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Indolência Tropical

domingo, 16 de outubro de 2011

por Leandro Oliveira de Aguiar




O jeitinho brasileiro está presente a todo instante. A cada vagão do trem cheio a caminho da labuta e, sem duvida, inexoravelmente no meio das nossas tardes cinzentas de segunda feira onde mentalmente nos tele transportamos para o final de semana. E nesse virtual fim de semana, sem hesitação, será acompanhado de muito sol, água fresca e, de preferência, num cenário paradisíaco.

E quem nunca se percebeu no meio do trabalho ou colégio flertando com pretensa a paisagem paradisíaca logicamente não está de boa-fé. Pois bem, nós brasileiros temos uma verdadeira paixão nacional por fins de semana. “Foram nos sábados e domingos que aconteceram as principais coisas da minha vida. Conheci meus muitos amores, tive minhas farras e meus melhores momentos de felicidade.” conta o promoter João Vicentino.

Com a união desse amor incondicional fermentado com pitadas da nossa inconfundível indolência tropical surge um fenômeno muito comum em nosso cotidiano. A nossa velha mania na Terra do samba e do pandeiro de ir emendando o feriado até o domingo. Afinal aquele dia útil no meio dessa historia toda é apenas um indecoroso contra tempo feito para ser deixado de lado. ”Quando isso acontece já antecipo um bom papo no patrão para ver se posso prever alguma coisa. Acho que nessa historia toda só quem não vê com bons olhos isso tudo são nossos chefes.” brinca o vendedor de roupas Aurélio Castanheira sempre disposto a angariar uma folguinha a mais.

O empresário Adolfo Menezes, dono de bar no centro do Rio de Janeiro, naturalmente antagoniza com o vendedor e reclama sobre a tendência da população em se engajar em momentos bestiais. Para o mesmo, já passou da hora de se elaborar uma lei que “jogue” todos os feriados nacionais para o último dia útil da semana (sexta-feira), como forma de reduzir a cultura da “emenda” que, em geral, provoca prejuízo em cerca de 10 % ao seu negócio. ”No Brasil o povo só se junta para copa do mundo ou pra vê se descola uma folguinha a mais.” Destila o homem de negócios.

“Sempre que tenho a oportunidade me mando para região dos lagos.” diz com deleite o gerente de restaurante Frederico Silveira endossando o grupo pró feriadão e relatando  a tática  já enraizada em nosso povo no tradicionalíssimo costume de viajar para lugares próximos nesses  tempos de ócio para desafogar nossa rotina .”Acho que todo mundo tem ou pelo menos deveria ter um lugarzinho assim. Em que agente guarde com carinho no peito e se esqueça de todos os problemas!”

Porem em toda a regra existe exceções e nem tudo são flores nessa primavera. ”Vou trabalhar no feriado de 12 de outubro e ainda durante a semana. É um saco!” é o que relata o atendente de uma famosa rede de fast-food Joaquim Atanásio incluído no grupo das pessoas com a cara amarrada que não vão poder aproveitar o clima do feriadão.”Já coloquei no meu facebook. 2014 com a copa e 2016 a olimpíadas. Que tal emendar 2015 em um feriadão?” conta descontraindo.

Vem no passinho...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

por Leandro Oliveira e Pedro Felipe Araújo



Som, ritmo e muito estilo foram à dinâmica no morro do Andaraí no sábado, dia 18 de setembro, na penúltima etapa do projeto BATALHA DO PASSINHO que está bombando pelas favelas do Rio de janeiro. Idealizado pelo jornalista e escritor Julio Ludemir com o musico e também produtor cultural Rafael Nike, o projeto tem como perspectiva a valorização da cultura nas comunidades. Mostrando que elas possuem a sua própria identidade suficientemente rica e criando um novo lema.  Da favela para o mundo!

Mas o que é o passinho do menor da favela? Você com certeza conhece muito bem, já viu em festas, vídeos ou qualquer ambiente onde tenha alegria e funk. A Dança que absorveu influencia de ritmos como frevo, funk, break e até balé virou moda e agora se vê materializada no concurso. “A favela está mostrando a sua cara!” é o que diz um dos expectadores, Jefferson Soares, de 17 ano,s mostrando um ar de orgulho.

