Parada de sucesso

terça-feira, 31 de agosto de 2010

por Jefferson Loyola


A 7ª Parada do Orgulho LGBT de Nova Iguaçu trouxe um colorido todo especial à cidade no último domingo, dia 29 de agosto. Seis trios elétricos arrastaram uma multidão pela Via Light, no Centro da cidade, até as 23h. Cerca de 80 mil pessoas passaram pelo local e todas se jogavam ao som de house music ao funk.

“As paradas gays do Brasil inteiro, e aqui em Nova Iguaçu não é diferente, são uma demonstração espetacular da capacidade do movimento LGBT”, disse Écio Salles, secretário de Cultura de Nova Iguaçu. Este grande evento consegue produzir uma manifestação política e festiva ao mesmo tempo, mas não esquecendo que, apesar de tudo, o Brasil também é um país onde a violência contra homossexuais é muito forte, muito presente. “A parada gay é a demonstração de que existe um espaço para a convivência e que pode se afirmar”. 

O grande objetivo das paradas gays é divulgar e defender toda a cultura gay, apresentando os direitos da comunidade LGBT e promovendo a conscientização sobre a importância da igualdade entre todas as pessoas dos mais diferentes estilos e a luta pelo fim do preconceito. “Acho que é um evento que deixa a desejar no sentido de nós, muitas das vezes, estarmos aqui só para brincar de fantasia, sendo que para isso a data é o carnaval, não seria no orgulho gay”, afirma Alê Ferreira, morador do Flamengo e que veio pela primeira vez na parada gay de Nova Iguaçu.
Tudo é organizado pelo grupo 28 de junho, um grupo de Nova Iguaçu que discute a cidadania LGBT com uma transversalidade de temas inerentes à população brasileira. O grupo se reúne semanalmente no Espaço de Cultura Sylvio Monteiro, às sextas-feiras. Quem organizou também participa. No segundo trio elétrico, estavam Geovani Lima, presidente do grupo, Paullo Vieira, diretor de comunicação e cultura, Catia Cilene, coordenadora de mulheres, e Elyanna Luancy, coordenadora de travestis e transexuais.

O segundo trio elétrico trazia uma presença ilustre. O dançarino Fernando Shermand, representante da parada gay de Nova Iguaçu, e da cidade em outras paradas gays do Rio de Janeiro, desde o seu inicio. “Para mim é uma maravilha estar na parada gay e lutar contra a homofobia, ainda mais sendo homossexual desde sempre”, afirmou. Outra presença ilustre era de Dona Elizabeth, mãe do grupo 28 de junho. “As mães pecam ao abandonar o filho por causa da sua sexualidade, em vez de tentar se aproximar mais deles, elas se afastam. Não faço parte disso”, disse ela, que entrou no grupo há alguns meses, junto com o filho. “Meu filho é gay, desde pequeno sempre gostou de maquiagem, brincar de boneca, essas coisas”, contou Elizabeth, a primeira mãe a assistir a uma reunião do grupo e começar a participar. “Será que sou a única mãe que aceita o filho?”, indagou-se. “Minha família é bastante unida, e mesmo tendo só um filho homossexual, todos os outros estão aqui junto com ele”.

Moda da parada

Chegou dia de parada gay em algum lugar, é só pegar aqueles looks de dentro do armário e se jogar. Como na parada de Nova Iguaçu não seria diferente, destacamos as mais lindas do dia. “Por mais que eu tento não estar fantasiado, eu tento vir em grande estilo, para não colocar o nome da nossa classe novamente, depois da década de 80 que esteve totalmente no lixo, voltar a estar na lama.”, disse Alê Ferreira, de vestido colorido, as cores da bandeira arco-íris.

Apaixonado por moda, ele trabalha na alegoria  dos carros da Beija-flor de Nilópolis. “A roupa sempre terá algo customizado, quando não toda ela”, afirmou. O que não era o caso do dia, mas olhando o buá, principalmente de perto, você não diria que foi feito duas horas antes do evento. E digo mais, dentro do carro no caminho do Flamengo até Nova Iguaçu. “Todo mundo ajudando, corta pano e rasga pano, porque é cortado e amarrado”. Carla Koteiro, linda e altíssima, estava com uma bela bata e uma saia preta, o acessório não podia faltar, um cinto preto que dava um charme especial para a roupa. “Está calor. Nada melhor que um look verão e confortável”, explicou.

