Poupe ficha

sexta-feira, 30 de julho de 2010

por Fernando Fonseca

O projeto ‘Livro Livre’ é uma das muitas experiências de ‘BookCrossing’(uma prática surgida nos Estados Unidos da Américas que consiste em deixar livros em locais públicos para que outros o leiam e voltem a libertá-los) implantadas no Brasil de que a Secretaria de Cultura de Nova Iguaçu transformou em política pública. “Fazer com que os livros não fiquem nas mãos de uma única pessoa, mas que circule livremente pela cidade, é a intenção principal do projeto”, explica o secretário de Cultura de Nova Iguaçu, Écio Salles.

O conceito do projeto baseia-se em dois princípios: o da dádiva e o do comum. No primeiro, somos levados a lembrarmo-nos das tribos indígenas que recebiam presentes de outras tribos e eram obrigadas, posteriormente, a retribuir dando outro presente à tribo visitante. No segundo caso, partimos do princípio de que o comum é o de todos, onde nada pertence unicamente a alguém, mas sim a todo mundo. O interessante é que, assim, os livros passam a se tornar propriedades públicas.

O nome ‘livro livre’ foi importado de São Paulo por Écio após uma viagem à movimentada cidade paulista. No processo de libertação dos livros, onde estes são primeiramente etiquetados com um endereço eletrônico, as possibilidades tanto dos leitores comentarem pelos seus blogs o que acharam do livro quanto dos produtores do projeto estarem mapeando os caminhos percorridos pelos livros desde sua libertação.  Engana-se, porém, quem acha que tal projeto seja realizado apenas pela Secretaria de Cultura em nosso município. Outros grupos iguaçuanos, como o CISANE e o ENRAIZADOS, já fazem trabalhos similares ao projeto de libertação de livro na nossa cidade.

Tão vastas são as possibilidades e os lugares alcançados com o projeto, que podemos tomar como exemplo a última libertação de livros, ocorrida dentro da carceragem da Polinter de Nova Iguaçu no início do mês. Eventos, bares, ruas, não importa onde esses grupos promovam a libertação dos livros, o que vale é promover o aumento das possibilidades de as pessoas terem acesso a esses materiais. “Livro é uma cultura cara. Ampliar as oportunidades das pessoas poderem acessar esse material é um ótimo recurso. Não posso, porém, encarar esse projeto como uma ferramenta de incentivo à leitura, pois, para isso acontecer, precisamos de políticas maiores de incentivo à leitura. Eu alimento poucas expectativas quanto a esse incentivo, mas não poucas esperanças”, conta o secretário.

Um método prático e eficaz de se levar cultura entre as classes e ruas de um município vastamente heterogêneo, mas não tão inovador. Mas, se não podemos considerar o projeto inovador, tomemos então essa nota: criação de parcerias para libertação de livros. Como funcionaria? Simples, a união gera a força! Eis então que surge o brilho da criatividade ofuscada ante tantas ações politicamente corretas. Juntar os representantes dos projetos de libertação de livros por um dia para que seja discutida a ideia do livro livre torna-se agora um novo projeto de interface do Pontão de Cultura.

Denominado Colisão, o projeto é composto por dois movimentos culturais: O ‘Encontrarte’ e o novo projeto de encontro literário, o ‘Poupe Ficha’. “A intenção é ligar o nome do projeto à palavra Pulp Fiction, a famosa anedota do homem que precisando fazer algumas ligações e possuindo apenas uma ficha, amarra um barbante no pequeno objeto circular a fim de utilizá-lo novamente em outros telefonemas. Tive a ideia desse nome juntamente com o escritor Julio Ludemir, um de meus adjuntos. Esta palavra está ligada diretamente ao que é barato, acessível”, revela Écio quanto ao nome e à natureza do projeto. A intenção é que nos próximos meses seja realizado o encontro que reunirá cinco realizadores de projetos de libertação de livros do Estado do Rio de Janeiro com outros cinco representantes vindo de diferentes lugares do Brasil no Espaço Cultural Sylvio Monteiro.

Quanto à libertação dos livros, estas podem ser feitas tanto por pessoas quanto por bibliotecas. Independentemente do nome do autor ou da obra, o importante é que o livro seja considerável ‘lível’, ou seja, que esteja em bom estado de conservação. “Eu libertei uns 50 livros já. Fazer com que o libertador sinta certa dor na hora da libertação é um dos critérios que diferenciam o ato de libertar para o de doar. Eu tinha duas obras em minha casa de edições diferentes e sofri muito para libertar uma delas, mas consegui. Este sentimento
está ligado intimamente a um fetiche de vaidade. Estamos dando o primeiro passo!”, conclui o secretário.

Diferentemente da pessoa que vos escreve, é pedido que você leitor, amantes da literatura, livre-se de seus fetiches e liberte seus livros. Não se sinta solitário, nem tampouco depressivo ao ver sua prateleira vazia. Se você sempre desejou ler o livro do seu vizinho ou amigo, mas nunca teve vontade de pedir, agarre essa oportunidade, ou melhor, liberte-a, porque a hora é agora.

20 Comentários:

Anônimo disse...

Aaaaaaadorei!
totalmente incrível!

Marina disse...

ótima narração!
vou me juntar à classe.

