A nostalgia de Marina

segunda-feira, 29 de março de 2010

por Fernando Fonseca

“Sou mediadora no processo de experimentação do mundo das crianças com o audiovisual”, afirma Marina Rosa, estudante de Engenharia de produção e funcionária da Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu. Um nome até bonito pra uma profissão, mas o que faria uma mediadora no processo de experimentação do mundo das crianças com o audiovisual?

À primeira vista, é possível associarmos este nome com alguma profissão com relação direta com o mundo infantil no audiovisual, tais como produção de animação ou quem sabe documentários sobre o cotidiano de crianças. E, assim como todas as coisas que surgem na Escola Livre de Cinema fogem da simplicidade e mesmice, claro que um nome exuberante como esse não seria uma exceção. Em explicação sobre seu fabuloso universo de trabalho, Marina diz: “Todo ano temos um tema pra trabalhar com as crianças a partir do território em que vivem. Este ano estamos trabalhando o autorretrato com as crianças.”

Em 2009, Marina, já atuante no processo de experimentação do mundo infantil, trabalhou com as crianças da Escola Livre de Cinema produzindo uma nova versão da fábula A cigarra e a formiga, do escritor francês La Fontaine. As intenções do projeto esse ano é experimentar diversas formas das crianças contarem quem são e recriarem suas realidades através de recursos não convencionais. “Fizemos duas semanas de trabalho com artes, utilizando imagens, recortes, etc. Agora estamos há duas emanas utilizando a literatura com os alunos, para eles construírem seus autorretratos.” Marina explica, com mais detalhes, que a intenção do projeto vai além da tentativa da autoexplicação das crianças sobre quem elas são, mas também como elas são.

Utilizando a Literatura de Cordel como ferramenta de criação, o projeto pode vir a levar dezenas de crianças a trabalharem futuramente com a cada vez mais esquecida arte do repente. Talvez o fato de Marina estar sempre disposta a ajudar os outros tenha feito com que ela se tornasse uma mediadora. Para ela, mediador é aquele que sempre ajuda em alguma coisa, e é justamente essa a função dela dentro da Escola Livre de Cinema: ajudar as crianças a compreenderem seu universo e saber contá-lo para os outros. “Nossa posição não é de professor, e sim mediador. Para mediar o processo de criação deles”, explica.

Influência de Bion

Lapidar e refinar os pensamentos das crianças, sobre quem são e onde vivem, com o intuito de que elas consigam expor seus resultados alcançados, é uma função complexa, mas emocionante. “Se conhecer já é difícil. Fazer outras pessoas se conhecerem é mais difícil ainda!”, comenta Marina. Os mediadores também compreendem que trabalhar com o autorretrato é uma das inúmeras formas de não apenas conhecer melhor o próximo, mas também de se conhecer.

Em relação íntima com a Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, Marina diz ter sido aluna da Escola em 2008, o que a ajudou muito na evolução de sua paixão pela sétima arte e também no seu processo de compreensão da mesma. Sua forma de trabalho sofreu influência direta de outro mediador da ‘Escola Livre’, o Diego Bion, com quem trabalhou estagiando nas Escolas Municipais. “Devo muito à Escola, sou mais uma criação surgida dela. E amo o que faço”, conta, ao ressaltar essa ligação entre criatura e criador existente entre ela e a Escola Livre de Cinema.

De fato, toda a energia e criatividade de Marina, aliadas a seu pique inesgotável, são aproveitados ao máximo no seu local de trabalho. “Enquanto estou aqui, estou aprendendo. Aprender é um estado de
nostalgia!”, esclarece. Marina pretende continuar trabalhando com audiovisual após o término de seus estudos na faculdade. E revela que seu trabalho é maravilhoso. Nele, é capaz de aprender com as outras pessoas e sente certa evolução com esse sistema. “Trabalho fazendo o que amo, aprendendo a cada dia e ainda recebo por isso!” Rindo, Marina conclui que além de ter um ótimo serviço remunerado, sua carteira é assinada.

3 Comentários:

Anônimo disse...

Marininha lindaaaa
saudades miga

Marina disse...

aaaaaaaaaaahh.. q liiindo.
Adorei a matéria, fê. Parabéns.

ps: brigada pelo elogia, mas qm ta com saudade d mim? rs

Tiago Mesquita disse...

Parabéns pelo bonito trabalho desenvolvido com as crianças!

Continue assim, que seu futuro só terá coisas boas!

Bjos

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