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‘Denegrindo’ a universidade

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

por Edson Borges Vicente e Fernanda Bastos da Silv


A luta pela inclusão do negro no ensino superior teve sua gestação no início da década de 1990. Um grupo de educadores, liderados pelo Frei David Raimundo dos Santos, o atual Doutor em Educação Alexandre Nascimento e o Pedagogo Antonio Dourado. Descontentes com o fato de quase não se ver negros nas universidades públicas, na época, principalmente nos cursos historicamente mais elitizados, como medicina, engenharia, comunicação e direito, se reuniram e criaram, no Salão Quilombo da igreja matriz de São João de Meriti, o “Movimento Pré-vestibular para Negros e Carentes” – PVNC. Preparando estudantes carentes, sempre procurando assistir a um percentual de negros semelhante aos auto-declarados, nas estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – o grupo inicial conseguiu aprovar certo numero de vestibulandos, que se juntaram e criaram um novo núcleo do movimento, que chegou a ter cerca de 60 pessoas.

Após algumas dissidências, alguns núcleos se desligaram do movimento para fundar o Educação para Afrodescendentes – EDUCAFRO-, sob a liderança de Frei David. O mesmo veio a se tornar uma ONG ligada à Pastoral do Negro. Outros inúmeros grupos independentes surgiram na efervescência da luta pela democratização do ensino superior e se espalharam pelo Brasil.

Todo mundo é bamba

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

por Edson Borges Vicente e Fernanda Bastos da Silva


Bolo, refrigerante, docinhos e muito samba de roda. Esses são ingredientes fundamentais para qualquer festa de aniversário na ‘Vila da Fiazinha’, em Anchieta, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. A vila, que abriga onze casas, quase todas de uma mesma família, é o endereço de Bárbara Cecília Costa dos Santos, 52 anos, funcionária da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu – SEMCTUR. Servidora municipal há 17 anos, ela conta que há mais ou menos sete anos o costume de fazer samba para animar as datas comemorativas passou a fazer parte da vida dos moradores.


No terreno localizado à Rua Silvio Costa, 308, moram cunhados, irmãos, filhos e sobrinhos de Bárbara, mas a matriarca é a dona Laurizete, 87 anos, conhecida como ‘Fiazinha’. Ela é homenageada na festa junina com o ‘Arraiá da Fiazinha’.

Dinheiro na conta

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

por Edson Borges Vicente e Fernanda Bastos da Silva


Os Pontões de Cultura do Ministério da Cultura – MinC - estão distribuídos por todo o território nacional. Segundo a Secretaria de Programas e Projetos Culturais SPPC (responsável pelo edital para Pontões de Cultura) do MinC, eles são “instrumentos de promoção do intercâmbio e difusão da cultura brasileira em suas mais diversas linguagens e formas, no âmbito regional ou nacional, geridos por ente público ou privado sem fins lucrativos”. Na verdade, o pontão tem a função de dar suporte aos pontinhos para que sejam articulados e desenvolvam um trabalho conjunto e promover a troca de experiências entre eles. A novidade deste ano é o 'Pontão Digital', com a peculiaridade de fazer uso dos meios digitais para promover cultura e inserção no mercado de trabalho. De acordo com a SPPC, os convênios têm a vigência de um ano, e são custeados com recursos públicos e às instituições vencedoras é depositado um valor de até R$ 500 mil em uma única parcela.


Em Nova Iguaçu, o Centro de Interação Social Amigos de Nova Era - CISANE – é contemplado com dois pontos de cultura. Entre tais projetos estão o ‘Ponto de cultura Vídeo, Cultura e Trabalho’, conveniado em 2005 com o governo federal através do MinC, e o ‘Ponto de Cultura Arte Gráfica’, que está sendo implementado nesse ano de 2009. Através de parcerias, entre elas, com a Petrobrás, foi instalado no CISANE um laboratório de informática e comunicação com internet comunitária. Ao todo são 22 computadores existentes conectados à internet via satélite e programados com software livre.