Vestir aquilo que caracteriza o nosso ser é essencial não somente para a moda, mas para consigo mesma, sentir-se melhor. “Infelizmente a maioria ainda se veste com a característica do outro, ou seja, o que está na moda”, disse Ale Ferreira. Moda não é individual, é coletiva, não devemos seguir uma tendência, cada um estiliza suas roupas da maneira que achar melhor. “Se moda é usar o que está na moda não haverá novidades, não haverá inovações. Desse jeito, nunca mais teremos uma Chanel, por exemplo”.

A parada gay de Nova Iguaçu terminou quase à meia-noite. A maioria foi curtir o resto da noite na boate Site Clube, no bairro Califórnia, também em Nova Iguaçu. “Democraticamente, eu acho que é uma forte expressão que a parada gay daqui demonstra cada vez mais, o grupo 28 de junho está de parabéns”, finalizou Écio Salles.

15 Comentários:

Eugenio Ibiapino disse...

Boa tarde amigo.
Pensei que o texto estava se referindo a o carnaval passado ou o que virá.
A parada não é nada disso que foi colocado aqui.
Faltou dizer muita coisa. Que Nova Iguaçu ainda não temos o centro de referencia que lutamos há tanto tempo, nos dois primeiros meses que atencederam a parada mais de quatro gays foram assssinados sem punição para os assssinos,que o apoio dadopara a parada pela atual prefeita foi uma coisa vergonhosa, que os politicos Iguaçuanos foram oportunistas enchendo os trios elétricos com propaganda partidária com conivencia com o TRE de Nova Iguaçu, haja vista que solicitei fiscalização antes e a justiça do TRE nos deu o silencio como resposta; que a prefeitura de Nova Iguaçu não mandou ambulancia para o evento, mesmo tendo sido solicitado com tres meses de antecedencia, sabendo que eventos de grande aglomeração o poder público deve dsiposr de ambulancia equiupada.
Portanto fora estes pontos vergonhosos e vexatório a população respondeu positivamente a a altura e conseguimos realizar a maior parada LGBT da História de Nova Iguaçu(Mesmo sem apoio da Prefeitura). Das autoridades constituidas a aPM foi a única que respondeu positivamente com sua presenpça atuante e atenciosa que sempre pautou para com nossos eventos LGBTS.
FALEM DA PARADA MAS TENTEM NOS OLHAR COM UM ANGULO SOCIAL MENOIS CARNAVALESCO per favore! Já que não estamos falando de um desfile de modas.
Ffigura -Te. ( popularmente falando) se toquem estamos falando da negação de direitos, de algumas conquistas e que o Brasil se destaca ao lado de IRÃ, IRAQUE E ZIMBÁBUE (PAISES GOVERNADOS POR FANÁTICOS RELIGIOSOS)COMO UM LUGAR AONDE SE EXECUTA MSIS HOMOSSEXUAIS por motivo de preconceito que a propia Anistia Internaciuonal classifica como crimes de ódio.
BATER CONTINÊNCIA COM os chapéu alheio é facil.
Dificil é conseguirmos em nosso Municipio a instalação de politicas publicas para a comunidade LGBT.
Eugenio Ibiapino.
Coordenador Geral da parada de Nova Iguaçu
Vice presidente do grupo 28 de junho
Fundador do movimento LGBT da baixada
Tel 93628785

Anônimo disse...

O que foi passado foi que três dias antes que foram pedir o apoio das ambulâncias, e um documento muito mal redigido.

Anderson

Jefferson Loyola disse...

Oi, querido Eugênio, meu nome é Jefferson, o autor da matéria.
Não me passaram estas informações, aliás, você não se encontrava no Trio em que estava o grupo organizador da Parada, e que supostamente estava no meio da multidão, onde não havia como lhe encontrar.

Alan Souza disse...

