Família delírio

quinta-feira, 22 de julho de 2010

por Dannis Heringer
Mais uma vez, publiquei uma matéria sobre a Geração Delírio, dessa vez sobre seu início. E mais uma vez o blog bombou, recebendo uma chuva de comentários. Resolvi então conversar com essa rapaziada, com a qual me identifico. O primeiro deles foi Vinicius Farias, um ex-funcionário público de 21 anos que ouviu falar desse movimento cultural-existencial por intermédio do Paulinho da Sofiapop. Descobriu depois que a Geração Delírio é a mãe de todas as tribos da Baixada e que tinha muitos amigos que se identificavam com esse movimento.

culturani Como você conheceu a Geração Delírio?
Vinicius Farias – Para ser honesto, eu conheci vários “membros” da Geração Delírio ao longo das minhas voltas pelo Rio de Janeiro, porém muito mais na Baixada, Nova Iguaçu e Lapa. Mas a primeira vez que ouvi o termo Geração Delírio foi um tanto surreal. Certo dia, numa roda de conversa, o Paulinho da Sofiapop disse para um amigo: “Esse aqui é o Night, muvucador da Geração Delírio pela Baixada.”  E depois fui descobrindo que muitos amigos meus eram da Geração.

culturani Qual a banda que você mais se identifica?
Vinicius Farias Acho que a Sofiapop, tanto pela amizade quanto pelo fato de que me identifico muito com as letras das músicas. Mas acho que todas as bandas são excelentes e curti muito todos os shows que fui.

culturani Alguma música em especial?
Vinicius Farias “Cadilac Rosa” e “Ele não surfa”, ambas do Sofiapop. Acabaram sendo duas músicas marcantes para mim.

culturani Por que você acabou se identificando com essa tribo, se ela em geral reúne outras?
Vinicius Farias Essa é exatamente a chave da questão. Todo mundo é bem-vindo na Geração Delírio. Todos conseguem encontrar o que têm de igual e ao mesmo tempo apreciar o que os outros têm de diferentes. Você sempre acaba se encontrando ali no meio, é uma família e todo mundo tá em casa.

culturani Você se considera dessa tribo? Se sim, você pertence a alguma além dessa?
Vinicius Farias A Geração Delírio é a “tribo mãe”, digamos assim. Somos todos dessa tribo. Eu acho que eu sou mais uma mistura mal-feita do que sobrou da “Geração Beat” com o Hardcore. Mas a minha tribo é Todas as Tribos”, não tenho como me prender a uma classe quando quero e faço parte de todas.

culturani E por que você se juntou a essa tribo, já que faz parte de todas?
Vinicius Farias A vontade de me expressar e o desejo de crescer além dos limites que a sociedade impõe foram um fator muito importante para eu me achar nessa galera.

culturani Você acha que muitas pessoas que estão envolvidas com isso, no caso o público, algumas delas têm interferência na explosão que a tribo causa em algumas pessoas que não conhecem?
Vinicius Farias Sinceramente, acho que o público acaba se tornando um grande “telefone sem-fio”. É inevitável que aja certa distorção nos relatos do que foi presenciado, assim como eu presenciei, a maneira como se recebeu o evento. Mas acho que não seja prejudicial, dizem que não existe “má publicidade”. A Geração Delírio é algo fenomenal e ela cutuca a curiosidade de todas as pessoas que ficam sabendo da sua existência. A graça está nas pessoas que querem tirar sua própria conclusão sobre os eventos e assim vão prestigiar esse marco no cenário independente do Rio de Janeiro.

culturani Como você definiria o perfil da geração?
Vinicius Farias Vou ser bem direto contigo. Se você quer saber qual é o perfil da Geração Delírio, é só prestar bastante atenção em você mesma. Na tua família, nos teus amigos e colegas. Todo mundo tem um pouquinho de geração dentro de si. A pequena diferença é que a gente já percebeu esse nosso lado faz tempo. O nosso perfil começa onde todo mundo começa e só tem um fim se você se limitar. Aqui tem tudo, feito por todo mundo.

Culturani – Como que você conheceu a Geração Delírio, Michael?
Michael Amado – Na verdade não me vem a cabeça agora, apenas sei que a geração delírio hoje é algo muito presente em todos os lugares de Nova Iguaçu, quando você começa a associar a então Geração Delírio com todas as pessoas que você conhece, lugares que você freqüenta, as músicas que estão no seu meio, seja tocada em caixa amplificada ou cantada pela voz da menina que entra em êxtase ao sentir o que está na música. Quando você repara no seu linguajar e uma série de outras coisas, você percebe que você é parte da Geração, porque 90% de todas as pessoas curtem em massa esse cenário alternativo em Nova Iguaçu. Isso sim faz parte da Geração delirada. Sinceramente não tem um lugar especifico essa tribo está em todos os lugares.