Mercado da cultura

por Edson Borges Vicente

Atenção artistas de plantão: as inscrições para IV Jornada Cultural da Baixada Fluminense foram prorrogadas até sexta-feira, dia 06 de novembro. O lema deste ano do evento, que há quatro anos divulga a cultura da região, é ‘Arte e Cultura: Mercado Cultural e Política Pública’. A entrada é franca.

O convite desta vez é para os artesãos e escritores, pois haverá uma feira de artesanato e literatura nos dias 3, 4 e 05 de dezembro durante o evento que, este ano, será no SESC São João de Meriti. Outras atividades culturais e artísticas estão programadas. As inscrições são feitas no local (sala de vídeo) entre 14 e 18 horas e o candidato deve levar amostras dos seus trabalhos artesanais e literários.

O evento é uma parceria entre o Serviço Social do Comércio – SESC - São João de Meriti e a Federação de órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE –, com apoio do Fórum Cultural Baixada Fluminense.

Maná da arte

por Edson Borges Vicente e Fernanda Bastos da Silva



"Sou um artista Bombril", resume Almir da Silva Rego, 55 anos, diretor da ong Amar Vidas (Associação Maná de Assistência e Restauração de Vidas). Conhecido como ‘Djamar’, esse artista multimídia, que faz de desenho publicitário a pintura, de escultura a poesia, de teatro a música, desde 2002 desenvolve um projeto para inserir os jovens no mercado de trabalho através da arte e da publicidade.

Foi a paixão pelos quadrinhos que o levou a mergulhar na arte dos desenhos. “Eu lia muitos gibis do Super Man, do Fantasma", conta Djmar, que já foi repórter da revista Lá e Cá e do Jornal Pontual. "A paixão pelo quadrinho me levou ao desenho e do desenho me envolvi com a propaganda e com a escultura até entrar para a Beija Flor e trabalhar com a escultura na escola de Samba”.

A voz de Cabuçu

sábado, 24 de outubro de 2009

por Edson Borges Vicente e Fernanda Bastos



Um grupo de seis agentes culturais do bairro Cabuçu participa da III Conferência Municipal de Cultura. Com diversas funções, todos atuam na Escola Municipal Abílio Ribeiro. O objetivo do grupo é representar o bairro nas discussões dos grupos de trabalho.


Nádia Luiza Filgueiras Ponciano, 26 anos, é professora do primeiro segmento do ensino fundamental há oito anos na escola. Estudante de matemática da Universidade Federal Rural de Nova Iguaçu, ela é a coordenadora de aprendizagem e tem a responsabilidade de organizar as ações da equipe de mediadores da escola. Convidada pelos mediadores ela veio à conferência para aprender. “Tenho muito contato com a SEMED. Vim para ficar por dentro do que está se discutindo na cultura. Isso é importante para potencializar meu trabalho com os mediadores” ressalta ela.

Dos cinco mediadores que acompanham a coordenadora, três são estudantes de Letras: Alessandra Aparecida Souza de Paula, 26 anos, trabalha com oficina de jornal há seis meses com crianças de 7 a 12 anos. Carlos Vinicius Moreira Assis, 21 anos, faz o mesmo e ainda desenvolve oficinas de técnicas de redação no ‘Escola Aberta’ da mesma escola. Já Carmem Inês Bispo, 32 anos, ajuda as crianças na árdua aprendizagem matemática.

Um casal muito interessante finaliza a composição do grupo de agentes culturais. Trata-se de Elisângela Melo, conhecida pelos jovens do Projovem como ‘ Fofão’, desde que trabalhou no projeto Minha Rua Tem História no ano passado no Abílio. “Fofão”, juntamente com seu esposo Odil Fonseca Barreto, trabalha com oficinas de banda. Odil ainda dá aulas no Brasil Alfabetizado e é parceiro do Bairro Escola. Os dois fazem parte do Pontinho de Cultura “Cultura Viva nas Comunidades”, que assistirá 280 alunos do 6ª ao 9ºano na Escola Municipal Profº Leonardo Carielo de Almeida, em Lagoinha.

