Neném do K11

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

por Larissa Leotério

Quem nunca considerou o domingo como um dia morto que atire a primeira pedra. E, para os que continuam pensando assim, a melhor dica é o samba que acontece semanalmente na praça do bairro iguaçuano K11.

Quem conta um pouco da história do samba é Luiz Carlo Toro, um dos fundadores: “Saiu de repente. Fomos juntando peças, instrumentos”. Composto por oito integrantes fixos, o grupo formado há quatro anos foi batizado como “Faz Vergonha” basicamente para despertar a curiosidade das pessoas. A intenção é que as pessoas cheguem ao samba, ouçam música de qualidade e convidem outras pessoas.


E quem chega é logo muito bem-recebido por Carlos Alan. Tio Alan, como é conhecido, faz as honras da casa e trata de recepcionar e acomodar os visitantes. Morador do bairro K11 há 35 anos, é ele quem nos conta sobre o futebol, que acontece na rua de cima: “O futebol acontece de 7h às 10:30h, o pessoal desce e, à partir do meio-dia, começamos a fazer o samba”.

Como contam Seu Toro e tio Alan, os integrantes do samba são basicamente amigos, então, comemoram lá mesmo seus aniversários. Logo na entrada da praça, há uma grande faixa com o nome de cada aniversariante do mês: “Cada domingo, o aniversariante traz um prato, que pode ser uma macarronada, um caldo, churrasco. Depende de cada um.”

Outro fundador do grupo é o Seu Bélio de Almeida. Como ele mesmo diz, foi do cavaquinho e do futebol que nasceu este ‘neném’. Com 64 anos de idade, nascido e criado no K11, Seu Bélio conta que o samba é frequentado por moradores do bairro, de Mesquita, Califórnia, além de presenças ilustres como a de Dedé da Portela, Paulinho do Ouro (Mocidade Independente de Padre Miguel), Jorginho da Flor (Império Serrano) e Paulinho Batucada, entre outros.

Além da promoção tão positiva para o bairro, os comerciantes também agradecem ao samba, como conta Wagner Gonçalves. O rapaz de 25 anos conta que é muito prazeroso receber as pessoas e o clima tão familiar. Filho de Jeremias Paixão, que tem bar no bairro há mais de 40 anos, o moço diz que faz toda diferença no faturamento também, afinal o bar funciona desde as 7h às 21h.

Para representar os tantos compositores do local, quem fala é Cantoário Sigolis. Compositor desde 1983, Cantoário conta que o primeiro samba que compôs foi logo após a morte de Clara Nunes, em sua homenagem: "Fiz o primeiro, as pessoas gostaram e elogiaram, então, continuei a compor", comenta orgulhoso. O pintor de 50 anos conta também que compôs algumas músicas pensando em Zeca Pagodinho, mas que está mais focado no trabalho com o “Faz Vergonha”, onde firmou parcerias como a que tem com o professor Ney Alberto.

Ilustre presença no samba do K11, segundo contam, é o professor e historiador Ney Alberto. Quem fala de suas parcerias é seu filho, Patrick Santi, que marca presença no evento. O professor de música e teatro, que nasceu e cresceu no K11, acompanha o pai desde sempre, e presenciou composições de seu pai com Carlinhos Pretinho, Romildo Souza Bastos e Cantoário, algumas letras gravadas por outros ilustres como Agepê e Clara Nunes. Patrick finaliza afirmando que a música na Baixada Fluminense é de muita qualidade e, apesar do pouco incentivo, anda ganhando bastante destaque.

“Vejam essa maravilha de cenário!”... E com esse trechinho de ‘Aquarela Brasileira’ que fica o convite para o cenário do K11: um repertório maravilhoso, cerveja gelada e um ambiente que faz sentir em casa.

2 Comentários:

Yasmin Thayná disse...

Fico feliz em voltar a ler suas matérias no culturaNI. Principalmente depois de seu belo depoimento na reunião. Você foi e é ótima. E isso quer dizer que você não precisa de parabéns.

Cosme (Cosminho) disse...

É verdade Larissa todos os domingos em meio as tristezas, alegrias, esperanças e virtudes o samba ecoa como o canto de um passaro na praça do bairro.

Bjs

Cosminho - morador do K-11

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