M2HBF

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

por Leandro Oliveira de Aguiar


O MAB, que já redesenhou o movimento dos moradores da Baixad Fluminense, agora resolveu virar o hip hop de ponta cabeça. Por isso, abriu suas portas para o Movimento Hip Hop Baixada, que todas as tardes de sábado recebe os jovens de Nova Iguaçu e adjacências para oficinas de grafite, dança e rap. No último sábado, 15 jovens ocuparam o amplo espaço da Rua Nilo Peçanha para dançar ao som de possantes caixas de som. As paredes outrora pintadas com palavras de ordem do movimento popular agora estão tomadas por grafites.

Mais conhecido como M2HBF, o grupo que está ocupando as dependências do MAB foi criado na Rocinha na década de 1990. Problemas políticos obrigaram o grupo a pedir exílio na Baixada. “Eu morava em Austin e ia pra Rocinha dar aula de dança hip hop", lembra Genaro Pedro, quase uma lenda para os meninos que atualmente frequentam o projeto. "As coisas começaram a ficar politizadas demais, tinha muita gente de olho e até no nome implicaram, como se fosse uma propriedade da comunidade da Rocinha." Genaro começou a achar injusto ir para a Rocinha quando tinha muito o que fazer pela sua própria comunidade.




Militante do movimento desde a época em que o hip hop era reprimido em frente ao metrô da Sans Peña. “Conheci muita gente, como o Gabriel Pensador", lembra o ativista. "Meu nome ficou conhecido em qualquer espaço e era eu chegar e já tinha o respeito.”

Pedro Genaro não gosta do caráter salvacionista que alguns projetos tentam imprimir ao movimento hip hop, como aprendeu ao tentar salvar um menino com problemas com a justiça há cerca de 15 anos. ”Emprestei uma casa e tentei ajudar de todas as maneiras, mas ele acabou se desviando de novo e perdi o contato", lembra. A última notícia que teve deste jovem foi que ele estava puxando cadeia. "Tentamos mostrar o caminho certo, mas não somos os salvadores da pátria."

Outra preocupação de Pedro Genaro é com a expectativas dos meninos que o procuram, muitos deles com expectativas de fazer uma carreira na dança. "Seria hipocrisia negar que eles querem se profissionalizar, mas eu tento mostrar que ele no mínimo deve se preocupar com os estudos", conta o professor, que quando abraçou a causa do hip hop tinha o mesmo sonho. "A vida é incerta, como a de um jogador de futebol e um lutador de boxe", aconselha.

1 Comentários:

julliane disse...

Deveriamos ter mais pessoas como Genaro; que acredita e cria no seu território.

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