Luar da Itália

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

por Yasmin Thayná


foto retirada do blog do luar

As raízes do Grupo do Ponto de Cultura Projeto Luar de Dança, que se apresentou hoje de manhã na quadra do Sesc de Nova Iguaçu, começou na década de 90 quando uma mulher guerreira e corajosa dedicou seu tempo a comunidade de Duque de Caxias. Rita Serpa foi convidada por uma Paróquia em Jardim Primavera a dar uma oficina para os moradores, que não faziam nenhuma atividade. Durante 3 meses já tinha atingido um grupo de 90 membros e viu o quanto aquele tempo que passou levando arte para todos foi importante na sua e na vida daquelas pessoas.



Surge o Projeto Luar de Dança fundado e sob direção de Rita Serpa, coordenação de Deco Batista e um corpo de 17 professores formados lá.
Ao procurar ajuda no Rio de Janeiro, foi alvo de discriminações pelo olhar mundial sobre a Baixada Fluminense: o lugar mais violento do Brasil. Serpa não desistiu. A vontade de tornar aquela pequena oficina em um grande projeto era bem maior e muito mais importante do que o olhar distorcido que a sociedade tinha. O sonho atravessou continente, aproximando uma parceria com Petroflex e realizando a possibilidade em certeza. Essa parceria fortificou o projeto expandindo-o pelo Rio, criou-se outros pólos na Penha, Gramacho, Paciência e outros lugares.


O ensino nessa instituição não gira em torno somente das crianças e da dança. Além de Balé, existe também o ensino de línguas, culinária, artesanato. As mães participam garantindo uma renda de apoio.

A inclusão e integração são palavras certas para se começar a falar dos ramos que se encontram em volta ao núcleo, exemplo disso é o “Luar sem Limites,” que são participantes especiais dessa luta.


Ezequiel dos Santos de 24 anos entrou no projeto há 7 anos começando como bailarino. Hoje é professor. “Para falar a verdade, nunca quis ser professor de dança e sim bailarino. Sempre gostei de dançar. Na vida a gente aprende muita coisa que, as vezes, nem se dá conta que tá aprendendo. Foi assim comigo: quando vi, já era um professor. E sou muito satisfeito e grato por tudo que o Luar fez por mim e por tudo que aprendi nesse período. E eu ensino para as crianças o que o projeto me ensinou que é fazer pelos outros o que foi feito por mim. ,” disse um pouco emocionado.

Formar pessoas é o objetivo do Luar que hoje reúne 1.300 futuros vencedores.


Outra parceria importante é os voluntários do Cesc Project. Os irmãos da Itália fazem um Serviço Civil, que possui um processo seletivo, dando apoio aos projetos durante a estadia nos lugares. Quando as pessoas da Itália se tornam voluntárias, existe uma relação de lugares em outros países fora da Europa e alguns lugares do Brasil como Foz do Iguaçu e Rio de Janeiro; e cada pessoa escolhe o lugar para onde ir. A partir dessa escolha, elas permanecem durante a viagem com pessoas desconhecidas. Gabriella Leto, Fisioterapeuta de 25 anos e Felicina Bacciu, psicóloga de 27 anos são 2 das outras 5 italianas que estão cerca de 9 meses no Luar. Levando atividades novas para enriquecer o projeto, elas ensinam as crianças culinária e o curso de línguas.


A simpatia e o português bem falado dessas moças já acusam que um de seus átrios é brasileiro. “Eu era mais África do que Brasil antes. Mas aí acabei vindo pro Brasil. Nunca dancei, não sou dançarina, não sei nada disso. Mas aqui no Luar com as crianças, aprendi muita coisa legal. Parece que moro aqui há anos. Metade do meu coração tá virando brasileiro. É uma pena partir para a Itália em dezembro,” disse Leto dando espaço para Felicina completar em seguida que “Daqui a pouco vai acabar o projeto, vou voltar para Itália e arrumar trabalho lá. Eu cresci na Itália, mas o que vivi no Brasil foi significativo. Eu nunca vou esquecer o que vivi aqui. Escolhi o Brasil porque sempre quis vir aqui. Essa é a primeira vez e gostei muito do projeto, da cultura, desse afeto grande que os brasileiros têm uns com os outros, o que na Itália já é uma relação bem mais fria,” disse a Brasitaliana Bacciu.


O Brasil está sendo uma paixão, quiçá um amor. Prova disso é a decisão que o coletivo tomou em alongar a permanência até dezembro, mesmo que o governo da Itália não invista mais nessa viagem. Salve, salve Brasil! Se o penhor dessa igualdade, conseguimos conquistar com braço forte o elmo de Cipião. Os irmãos da Itália. A bandeira: uma esperança. De nos reunirmos. Soou a hora.

1 Comentários:

Talise disse...

Ponto de cultura maravilhoso, que pretendo visitar!

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