Shopping de metal

terça-feira, 10 de maio de 2011

por Hosana Souza

A maioria das pessoas, quando perguntadas sobre grandes centros de consumo, automaticamente pensariam em um Shopping Center. A primeira imagem, porém, que me vem à cabeça é de um elemento com apenas quatro letras: o trem. As velha composições de metal que cortam o estado do Rio de Janeiro, com seus barulhos, histórias e aromas. Um mercado de pessoas e vida.

Os camelôs são praticamente a alma do trem. Sem eles e seus objetos de extrema importância cotidiana, as viagens de no mínimo uma hora provavelmente não teriam a menor graça. No trem, você pode comprar desde um belo lanche – doces, biscoitos, pipoca, amendoins, bebidas e picolé -, até utensílios domésticos como descascador de abacaxi, guarda-chuva, cadeira de praia, revista, controle remoto, carteira, bolsa, caderno, caneta e manual para concursos públicos. “Tudo isso e muito mais é aqui na minha mão, senhoras e senhores. O passatempo da sua viagem!”, grita um deles, enquanto some na multidão.

“São inúmeras as coisas que a gente encontra no trem e que não podemos deixar de comprar”, diz a técnica de laboratório Elza Beatriz. “Tem muita coisa boba, tipo caneta. Em dez minutos, ela para de funcionar, mas tem muita coisa útil também. Eu tenho, por exemplo, um descascador de batatas que é uma maravilha que comprei no trem”, completa Marli dos Santos, uma das muitas amigas que Elza fez em viagens da Central até Japeri, cortando a Baixada Fluminense e outras regiões.

O mercado dos trens cariocas atrai não só olhares curiosos como também empreendedores. Luciano Matos, um paulista de 34 anos, se orgulha de ter abandonado a terra da garoa para viver como camelô nos trens do Rio. “Estou aqui já há 16 anos. Minha renda é muito boa, mas não é só por isso que eu continuo aqui. Amo meu trabalho”, diz ele que com o dinheiro que produz no trem já constituiu família em Bonsucesso.

Melhor que a Polishop 
Luciano é conhecido nos trens por ser o vendedor com microfone. “Eu o conheci vendendo um aparelho de tirar suco de laranja sem precisar descascar a fruta. Eu nunca vou usar aquilo, provavelmente já perdi dentro da minha mochila, mas a apresentação dele é tão legal que me convenceu. Melhor que a Polishop”, brinca o estudante de Química da UFRRJ Eduardo Veroneses.

“Eu só trabalho com produtos de utilidade doméstica. O que faz as vendas crescerem é a apresentação. Não me visto de qualquer jeito, brinco e tiro suco na hora. Ensino as pessoas a usarem. Se você reparar bem é um pedaço de plástico, mas a minha apresentação faz com que isso tenha valor”, explica Luciano, que fabrica seus produtos em parceria com um amigo de São Paulo, “Eu não trabalho com porcaria! Vejo o que mais vai vender, converso com ele, monto a apresentação e posso garantir que meus produtos duram mais de dois anos”.

O microfone sem fio que utiliza foi comprado apenas por causa de um problema na garganta. Contudo, o retorno foi tão positivo que se tornou estratégia de marketing e marca registrada. “As pessoas me reconhecem pelo microfone. Hoje forneço meus produtos para mais oito camelôs”, conta ele enquanto atende o telefonema de um companheiro, que o avisava sobre a marcação que os seguranças da SuperVia – empresa responsável pela administração dos trens do Rio de Janeiro - estavam fazendo em Deodoro.

Luciano se preparava para cursar a faculdade de nutrição em sua terra natal, quando foi surpreendido por um problema na visão. “Eu quase fiquei cego. Tive de fazer transplante nas duas córneas. Hoje enxergo mais ou menos”, relembra. Por causa da cirurgia e de seu tempo de recuperação longo, acabou perdendo seu emprego de estoquista. “Meu irmão comentou que vender coisas no trem dava certa grana e não exigia tanto esforço. Eu fui”, conta ele, que começou nos metrôs de São Paulo, mas ao saber da fama dos trens do Rio embarcou em um ônibus sem medo para tentar a sorte.

Boa vontade
Engana-se quem pensa que trabalhar de camelô é fácil. Além de passar o dia todo caminhando entre um vagão e outro, esses homens e mulheres têm de aprender a dar atenção a seus consumidores e mais ainda, estar sempre atentos aos guardas das estações da Supervia, caso não queiram perder a mercadoria. “É ilegal, nós sabemos. Mas acredito que a Supervia podia nos cadastrar. Quem trabalha direito pagaria até taxa, numa boa. Até porque eles aceitam o pessoal da Vivo, da Nestlé. Tinha que incorporar, com ordem, todo mundo. O que falta é boa vontade”, explica o camelô Roberto Silva.