Novos tempos

terça-feira, 6 de setembro de 2011

por Leandro Oliveira



A esperança é o alimento que dá a energia suficiente para o homem cruzar novas fronteiras. É o caso das legiões de jovens que escrevem na proteção de seus quartos materializando ainda que amadoramente suas poesias, artigos ou letras de musicas. Protegidos pelo resignado e ao mesmo tempo incomodo anonimato.

Mesmo que a frase possa parecer ambígua o total anonimato consegue ser totalmente conflituoso. Na situação imposta o medo com a vontade de sobrevir para o mundo acaba se tornando um acalorado debate em suas consciências. “O que eu mais queria no mundo é libertar minhas palavras. Muitos sonham e poucos conseguem publicar seu livro”, conta a estudante do Ensino Médio, Mayara Mercedes, que escreve poesias desde os 13 anos.

Impossível ler essa matéria e não fazer uma analogia com à já clássicas palavras de Cazuza “Quem tem um sonho não dança!”. “O povo brasileiro é carente de leitura. Porém hoje em dia existe uma poderosa ferramenta que possibilita uma maior democratização da cultura que é a internet”, diz Andressa Santos que hoje trabalha em uma livraria e escrevia romances quando criança. Afinal ter um sonho não basta, Para não dançar, é preciso meter a mão na pena e ir à luta. “É preciso fazer com que a leitura toque o coração e mentes das pessoas. É preciso Perseverança. Ainda hoje escrevo com a esperança de ser notada”, conta.

Cheiro de lembranças

domingo, 28 de agosto de 2011

por Leandro Oliveira


Inclusão, respeito e novas experiências em nova Iguaçu marcaram o dia 22 de agosto no Espaço Cultural Silvio Monteiro. A jornada iniciou com sucesso a Semana da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla e de forma inovadora realizou uma espécie de experiência com os sentidos com a prazerosa colaboração de todo presentes. “Gostei muito. É bom poder fazer coisas novas”, conta Gabriel Santos Ribeiro, que possui síndrome de down

Numa sala do primeiro andar da Casa de Cultura, criou-se uma roda, que visava justamente mostrar aos participantes o quanto estamos acostumados a trabalhar apenas com a visão e audição, atrofiando o olfato que é capaz de nos mostrar incríveis novos horizontes.

Na contramão

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

por Leandro Oliveira


Espalhados por qualquer canto da cidade estão aqueles que possuem uma verdadeira aversão à tecnologia. E não adianta argumentar, por que eles não lhe darão ouvidos. O horror que sentem ao se aproximar dos objetos tornou-se sua filosofia de vida.

Talvez estejam bem perto de você, basta olhar seus nichos ecológicos como antiquários ou sebos. É caso do advogado aposentado Ernesto Fausto frequentador assíduo de lugares nostálgicos. “Odeio qualquer coisa que tenha um chip”, conta, reiterando em tom apocalíptico o dia em que a maquina governará o homem. “Perdemos o calor humano. Agora quando quero resolver um problema ligo para o atendimento ao consumidor e só escuto uma voz eletrônica me dizendo que no momento não pode me atender”.

A opinião de Ernesto nos remete ao clássico filme “Metropolis”, de Fritz Lang. A obra apostava em um futuro tenebroso para séc. XXI em que os trabalhadores seriam escravizados pelas máquinas. Hoje em dia outras pessoas também fazem a mesma reflexão sobre a mecanização da vida industrial nos grandes centros urbanos que supostamente diminuiria a importância do ser humano no processo.

Pregação X Proibição

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

por Leandro Oliveira


“Em razão da ação proposta pelo ministério publico, a 12°câmera civil proibiu qualquer manifestação religiosa nos trens”. O seguinte aviso nas estações e nos trens orientando os usuários da rede de transporte deixou muita gente de queixo caído. Afinal por muito tempo durante o dia ou noite, sol ou chuva lá estavam os irmãos com disposição e a fé que chegava até a dar certa amolecida no coração dos mais descrentes. “Ando de trem desde que me entendo por gente. Os religiosos, os camelos, o jogo e o samba já ficaram incorporados à cultura do trem. Não consigo entender o porquê da proibição”, diz Antônio Duarte, atendente de uma rede de fast-food.

