Vida real

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

por Juliana Portella


A Secretaria de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu deu início ao Cineclube Carceragem na última sexta-feira, com a exibição do filme "400 contra um – a história do crime organizado", na 52a DP, no Centro da cidade. O delegado Orlando Zaccone, diretor de todas as carceragens do estado do Rio de Janeiro, prestigiou o evento. O roteirista do filme, jornalista Júlio Ludemir aproveitou a cinebiografia de William da Silva Lima para libertar o livro “O Bandido da Chacrete”, que conta a história de Paulo César Chaves, um dos últimos remanescentes da geração que fundou o Comando Vermelho, tema do filme.



Há 380 homens detidos na 52a DP, sendo 130 do Comando Vermelho. A vida de William da Silva Lima e seus companheiros chamou atenção dos presos. Nas cenas mais marcantes, o cochicho dos espectadores era inevitável. Entre comentários e risos sem repressão alguma, os presos vibravam com as histórias de assaltos a bancos, fugas, greves de fome e a solitária (área da cadeia em que os presos tidos como insubordinados são mantidos). As cenas do filme personificam momentos vividos pela maioria dos presos que o assistiam. O que tornou o momento emocionante.


O título do filme faz referência ao cerco de 400 policiais ao Conjunto dos Bancários, na Ilha do Governador, no início da década de 1980. Esse cerco, que durante 12 horas parou a cidade, tinha como objetivo prender José Jorge Saldanha, vulgo Zé Bigode, assaltante de banco que também integrou a primeira geração do Comando Vermelho, até aquele momento mais conhecido como Falange Vermelha. Daí o nome: 400 contra um.


O filme mostra que o crime organizado de hoje não surgiu da noite para o dia. E foi por essa razão que o delegado Orlando Zaccone apoiu a exibição do filme pela segunda vez em uma carceragem da Polinter (a primeira foi na semana passada, em Neves, em São Gonçalo). “É sempre bom conhecer a história do nosso país, história de um sistema prisional cruel, que ainda faz parte da realidade deles“, diz Orlando Zaccone, que durante criou o projeto “Carceragem Cidadã” no período em que chefiou a delegacia de Nova Iguaçu. O projeto oferece atividades educacionais, culturais e de cidadania, dentre as quais se destacam a criação de uma urna para que os presos possam votar e um programa de alfabetização.

Julio Ludemir negou que o filme faça apologia ao crime, uma das acusações feitas com mais frequência ao filme dirigido por Caco de Souza. “Estamos tratando de uma realidade histórica. Negar isso é ditatorial. Para entender o crime organizado de hoje é necessário dar essa volta ao passado”, afirma Ludemir.


Atenção coletivo, a liberdade chamou.
A avidez pela liberdade é, sem dúvida alguma, o sentimento mais corriqueiro na carceragem. Durante o cinema improvisado, a liberdade chamou dois companheiros. Um condenado por assalto à mão armada e outro por tráfico de drogas foram soltos naquela noite de sexta-feira.

O canto da liberdade é costume neste momento em que algum detento é solto. Todo o coletivo canta um hino que é próprio à pena em que o preso pagou. Além do canto existem outros costumes que são comuns aquela galeria. A oração de meia-noite, o silêncio do luto e o culto a Rogério Lemgruber, também conhecido como o general. É o que nos conta o detento 2.L, 24 anos, que está na sua segunda passagem pela carceragem. “O que vimos no filme não é só ficção, é vida real”, diz ele, que na primeira passagem respondeu por um assalto à mão armada e agora aguarda julgamento por um assassinato que cometeu.

5 Comentários:

Robson Paulo disse...

O texto muito bem redigido. Essa menina Juliana Portella tem futuro!

Yasmin Thayná disse...

Tem mesmo. Ótima matéria.

juliano disse...

Parabéns Juliana, pela matéria. Continue assim que você vai longe.

Anônimo disse...

Péssima matéria detestei,uma porcaria.juliana sinceramente vc ñ é desse ramo.vlw.melhora na proxima.

Jefferson disse...

Enfim, o filme é 400 contra um, aqui é 4 contra um, ou quem sabe nenhum, anônimo não é ninguém. Parabéns Juliana. Otima matéria.

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