Para Alessandra, conhecer as propostas também é importante e algo que a conferência proporciona. “Entramos em contato com pessoas com experiência na área da cultura”, afirma.

Odil apresenta a proposta do grupo que trata da escolha dos mediadores, dando oportunidades aos moradores dos bairros. Assim como ocorreu no concurso para agentes de saúde, onde os candidatos deveriam residir na área pretendida, os mediadores devem ser escolhidos na localidade. “Cada local deve ser trabalhado pelos próprios moradores. Assim, além de gerar oportunidades para todos, não teremos problemas com questões de segurança. Pois, uma vez sendo moradores do bairro fica mais fácil para os mediadores atuarem. Não tem esse negocio de ‘aqui não pode entrar por que é perigoso’. Desse modo haveria produção cultural em todas comunidades. Essa é a voz de Cabuçu” explica.

Conselho do poeta

por Edson Borges Vicente


Poeta desde os tempos obscuros da ditadura, Jorge Cardozo, 50 anos, vive hoje uma grande responsabilidade: presidir o Conselho Municipal de Cultura de Nova Iguaçu. Ele se entregou à arte em 1978, quando ingressou no Grupo ‘Calabouço’, grupo iguaçuano de resistência no qual fez teatro e poesia. Segundo Jorge, o grupo escolheu esse nome em homenagem ao restaurante onde foi morto o estudante Edson Luiz Lima Souto, assassinado em 1968, aos 18 anos, em uma operação de repressão, durante a ditadura militar.

Atual subsecretário de Cultura e presidente do conselho desde sua reorganização, em 2005, o poeta conselheiro busca levar a voz da democracia e resgatar a identidade da cultura popular. Jorge Cardozo diz estar totalmente afinado com a proposta de inclusão e participação do Ministério da Cultura – MinC. "Essa é uma proposta que entende que a cultura na verdade é de todo povo brasileiro”, afirma. Segundo ele, a proposta do MinC é a mesma da secretaria municipal.

Para o conselheiro, as mudanças na lei de incentivo à cultura – a Lei Rouanet - são muito importantes. E vão se tornar ainda melhores com a aprovação da chamada Pec 150, proposta de emenda constituicional por intermédio da qual 2% do orçamento federal serão alocados para a cultura. "Precisamos fortalecer o Fundo Nacional de Cultura e espalhar a presença do governo na esfera da cultura nos diferentes recantos do país, acabando com essa diferenciação tão forte que existia e ainda existe entre centro e periferia, entre cidade e bairro , entre zona urbana e rural ricos e pobres”.

Um Edson*, um poeta e um conselho

por Edson Borges Vicente

Jovem repórter faz homenagem ao poeta Jorge Cardozo, presidente do Conselho Municipal de Cultura


De onde vem a força do poeta
Sobrevivendo em tempos obscuros
Tentando escapar do calabouço
e ver nascer o sol da liberdade?

Talvez venha do espírito de união
Da arte que o palco da vida ensina
Expressada nos espaços operários
Nas caras e nas bocas da cidade

E como imaginar tamanho feito
De ver raiar a luz da esperança
E das palavras tristes do poeta
Surgir a firme voz da liderança

E ao fim sentir que todos temos vida
Que a arte não está no cativeiro
Repousa sobre o velho e o moço
Desperta no coração da criança

Talvez se não morresse o tal menino
Ainda estivesse presa, a poesia
E a força e a garra do poeta
Fosse tal qual agulha no palheiro

Melhor é resistir à repressão
Seguir a cultura da ousadia
Viver do jeito que mais vale à pena
Conselhos de um poeta conselheiro

* Referência ao estudante Edson Luiz Lima Souto, assassinado em 1968, aos 18 anos, em uma operação de repressão, durante a ditadura militar (ver matéria 'Conselho do poeta')

Hummm! Que cheirinho de cultura!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

por Fernanda Bastos e fotos por Edson Borges Vicente

Maria de Fátima da Silva, 52 anos, é cozinheira do CISANE há oito anos. Durante a pré-conferência do dia 20, ela manteve o café ao alcance de todos como um combustível para a discussão tão importante. Ao final, distribuiu deliciosos pastéis, cachorros quentes e canapés que desceram com refrigerantes geladinhos.