Em qualquer vagão ficamos cara a cara com a caótica situação socioeconômica brasileira Andar de trem é sentir de forma ácida, nua e crua o que aulas acadêmicas não teriam capacidade. Dividindo o espaço está um número incontável de seres humanos que ficam a se digladiar por cada palmo do vagão. E para o bem ou para o mal, a lei varreu dos trilhos o famoso bordão “sangue de Jesus tem poder”.
A proibição deixa, realmente, muitas questões em aberto o que gera inúmeras polêmicas. Há os que defendem que todo direito tem limite quando o direito alheio começa. “Imagine se cada um dos cristãos no Brasil resolver exercitar o direito de pregar?”, diz o universitário Matheus Fernandes, “Até alguns anos atrás eu tinha que competir na leitura com os gritos apaixonados dos pregadores. Aliás, Deus não é surdo! Para que ficam gritando?”, completa o rapaz que é assumidamente ateu e se sente no direito de não ouvir o culto.

Tradições ao vento

terça-feira, 2 de agosto de 2011

por Leandro Oliveira



Passear pelo subúrbio e observar pipas ao vento é cena mais do que comum. Durante as férias, então, é tradição consolidada. Julho e dezembro são épocas de alta temporada. O céu se colore e se transforma em uma bela pintura emoldurada pelas  as crianças que correm pelas ruas junto com nostálgicos marmanjos que ainda  se deliciam com o objeto feito de papel e varetas .

Há tempos imemoriais gerações se distraem com a arte ao vento que é praticada e suas paixões são constantemente renovadas. Todos ali cresceram escutando as histórias dos pais e avôs que passavam horas na rua e trazem a identidade do subúrbio em suas mãos talhadas com as cicatrizes da linha. “Desde criança pratico. É de pai para filho, meu avô já soltava pipa”, conta o vendedor ainda praticante Aurélio Antunes, 45 anos que enaltecem a tradição.

Entranhada na cultura popular empenar pipa é coisa de moleque malandro e basta andar pelas ruas para constatar a sua popularidade. “Em qualquer lugar em que se necessita de diversão humilde. Lá está ela presente da zona norte até a baixada fluminense”, diz Ubirajara Sousa, 35 anos, “Não tenho vergonha de assumir que é sou um grande soltador de pipas na laje”, explica orgulhoso.

Rodas de protesto

quinta-feira, 14 de julho de 2011

por Leandro Oliveira




Protestar é uma atividade sagrada feita para que qualquer cidadão que se sinta no direito de colocar a boca no trombone e consiga expressar uma opinião que esteja entalada na garganta. E com esse direito em que não se pode profanar é que a tribo dos skatistas se organiza há alguns anos para realizar uma série de protestos que a cada dia toma mais corpo.

Com suas pranchas de rodinhas debaixo do braço, as quais reverenciam como uma “bíblia”, se unem contra a truculência de policiais militares no embates sobre a utilização da praça XV na cidade do Rio de Janeiro para fins poliesportivos. “Todos temos lugar ao sol”, brinca o vendedor Araujo Menezes, que sofre com as poucas opções para os praticantes em todo o estado.

A Praça XV virou um ponto de encontro e eles acontecem desde a década de 90.  A prática aos fins de semana virou uma cena clássica do skate carioca. Com o tempo, não só na cidade, mas como em todo Grande Rio e até o país, acabou virando o epicentro de toda a discussão sobre o direito de ir e vir. A cena da cultura underground está sendo ameaçada há alguns anos por uma liminar que proíbe a prática do esporte no lugar.
O argumento alegado inclui depredação de patrimônio público e incômodo aos pedestres que passam diariamente pelo local. O templo do skate no Rio de Janeiro agora  não pode ser mais utilizada por pressões reacionárias e sem fundamento como explica o estudante Antonio Medeiros: “O sol nasceu para todos. Nos fins de semana nós não deixamos o lugar ficar deserto e mal freqüentado. Vem gente da baixada, gente da zona sul e norte; é um local democrático”, reivindica o estudante Marcus Oliveira.

No mês de junho ocorreram protestos que passaram pelo Aterro do Flamengo até a Praça XV. Os protestos atraem alguns artistas como a atriz Cissa Guimarães que perdeu seu filho praticando o esporte de forma irregular e acabou virando madrinha do movimento. Estrategicamente, vem junto ou perto da data do dia mundial do skatista no dia 21 de junho, onde pipocam manifestações por todo Brasil e se arrastam pelos meses seguintes.

