Limites entre a ficção e a realidade

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

por Fernando Fonseca


Cineclube Digital, dez de agosto de 2010, uma exibição, dois convidados e muita discussão.

Em ‘Jogo de Cena’, um filme dirigido por Eduardo Coutinho, somos convidados a nos perdermos nos limites da realidade e ficção. Com uma premissa pouco instigante, onde mulheres são convidadas por um anúncio para contarem suas histórias, é possível que muitos dos amantes da sétima arte sintam-se pouco motivados a assisti-lo. O filme, porém, é genial.


Documentadas dentro de um teatro vazio, dando assim um ar subjetivo tal como o título da obra, as histórias são contadas por suas protagonistas e, em seguida, recontadas por atrizes como Fernanda Torres, Marília Pêra, Andréa Beltrão e outras menos famosas.

Levantando questões como o fato de que todas as pessoas quando postas frente a uma câmera tendem à interpretação, somos levados também a repensar as definições populares que classifica documentário como ‘verdade’ e ficção como ‘mentira’, ao vermo-nos perdidos nos limites de ambos os gêneros. Descobrir qual depoimento é dado por sua verdadeira protagonista é um dos grandes deleites do filme e se faz
cada vez mais complexo à medida que o filme avança.

Como exemplos dessa complexa tarefa, tomamos o depoimento de uma das mulheres que acrescenta ao fim de sua história a frase “foi isso que ela disse”. Quando uma mesma história é contada emotivamente por duas anônimas, sendo praticamente impossível distinguir qual das duas ser verdadeira. Ou no momento em que as atrizes derramam lágrimas verdadeiras ao se sensibilizarem com suas histórias. Como saber os
limites da verdade e da mentira? Do documentário e da ficção?

Presentes na grande totalidade do filme, sendo verdadeiras ou não, as lágrimas também são reservadas ao público no decorrer do filme e, em especial, na cena final quando a mulher, que havia brigado com a filha anos antes, volta ao teatro para cantar a famosa canção infantil ‘Se essa rua fosse minha’ em homenagem à filha. Uma interpretação que, acompanhada de um contido e doloroso choro, capta todo o infinito
particular da turbulenta relação de amor entre a mãe e a filha.

Após tantas questões levantadas, num meio onde as respostas geralmente são dadas, aqueles que estiveram presente no SESC puderam participar de um caloroso debate com Cacau Amaral, diretor cinematográfico, e Josy Lozada, atriz de cinema e teatro, sobre os temas presentes em ‘Jogo de Cena’. Mediado por Miguel Nagle, o debate
abordou temas como: verdade no cinema; a arte da interpretação; como se trabalhar a verdade; documentário x ficção; metalinguagem.

Miguel: Existe verdade no cinema?
Cacau Amaral: Não acredito em uma verdade absoluta.
Josy: Acredito em todas as possibilidades.

Miguel: Como vocês trabalham na busca da verdade?
Cacau: Tento me colocar ao máximo no lugar do público. Peço aos atorem para interpretarem o roteiro, se eu sentir a verdade, já está valendo.
Josy: No teatro, trabalhamos o personagem durante meses. Nessa preparação, junto à experiência profissional, chego a uma verdade.

Miguel: Como vocês encaram o rótulo: documentário = realidade, ficção = mentira?
Cacau: Não sei de onde veio essa busca pela realidade, como, por exemplo, a novela. Quando falamos de documentário, tomamos como verdade o que pode não ser verdadeiro. Temos que tomar cuidado com essa definição.
Josy: Acabamos de ver que não podemos rotular esses gêneros. Muitas vezes há verdade na ficção e mentira no documentário.


Lapidando nossas percepções entre realidade e ficção, a obra e o debate norteian nossas dúvidas. Verdade ou mentira? Documentário ou ficção? Definições que se afirmam com o tempo variar de pessoa pra pessoa e nunca estarem absolutamente corretas.

14 Comentários:

Anônimo disse...

amo esse filme. recomendo a todos.
adoro o jeito como me perco em cada cena, dentre todas as verdades e mentiras. se é que há verdade ou mentira.

Sophia

João Victor disse...

confeço que me senti um idiota depois de assistir o filme.
me especial quando as duas mulheres contam a mesma história e você não sabe quem é a atriz.
recomendo também! um dos melhores nacional.

Anônimo disse...

TENTEI ENCONTRAR O FILME PRA ASSISTIR
NA LOCADORA E NÃO ACHEI.
PELO VISTO VOU TER QUE FAZER DOWNLOAD...
QUERO MUITO VÊ-LO.
MATÉRIA LEGAL.

BETO DIAS

Se ela falasse tão diretamente assim, seria uma benção. Maas, eu sempre acho que não adianta, ficção e realidade sempre andarão juntas.

Anônimo disse...

também acho.
em toda verdade há mentira e em toda mentira há verdade!

Tatiane disse...

Posso encontar esse filme em locadoras?
Achei interessante.

Claudio disse...

tbm recomendo a todos esse filme.

Anônimo disse...

mais fácil fazer download.
locadora quase impossível achar filmes nacionais que não sejam pop!

Josy Antunes disse...

Cavídeo, gente! ;)

Aline Martins disse...

assisti ontem. recomendo também!
adorei, um dos melhores nacionias que eu já vi!

Anônimo disse...

deu vontade de rever.
nesse filme eu literalmente me perco nos limites entre a ficção e a realidade.
assisti-lo é um ótimo meio de trabalhar nossas concepções de entendimento entre doc e ficção.
indicado!
bjs crianças
Henry

Luana L. disse...

é o mesmo diretor de 'edifício master'?
adoro ele, quero ver...
sou mais fazer download Josy! rs

Josy disse...

Sim, é o Coutinho. Achar pra alugar por aqui é mesmo impossível, infelizmente.

Alanis disse...

eu comprei!!
hahaha
morram de inveja. rs
brink, mas comprei sim.
pela submarino, só assim msm. internerd*
recomendaaaaaaaaaaaaaço!
bjónes

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