Prazer em ser...

domingo, 17 de julho de 2011

por Joyce Pessanha

Crônica

Nunca quis ser atriz, modelo, advogada, engenheira ou paquita da Xuxa. Nunca quis voar ou aprender a nadar. Nunca me dei com os que só vestem Colcci, Ellus, Nike, Adidas e bolsas da Victor Hugo. Os rockeiros me encantam, os funkeiros me arrancam sinceras e amistosas gargalhadas, os religiosos têm o meu respeito, os adolescentes a admiração pela paixão à vida, os idosos a profunda gratidão por uma vida de colaboração. Entretanto, não pertenço a nenhum destes grupos. Fico de longe, olhando, tentando entender, tentando traduzir as observações em palavras.
Admiro os fatos corriqueiros. Você talvez nem entenda, ou não perceba. Como uma mãe que chora a dor de um filho e tenta ser consolada, porque ela tem que se consolar? Perguntas. Um homem que luta a vida inteira por um sonho pra ver o mesmo sonho batendo em sua cara e lhe dizendo não. Ou um camelô que ganha rios de dinheiro vendendo água com 150% de lucro no trem, mas gasta tudo em cachaça, o amor pra sempre que dura apenas uma semana.
Sou de outra classe, não me encaixo nos engravatados, nos maquiados, nos que correm atrás do dinheiro e se esquecem do tempo precioso que é a vida, dos que vivem para ferir e passar por cima de outras pessoas. Depois de anos de procura e dúvida sobre minha vocação, descobri num teste vocacional o que todos os sinais já me apontavam. Sou jornalista. Mas, de novo, faço parte de outra espécie.
Não sou desses que aparecem na televisão. Informar fatos me causa náuseas, qual a paixão em ser portador de notícias? Aparecer na tv por aparecer, trabalhar com fofocas, nada disso me interessa. O jornalismo que só informa não reverbera. Me interesso em mudar as situações, diferente do jornalismo comum que possui apenas a sincera vontade de passar os fatos com verdade.
Não entendo a faculdade, CR’s altos, aulas de como escrever para o Extra, O Dia, O Globo. Você imaginava que existe um jeito certo para escrever em cada um deles? Saber como começou a imprensa com Gutemberg e escutar que “o primeiro defunto você nuca esquece, depois você se acostuma”. Tenho nojo disso. Pra mim o jornalismo é outra coisa, é mudar o contexto social, ajudar pessoas, trazer dignidade a elas, dar oportunidade para que os potenciais se aflorem. Não quero apresentar o Jornal Nacional - pelo menos não nesse modelo -, só quero mudar o mundo. É pedir muito?
Me sinto como Lennon, em sua música “imagine”, divagando sobre um mundo perfeito, mas eu acredito que é possível viver num mundo mais ético, justo e digno para todos. Você pode até me chamar de sonhadora, mas espero um dia te mostrar que eu não só imaginei, eu fui lá e fiz. Quem sou eu? Sou jornalista.

5 Comentários:

Dine Estela disse...

Lindo!!!
Cheguei a me emocionar...Penso exatamente como você. Utópicas ou não, o importante é sermos felizes e fazer os outros felizes...ou não! Hehehe...

Linda, linda, linda!!!

Joyce Pessanha disse...

Depende só de nós! =D

Raize Souza disse...

Acho um pensamento utópico. Assim como existem modos de se comportar, existem modos de escrever, pq depende das pessoas que vão ler.Jornalista é uma raça que muitas vezes não presta pq escrevemos para uma empresa e assim como toda empresa do sistema vigente quer dinheiro,o dono do jornal tbm buscará isso.Tbm busco um mundo melhor,faço a minha parte.Sei que vou transformar algo próximo a mim,e tentarei através de textos fazer com que as pessoas tbm se transformem.Mas lembrando sempre que jornalista não é Deus, que não é o bom, e que todo texto que eu faço, por mais imparcial que eu tente terá algum juizo meu, e isso não é o ideal.Pq sou apenas uma jornalista.

Anônimo disse...

Bom demais! :)



Abrahao Andrade

Leandro Oliveira de Aguiar disse...

Com o perdão da palavra , FODA!

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