Perseguição
Alguns praticantes insistem que a perseguição beira à implicância como conta o grafiteiro Daniel Mesquita. “Existe um vídeo na internet em que um policial militar esqueceu de ir atrás de uma assaltante para ir atrás de um  skatista”, conta o jovem que participou dos protesto em 2007 e 2008. “A mulher e todos que estavam ali ficaram atônitos”, afirma com indignação.
 

O ideal que orienta a todos os participantes trouxe um sentimento de unidade a qual, para eles, vale a pena levantar o pavilhão da suas reivindicações. “Uma vez eu e mais dezenas de pessoas combinamos de ir juntos com nossos skates, assim os guardas não poderiam e nem teriam como nos prender a todos unidos.” conta o técnico em eletrônica Ronaldo Silvério, adepto do protesto com certo charme de desobediência civil para fins pacíficos. “Não esqueço a cara do guarda bufando de raiva sem conseguir tomar o skate de todos nós”, relembra com um enorme sorriso no rosto.

Para muitas pessoas influenciadas, essa é uma batalha mesquinha comparada com alguns problemas na cidade. O protesto pretende atingir esse público influenciado com a onda do “politicamente correto”. “Queremos ter um lugar para praticar nosso esporte. O skate é um esporte marginal, no bom sentido da palavra, por estar ligado aos jovens e guetos. Mais somos todos gente de bem e trabalhadora”, é o que pondera o professor de história Flávio Fernando para os governantes e seus grosseiros choques de ordens e abuso de autoridade.

Sensibilidade do gatinho

quarta-feira, 22 de junho de 2011

por Leandro Oliveira de Aguiar

As pessoas autistas possuem como característica serem mais introspectivas e de difícil comunicação. O que acarreta muitas dúvidas sobre a condição em que os próprios devem ser tratados perante a sociedade. As dúvidas geralmente são carregadas de preconceitos e informações mal divulgadas. O interesse sobre o tema para a população foi acalentada por muitos filmes que abordam o assunto, como Rain Man, do respeitado diretor Barry Levinson. “Percebi que meu filho tinha a síndrome quando aos sete anos ele não conseguia entender quando eu o chamava de gatinho”, conta a profissional de hotelaria Clarice Teixeira Braga, que percebeu que seu filho só conseguia ter um percepção concreta das palavras.

A adversidade começa com a árdua tarefa de conseguir o diagnóstico, pois a popularização da enfermidade é relativamente nova e não são todos os profissionais da saúde que compreendem o suficiente para dar um parecer final. Afinal, muitas vezes a palavra autismo pode ser usada jocosamente, generalizando muitos graus de algum empecilho intelectual.

Lições do quintal

sexta-feira, 3 de junho de 2011

por Leandro Oliveira de Aguiar



O que vem à cabeça quando pensamos na tradicionalíssima cena de um professor à frente de um quadro-negro divagando durante horas? Se para os mais velhos essa memória ainda causa bocejos, para toda uma geração de jovens não significa mais nada do que um sistema arcaico. Difícil não encontrar um jovem que não reclame e acabe tendo que engolir a seco a fórmula “cuspe e giz” nas salas de aula. Mas se tal prática já é tida como obsoleta pela maioria dos pedagogos, a triste realidade pelo país é que a metodologia continua sendo a mais utilizada.

Se para muitos conseguir revolucionar a educação é apenas um sonho de alguns aventureiros, para tantos outros basta um pouco de vontade e coragem para obter resultados. Ainda mais quando se enxerga o problema não como uma simples questão de didática e sim como uma tática de guerra para vencer a apatia e a fábrica de notas baixas em alguns colégios.

Filas da esperança

terça-feira, 24 de maio de 2011

por Leandro Oliveira de Aguiar


Certas coisas na vida são verdades inexoráveis. Não importando a classe social, credo ou religião em uma fila sempre existirá mães gritando com seus filhos para que parem de fazer bagunça. Foi o que mais se via no evento que ocorreu pela manha do último sábado, quando a Secretaria de Educação de Nova Iguaçu promoveu uma ação social no Colégio Monteiro Lobato com diversas atrações e serviços públicos. Nas filas para aplicação de flúor, com suas respectivas mães, filhos e gritos contavam pequenas histórias que não passaram despercebidas.

