Apalpe o vídeo-arte vencedor

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

por Yasmin Thayná



O 284 foi o primeiro ônibus que peguei após ganhar, junto a Marina Gomes e Milena Manfredini, o prêmio do júri técnico de melhor curta produzido durante o processo de criação cinematográfica da Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu.


Almocei com meu pai a comida que minha tia preparou para mim e saí de casa às 14:30. Desci a Albano e peguei o 2111 na Cândido Benício, de frente a Rio Swin. Abri minha sacola preta com detalhes verde e branco. Peguei o livro "sorria, você está na Rocinha," do escritor que continua tirando as fraldas dos textos que escrevo, mas que acredita em mim e tem paciência em fazer isso.
Passei pela Taquara, Pau ferro, Serra do Grajaú, Maracanã, Praça Mauá, Central do Brasil, Avenida Presidente Vargas: todo o cenário era Rocinha. As linhas escritas por Ludemir, me acompanharam nessa segunda tentativa de leitura, já que estive impossibilitada de ler da última vez.
Puxei a cordinha azul marinho e desci em frente a Biblioteca Nacional. Segui a rua do teatro Municipal, que dava para os Arcos da Lapa. Encontrei Luz Ana - a menina que cobra o permanente nos meus cabelos e elogia minhas filosofias fanfarronas de twitter e facebook - quase nos arcos da Lapa junto de sua mãe e sua prima Thuanny Rocha que trabalhou no culturaNI junto comigo e fez Escola Livre de Cinema também.
Chegando na Escola Livre da Palavra, olhei dentro dos olhos d Sergio Vaz: o poeta que até então tive o desprazer de entrevistar. Fui a primeira a manifestar interesse quando o Julio oferecia as pautas na época do Colisão Literária, na gestão do humorista nerd Écio Salles.
Sentei na cadeira branca de plástico. Enquanto todos riam das coisas engraçadas que Sérgio falava, eu não esboçava riso algum e continuava olhando dentro de seus olhos. Apesar de ter ido por pura insistência da segunda imagem que ousei a ter dele, consegui fazer umas linhas pobres em rimas.
IMAGINAÇÃO
Lá da pedra, via estrelas.
Estrelas bonitas que só vejo lá
Lembrei do dia em que ganhei a bicicleta
Aquela roxa que alguém trouxe para me animar
Daquele pontinho verde
COm luzes que piscam dizendo coisas no ar
E olhando lá de cima
vi que também pisco
Pisco 3 vezes e quanto quiser piscar.
Olhei pro meu chinelo
vi um vagalume
e um relâmpago brilhar
Senti 2, 3, 4 pingos
Desci e disse: amanhã, eu volto lá!
Pra ver estrelas e minha vida brilhar
22.02.11
Foi bom. Todos escrevem muito bem, inclusive ele que me emocionou com sua história e seus textos com performance.
Subi a escadaria do Selarón e fui participar do primeiro programa de auditório realizado pelo apalpe. Sentei ao lado da engraçada Marina Rosa que pegou um bombom para mim que Faustini deu a pedido de desculpas pelo calor. E também porque Beá precisava das embalagens de bombom para pintar uma tela.
Veruska Thaylla anunciou a minha representação na contagem de votos do júri popular. O vencedor do vídeo foi "pôr do sol," do Cesar Carvalho e da futura Teóloga Fabíola Loureiro. Das esquetes de sábado, venceu "no ponto." Merecidíssimo. Belo texto de Rafaelle Castro e bela atuação.
O vencedor eleito por Ivana Bentes que leciona linguagem cinematográfica para mim na CUFA, Carlos e ... foi recebido, primeiramente, por duas menções honrosas: para o eu mapa, do Allan Reis que fez Tela Brasil comigo e pôr do sol. "Vocês ganharam, Yasmin," disse Marina Rosa. Desconfiei na hora em que a Cintia Monsores perguntou qual era o meu vídeo e a Cristiane Brás soube responder. Lembrei dela dizendo que lembrava de todos os alunos. Pensei na possibilidade de outro vencedor, até que a voz do Faustini disse "Tiago" no lugar de Yasmin Thayná. Ele disse: Milena Manfredini, Marina Gomes e Tiago: um fantasma qualquer que fez parte do vídeo.   
Ao dizer que o prêmio, dediquei a vitória ao Julio Ludemir que escreveu o melhor livro que li na vida "no coração do comando." Julio sempre conversa comigo no fim das reuniões do Jovem Repórter e acredita no meu sucesso. Talvez mais que parte de minha família.
O Raul Fernando, que infelizmente não esteve presente, foi junto a Marina Santonieri e Ivana Bentes, o professor que se dedicou e ensinou coisas muito importantes para mim nas aulas de roteiro onde ele pegava na minha mão para fazer um desenho dentro de um retângulo: "cinema é imagem, minha filha. Não queira fazer um story board sem fazer um retângulo antes. Não estou entendendo seu roteiro. Isso é literatura, eu não sou professor de literatura." Além do seu andar diferente e parecido com um dançarino de jongo. Ele anda dando umbigadas. Eu, a Jullyane Melo, Milena Manfredini e Marina Gomes, não cansamos de imitá-los. Talvez isso foi o auge da nossa aproximação.
A Ivone Landim, que também não estava presente, foi muito importante para mim. O motivo disso é simples: mãe. Ivone foi aquela professora que a gente adota no jardim. Só que eu adotei no ensino médio e espero continuar junto dela nos próximos anos.
O guia da periferia afetiva venceu, ainda que não houvesse intenção de ganhar dinheiro. Para nós, o mais importante era estar juntando o que nós aprendemos e aplicar naquela momento.
Quanto voltei para casa, só pude ouvir e dizer, em seguida:
- e aí, minha filha? Como você e as meninas se saíram?
- Melhor vídeo arte, eleito pelo júri técnico, na segunda edição do Apalpe nessa noite de sábado! 

1 Comentários:

Aline Merilene disse...

Parabéns a vc e a equipe. Essas Marinas eu conheci na JLN e fico feliz q "essa cria" tenha dado bons frutos!
Seus textos estão ganhando uma linha mais emotiva porém não apelativa isso é ótimo. Dá pra ler sem setir o "peso" da emoção e ao mesmo tempo se imaginar na situação descrita. Muito bom!
A sensação de voltar pra casa com o dever cumprido é sublime! Espero que seja sempre assim!
Parabéns Yasmim, Marina e Marina, Milena, Faustine, Julio e Ivone e tantos outros que incentivam e inspiram punhados de coisas boas e cheias de energia positiva por onde passam!

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