“Cheguei ao CISANE na época do ‘Sementinha da manhã’”, conta ela, que inicialmente trabalhou na ONG como voluntária e da qual eventualmente se afastava para procurar um emprego de verdade. Foi durante um período de desemprego que o hoje amigo Edilso Maceió a convidou para trabalhar.

Além de cozinhar para o CISANE, dona Fátima frequentou o curso de cabeleireiro da ONG e atualmente faz o curso de artesanato. “Entre todas as atividades domésticas, a que mais gosto é cozinhar”, afirma. Foi por causa desse prazer que ela chegou às 15h30min no CISANE, a fim de preparar o lanche servido para as cerca de 50 pessoas que marcaram presença na pré-conferência da última terça-feira. “Eu sirvo o lanche aqui e no espaço que tem lá em baixo”, revelou a cozinheira, que sente um prazer especial em servir os meninos e os jovens.

As oficinas do CISANE são divididas em turnos: manhã e tarde. Dona Fátima é a responsável pelo lanche dessa galerinha, para a qual serve de cachorro quente a biscoitos, passando por canapés, pastéis e bolos. Com tantos mimos, as crianças não costumam deixar de ir às aulas do CISANE.

Não deixem o hip-hop morrer

por Edson Borges Vicente


Os jovens Felipe Siqueira Tavares, 16 anos, e Jeferson Miranda da Silva dos Santos, 15 anos, marcaram presença na Pré-conferência Municipal de Cultura do Bairro Nova Era na última terça feira, dia 20. O objetivo dos dois era apresentar uma performance musical com canto e dança, mostrando a cultura Hip Hop no fechamento das discussões da conferência.

Felipe é rapper desde pequenininho. Mas a aposta em seu dom se deu no ano passado, quando se reuniu com o amigo Cristiano Miranda da Silva na escola para formar a dupla ‘Cristian e Siqueira’. Suas primeiras músicas foram compostas em homenagem às suas namoradas. Orgulhoso de ser poeta, ele sabe de cor a tradução de RAP (Ritmo e Poesia), e sonha ver sua música na boca da galera. Para isso resolveu ir à conferencia mostrar seu trabalho. Ele também é aluno da oficina de graffite do CISANE.

Felipe (ou Mc Siqueira) chamou o amigo Jéferson, que é irmão de Cristian, para ir à conferência de Cultura. “Vai ter uma parada de cultura e a gente pode mostrar o que a gente faz”, disse ele, que não quer deixar que a cultura Hip Hop morra em Nova Era. Para o rapper, muitas pessoas gostam de Hip Hop, mas falta apoio para os artistas. “Falta alguém que chegue e fale: ‘vamos fazer um projeto, apoiar a cultura Hip Hop aqui em Nova Era”, lamenta.

Leitura sagrada

por Edson Borges Vicente


Durante a Pré-conferência Municipal de Cultura do bairro Jardim Nova Era, ocorrida no último dia 20 no Centro Social Amigos de Nova Era – CISANE - muitos temas foram debatidos e propostas discutidas. Mas neste mesmo espaço de tempo a cultura fluía para além da teoria na biblioteca comunitária Zuenir Ventura. Foi no Projeto Ler pra Valer que as crianças ficaram enquanto seus pais participavam da conferência, degustando maravilhosas contações de histórias.


O projeto nasceu através de um edital do Instituto C&A, no qual duas estagiárias do Centro de Referência em Assistência Social – CRAS – de Nova Era apostaram: Renata de Barros Oliveira Maracajá e Renata Brum. Renata Brum é assistente social e também atuou como orientadora social do Projovem Adolescente. Foi ela quem chamou Renata Barros para, juntas, montarem o projeto.

