Produzindo sonhos

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

por Dannis Heringer


Quem nunca se imaginou sendo o Andy Warhol? Ou talvez o Teddy Parker? Ou mais, o George Martin? Pois, bem eu já me imaginei sendo tudo isso, consciente que para tanto eu precise trabalhar completamente em cima dos meu objetivos, o que envolve apenas uma palavra: música. 

Sei que essa profissão requer cuidado e muito sacrifício da minha parte pois, para chegar onde eu quero preciso ser reconhecida pelas coisas que fiz. Um produtor não é reconhecido em dois anos, para ser dessa profissão requer paciência e isto é algo que ocupa o primeiro lugar da minha lista. No Brasil este tipo de profissão está quase que acabada, existe apenas uma faculdade para isso e em suma, cursos.

Meu nome é Dannis Heringer e eu sou Produtora Musical. Ou pelo menos tento ser. Minha história nesse meio artístico começou graças a um convite para produzir um evento. Na época eu nem sabia o que era isso, pois via meu futuro de outra maneira: sentada em uma cadeira e análisando autos.


O evento se tratava de um mágico ilusionista que tinha 80 anos, um senhor que já tinha passado por tudo ou quase tudo e tinha apenas um sonho: montar um palco que ele construiu com as próprias mãos e seu suor. Lembro-me de tê-lo conhecido pessoalmente no dia do meu aniversário. Foi uma surpresa e tanto ver aquele palco montado e meu olhos começaram a brilhar com tamanha arte.

Seu Théo, como era chamado, foi minha grande inspiração para minha caminhada. Ele dizia que se temos um sonho, temos que acordar para que ele se realize. Sim eu acordei do sonho de ser uma grande e reconhecida produtora. E aqui estou eu. Escrever sobre o ínicio de tudo me faz chorar e ficar muito esperançosa com meu futuro. Seu Théo ou Vô: "Aquele que dá tudo, coração, conselho, comida, colo", esse era o nosso avô, claro que para os mais chegados. Ele será sempre minha inspiração pra onde quer que eu vá. 

Partindo daí, comecei a ajudar o mesmo grupo de amigos, a montar as festas chamadas "Cabaré", que consistia em dar lugar aos músicos da Baixada Fluminense, aqueles que não tinham nenhuma probabilidade de tocar no centro do Rio de Janeiro. Lembro que o primeiro que eu produzi junto a eles foi o Cabaré Beijoca. Foi ali que me encantei pela música edecidi que queria produzir bandas.

Sempre fui muito ligada aos Beatles. Meu tio paterno, Alfredo Heringer, cujo apartamente possui um quarto inteiro dedicado à banda. Nasci ouvindo clássicos como Hey Jude, não é a toa que tenho música no sangue faz tempo. Logo depois disso veio a paixão pelo Nirvana, Janis Joplin, The Doors, entre outros. Taí um dos motivos para seguir essa profissão.

Depois dessas consideráveis festas feita pela "Geração Delírio", apareceu a primeira oportunidade de ajudar uma banda Bettie Page a crescer. Infelizmente a vida não é um mar de rosas e tudo terminou. Logo em seguida eu comecei a produzir outra banda, chamada Clube Solitário do Éden e daí por diante comecei a fazer meu contatos, porque se tem uma coisa que aprendi nessa vida é que é preciso ter redes.

Apesar das dificuldades de conseguir me estabilizar como produtora, eu aprendi muito com dois caras pernambucanos. Os mesmos me disseram que trabalhar para a música era completamente diferente de trabalhar com a música para além da música. Esses meninos de apenas 23 anos foram com certeza as duas pessoas de maior inspiração para o que eu queria seguir.

Dannis Heringer com integrantes da banda Medulla
Pessoas que assim como o Vô, me deixaram a par de todos os riscos que eu iria passar.  Keops, Raony, Dudu Valle e ao conjunto Medulla, que me colocaram a par de que o novo pode amedrontar-te, atropelar, desgovernar, desafiar mas, desafinar na hora, esses são meus inspiradores em segundo lugar, quando eu penso em trabalhar com música. Para mim, não importa o que eu vou ganhar em troca trabalhando com música. O que importa é o reconhecimento de que, quando eu produzo, não é por mim, mas pelas almas que estão ouvindo aquele barulho que mexe com instintos, corpos, olhares e ouvidos. 

8 Comentários:

Marcão Baixada disse...

Parabéns pelo texto, profundo e tocante.
Torço por sua felicidade e suas realizações, pessoais e profissionais.

Anônimo disse...

muito bom !!! a cidade precisa de gente competente assim, temos que valorizar.

Dinho Brito disse...

Me surpreendo cada vez mais com o seu talento Dannis! Muito boa a matéria! Parabens a você e a todos do Cultura NI.. Só tem gente fera!

Renan Nascimento disse...

Obrigado por me mostrar que não somos poucos os jovens que curtem música boa de verdade na Baixada. Parabéns pelo trabalho e pela reportagem! Vamo Seu Theógono!

Joyce Pessanha disse...

Vocação: chamado específico Divino para algo que quando feito ou encontrado dá sentido a vida e te faz acordar todas as manhãs!

Parabéns! Torço por você!

vitoria tavares disse...

muito bem escrito!! curti mesmo!! uhul! é isso ai mesmo!

keops disse...

bota pra fuder guria!!! muito massa ver o coração de quem acredita na vida...
Godblessu!

Rodrigo "Batata" Lopes disse...

Tive o prazer de tocar na inauguração do palco. Foi emocionante ver a performance do sr. Théo no meio de tantos jovens muito talentosos. Noite inesquecível para mim também.

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