A voz de Deus

quarta-feira, 24 de março de 2010

por Renato Acácio

Entre as barracas de fast-food, pipoca, milho verde, churros e outras comidas típicas do subúrbio carioca, montadas todos os fins de semana na Praça Santos Dumont para aproveitar a festa das tribos jovens de Nova Iguaçu, poucas pessoas chamam tanta atenção quanto três senhoras de cabelos bem presos, saias pretas e longas e camisa branca. Aliás, chamam atenção por não chamarem atenção. As três moças cantam, leem, conversam e discutem entre si, e só para si, suas crenças de modo eloquente e despretensioso.

Esse tom despreocupado se as pessoas ao redor estão prestando atenção ou não na mensagem que elas têm a dizer e os lugares inusitados das suas “apresentações” estão começando a dar uma fama cada vez maior a três senhoras que atendem pelo nome de Lia Gomes, Clarice dos Santos e Ana Lúcia Parreira, todas com 54 anos.


Na opinião das três pregadoras, que são fiéis da igreja Petencostal Deus é Amor de Nova Iguaçu, as palavras que elas trazem não são proferidas inutilmente, como os transeuntes da praça, ou quem já as viu em outros lugares da cidade, costumam pensar, uma vez que ninguém para para ouvi-las. Elas acreditam que toda apresentação é válida, na medida em que sempre têm fé que alguém vai receber a mensagem que elas divulgam.

Por isso, as três congregadoras sempre escolhem lugares na cidade em que há pessoas abertas e, na visão delas, necessitadas da palavra do senhor, como elas se referem ao procedimento cristão. Essas pessoas são facilmente encontradas em hospitais, daí as freqüentes visitas a eles, e também na própria Praça Santos Dumont, por ser um ambiente onde há prostituição, dependentes químicos, mendigos, homossexuais e jovens fora da escola. Na opinião do trio, esses grupos são os que mais precisam da palavra de Deus, e são por eles que elas deixam a igreja na hora do culto todos os sábados e vêm fazê-lo, somente entre elas, e em quem mais se interessar, no local.

Perdão a Deus
Entretanto, apesar da boa intenção, que é ajudar o próximo, do jeito que acreditam estar ajudando, as senhoras contam que eventualmente recebem críticas em forma de deboche, ou mesmo agressão moral. “Alguns nos rejeitam, mas nunca nos importamos, sabemos que o agressor nunca está no normal dele, só doerá quando ele se tocar, aceitar Jesus e pedir perdão a Deus”, conta Clarice dos Santos. Elas explicam que também entendem em parte por não terem nascidas evangélicas e terem se convertido, há cerca de 20 anos.

O trio jamais teve uma aula de canto ou de instrumento, mas acreditam que está na hora de gravar um CD pela Igreja Pentecostal Deus é Amor. “Tudo nosso vem de Deus, é ele que nos deu e continua dando nosso Dom”, enfatiza Lia Gomes. A ideia do CD não altera o plano do trio de se apresentar em hospitais e nos sábados à noite na Praça Santos Dumont. “Não faremos questão de reconhecimento, de vendas, ou sucesso. Nossa missão é com o Deus, e estamos espalhando a palavra dele.”

Antes de sair distribuindo santinhos com bíblias embaixo do braço, Clarice dos Santos pediu que terminasse a matéria com uma mensagem. Lá vai ela: “Jesus te ama e chama”.

5 Comentários:

Mariana disse...

Religion - Treat it like it's your genitalia. Don't show it off in public and don't shove it down your children's throats.

Tânia disse...

Carara, meu!!!!!!!!!!
Será que elas têm noção da estupidez que estão fazendo? Sim, porque em nome de Deus, julgam e condenam seres humanos que são à imagem e semelhança de Deus. Quem têm que pedir perdão a Deus são elas que não têm um mínimo de respeito com a dignidade humana. E mais, querem obrigar todas as pessoas a sintonizarem-se com elas, não importando se a mensagem divulgada alcança seus corações. Na realidade se julgam donas da verdade. E Jesus em sua infinita bondade, nunca agiu assim. Pelo contrário: se unia "aos diferentes", e com isso conquistou muitos adeptos seguidores.

Antes de ser simples ato de pregação, essas senhoras realizam um tipo de sociablilidade que não é bem compreendida nesse mundo tão individualista e corrido: elas demonstram uma preocupação com o próximo, ou ao menos estão acreditando estar fazendo a parte delas. Na visão dessas senhoras, isso já é uma forma de ajudar o outro. É triste saber que muitos debocham delas, mas, acima de qualquer religião, é preciso antes reconhecer gestos de boa vontade.
:**

Anônimo disse...

atos ou pregações em lugares publicos ou em meios de transportes publicos é completamente proibido por lei.. elas querem fazer suas pregações, que façam em suas igrejas, os templos religiosos são feitos para isso.. As pessoas não são obrigadas a ouvir ninguém falando de religião no meio da rua ou dentro de onibus ou trem. Cada um segue a religião que quer, e a procura por que quer.. não vai ser alguém no meio da rua fazendo pregações que irá levar alguém a certo lugar.... VALIDO É A IDEIA DE SE MANIFESTAR RELIGIOSAMENTE EM SEU DEVIDO LUGAR E NÃO PERTUBAR A PAZ E O DESCANÇO ALHEIO...

Livia Britto disse...

Acho maravilhoso as pessoas lutarem pelo oque acreditam. Seja qual for a motivação. È admirável que dediquem as suas vidas pelos seus ideais. A pena realmente é que "crentes" desse tipo não existem nas coisas que transformariam de fato a sociedade, como política por exemplo...

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