Artista da Baixada participa do Encontrarte e revela trajetória
“Música, teatro e poesia. Tudo junto e misturado ao mesmo tempo”. Essa frase, dita por Beto Gaspari, músico, cantor e compositor, 46 anos, morador de Duque de Caxias, caracteriza como o EncontrArte 2009 vem atuando desde sua primeira edição, promovendo uma mistura de artes cênicas e música de qualidade para entreter, divertir e apresentar novos e antigos talentos da Baixada Fluminense.
Para o compositor, toda expressão cultural é “uma janela para um novo mundo, onde é possível para quem faz e quem a consome descortinar um mundo maravilhoso de infinitas possibilidades”. O artista, agora já reconhecido pelo trabalho, se apresentou na manhã de quinta-feira no EncontrArte, fazendo a abertura da peça ‘Antes que o Galo Cante”, da Cia. de Teatro Os Ciclomáticos.
A paixão pela música o acompanha desde a infância, mais especificamente quando tinha seis anos de idade. O pai, Roberto da Rocha Ribeiro, era seresteiro e promovia modas de viola e sanfona nos bailes na fazenda. “Costumava ficar ao lado do rádio do meu pai ouvindo e cantando”, diz Beto, agora com 23 anos de carreira.
Sentindo-se lisonjeado pelo segundo convite para o festival, Gaspari relembra sua primeira participação no evento. “No ano passado me apresentei juntamente com a Companhia de Arte Popular, ‘A incrível peleja de Simão e a Morte’, um espetáculo de cordel com músicas de minha autoria”, salienta.
Beto acumula, com sua trajetória musical, dois CDs: “Quem são os novos da MPB?”, de 2003, pelo selo Puro Som, e “Das águas’, do mesmo ano, mas com produção independente. Segundo Gaspari, não fosse a ajuda de alguns amigos, não teria lançado o seu trabalho mais recente. “Para angariar fundos, alguns conhecidos iniciaram um movimento cultural denominado ‘Das águas’. Venderam cerca de 350 CDs antecipados, o que me permitiu dar o pontapé inicial na produção. Por fim, o movimento deu nome ao CD”, destaca Beto.
Durante sua apresentação, Gaspari emocionou uma plateia formada por estudantes do ensino médio das escolas da região cantarolando, com sua inseparável viola, sucessos de artistas como Tom Jobim, Toquinho e Vinicius de Moraes, músicos inspiradores do seu trabalho. No divertido repertório, vale dar uma atenção especial a músicas como “O pato”, de Vinicius de Moraes e “Aquarela”, de Toquinho. O público mostrou-se bastante receptivo. “Acho-o um artista singular”, conta Flávia Fernandes, 17, aluna do Instituto de Educação Rangel Pestana. “Já havia assistido o show no Top Shopping, em uma quinta-feira. Ele é simplesmente divino”.
O músico se despediu da apresentação aclamado por todos que esperavam o inicio da peça. E em meio a assobios e salva de palmas Gaspari confessa. “Estou emocionado e tocado por essas pessoas. Espero retornar e que o festival cresça a cada ano.”
Tudo junto e misturado
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Bicharada Consciente
Espetáculo trata das relações humanas como preconceito e amizade.
O tempo frio e chuvoso da manhã de sexta-feira não impediu que pequenos e grandões lotassem a sala de teatro do Sesc de Nova Iguaçu para assistir ao espetáculo infantil “Antes que o galo cante”, da companhia de teatro “Os Ciclomáticos”.
O grupo, que está na estrada há mais de 13 anos, tem nesse espetáculo sua primeira experiência com o público infantil. É o que nos conta Ribamar Ribeiro, que, além de autor da peça também atua nela como o rato Gabiru: “Faremos uma comemoração especial com um circuito de seis espetáculos, incluindo este que é nossa primeira atuação infantil, em Paty do Alferes ainda este ano.”
“Antes que o galo cante se passa” numa floresta, onde a hostilidade que marca as relações entre os quadrúpedes e as aves serve de pano de fundo para o romance entre um sabiá e uma gata. Com um cenário a um só tempo bonito e simples, um figurino bem colorido e a iluminação apropriada, o grupo conseguiu prender a atenção da garotada durante todo o espetáculo. Com olhos atentos e ouvidos abertos premiados com as lindas canções entoadas, todos se rendiam aos encantos dos personagens.
Em seu lado cômico, a peça mostra as trapalhadas de uma arara muito louca, um calango de andar engraçado e uma galinha da Angola com legítimo sotaque português, além das brigas entre duas irmãs feiticeiras: borboleta (a boazinha) e mariposa (a interesseira).
De cunho bastante educativo, o espetáculo suscita reflexões sobre variados assuntos como preconceito, ambição, desigualdade, ressaltando os valores da amizade, companheirismo e união. Traz à tona ainda a questão da relação entre pais e filhos adotivos, que na peça se traduz no afeto do Rato Gabiru pela filha adotiva, a Gata Malhada.
Tais aspectos deixaram atentos os sentidos dos inúmeros alunos e alunas do curso normal que estavam presentes: “Como futuros educadores é fundamental que estejamos em contato com atividades como esta, ajuda muito na nossa formação e desempenho.” – afirma a estudante Aline Souza, aluna do 3º ano do curso normal.
O público, que aplaudiu de pé, deixou o teatro com um sorriso de satisfação no rosto. A pequena Larissa, de 6 anos, achou tudo lindo e vai voltar nas próximas peças. “A roupa da borboleta era muito linda e a gata também era muito fofinha.”, diz ela, entusiasmada.
Para saber mais sobre o grupo, acesse http://www.osciclomaticos.blogspot.com/
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Sob sol ou chuva
Sem deixar que o clima atrapalhe, jovens lotam teatro para assistir peça baseada em Nelson Rodrigues


A minuciosa iluminação ficou por conta de Pablo Rodrigues, complementada pela trilha sonora de Fabio Terranova. “Homem nenhum”, dirigido por Josué Soares possui ainda profissionais de figurino, maquiagem e cenografia, dentre outros. “É fabuloso, é uma equipe maravilhosa”, diz Ivan de Oliveira, apaixonadamente. Foi dele a proposta de vivenciar a obra do polemico autor nos palcos, que logo foi abraçada pelo grupo.
Aplaudidos de pé, o grupo exibia sorrisos de satisfação e uma sensação de dever cumprido.
“A apresentação foi ótima. O público foi maravilhoso participando”, afirma Ivan, que aproveitou o momento para felicitar: “Eu quero parabenizar Nova Iguaçu por essa iniciativa de convidar os grupos de outras regiões para estarem se apresentando aqui”, diz em nome da Luminous, vinda de São Gonçalo. Ainda no palco, o elenco recebeu uma placa de homenagem da produção do Encontrarte.

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