A organização dos camelôs é verdadeiramente surpreendente e de um cálculo matemático que vai além da compreensão de quem não pertence àquele mundo. Sem papel ou caneta, eles se mantêm organizados, desde os horários até as linhas de trem que irão passar. Evitando, assim, um acúmulo de pessoal ou produto em uma linha ou horário. “Normalmente a gente reveza os horários durante a semana e troca de linha a cada mês. Hoje estou no trem das dez na linha Japeri. Daqui a duas semanas estarei à tarde na linha de Belford Roxo”, explica Luciano.

No grande Shopping de Metal, você pode encontrar de tudo um pouco. O maior transporte público do Rio de Janeiro tem mais que a função de levar e trazer pessoas; carregam vidas, grandes histórias, talentos. Como brincaria o camelô: “Refrigerante quente é na mão do concorrente!” Embarque no Japeri mais próximo e se permita viver.

Amargo regresso

sexta-feira, 6 de maio de 2011

por Leandro Oliveira de Aguiar


Pegue os jovens fascinados pela micareta, somados ao funk desbocado e isso multiplicado pelas músicas eletrônicas. Tudo isso elevado à enésima potência pelas “ficadas” sem compromisso. Pela lógica, a nova geração seria de longe a que mais torceria o nariz para a tal caretice chamada casamento. Todavia, segundo os dados do IBGE, o número de matrimônios aumentou, principalmente entre os jovens.

Entre as mulheres, a união acontece em sua maior parte no grupo de 20 a 24 anos (29,7‰) e entre os homens se concentra na faixa etária dos 25 a 29 anos (28,4‰).O que mais surpreende nessas informações é que está profundamente enraizada nos jovens a ideia do casamento interligado a uma espécie de “game over“ para a felicidade.

A reinvenção da escola

por Joaquim Tavares Júnior

Em Portugal, mais precisamente em Vila das Aves, a cerca de 30 km da cidade do Porto, localiza-se uma curiosa escola: a Escola da Ponte. Para quem nunca ouviu falar, vale um pequeno resumo de sua história. A Escola da Ponte é uma escola pública que sempre recebeu alunos muito “problemáticos”. Com resultados desastrosos, José Pacheco, o diretor, resolve repensá-la e em 1976 inicia-se o processo de autonomia curricular que é a marca da escola (ela é a única no mundo que alcançou este marco). A partir daí, mudanças ditas como impossíveis aconteceram e uma série de fatores levou a Escola da Ponte a se tornar referência, incluindo os resultados alcançados por seus alunos, que estão entre os melhores do país.

Bixos escrotos

quinta-feira, 5 de maio de 2011

por Raize Souza


Bixoooo! Não se assuste, nem estranhe, caso escute alguém chamando um calouro das universidades públicas do Rio de Janeiro pelo apelido bixo. Na UFRRJ, esse apelido tem uma dimensão maior, pois, além do tradicional bixo, há a “hierarquia dos bixos”.

No primeiro período, os calouros são chamados de bixos, bixetes ou bixões. No segundo período, eles ganham o status de bixo | e, no terceiro, de bixo ||. Só a partir do quarto período que os bixos se tornam veteranos na maioria dos cursos. A exceção fica por conta daqueles cursos mais longos, como o de medicina, que tem seis anos.

Livraria virtual

por Joyce Pessanha


Já quis muito ler um clássico, mas não tinha grana? Já precisou de um livro para a matéria da faculdade ou escola e estava dura? Já quis ter o que conversar lendo aquele livro que todo mundo está lendo e a mesada tinha acabado? Seus problemas a-ca-ba-ram! Como? Siga as dicas dos jovens que conseguiram uma maneira “BBB” (bom, bacana e barato!) de ler livros, com tudo igualzinho aos de papel, baixando os mesmos que sairiam por uns R$50 totalmente de graça, graças à internet!

O estudante de Belas Artes Geraldo Moreira, 24 anos, tem que ler muita coisa e ser “artista em nosso convívio” (Cazuza). “Eu baixo livros no 4shared ou em links que os próprios professores indicam. Nunca é em um lugar fixo, pois tem vários sites que disponibilizam esses livros pra download gratuitamente.” Morador de Cabuçu, o estudante também recorre à grande rede quando está com dificuldade para localizar a obra na qual tem interesse. “Também rola a questão da disponibilidade, às vezes você precisa ler um livro de uma semana para outra e se for comprar, pois geralmente só estão disponíveis na internet, demorará muito para chegar e não dará tempo para ler”, conta ele, cujo último livro que baixou foi “Genet, uma biografia”, de Edmund White.

 
 
 
 
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