crente não é, ou não era. Estádio é ambiente pesado, lugar que o crente não deve frequentar, ou não deveria se continuassem pensando como antes. Quem enxergava os evangélicos como seres de outro mundo, seres isolados da sociedade, presos no seu próprio mundo, livre dos prazeres e dos hábitos que a sociedade oferece, se engana. Hoje os crentes são uma parcela significativa da população, cerca de 46 milhões e atravessam todas as classe sociais. Há quem estime que em 2020 metade dos brasileiros será de crentes, já que seu crescimento é bem maior do que o crescimento da população total.

Rafael Schubert, um morador de Queimados de 19 anos e membro da Igreja Nova Aliança, não vê incompatibilidade entre sua opção religiosa e o hardcore que toca na banda Status Condicional, cujas letras louvam Deus da maneira tradicionalmente ácida desse estilo musical. “Nossas letras falam das pessoas que negam a existência de Deus, mas quando precisam de algo dizem 'ai meu Deus', conta o roqueiro, que também usa sua arte para criticar as pessoas que, embora acreditem no poder de Deus, continuam errando.


Espaço vivo em São João

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

por Felipe Branco


Dia desses me convidaram para ir ao Algaraiva, um bar na Vila Operária, em São João de Meriti. Era uma inauguração de um bar alternativo, aberto a para todos tipos de manifestações artísticas e culturais. O dono da parada é o Gabriel Pimentel, 27 anos, conhecido como Soneca. Gabriel se diz anarquista e viveu um tempo junto a outros ocupantes da Okupação Flôr do Asfalto, na zona Portuária do Rio. A Flor do Asfalto surgiu da necessidade de alguns indivíduos se expressarem culturalmente. “Mas uma cultura à margem, não essa cultura “normal”, explica Soneca, que morou naquela área de cerca de 2500 metros quadrados, dividida em duas partes, com mais de 20 famílias. A outra era um espaço anarquista autogerido, a Flôr do Asfalto.

Coisa de maluco

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

por Felipe Branco

Em recesso para a prestação de contas exigida pelo Ministério da Cultura, o pontinho de cultura da ONG Meduca retomou suas atividades para ensaiar a dança gospel que apresentará na Teia Baixada 2010, no Sesc de Nova Iguaçu, no próximo dia 10, às 15h.

A ong é comandada pela irmã Cecília Onofre, para quem o último semestre foi muito produtivo, embora ela se ressinta de instrumentos de avaliação e outros detalhes administrativos para o próximo período de atividades. "O projeto Dança Gospel tem por objetivo difundir a cultura gospel, mostrando que crentes não são aculturados".

Batidão do terror

terça-feira, 10 de agosto de 2010

por Felipe Branco e Tony Prado


Roncos de motores e um som “lounge” colocado no máximo, encontros, diversões, bebidas e uma diversidade incalculável de pessoas, é o que geralmente poderíamos encontrar num dos points mais frequentados da cidade de Beford Roxo: a Praça José Hipólito, mais conhecida como a Praça de Heliópolis. Essa seria a realidade de qualquer noite normal de quinta-feira na localidade. A praça cheia de gente, repleta de tribos e estilos diferentes. Carros estilizados, com potentes caixas-de-som, prontos para uma batalha com hora marcada, sem violência, claro!

Nas noites de quinta-feira, acontecem as batalhas de som na Praça de Heliópolis. As diversas tribos, com seus variados “barulhos”, colocam seus carros na principal rua de acesso à praça e disputam, através da quantidade de público, aquele que tem o melhor som. Seja de receptividade de público, seja de qualidade de equipamento, não importando exatamente uma regra específica, nem qualquer tipo de prêmio, mas valendo o máximo de diversão que se pode proporcionar ao público.

Laranjas guerreiros

sexta-feira, 16 de julho de 2010

por Felipe Branco

“Try”, “tackle”, “ruck” são alguns termos que talvez você e muitos não conheçam (ainda), mas pra quem conhece e joga o rugby são termos bem comuns. Para quem ainda não sabe, esse é o segundo esporte coletivo mais praticado no mundo, que é jogado num campo parecido com o de futebol. É um esporte de contato, mas, como seus admirados defendem, não é um esporte violento. É muito confundido com futebol americano, porém é mais “solto”. Além de outras peculiaridades, a bola só poder ser passada para traz.

Pontinho de leitura

quarta-feira, 7 de julho de 2010

por Felipe Branco
Há quem pense que as crianças de hoje não gostam de ler e se limitam à televisão e joguinhos eletrônicos. As crianças da Escola Municipal Luz de Lemos e os jovens do bairro Carmary mostram que são diferentes. Eles participam do projeto de incentivo à leitura “Leitura no Meu Bairro”, coordenado pela pedagoga Aline Velasco, do Núcleo de Educação e Ação.

Pequeno alcance

terça-feira, 29 de junho de 2010

por Felipe Branco

Em comemoração ao dia do cinema nacional (19 de junho), o Instituto Federal do Rio de Janeiro, em Nilópolis, promoveu o "Pare, Entre, Curta!" nos dias 17 e 18. No primeiro dia, uma maratona de 10 horas exibiu curtas como “Geraldo voador”, “Nevasca tropical”, “1986”, “A Re-volta do Rei João”, “Nozes”, “O atleta e o sedentário”, “Dalva”, “O primeiro olhar” e “Através das grades”, entre outros. Já no segundo dia, o roteirista Flávio Machado e o diretor Guilherme Whitaker atraíram principalmente estudantes de Produção Cultural, que lotaram a sala para discutir a cada vez mais efervescente cena cineclubista nacional.