Culturani – Qual a banda que você mais se identifica?
 Michael Amado - Gosto da Sofiapop. Sempre gostei de algumas músicas e achava o nome mais inteligente do mundo, até que descobri que o nome não é pelo  motivo que eu imaginava (risos), mesmo assim gosto muito, porém Colombia Coffe me deixa em êxtase.

Culturani - Alguma música que mais gosta?
Michael Amado - Quando toca “As coisas que ela diz” e “Pernas de Natália” algo me sacode por dentro.

Culturani – Como que você acabou se identificando com essa tribo, que reuni em geral outras?
Michael Amado - Como já disse, é algo inevitável por aqui, quando percebi já estava dentro.

Culturani - Você se considera dessa tribo? Se sim, de qual tribo você pertence além dessa?
Michael Amado - Sim. Na verdade, como a geração delírio não exclui ninguém e mistura tudo dentro de si, eu tenho muito disso comigo, gosto de quase tudo, na verdade gosto de tudo de qualidade, então estou na tribo do malabares, na tribo do Rock ’n’ roll, na dos barzinhos, na dos formadores de opinião, na dos que tem idéias loucas e dos que fazem tudo e não fazem nada, eu sou da geração delírio não estou nem ai.

Culturani – Porque você se juntou com essa tribo?
Michael Amado - Essa pergunta deveria vir depois da definição da Geração Delírio, porque ao definir a Geração Delírio tudo se torna óbvio.

Culturani - Como você definiria essa Geração?
Michael Amado - Imagina uma cidade onde todos os adolescentes “de idade ou de sentimentos”, tem suas próprias características e personalidades, cabelos, roupas, óculos, gosto musical, hobbie, classe social, cor de pele, credo, opção sexual; até então tudo bem, porém cada um fica na sua. A Geração Delírio é inacreditável, sabe aquela idealização de filmes, de pacificadores da ONU ou grandes mestres? De que todos do mundo com todas as suas divergências vivendo em paz, todos por um propósito melhor o propósito de ser feliz e fazer o bem? Está aqui. Existe inúmeras tribos que se juntam só para serem felizes, mesmo que seja só por uma madrugada ou uma tardezinha na pista; a galera se junta para dança, beber, fumar, azarar. O mais importante é: Vale Tudo para se divertir, só não vale atrapalhar a diversão de ninguém.

Culturani - Você acha que muitas pessoas que estão envolvidas com isso, no caso o público, alguns deles tem interferência na explosão que a tribo causa em algumas pessoas que não conhecem?
Michael Amado - Sim claro, acredito que a melhor propaganda é a indicação de um amigo. Quando um amigo te indica você acaba escutando a música, você sempre experimenta certo? Se existem pessoas no meio público que conhecem milhares de pessoas, logo milhares outros amigos dos amigos indica para eles e isso causa uma interferência gigante. Acredito que alguns dos segredos da Geração Delírio são esses, todos se tornam amigos e cada um vai falando para os seus próprios amigos o quanto essa Geração é boa. Tipo uma P.G. (Matemática) entende? Que de termo inicial não sei quantos foram, tem razão variável de 1 (por que ninguém tem 0 amigos) até algum número muito grande  e o termo final é infinito. A Geração Delírio só tende a CRESCER. Parabéns a toda Geração Delírio. Eu recomendo!

5 Comentários:

Yasmin Thayná disse...

Salve, Dannis!
galera fazendo história na inclusão!...
Não tenho muito a dizer sobre por não conhecer essa geração. Mas parece que isso tá agitando a Baixada.

outro salve, dannis!

Lanna disse...

sim, essa geração é uma mistura que deu mt certo e sou mt feliz por fazer parte dela ;)
Parabéns Dannis mais uma matéria supimpa sobre a Geração haha ^^

moloch! disse...

EM BREVE BONEQUINHOS DA GERAÇÃO DELÍRIO, CAMISAS, BONÉS E ACESSÓRIOS HIPER TEENS

NAS LOJAS PERNAMBUCANAS

...

Anônimo disse...

precisa de carteirinha??

moloch! disse...

PRECISA PAGAR UMA CERVEJA!

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