Nossa Adelaide Carrara

quinta-feira, 8 de julho de 2010

por Renato Acácio

Muito tem se discutido os rumos da cultura em Nova Iguaçu e da Baixada Fluminense. Tanto aqui no CULTURANI quanto nos eventos e lugares onde os artistas e produtores se reúnem para trocar ideias e experiências nos inúmeros eventos culturais da nossa cidade. Entretanto há um vazio que aos poucos vem se evidenciando: o lugar da prosa e da poesia que são produzidas pelos iguaçuanos para não só apresentarem a sua arte, mas também convidarem o público a contemplarem e incentivá-los a se expressarem da mesma forma.

Pensando nisso a poetisa iguaçuana e estudante de recursos humanos Amanda V Nevark, de 21 anos, criou um projeto para aproximar a literatura e poesia do dia-a-dia da cidade e reunir os artistas interessados nessa expressão. Seu objetivo final é instaurar um hábito na cidade de vivenciar a poesia como forma de entretenimento e também como forma de revelar talentos isolados, que assim se encontram devido à falta de oportunidade para mostrarem seu trabalho. ”Eu vejo que em nossa cidade o que não falta são eventos de cultura”, conta a estudante, enumerando em seguida os cineclubes e eventos teatrais. ”Mas o lugar da poesia está esquecido. Não temos um sarau, por exemplo, ou pelo menos um espaço para a poesia nesses eventos. Acaba que os escritores iguaçuanos se tornam escritores de gaveta, ou no máximo publicam seus trabalhos na internet, mas sem um contato físico com os outros artistas, como é o meu caso.

Foi a internet que uniu Amanda e seu amigo Fabio Branco, que já se conheciam das noites de boemia, mas só se descobriram como poetas e romancistas no espaço virtual. A partir desse encontro surgiu a ideia de um projeto em vias de conclusão para divulgar o material literário produzido em Nova Iguaçu. “O Fábio está trabalhando em um documentário sobre um bar do final da década de 70 chamado A casa da pantera, onde poetas e ativistas políticos e culturais se encontravam. Nosso projeto, meu e do Fábio, é fazer um livro de poesias de Nova Iguaçu com o trabalho dessa geração em paralelo à atual,” explica Amanda, que está à espera de um edital que contemple o tipo de projeto em que o livro se encaixaria.

Nevark conta, entre uma tragada e outra, que começou a escrever desde que aprendeu a ler, mas só aos 13 anos tomou consciência de que o que escrevia poderia ser digno de ser lido por outras pessoas, que talvez elas se identificassem com o que ela escrevia. Seu estilo flerta com a Adelaide Carrara, “uma escritora devassa e erótica que lia muito entre os 13 e 16 anos“. “Mas para falar a verdade eu não tenho muito o hábito de ler poesia, talvez por isso meu trabalho seja tão pessoal, livre e autobiográfico.“ Por isso, são tão recorrente em suas poesias a vida noturna, as drogas, o erotismo que ela sente, vive e pensa.

A escritora conta que seu trabalho de divulgação se dá efetivamente comentando com os amigos nos eventos jovens da cidade, do tipo o Buraco do Getulio, ou Cabaré, mas o principal meio é a Internet. “Não me preocupo muito em divulgar. A divulgação é despretensiosa, assim como são os meus trabalhos”, revela Nevark, que atualmente está estabelecendo uma parceria para começar a escrever roteiros para produções audiovisuais com Getúlio Ribeiro, cineasta e fotógrafo iguaçuano.

Além de estudante de recursos humanos, Amanda é massoterapeuta e dá aulas de documentário para crianças em uma escola particular. “Caí um pouco de para-quedas nessa coisa de cinema. A minha amiga Carol Barros foi indicada para dar aulas de documentário, mas como não podia e sabia que eu era fã da obra do Eduardo Coutinho, me indicou no lugar dela. Estou amando. As crianças são geniais, você pede uma ideia e eles já vêm com uma história pronta. E está sendo ótimo porque aprendo junto com eles, já que nunca fiz um curso específico nessa área.”

Apesar da sua versatilidade, Amanda se sente mais realizada mesmo é na literatura. “Ainda sonho em publicar um livro onde eu possa misturar minhas poesias, contos e romances”, afirma a jovem, que acredita que tenha chegado a hora de Nova Iguaçu mostrar sua cara. Mas para que o mundo nos conheça é preciso organização e reunião. “Se expressem de todas as formas possíveis, mas se expressem. Seja dançando, escrevendo, fotografando, filmando. Vamos nos libertar dessa inércia. Vamos solidificar a cultura em Nova Iguaçu e principalmente nos organizar para que as coisas aconteçam e se multipliquem.”

http://nevark.blogspot.com/

9 Comentários:

jefferson disse...

Olá!!! Amei a matéria.. Newark... entre um trago e outro... melhor impossivel...
Em relação a poesia em Nova Iguaçu, existe sim. Na maioria dos eventos que ocorre em Nova Iguaçu, quase sempre tem intervenções poéticas. Um exemplo é o cineclube buraco do getulio.
Eventos somente com poesias ainda não vi, porém tem o grupo de poesia formado por Ivone Landim. Chamado de Pó de Poesia e que reuni todas essas pessoas que são apaixonadas pela poesia e que escrevem grandes textos mas deixam guardados na gaveta, as vezes por vergonha outras por não ter para quem divulgar ou expressa-las. Inclusive ele completa 2 anos este mês.

João disse...

"...que reuni todas essas pessoas que são apaixonadas pela poesia e que escrevem grandes textos..." Bem, o pó de poesia não reuni todos os poetas da cidade. Mas já que você está dizendo... ¬¬'

JOão.

fábioObranco disse...

CORREÇÃO : "O Fábio está trabalhando em um documentário sobre os -Panteras Negras-, que foi um grupo de poetas dos anos 70 e 80 que perambulava "

-O documentário é sobre um bar do final da década de 70 chamado "A CASA DA PANTERA" nesse bar os poetas e ativistas políticos e culturais se encontravam.

jefferson disse...

Não reuni, mas como esta no texto uma proposta para reunir, não vejo por que o pó de poesia não seja um forte canditado!

Nevark disse...

@Layola
Sim, intervenções poéticas concordo, mas não é isso que falo quando menciono Sarau, digo de um evento diretamente relacionado a leitura e criação de crônicas, poesias, poemas, histórias, tudo isso, acredito ser a única que falta e aos interessados na criação desse, entrar em contato :
- mandinhanevark@gmail.com

Marina disse...

Sensacional..
o engraçado é q conheço essa moça mas nao fazia idéia de tdo o q esta escrito aqui.

Enfim, é isso ae mulé !
Tamos junto nessa luta pela cultura em NI o/

BiOn! disse...

Temos que dar conta das demandas que identificamos e o Buraco é, apenas um, dos exemplos de que podemos enfrentá-las. Tá sentindo falta de um espaço... arregaça as mangas e cai dentro. É isso aí!

BiOn! disse...

Ah! Ia me esquecendo... em outubro faremos o Buraco da Palavra e quem quiser conhecer melhor o trabalho da nossa querida Mandy poderá acompanhar sua intervenção nessa sessão e também no mês seguinte, em novembro tem Buraco Erótico!

Amanda Camilo disse...

Meu novo blog!
http://adoravelcretina.blogspot.com/

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