Eu te amo!, e você nem sabe...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

por Joyce Pessanha






Quando Aurora tinha 15 anos ela sonhou com um príncipe alto, educado e muito bonito. Logo ao acordar ela compôs junto aos animais do campo uma música sobre o seu sonho. E qual foi sua surpresa quando, como num passe de mágica, o Príncipe Felipe ouve sua doce voz e divide a música em um dueto apaixonante. A história da adolescente Bela Adormecida parece se tornar rotina para todos da mesma faixa etária. Toda menina - e os meninos também! - sonha com seu príncipe encantado e quando ela o reconhece - no seu professor, no amigo do pai, no gatinho que mora em sua rua, no cara mais popular do colégio - encontra a encarnação de seus suspiros mais profundos de amor.

O problema é que geralmente o alvo de seu afeto é um cara mais velho ou extremamente inalcançável para a realidade da adolescente. E pra geração dos exagerados, que nunca mais vão respirar se o seu amor não a notar, o que sobra? Advinhou quem pensou em músicas. E quando a indústria fonográfica notou esse fato inundou o mercado com bandas melodiosas e letras depressivas e expressivas. E se você andar em algum transporte no horário em que essa garotada está indo/voltando da escola vai experimentar o doce momento de dor de cotovelo dos apaixonados que julgam nunca conseguir realizar seus desejos mais profundos de amor.

O escritor como guia

por Hosana Souza


Por mais prazeroso que seja experimentar e descobrir sozinho, ter alguém que lhe aponte uma determinada direção é, por diversas vezes, tudo o que mais precisamos. Pelo dicionário guia é um manual que contém informações, instruções e conselhos de diversas naturezas ou uma pessoa que conduz, que dirige, que mostra o caminho. Durante minha trajetória, que passa longe do termo autodidata, sempre tive quem me “desse uma mão” e para os amantes da escrita, que também precisam de certo apoio, o SESC e a Shahid Produções Culturais estão preparando o ciclo “O escritor como guia”.

Notas sobre ser fã

por Diogo Jovi




Gritos, faixas declarando amor eterno, emoções a flor da pele, choro, desmaio. Esses são efeitos comumente observados na proximidade artista e fã. E para estreitar essa proximidade algumas pessoas cometem loucuras dignas de sua paixão avassaladora. Como esperar na chuva durante horas, mandar cartas quilométricas com palavras carinhosas, declarar-se o fã número um.

À la Dida

por Amanda Granja


Severino Rosa do Nascimento, nascido no Piam, bairro de Belford Roxo, município da Baixada Fluminense. Artista plástico formado pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage e fundador do Centro Cultural Donana também no Bairro de Piam, Belford Roxo. Cantor, compositor, baterista e guitarrista. Ou simplesmente: Dida Nascimento. Um artista da Baixada e importantíssimo para a cena do Reggae do Rio de Janeiro. Homem, pai, dotado de um carisma que torna sua descrição muito mais densa do que um resumo à la Wikipédia.
Na última quarta-feira, 03 de agosto, foram lançados quatro clipes do cantor via Facebook, que até então não tinha nenhum registro audiovisual de sua carreira solo. Dida investiu na carreira solo em 2010, com o projeto “Nação Hibrida”, mas já atua no cenário desde os anos 80 com a banda KMD5, que depois se chamou Negril e teve como padrinho artístico o músico Hebert Vianna.
“Tivemos a ideia de registrar ele num estúdio, e pela pesquisa chegamos no ‘Toca do Bandido’, um dos melhores estúdios do Rio e que já recebeu muita gente maravilhosa”, explica Rodrigo Caetano, produtor do Coletivo de Criatividade Pública Alternativa, que apresenta o trabalho de Dida Nascimento, “Gravamos em dezembro do ano passado e contamos com a participação do Lauro Farias, baixista do ‘O Rappa’. Foi um dia muito bacana! Todos aqueles sorrisos nos vídeos e fotos foram sinceros”, completa. “A ideia inicial era de lançar em um formato físico, em DVD. Mas, como sabemos o mundo hoje é o Facebook e o Twitter, logo as redes sociais são mais que importantes para essa divulgação. Além do lançamento como evento via Facebook ainda temos mais materiais. Fizemos um documentário e um Making Off e disso tudo que será lançado em breve”, encerra Rodrigo.

Cultura marginal

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Por Vitória Tavares




Cinco dias alucinantes de cultura marginal: e assim é possível resumir o Espaço do Rock. Em meio à energia iluminada do público - que não foi pouco-, as bandas da Baixada Fluminense e de outros cantos do Brasil provaram que o rock brasileiro está bem longe de acabar. Guitarras frenéticas e tropicalismo chocaram com a inovação e a boa qualidade de som, música  bem feita e marginalizada.

A representação nostalgica e deslumbrante  do blues tupiniquim da banda “Gente Estranha no Jardim” atestaram que a brasilidade está presente no no sangue juvenil. A banda Cretina com o seu noise (ruído) aliado ao rock n' roll dos Rolling Stones fez a turma dançar o “ié ié ié” sem parar e, no último dia, os “Beach Combers” trouxeram diretamente da Lapa o som refinado de um surf music eletrizante e fizeram todos os casais da noite dançarem abraçados o som do Tremendão, de Erasmo Carlos.

  Pra quem compareceu a esse marco na história da cena musical independente na baixada, que rolou do último dia 27 julho ao último dia 1 de agosto no Espaço Cultural  Sylvio Monteiro, teve a percepção que esses cinco dias de cultura e rock foram incríveis. "Eu me senti no Cabaré. A energia da galera é comparável as festas que rolavam" - conta Cristine Duarte. 

As festas Cabaré foram provavelmente o ápice da cultura delirante que está acontecendo por agora na Baixada e no Grande Rio. Muitas das bandas que hoje arrebentam no cenário under já tocaram nas festas e inclusive foram lançadas nessas festas.
O sentimento que fica transcende a questão musical e embarca na exploração cultural do individuo. Durante o festival teve uma galera que agitou e capturou os registros dessa woodstock iguaçuana. Os aspirantes a fotógrafos com futuro prometido e seus cliques incessantes resultaram em poses experimentais extraordinariamente malandreadas.

E é claro, há os que fizeram isso há dez anos atrás e trouxeram suas fotos para exposição do Festival, que contou com fotos nostalgicas do Bar da Sônia e filipetas de shows de rock do pedaço.

"Eu trouxe uma foto inacreditável da banda “Sofia Pop”  há uns anos atrás, não fui quem tirou, mas é uma recordação quase surreal" - revela Jimmy Lage, estudante de Belas Artes.

Com ar de  quarta-feira de cinzas,  domingo dia 1º  encerrou-se a edição desse grande evento. Mas sobra a certeza de que essa geração que se auto proclama todos os dias e faz se aparecer independentemente de apoio ou não está sendo o que toda geração merece ser: jovem e iluminada.

 
 
 
 
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