Amargo regresso

sexta-feira, 6 de maio de 2011

por Leandro Oliveira de Aguiar


Pegue os jovens fascinados pela micareta, somados ao funk desbocado e isso multiplicado pelas músicas eletrônicas. Tudo isso elevado à enésima potência pelas “ficadas” sem compromisso. Pela lógica, a nova geração seria de longe a que mais torceria o nariz para a tal caretice chamada casamento. Todavia, segundo os dados do IBGE, o número de matrimônios aumentou, principalmente entre os jovens.

Entre as mulheres, a união acontece em sua maior parte no grupo de 20 a 24 anos (29,7‰) e entre os homens se concentra na faixa etária dos 25 a 29 anos (28,4‰).O que mais surpreende nessas informações é que está profundamente enraizada nos jovens a ideia do casamento interligado a uma espécie de “game over“ para a felicidade.

A luz no fim do túnel

quarta-feira, 27 de abril de 2011

por Leandro Oliveira de Aguiar


Qual cidadão não sonha ou já sonhou em tirar a carteira de motorista? Afinal, sempre cultivamos a imagem de poder sentir o vento da estrada em nosso rosto, assim como nos filmes hollywoodianos que invejamos por uma vida inteira. Tentar reduzir o tamanho da cidade, outrora enorme e cansativa, acaba sendo uma doce tentação. "Passei minha vida toda andando de ônibus e tendo que me virar com transporte público", desabafa o estudante de direito Rafael Vieira, 22 anos, que conseguiu sua carteira na primeira tentativa. Ainda bem. Porque ele quer mais do que tirar uma onda pilotando. "Cansei."

Quem tem um sonho não dança

terça-feira, 19 de abril de 2011

por Leandro Oliveira de Aguiar


O sonho é uma palavra que possui significados distintos, porém é sempre um substantivo que nos remete a algo longe, inalcançável. ”Quem nunca sonhou em ser um jogador de futebol?", pergunta uma famosa música do grupo Skank. Para inúmeros jovens, é um doce momento de devaneio para esquecer as injustiças de nosso país, que cultiva as maiores desigualdades sociais ao mesmo tempo que se autointitula o “pais do futebol”, ingredientes perfeitos para encher o mercado europeu e mundial de craques.

Estádios lotados, torcidas ensandecidas, glamour, fama e mulheres bonitas! Realmente mexem com a cabeça de qualquer mortal , mas o caminho para chegar a esse glamour não é nada fácil e esconde uma verdadeira maratona de sangue, suor e lágrimas. As famosas peneiras são um exemplo do tortuoso caminho, pois nada mais são do que um processo seletivo em que os clubes de futebol de maior ou menor porte organizam jogos e testes para descobrir novos talentos para as chamadas categorais de base.

Claustrofobia

terça-feira, 5 de abril de 2011

por Leandro Oliveira de Aguiar


Os cariocas amantes do futebol que estão acostumados com os jogos imemoriais no Maracanã hoje têm de se adaptar a uma nova realidade no Engenhão, nome popular do estádio João Havelange, localizado no bairro Engenho de Dentro, na Zona Norte carioca e que ainda sofre alguma resistência de alguns torcedores. A impressão é que sempre falta alguma coisa, incluindo transportes públicos e segurança no seu entorno. ”Eu morro em Jacarepaguá e para mim fica difícil vir aos jogos, principalmente quando são no meio de semana e à noite“, diz Ruan Queiroz, torcedor vascaíno que trabalha como vendedor, que só vê seu time jogar nos fins de semana.

Construído para os jogos Pan-Americanos de 2007, o estádio poliesportivo é um ponto estratégico para os jogos olímpicos no Rio de Janeiro. Projetado com áreas bem delimitadas e sem zonas mistas para as torcidas, o Engenhão acabou com o velho costume do torcedor de ir com um amigo ou namorada de times rivais. Quem planeja esse tipo de aventura deve se sacrificar e assistir à eventual partida na zona rival. Tricolor desde que me entendo por gente, passei por uma situação um tanto tensa no último domingo, quando fui ver o jogo contra o Vasco no último domingo com minha namorada. "Vamos ver o jogo juntos", desafiou ela.

A esperteza do João Grilo

quinta-feira, 24 de março de 2011

por Leandro Oliveira de Aguiar

Nascido em Nilópolis mas desde os nove anos em Austin, o estudante de história Raphael Ruvenal, 22 anos, é filho de uma empregada domestica com uma funcionário publico capazes de passar privações para que ele pudesse estudar em boas escolas. “Sempre vivi um pouco de dois mundos: no colégio, convivia com filhos de gente graúda de Nova Iguaçu, mas em casa minha realidade era bem diferente.”