400 contra 1

quinta-feira, 24 de junho de 2010

por Felipe Branco

Nova Iguaçu mostra que está se preparando para ser o grande pólo de cinema do Estado. Tal afirmação se justifica pelo sucesso da Escola Livre de Cinema, que no último dia 11 de junho recebeu 120 candidatos selecionados entre os 400 que fizeram uma prova escrita para as 40 vagas para o curso de "Linguagem Cinematográfica com Foco em Roteiro". Segundo o coordenador Anderson Barnabé, havia candidatos de várias regiões da Baixada e mesmo de outras áreas do estado, inclusive da Zona Sul do Rio de Janeiro. "Mas a maioria é de Nova Iguaçu e em especial do bairro de Miguel Couto, onde a ELC está instalada", frisou.

Pare, Entre, Curta!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

por Felipe Branco


Para comemorar o Dia do Cinema Nacional, 19 de junho, nada melhor que o projeto "Pare, Entre, Curta!". Ele vai apresentar à comunidade do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro - Campus Nilópolis - uma programação com curtas-metragens nacionais e uma mesa-redonda com discussão de temas relacionados à produção cultural e de curtas-metragens no Brasil.

Pare à Rua Lúcio Tavares, 1045, Nova Cidade, Nilópolis, no segundo andar; Entre na sala 239; E Curta nos dias 17 e 18 de junho. No primeiro dia serão exibidos curtas-metragens nacionais no horário de 10:00 ás 20:00, contemplando os alunos e funcionários de todos os turnos da instituição. No segundo dia, será realizada uma mesa-redonda, de 9:30 ás 12:00, com três temas:
I - A Importância da preservação dos filmes nacionais antigos
II- A produção cultural e o mercado de curtas
III- A manutenção dos curtas-metragens no mercado de exibição por meio do cineclubismo

A mesa será composta por Flávio Machado, Dir. Relações Institucionais, ASCINE RJ, e Guilherme Whitaker, formado em cinema pela UFF, diretor, produtor e curador da Mostra do Filme Livre.
O projeto é realizado pelas alunas de Produção Cultural Géssica Santiago e Vanessa Rocha.

O racismo dos vereadores

sexta-feira, 11 de junho de 2010

por Felipe Branco e Vinicius Tomas

Tomaram posse na última quinta-feira o novo Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro(Comdedine) e seu novo presidente, Geraldo Costa. Acompanhada por ”poucos e bons”, a cerimônia contou com a participação do vereador Ferreirinha, que em seu discurso usou Ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa como exemplo do avanço da representação do negro na sociedade brasileira. Completam o conselho o vice-presidente Gilmar dos Santos, a primeira secretária Arlene Camargo e o segundo secretário Gilberto Carlos dos Santos.

Quem faz acontecer

sexta-feira, 16 de abril de 2010

por Felipe Branco



Que o Iguacine está rolando todo mundo já sabe, mas poucos sabem como e por quem está sendo feito. Na tarde de quinta-feira, o segundo dia do Iguacine, conhecemos alguns dos que fazem acontecer o festival organizado pela Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu. São pessoas aparentemente comuns, mas não se deixe enganar pela aparência, pois são pessoas que de alguma forma contribuem para proporcionar um excelente evento ao público.

“Gosto da parte prática da produção”, explica Luciano Pires, de 20 anos, um dos responsáveis pela produção do evento e ex-aluno da Escola Livre de Cinema. Gente como Luciano é do tipo que gosta de “por a mão na massa”, ficar andando para lá e para cá ajudando no que for necessrio e resolvendo todo tipo de problema. Algo pareceido com o que faz Carlos Eduardo da Silva, de 24 anos, que está na recepçao do evento. “Já sou antigo na escola e tenho grande facilidade para receber e orientar os espectadores”, conta. Ele é oficineiro e dá aula de produção cultural em um ponto de cultura, no Jardim Alvorada.

Leandro Souza de 28 anos e Carol Barros de 20 são dois ex alunos e participam do Festival tanto no filme Parô, de Leandro com fotografia e figurino de Carol, quanto na receptiva dos convidados, apresentando a eles o projeto, a cidade e o evento em si. Outro é o professor Diego Bion de 25 anos que já está na Escola a 3 anos. Ele é um dos responsáveis pelo registro do evento, produzindo o making of deste 3º Festival. Desde o primeiro dia ele faz filmagens e entrevistas do público, dos convidados e dos participantes.

O evento contou no final da manhã e até as 14h com a Mostra Bairro Escola, com os filmes "Bem se paga com o bem"; "O velho ambicioso"; "Mata sete" e "O mendigo rico" produzidos pelos alunos da Escola Livre de Cinema, como Jonathan Lacerda de Jesus de apenas 14 anos, que estão a 4 na Escola. Jonathan apresentou a mostra aos alunos do Bairro Escola tecendo comentários e explicações sobre as obras apresentadas. Questionado sobre o que pretende para o futuro, responde: “Quero ser diretor.” Bem, depois de 4 anos na Escola Livre de Cinema e já fazendo apresentações sobre os filmes, por ele mesmo também feitos, com apenas 14 anos, não duvide que em breve todos saibam de suas obras.

 
 
 
 
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