Lembrancinha de pés pequenos

segunda-feira, 6 de junho de 2011

por Wanderson Duque

Quando conheci Hosana, meu primo Ramon já havia entrado no ônibus com um embrulho no bolso esquerdo do short camurça, que seria o motivo pelo qual ele levaria uma facada no braço por se recusar a entregá-lo a um assaltante, e eu era banhado pela garoa finíssima e a noite assustadora que abraçava Comendador Soares com o ímpeto de Saladino.

Ramon me deixou no ponto de ônibus desprovido de qualquer cobertura, enquanto eu pensava na possibilidade de ter tomado, junto com ele, aquela condução. O frio castigou o corpo até o momento que Jéssica e Giuseppe me presentearam com a sensação anestésica que foi contemplar o sorriso de Hosana, que se abriu gentilmente a mim como um botão de rosa. Uma menina tão branca quanto o leite em pó que eu misturava ao achocolatado Nescau nas manhãs cheias de dúvidas sobre minha decisão de fugir da casa de meus pais e ir morar com minha tia Lúcia. O rosto cheio de pintinhas lhe atribuía uma beleza a mais.

Seu nome ecoou na minha cabeça durante toda a noite. No dia seguinte, meu arquivo mental se abriu como um leque, e pude-me ver correndo no pátio de cimento batido e empoeirado da escola onde cursava o Jardim da Infância, gritando seu nome por causa de alguma brincadeira desses tempos pueris. Foi a primeira de muitas noites que passei acordado com o pensamento fixo na lembrança da beleza de seu carisma incontido e de seus pés pequenos.

8 Comentários:

yasmin thayná disse...

que surpresa boa abrir o blogue e ver uma postagem sua, querido. linda declaração, lindo texto. ainda lembro o dia bonito que a hosana me contou da escola de jardim de infância disney e dos power rangers rosa e azul. um beijo nos dois, lindos. saudade de você, dukow nukow. volta logo!!

Robert Tavares disse...

sério, foi a coisa mais linda e delicada que eu já li aqui no blog.

Marcelle Abreu disse...

Lindo. Emocionante. Sem comentários, simplesmente maravilhoso. Saudades de ti, Duque.

Pedro Felipe Araujo disse...

Que texto maravilhoso! E lindamente simples! Parabéns!

Déh disse...

Eu lembro do dia em que te conheci na biblioteca da escola, com seu colarzinho de continhas brancas e pretas, Duke. Lembro de quando dizia bom dia acompanhado de sorrisos à Hosana, quando ainda estávamos na catequese.
Eu lembro da noite em que eu os apresentei. Lembro de você me perguntando sobre ela. Lembro de armando para os dois se encontrarem.

Lembro da última vez que os vi juntos... faz tanto tempo. Volta logo.

Ramon Guedes disse...

Esse é um dos seus melhores textos, mano ;D

Anônimo disse...

Parabéns, ñ só pelo texto, mas, principalment, pela história d vcs dois! Escrever bem qualquer um conseg com um pouco d tempo e dedicação; viver o q vcs viveram e ainda irão viver, isso ñ é p qualquer um!


Ass .: Joaquim

Anônimo disse...

Obrigado a vocês e,principalmente a Deus,por ter posto uma menina tão incrível na minha vida.

Saudades de vocês,caros amigos.


ass: wanderson Duke Ramalho

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