Ética no prato

sexta-feira, 4 de junho de 2010

por Renato Acácio


A dieta vegetariana vem se popularizando cada vez mais, seja por razões ligadas à ética para com os animas, à conscientização ambiental, à opção por uma vida mais saudável e em alguns casos por ditames religiosos. Como vegetariano há 2 anos e vegano há quase 1 ano, percebo certas dificuldades para manter essa filosofia de vida e as situações pitorescas pelas quais eu passo, principalmente aqui na Baixada, onde muitos ainda não sabem do que se trata o veganismo.



O veganismo é um passo além do vegetarianismo. Grande parte dos adeptos da dieta vegetariana são os chamados ovo-lacto vegetarianos, isso é, alimentam-se de todo o reino vegetal e mineral, excluindo as carnes dos seus cardápios, mas não os ovos e os produtos à base de leite animal. Já o vegan, ou vegano, em português, tem uma postura considerada pelo senso comum mais radical e política. Eles excluem todo e qualquer alimento de origem animal, incluindo lacticínios, mel e gelatina. Não usam também nenhum vestuário que inclua o sofrimento animal, tais como couro, lã e seda. Boicotam eventos como rodeios ou circos que tenha atrações incluindo exploração de animais e evitam ao máximo consumir produtos de empresas que façam testem seus produtos em animais.

Conversando com um amigo de Nova Iguaçu, Vítor Adrien, de 23 anos, que é adepto do veganismo há 2 anos e meio e único vegano que eu conheço da Baixada, percebi que enfrentamos situações em comum, fruto da nossa escolha e convicções pessoais. A começar pela pouca divulgação do próprio veganismo aqui na região. Por não conhecermos ninguém engajado na causa na Baixada, a dificuldade de manter um grupo ativo em divulgação da libertação animal envolvendo atos e manifestações por aqui, se torna não só quase inviável como restrita ao centro do Rio de Janeiro ou da Zona sul. Apesar disso há alguns grupos cariocas, não necessariamente nessas regiões, que atuam em prol do bem-estar animal: o Grupo Miação, que abriga gatos para adoção, o Santuário das Fadas, que acolhe animais doentes, o Patapé, que é ligado à sociedade brasileira vegetariana, e o ULA! (união libertária animal), da zona oeste do Rio de janeiro.

Uma parcela dessa má divulgação, segundo Vítor Adrien,  talvez parta dos próprios veganos. “Os veganos em geral não facilitam muito para desfazer a confusão na cabeça das pessoas. Há exceções de alguns que têm feito um trabalho para alcançar a conscientização de pessoas de diversos tipos (a exemplo do projeto Ulinha, voltado pra crianças, realizado pelo ULA), mas boa parte dos veganos ora se esconde atrás de um discurso agressivo e difícil de compreender, ora está atrás de um outro discurso feito somente para pessoas do meio acadêmico compreenderem. Aí fica um pouco difícil divulgar exatamente o que é o veganismo, que não é se alimentar bem, não é amor ou compaixão por animais (apesar de pra mim isso ter sido um ponto chave), não é uma visão religiosa, é apenas uma opção de vida pautada na ética, do não uso de animais para proveito humano. É o respeito do animal humano pela vida e liberdade do animal não-humano”, diz esse jovem, cuja família é quase toda vegetariana.

Sanduíche na mochila
Outra dificuldade enfrentada é a total inexistência de estabelecimentos que ofereçam opções veganas para lanches, de modo que comer qualquer coisa na rua por aqui para um vegano se restringe ao açaí, batata ou amendoim. Ou o que mais frequentemente eu faço é sempre trazer de casa algo que eu coma na mochila, como alguma fruta ou um sanduíche. É um pouco complicado perguntar em alguma lanchonete se tal alimento leva ou não leite ou /e ovos. A maioria dos lugares não entende o porquê dessas perguntas, muitos deles nunca ouviram falar de alimentação vegana. Muitas vezes para encurtar o assunto ou até mesmo não ser enganado, alego uma alergia a esse tipo de alimento.

Também é preciso ter uma certa paciência com alguns tipo de brincadeiras dos amigos e conhecidos, não por serem ofensivas, mas por sempre se repetirem em diversos círculos de amizade.

Os alimentos industrializados também são bem raros de serem encontrados na Baixada, não se acham opções em qualquer supermercado e quando encontrados os preços ironicamente são não raras as vezes o dobro de um produto similar não-vegano, como salsichas, hambúrgueres, nuggets, por exemplo.

Apesar de todas as dificuldades, no final da conversa, Vítor e eu concordamos que vale a pena passar por cima de alguns contratempos em prol de algo que acreditamos e achamos ético e deixamos o convite para os veganos da Baixada se manifestarem e se reunirem a nós, e aos onívoros experimentarem as delícias da culinária vegana.

Aos interessados, veganos ou não veganos da Baixada e redondezas, em maiores informações sobre calendário de ativismos, feiras e almoços ligados à causa animal acessem o blog da sociedade vegetariana carioca: http://svbrio.blogspot.com/

2 Comentários:

Anônimo disse...

E fazer cinema pode? Gelatina animal é usada pros filtros de luz e pras telas das salas convencionais!

Betinho

Tes Saloníki disse...

Eis aí! Os comentários são sempre os mesmos...
Isso me deprime!

TES

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