Anônimo disse...

adoro essas idéias de secretários, sempre criativas.
Curti \o/

Sol*

Tamyres disse...

Ótimo texto, Fernando! Adoreei! =)

Larissa disse...

Eu adoro essa idéia, mas não sou nem um pouco capaz de me desprender dos meus livros :/

Mequita disse...

Sigo com interesse os movimentos de distribuição gratuita de livros nas praças, postos de gasolina, pontos de ônibus, e conheço tb o "book crossing" propondo que o livro encontrado seja inscrito na internet, para acompanharmos o seu curioso percurso.
Gosto de ler e acredito na leitura como instrumento de conhecimento e cidadania.
O "Ponto Livro Livre"começou no café da quadra onde moro em Brasília. O dono do "Café Grão Mestre” disponibilizou o mezanino e, com um grupo de amigos, em 24/02/2007, inauguramos no local um espaço cheio de livros, onde os freqüentadores podem deixar, trocar e levar livros... livremente!
No cardápio e nas mesas, informamos aos clientes a proposta, criamos um selo para identificar o movimento e os livros foram chegando e saindo.
Depois de um ano percebi que havia mais de 900 assinaturas no caderno deixado no local, para que os leitores anotassem o nome e o livro retirado.
O sucesso da iniciativa me animou e criei um pequeno kit do "Ponto Livro Livre" com 50 adesivos, modelo de felipeta com informações, algumas reportagens e links na mídia, atendendo, assim, aos donos dos espaços públicos que me procuravam.
O movimento cresceu, aqui em Brasília, hoje você encontra o "Ponto Livro Livre" na "Confeitaria Francesa", em 3 lojas do "Empada Brasil", no "La Boulangerie", em 2 lojas do "Pão Dourado", na "Sorbê" e no restaurante "Oca Lilá", em Alto Paraíso. Em todos eles, no seu espaço de convivência, uma estante, uma mesa e mesmo um carrinho de chá facilitam a "troca"de livros.
A rede de 16 restaurantes "América", 14 em São Paulo,um em Porto Alegre e um no Rio, também aderiu ao "Ponto Livro Livre" e, numa simpática estante no formato de casinha, recebe e troca livros infantis, nos fins de semana.
Em Campos do Jordão, foi aberto um "ponto" no Mercado Municipal.
A "Escola Teatral Confins Artísticos", aqui em BSB, também abraçou o movimento e algumas escolas em SP estão estudando para colocar estantes nos recreios.
Outro "ponto" em SP deve ser aberto numa grande empresa para os seus 4.000 funcionários.
Você, editor ou leitor, com certeza freqüenta um café no seu bairro. Lá poderia ter uma pequena estante onde deixaria seus romances já lidos, podendo tb encontrar outros livros...É prazeroso saber que você, liberando seus livros, está seduzindo novos leitores.
É só escolher alguns livros da sua estante, identificar e fazer circular.
Mequita Andrade
pontolivrolivre@gmail.com

Anônimo disse...

agora eu só quero saber disso.
liberar geral.
vamos povo, juntem-se à causa...
amei de s2

Jaqueline Rios

Thiago Dutra disse...

já participo de libertações de livros há um ano,
recomendo a todos também.
ps: adorei o nome, muito criativo!

Anônimo disse...

ual, que abrangência gigantesca
já aderi!


Pedrinho

Leca disse...

Gostei muito do projeto. Mas para dar certo, todos devem entregar-se a ele, e isso pra mim é um tanto difícil. Confesso que, morro de amores pelos meus livros. HAHA
Porém, para uma boa ação, devemos deixar o egoísmo de lado. Não é mesmo, querida Larissa? rs

vanessa disse...

Muito boa a matéria! Parabéns ao Fernando Fonseca pelo assunto abordado.

Júnior disse...

quero muito tudo isso
que meio interessante de se promover cultura
'tâmo junto'

Mayra disse...

Caracaa uma matéria ÓTIMA. Parabééns amigooo, vc escreve maravilhosamente bem... Incrível... !!!! Vc é simplismente incrível !!!! Continue sempre assim... PARABÉÉNSS

Lucimar Arantes disse...

Nova Iguaçu com projetos inovadores!!
muito me interessou saber dessa proposta...
vou conversar com os secretários de cultura do meu município sobre esse projeto.
ps: boa narrativa!

Anônimo disse...

quero viver disso, hahá.
quero ver livros e mais livros nas ruas...
literatura invadindo todos os lugares...
livros inacessíveis tornando-se populares...
tá legal, tô louca, me empouguei!
mas adoro a ideia.
tô dentro.
Vila de Cava estamos ae!

Lúcia

Tatiane disse...

Muito legal esse projeto.Vou me juntar a classe kkk.Tenho alguns livros aqui em casa e vou passa-los adiante.
Otima matéria!

Igor Schiffler disse...

É bom saber que existe projeto como esse.
Leio sempre diversos livros e sinto que posso passar esse conhecimento a frente.
Parabéns ao Secretário por essa iniciativa.

Anônimo disse...

Gentem o Écio é o novo secretário de cultura??
adoro ele!!
bjs

Anônimo disse...

amei!

s2

Lalá

Anônimo disse...

Nando, me passa seu currículo por email?
adorei a matéria!
bjs

Adriana Pinho

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