Para chamar a atenção das gatas do colégio e garantir seu espaço num lugar heterogêneo, Raphael Ruvenal recorreu à filosofia de vida resumida na frase “a esperteza é a arma do pobre”, que descobriu em João Grilo, personagem principal de Auto da Compadecida, peça de Ariano Suassuna que já teve mais de uma adaptação para cinema e televisão. "João Grilo é meu personagem favorito da literatura brasileira", conta Ruvenal.

Jogados às feras

sexta-feira, 11 de março de 2011

por Leandro Oliveira de Aguiar


Com o Governo Lula, novas perspectivas se abriram. Cerca de 30 milhões de brasileiros atravessaram a linha da pobreza e entraram teoricamente na classe media - pelo menos é o que garante o marketing do governo recém-findo. O aumento no poder de compra dinamizou o mercado e a economia, catapultando a popularidade que o ex-presidente já amealhara com seu carisma. Os antigos paradigmas foram sendo um a um desfeitos e nas periferias mais distantes surgiram diferentes experiências.

Antes os jovens, principalmente os da periferia, eram relegados a uma cena secundária. Um dos emblemas disso foi a entrada em massa nas universidades, um lugar que até antes da política de cotas era um monopólio das elites até a década de 1990, quando o plano real começou a desenhar um novo país.

Toque de Midas

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

por Leandro Oliveira de Aguiar



O projeto das UPPs é o atual toque de Midas do Rio de Janeiro, com uma aparente paz imediata para as comunidades em que é implantado. A repercussão de anos de domínio do tráfico e negligência do estado nas comunidades favelas terminou de forma cinematográfica e a mídia agora explora de forma sensacionalista. Mas os questionamentos são tão rapidamente levantados quanto as imagens dos traficantes fugindo na Vila Cruzeiro em tempo real, que deixaram todos perplexos. Anos de domínio do poder paralelo ruindo em apenas uma tarde?

Seria benéfico ou não a ocupação policial do jeito que está sendo feita? Não é possível negar que o tráfico tal como era conhecido, com armas pesadas e uma tímida presença do Estado, acabou. Não é à toa que os preços das seguradoras de carro despencaram. A sensação de segurança de que as classes média e alta que moram no entorno das comunidades contempladas com UPP já se reflete no preço dos aluguéis, que deram um grande salto.

Pipoca com macarronada

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

por Leandro Oliveira


De sexta para sábado (28/29 de janeiro), o Espaço Cultural Donana, em Belford Roxo, promoveu a primeira virada cinematográfica de sua história com a exibição da trilogia de O poderoso chefão, de Francis Ford Coppola. Nos intervalos, o público descansava a cabeça com o músico Vagner Vieira e uma macarronada muito bem bolada, apropriadíssima para uma noite de calor intenso como aquela e para quem estava se entretendo com filmes em torno dos Corleones, uma família da máfia siciliana. A partir de março, haverá um viradão por mês.

M2HBF

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

por Leandro Oliveira de Aguiar


O MAB, que já redesenhou o movimento dos moradores da Baixad Fluminense, agora resolveu virar o hip hop de ponta cabeça. Por isso, abriu suas portas para o Movimento Hip Hop Baixada, que todas as tardes de sábado recebe os jovens de Nova Iguaçu e adjacências para oficinas de grafite, dança e rap. No último sábado, 15 jovens ocuparam o amplo espaço da Rua Nilo Peçanha para dançar ao som de possantes caixas de som. As paredes outrora pintadas com palavras de ordem do movimento popular agora estão tomadas por grafites.

Mais conhecido como M2HBF, o grupo que está ocupando as dependências do MAB foi criado na Rocinha na década de 1990. Problemas políticos obrigaram o grupo a pedir exílio na Baixada. “Eu morava em Austin e ia pra Rocinha dar aula de dança hip hop", lembra Genaro Pedro, quase uma lenda para os meninos que atualmente frequentam o projeto. "As coisas começaram a ficar politizadas demais, tinha muita gente de olho e até no nome implicaram, como se fosse uma propriedade da comunidade da Rocinha." Genaro começou a achar injusto ir para a Rocinha quando tinha muito o que fazer pela sua própria comunidade.

 
 
 
 
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