Olhar parada com um angulo menos carnavalesco?
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Quem olha pra parada com um angulo menos carnavalesco? Ninguém, isso se tornou um carnaval, ninguém mais vai para a PARADA GAY com intuito de marchar pelas vitimas de assassinato, para escutar o que falam em cima dos trios. Politico só vai pra ganhar voto, as pessoas vão todas fantasiadas, só querem fazer mais uma pegação....
Pergunta pra uma pessoa o que foi dito no trio e ela vai te responder: Não sei, a musica do outro estava me contagiando, ou, ai meu deus, tem gente que fala no trio, pra mim era só musica!
Se pararmos pra pensar qual a verdadeira finalidade da parada gay.. ser um Gay Pride americana, onde parece desfile de sete de setembro em que as pessoas realmente vão por causa da luta contra a homofobia, ou um carnaval brasileiro? Por que se fosse uma marcha contra a homofobia, o direito de igualdade, não teria homens sarados de sunga em cima de trio elétrico se exibindo, mulher e travesti mostrando os peitos, e mais um monte de putaria. Você que é organizador da Parada, deveria tomar nota dessas coisas, e resolver realmente levar para o lado que está falando, pois na escrita tudo parece lindo os objetivos, mas na pratica, vc precisa realmente demonstrar o que está escrito.

Alan Souza - Estudante

Anônimo disse...

O importante é ver qe em todo lugar existe diferenças, seja ela qual for. Mais temos qe todos termos um plena consciência, qe essa diferença tem qe ser tonar IGUALDADE! Assim somos iguais a todos, e todos devem ter seu direito de ser feliz do jeito qe for ;)

abraço.

José Maurício. disse...

Eu não estava lá, então não posso afirmar muito, mas a sua matéria está legal. Você focou os "cabeças", falou um bocado sobre o evento em si, e o que ele representa, e mais. Ainda compareceu ao local, o que foi legal da sua parte. Ainda assim, acho que você pecou, no quesito entrevista. Talvez você devesse ter pego alguns relatos de algumas pessoas que lá se encontravam. Mas olhando de uma forma geral, até está boa.

As Paradas gays, obviamente, estão crescendo cada dia mais, como uma multiforma de expressão. É caso político, social e por que não também fashion. É impossível não se pensar num "carnaval" com toda a visão multicolorida que se vê numa Parada Gay. É típico, é de vocês. Como curiosidade, a palavra "gay" vem do inglês desde muitos anos, e no inglês mais arcaico, significava "feliz". Não seria a felicidade algo a ver com colorido?
Da mesma maneira a qual critico sua visão de "menos carnavalesco", também critico - e discordo - a sua posição perante a formulação da própria matéria. Eu conheço muito bem o trabalho do Jovem repórter, tenho vários amigos que trabalham como e mais do que ninguém posso dizer o quanto eles sofrem e correm atrás para pegar todas as informações possíves para elaborar sua matéria a qual deveria muito bem ser altamente elogiada, afinal, trata-se de algo que está na nossa sociedade, está crescendo cada vez mais e que, acho extremamente justo, lutar por.

Faltou informações? Com certeza. Afinal, a pessoa que deveria estar presente para dar as tais informações estava perdida por aí, no meio da multidão...

Anônimo disse...

Sou contra paradas gays, por que se fosse uma luta contra a homofobia, tudo bem, mas é tudo uma putaria só, mais quem somos nos para escolhermos a nossa sexualidade, a vida são deles não de quem não é Gay.

by: André Eduardo MG (ý

Anônimo disse...

Aqui foi dito, tudo o qe precisa ser dito.
As diversidades, os problemas, enfin TUDO!
Tá de parabéens o blog.

chuck disse...

Gostei da matéria, sou bissexual e nunca tive a oportunidade de ira uma parada gay, mas quero muito ir à uma e fico triste por aqui onde eu moro, Miguel Pereira - RJ, não ter parada gay, é um movimento que gostaira muito de participar, ano que vem já confirmo minha presença em Nova Iguaçu.

kareen disse...

Houve a semana da diversidade e ninguém foi, mas a parada estava cheia, estranho isso não é?

Faltou informações? Com certeza. Afinal, a pessoa que deveria estar presente para dar as tais informações estava perdida por aí, no meio da multidão... [2]

Netto disse...

o problema da parada é que perdeu o sentido
o povo acha que é uma festa e n manifestação!

Wesley Salles disse...

Bem acho que foi tudo bem explícito aqui.
A parada é uma festa que todos vão para tentar minimizar um pouco desse preconceito que existe. Sou hétero e acho que todos deveríam ser tratados uns iguais aos outros. Eles tentam levar um pouco a vida e o que eles são realmente iguais a todos e para quem olha de um jeito diferente, o verdadeiro significado deles!
E o mundo tem que ser um só, aceitando em sí, todas as suas diferenças, tranformando-as em igualdade.

Alexs Tcho disse...