Formada em pedagogia, Renata Barros ficou com a responsabilidade de coordenar o projeto Ler pra Valer ao mesmo tempo em que trabalhava no CRAS. Dada a dificuldade de conciliar os dois projetos, a pedagoga resolveu ficar apenas no CISANE. Com um histórico significativo em ações sociais, ela fez parte do Pré-vestibular para Negros e Carentes de Cabuçu – o PVNC – antes de ingressar na faculdade de Educação.

Vida mansa

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

por Edson Borges Vicente


Jéferson Marinho dos Santos, 18 anos, conheceu o CISANE do KM 32 por intermédio de seu irmão Jenison Marinho dos Santos, 15 anos, que fazia parte das oficinas de capoeira e de percussão. Foi mais do que um amor à primeira vista. Como muitos jovens de Jardim Paraíso, ele usou as atividades oferecidas pela ong para romper com um histórico de ociosidade. “Tinha muitos jovens que ficavam na rua, sem fazer nada” afirma ele.


Para Jéferson, as atividades culturais que pratica vão além da dimensão simbólica. “A capoeira é uma atividade física, faz bem à saúde e ajuda também na disciplina”, explica.

Já com percussão ele foi mais longe. Juntamente com o irmão e todo o grupo, ele conheceu os estúdios da Rede Globo durante as gravações de Malhação. Conheceu artistas e fez o que sabe bem: tocar. Foi uma experiência maravilhosa para ele. “Chegamos e ficamos na maior vida mansa, só comendo e vendo televisão. Tiramos fotos com artistas e tocamos na gravação”, conta Jeferson.

Maezona do KM 32

por Edson Borges Vicente


Andreia Cristina da Silva, 39 anos, é um dos mais importantes sujeitos culturais no KM 32. Moradora do Jardim Paraíso, ela diz se orgulhar de ter participado do processo de implantação do CISANE no bairro e de ver os jovens de sua comunidade transformarem suas vidas através da cultura. “Melhorou a autoestima, desenvoltura e evolução enquanto ser humano”, afirma Andreia.

Um desses jovens é sua filha Michele Cristina da Silva Barbosa, 18 anos, que colabora na gestão do espaço desde sua fundação, em dezembro de 2008. Orgulhosa do trabalho de sua princesa, a mãezona do KM 32 destaca que ela somente dá o apoio necessário, mas quem mete a mão na massa é a menina. “Busco levar ao conhecimento da comunidade os projetos daqui e trazer pra dentro o que se passa lá fora”, explica.

Juventude vai ao paraíso

por Fernanda Bastos da Silva e fotos por Edson Borges Vicente


A juventude invadiu o escritório do CISANE no Jardim Paraíso na noite da última segunda-feira para fazer da VI Pré-conferência Municipal de Cultura a mais irreverente do processo de preparação para a Conferência Municipal de Cultura, no próximo fim de semana, no Espaço Cultural Sylvio Monteiro.


O debate, moderado pela antropóloga paulista Marcella Camargo, começou por volta das 19h30. A também secretária adjunta da SEMCTUR saiu impressionada do encontro, no seu entender o mais rico de todos que presenciou nesses últimos quinze dias. Além da presença dos jovens, duas coisas chamaram a atenção da antropóloga. “Não há nenhum acessório cultural no bairro e os jovens promovem todas as suas ações culturais na rua”, diz Marcella Camargo.

Marcella Camargo abriu os trabalhos do dia falando das ações culturais do governo Lindberg Farias, como a escola de pesquisa e a escola de comunicação. Em seguida, passou a palavra para o poeta iguaçuano Jorge Cardozo, que também é presidente do Conselho Municipal de Cultura da cidade. “O governo não vai fazer ação social”, esclareceu Cardozo. “Queremos apoiar as ações sociais promovidas pela comunidade”.

Redes no céu

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

por Edson Borges Vicente e Fernanda Bastos da Silva

Diretor do Centro Experimental de Teatro e Artes da Baixada Fluminense (CETA) e idealizador do Festival Baixada Encena, Lino Rocca explica que objetivo do evento é formar uma relação continuada de exibição dos espetáculos produzidos por artistas e produtores regionais. Mas ele acredita que isso só será possível quando o movimento cultural começar a agir e rede.

