Nós queremos mais

terça-feira, 23 de março de 2010

por Marcelle Abreu

O projeto se chama Oficinas Culturais do Nós do Morro. Seu início se deu em novembro de 2005, depois de um convite do Prefeito Lindberg Farias, que já conhecia o projeto Nós do Morro, que existe a mais de 20 anos, no Vidigal, uma favela na Zona Sul do Rio de Janeiro.

O prefeito convidou a coordenação do Nós do Morro pra realizar o projeto em 10 escolas municipais. Um dos locais escolhidos foi a Cerâmica, onde o projeto começou dentro da escola Douglas Brasil, também conhecida como Liceu, onde foi instalado uma lona pela Prefeitura.



Em 2007, o projeto saiu da escola e foi para outro espaço, onde esta até hoje. Essa troca se deu em nome da expansão do trabalho, pois fora da escola poderiam atender todas as pessoas que estavam procurando o projeto, muitas delas da terceira idade. "Não tinha como ter pessoas de fora dentro da escola, pois era complicado controlar a entrada delas lá dentro", conta Anderson Dias, um dos coordenadores do projeto. A parceria com a prefeitura, no entanto, foi mantida no novo espaço.

O espaço é mantido pela Petrobrás desde 2005. "Como a empresa patrocina o Nós do Morro há cerca de 10 anos, não foi difícil convencê-los a apostar na nossa parceria com a Prefeitura de Nova Iguaçu", conta o mesmo Anderson Dias. Além do aluguem, a estatal paga as contas fixas e o salário dos profissionais envolvidos, como professores e o pessoal da limpeza.

Projetos distintos

O Nós do Morro deu cria aqui em Nova Iguaçu: o Nós da Baixada, que o grupo considera como se fosse um filho do Nós do Morro, com CNPJ e tudo mais. "Mas são projetos totalmente distintos”, frisa o coordenador do espaço. O primeiro passo do Nós da Baixada foi dado esse ano, quando conseguiram entrar no edital do Ministério do Desenvolvimento em parceria com a Prefeitura de Nova Iguaçu/Secretaria de Ação Social. Com o Pro-Jovem Adolescente, o Nós da Baixada irá atender adolescentes em Austin, onde eles também têm um espaço. O Nós da Baixada também atua em Nova Era.

Anderson Dias entrou no projeto como professor, dando aulas de expressão corporal, embora sua formação seja teatral. Quando o projeto saiu da escola, ele assumiu a coordenação do novo espaço. O coordenador é o único profissional do Nós da Baixada que está no projeto desde o início.

Ele é responsável pelas duas turmas mais avançadas do projeto. Mas já se doi o tempo em que esse ex-aluno da escola de teatro na Martins Pena se dedicava exclusivamente ao projeto. "Agora estou fazendo artes cênicas com habilitação em cenografia na Escola de Belas Artes na UFRJ e isso me impede de ficar aqui em tempo integral", conta o coordenador, que pode ser encontrado no espaço dois dias pela manhã e tarde e três noites. O resto do tempo ele dedica à faculdade e a outros trabalhos de cenografia, além das peças para uma exposição.

O ano letivo de 2010 está começando agora, com turmas formadas para todos os dias da semana, menos sexta à tarde e quarta pela manhã. "Esses horários são reservados para as crianças do Bairro-Escola", conta.

O espaço hoje funciona de segunda à sexta de manhã, de tarde e de noite, com aulas diferenciadas. Mas é possível que tenham que abrir turmas aos sábados, para atender às pessoas que procuram o espaço, mas não têm tempo durante a semana. “O espaço está tomado em tempo integral”,diz Anderson Dias.

A gente quer mais

Eles vêm produzindo espetáculos, fazendo um trabalho de pesquisa na área teatral com grupo que vem com eles desde 2005. Devem estrear ainda neste semestre o quarto espetáculo do grupo para circular a cidade. "Aqui dentro já fizemos mais de 20, sempre lotados com os amigos e familiares do elenco", conta Anderson Dias. ”Mas agora a gente quer mais”.

O grupo já fez apresentações no SESC, nas praças de Nova Iguaçu e em Belo Horizonte, para onde viajaram mais ou menos 35 pessoas em um ônibus fretado. “Esse ano queremos intensificar a saída dos espetáculos do espaço, pois já temos maturidade para isso. São quase 5 anos de trabalho,está na hora de sair do casulo e se mostrar.Ainda mais que muitos ainda não conhecem nosso trabalho, inclusive os próprios moradores daqui”, acrescenta.

As inscrições, iniciadas em fevereiro, ficarão abertas até as 18 vagas disponíveis serem preenchidas. O espaço atende crianças e jovens de todas as idades, mas a procura maior é por crianças na faixa de 10 a 14 anos. Esse ano eles têm a intenção de formar 14 turmas, atendidas por uma equipe de nove professores, dois dos quais ex-alunos formados dentro do próprio Nós da Baixada.

1 Comentários:

Sanaah disse...

Excelente matéria Marcelle. Parabéns!

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