Dia propício

domingo, 16 de janeiro de 2011

por Jefferson Loyola 


Ontem, 15 de janeiro, foi aniversário da cidade de Nova Iguaçu, 178 anos. O Espaço de Cultura Sylvio Monteiro sediou uma programação relativa a esta comemoração de aniversário, onde permeavam, na mesma, uma exposição sobre a “Velha Iguassú”, uma peça teatral contando a história da criação da cidade, a premiação do concurso natal dos sonhos, e por fim, um coquetel. O teatro estava lotado para a apresentação da peça “De iguassú Velha a Nova Iguaçu”, onde em seu final, os atores que integram a Cia. Fios da Roca foram aplaudidos de pé.

 “O processo de criação do espetáculo é feito através de fotografias antigas da cidade e de pessoas que participaram da história da mesma”, contou Tiago Costa, integrante da Cia. junto de Claudina Oliveira e Marcio Guedes. Devido esta criação através de fotografias antigas, o figurino, a luz e a maquiagem foram preparadas para trazer o impacto de como se a imagem dos atores estivesse presa no tablado, registradas como uma fotografia. Esse efeito conseguia-se através do tom sépia da iluminação, da maquiagem realçando as expressões dos atores e o figurino em tom marrom degrade.

“O objetivo do figurino era de remeter a idéia dos trabalhadores da lavoura, e da terra da cidade. Aliás, o que marcou o município foi o plantio de cana de açúcar, café e laranja”, explicou Tiago. Na década de 30, Nova Iguaçu se consagrou tendo suas laranjas exportadas para a Europa. Conhecida como cidade perfume devido ao cheiro das flores de laranjeiras, esta parte foi retratada na peça junto com um vídeo sobre a família Paladino. “Eu não conhecia a família Paladino até ser apresentado por Sandra Rolo”, afirmou.

A família do Sr. Matheu Paladino era uma das tradicionais no município. Participou da plantação de laranjas na cidade, porém se destacou por ser uma família de músicos. Todos os domingos a mãe do Sr. Matheu tocava piano na varanda de casa, e o seu pai a acompanhava cantando. “O Sr. Paladino conta que todos da região iam as proximidades de sua casa para poder assisti-los”, disse Tiago, em relação a pesquisa que foi feita com pessoas, vídeos e história da cidade, para a construção da peça. Vídeos esses que foram exibidos durante o espetáculo.

A família de Sandra Rolo também tem uma participação muito importante na cidade de Nova Iguaçu. Carlos Marquês Rolo, fundador da empresa de ônibus evanil, foi à pessoa que trouxe o primeiro ônibus para a região, inclusive uma das ruas da cidade tem o seu nome. “O espetáculo já existia e adaptamos para colocar uma parte que retrata Marquês Rolo, pois ele teve uma grande importância na cidade”. Falecido nesta semana, o espetáculo foi homenageado a ele.

Esta peça sempre foi um sonho da Cia. de Teatro Fios da Roca devido falar da história de Nova Iguaçu. Antes, tinham um espetáculo feito a partir do Cordel do Mestre Azulão, contato articulado pela Claudina Oliveira. Esta peça teve a direção de Cristina Paraíso e foram contratados pela empresa Supervia para exibirem dentro do trem. “Apresentávamos nos vagões dos trens de Nova Iguaçu até queimados, às vezes variando a parada em Japeri”. Mas após a mudança de governo na cidade, mestre azulão não quis que o seu texto fosse lido por ninguém e, devido a isso, o espetáculo foi paralisado.

Surge uma conversa com o professor de história Ney Alberto e gentilmente eles receberam, de presente, um cordel contando a história da criação da cidade. “Com este cordel, convidamos, em 2007, o diretor Ribamar Ribeiro para escrever o texto teatral”, contou. Junto com Ribamar veio Marcus Müller, assistente de direção.  A montagem da peça durou seis meses e estreou no Sylvio Monteiro em janeiro de 2008. Após a estreia, a peça foi apresentada em escolas do município e ficou em temporada popular no mesmo local onde estreou.

Três anos após o nascimento deste espetáculo, a peça reestreia no dia mais propício. O dia do aniversário de Nova Iguaçu. A peça também foi exibida hoje às 19H no Sylvio Monteiro com um público que correspondeu às expectativas esperadas. “Ainda vou usar na iluminação a gelatina de chocolate, pois sempre que procuro não acho, e ela seria ótima para a proposta do espetáculo”, disse Paulo Vieira, técnico de luz. O ano só iniciou no Sylvio Monteiro e o espaço já estava lotado. Vamos continuar acompanhando por aqui as notícias e conferir tudo que acontece no Sylvio Monteiro e em Nova Iguaçu. 

1 Comentários:

cintia disse...

foi maravilhoso beijos sua materia ficou linda

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