É muito contraditório isso, concordo com o Eugenio e concordo com o Alan, em partes, creio, que caso haja criticas a serem feitas, que sejam feitas ao brasileiro, pois o que se vê ai é o comum brasileiro.

De um lado, temos sim, prova de muitas conquistas, tenho meus 27 anos, lembro me de quando tinha meus 15 e era raro saber de pessoas como você, gays. E quando sabia de alguém, havia um medo geral de que, caso firmasse uma amizade, todos viessem a saber de você também...

Hoje em dia meu namorado vêm a minha casa e janta com minha familia, junto com meus amigos e amigas...

O fato da parada ter virado mais um carnaval, bem isso creio, é inevitável, por isso esta tão popular, lucrativa e crescendo sem parar.

Mas se não fosse isso, não haveria apelo comercial, afinal, não importa o quanto triste seja, veja a Tv brasileira, qual seria o menos carnavalesco e apelativo?

Não critiquem os gays por nada que tenha achado ruim na parada,

critique os brasileiros que vêm mais de 500 milhões sendo liberados sem burocracia pra construção de estádios enquanto é uma longa demora para se liberar nem 10% deste valor para aquisição de ambulâncias para hospitais, quando é liberado é claro.

Então eu iria a parada gay para uma festa sim, poder abraçar meus amigos e meu namorado na rua em publico e ter orgulho de tudo aquilo, dançaria muito.

Mas ficaria horrorizado comigo mesmo, se na parada fosse apenas isso, mas não é...

Você que viu apenas um carnaval ali, viu a parada de onde? do meio dela, conhecendo e vivendo ali, ou a viu pela Tv?

Eugenio Ibiapino disse...

Acho fundamental o direito a expressão de pensamento mas lamento a falta de responsabilidade quando falam as coisas sem provas.
Houve uma negligência no socorro as vitimas que precisaram de ambulância, tenho toda a documentação provando que solicitamos o apoio médico mais de 3 meses antes da realização do evento. Sabendo a responsabilidade jamais poderia deixar de fazer este tipo de solicitação.
como recebi algumas criticas no tocante a organização, enviei uma carta de esclarecimento.
A parada é um momento de festa sim, com plumas e paetês, mas não podemos tapar o sol com uma peneira quando se referimso a buscar politicas públicas para um setor social que é excluido e até assassinado pro causa da sua orientação sexual, como vem denunciando a ANISTIA INTERNACIONAL.
O Brasil continua negando 37 direitos aos casais homossexuais.
Os crimes de homicidios envolvendo os homossexuais em Nova Iguaçu não são denunciados e muitas vezes sem sequer são noticiados pela midia.
Tem até delegacia de policia que atende mal as pessoas, quando descobrem que se tratam de homossexuais, e uma parada LGBT não pode esconder esta realidade.
Quem acha que a parada deve servir somente de glamour, pegação, uso de drogas, dentre outras putarias, está no lugar errado, procurem saunas, boites, dentre outros lugares congêneres.
A livre expressão de afeto não é crime no Rio de Janeiro porqure os grupos LGBTS pressionaram a Alerj e no ano de 2000 conseguimos aprovar a A LEI 3406 que pune os estabelecimentos COMERCIAIS E PUBLICOS QUE DISCRIMINAM AS PESSOAS POR CAUSA DA SUA ORIENTAÇÃO SEXUAL, OU SEJA;
Ninguem pode ser expulso de um estabelecimento comercial pelo fato de expressar o seu amor por outra pessoa do mesmo sexo atraves de um beijo um abraço.
O que é crime é o atentado ao pudor, a pedofilia etc.
A livre expressaõ de afeto foiuma importante conquista do movimento social organizado . a comunidade LGBT deve se apropiar e fazer um bom uso da LEI ESTADUAL 3402.
Quando saímos as ruas para pedir respeito aos nossos direitos deveremos primeiramente respeitar para sermos respeitados.
Quem vai para a parada de Nova Iguaçu, pensando que vai transar e fumar maconha debaixo da uma bandeira do arco iris está completamente enganado(a).
A parada de Nova Iguaçu ainda é um instrumento social importante que foi construido as duras penas, chegar agora e ficar falando asneira, blá blá, blá, é fácil. Acompanhe as vítimas de homofobia até uma delegacia de policia ou mesmo até um hospital e verá que existe uma distancia grande entre a homossexualidade mostrada pela mídia e a dura realidade do povo LGBT da baixada e de Nova Iguaçu.
FIGURATI!

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