Aperto no trem

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

por Raphael Ruvenal

Hora do rush na Central do Brasil acontece de tudo. Mas uma das preocupações de Dona Mônica, uma empregada doméstica de 35 anos que há anos faz o percurso diário da Baixada para o Rio de Janeiro, é com "esses caras bem abusados" que aproveitam o trem cheio para se encostar nela. Já chegou a bater em um deles, que insistiu na famosa encoxada mesmo depois de o vagão ter esvaziado. "Ele não saía de trás de mim de jeito nenhum", lembra ela. "Quando vi que tava já passando dá conta, quando senti algo estranho, dei uma porrada nele." Os passageiros a ajudaram.


A tara dos homens não respeita diferenças de idade ou mesmo religião. Esse foi o caso de Clarrisa, uma evangélica de 45 anos da rigorosa Assembleia de Deus. "Minha denominação cobra que eu ande de saiões, mas mesmo assim o respeito é zero", conta essa balconista. Uma vez ela só conseguiu se livrar de um homem que sussurrava as cenas mais pornográficas em seu ouvido depois de clamar pelo sangue de Jesus e, mais seguro, antecipar a saída do trem. "Eu ia descer em Mesquita, mas a situação estava tão constrangedora que desci em Nilópolis."

A mistura trabalho, estresse, clima e encochada pode se tornar bombástica quando o marido da vítima está próximo. Esse foi o caso da faxineira Maria das Lurdes, 33 anos. "Quando meu marido viu o cara chegar por trás e ainda por cima ficar rindo com um amigo dele, começou a trocar socos com o abusado já dentro do trem", conta a mulher do pedreiro Claúdio, 33 anos. A briga só não terminou na delegacia porque o "abusado" fugiu depois da intervenção do segurança da Supervia.

Mas não são todas as mulheres que ficam indignadas com as encoxadas. A estudante de administração Y pede para não ser identificada, mas admite que às vezes gosta da situação. "Se for um bonitinho até dá para aceitar uma encoxadinha nada muito escandalosa em um dia em que o trem está muito cheio", conta ela. Esse foi o caso do dia em que um loirinho, que pegou o trem em Ricardo de Albuquerque, se encostou atrás dela. "Senti a maldade dele e como senti", diz ela, rindo.

8 Comentários:

Renato disse...

Mas que saliente essa Y ein!

Yasmin Thayná disse...

Tomara que o nome dela não seja Yasmin, mas ela é SAGAZ! cara, adorei a matéria. Ta de parabéns! ahaha um luxo de sagcidade.

Abrahão Andrade disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Abrahão Andrade disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Abrahão Andrade disse...

Os loirinhos do trem se dão bem :)

Parabéns Rafael,coesa e objetiva!

Anônimo disse...

Aí, foda a gente rir dessa e de milhares de situações indignas, que acontem no trem. Mas... Fazer, né ? Tbm passo por diversas situ no trem. Mas claro, longe de mim esse lance de encoxadinha. HauHauAH
Na hora de embarcar no trem de manhãzinha, é aço! mas o pior ainda é na hora de desembarcar. Pow, eu sou móh desajeitado, e saiu causando móh vexame. Outro dia, sem querer eu dei uma moca na garota. E quando percebi o que fiz, voltei para pedir desculpas, passei a mão na cabeça dela e pedi perdão. Cara, foi aí que eu vi que dupliquei a merda que tinha feito. kk Sorte que a porta não fechou neste periodo de minha insanidade. Pq a galera já tava me olhando torto, e eu teria que aturar no minímo até a próxima estação.

DaNn

Déh disse...

Parabéns, Rafael. Boa matéria. Só achei 4 parágrafos muito pouco.

Anônimo disse...

Quando tomo uma encoxada, minha primeira reação é olhar para trás, se for um gatinho eu tiro até a bolsa pra ajudar, mas se for um velho tarado, dou uma cotovelada de leve pra mostrar que não estou gostando, se o cara insistir armo um barraco daqueles.

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