Há pela frente muitos e complexos desafios, dentre os quais elenca a formação de um mercado regional de consumo da arte do teatro. “Sofremos enormemente por falta de instrumentos adequados de divulgação”, afirma ele, para quem cada espectador que se apresenta de forma espontânea, vindo ao teatro, pagando o seu ingresso, se interessando por essa programação é uma vitória. “Os mecanismos de produção são desiguais e os artistas das Baixada sofrem com isso.”

Apesar dos percalços, alguns momentos gratificantes estão grudados como chiclete na sua memória. Um deles foi a grande procura das edições de 2005 e 2006 do Baixada Encena, quando a acolhida do público do Espaço Cultural Sylvio Monteiro foi tão grande que vários espetáculos tiveram que fazer mais de uma sessão. Para 2010, seu objetivo vai além de consolidar o evento na programação de Nova Iguaçu. “Queremos que ele se expanda para outros municípios da Baixada no período de março a novembro”, sonha esse velho militante da causa da cultura na Baixada Fluminense.

O objetivo do CETA é identificar as companhias dispostas a se debruçar na construção desse mercado e transformar os espetáculos teatrais em entretenimento cotidiano para a população da região. “Claro que sempre vamos fechar o ano com um grande evento, mas o objetivo da gente é a continuidade das exibições dos nossos espetáculos”, afirma Rocco, que tem consciência de que isoladamente nenhum dos grupos em atividade na cidade conseguirá criar um mercado mínimo na região. “Só através da organização coletiva, de uma formação em rede, a gente vai poder estruturar realmente um mercado na Baixada Fluminense”, explica Lino.

Toda essa determinação e anseio provém de um aprendizado que Lino Rocca traz desde seus primeiros anos no teatro: “Devemos sonhar com as estrelas para estar no céu”, ensina ele.

Vento X9

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

por Fernanda Bastos da Silva e Edson Borges Vicente


O tradutor de poesias” é uma adaptação do conto homônimo do escritor Eustáquio José Rodrigues, publicado no livro "Cauterizai meu umbigo". Ele conta a história de um misterioso forasteiro que chega a uma pacata colônia de pescadores, com o dom de comunicar-se com os animais e escutar a mensagem dos ventos. São esses ventos que lhe revelam as ‘poesias’ dos encabulados moradores da vila, que ele passa a extorquir.

A adaptação foi feita por Eugênio Santos, 61 anos e quarenta dedicados ao teatro, que também dirigiu o espetáculo. A peça reuniu os integrantes dos grupos Multiface e Língua Afiada, que participavam de um grupo de estudos na Escola de Teatro do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro (Sated). Essa foi a quinta da peça, de um total de dez previstas pelo convênio assinado com a Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. O projeto foi elaborado por Mário Marcelo, diretor do grupo Multiface e atual secretário do Sated.

O espetáculo conta com dois atores iguaçuanos: Deusa Brito, 48 anos, e Felipe Vilhena, 24 anos. Deusa faz a espevitada Duína, acusada de manter um caso com o padre da cidade. Radicada em Nova Iguaçu desde os oito anos, a atriz Deusa Brito estava participando pela segunda vez do Encontrarte. A outra vez foi com a peça “Os Cigarras e as Formiguinhas”, de Mario Marcelo, na edição do ano passado. "Sinto-me gratificada ao perceber que o teatro está sendo valorizado na Baixada", confessa ela, que tem uma sobrinha de doze anos já envolvida com teatro.

Palhaçada

por Fernanda Bastos da Silva e Edson Borges Vicente


Se dependesse apenas dos pequeninos do Jardim Escola Doce Mel, no Centro de NI, o teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro já estaria lotado durante a peça ‘A Incrível viagem da Família Aço’, apresentada no último dia 2 de outubro. A responsável por isso foi Maira Gurgel, 32 anos, diretora da escola que levou consigo nada menos que 62 crianças e 11 funcionários, entre motoristas, professores e voluntários. “Geralmente, eu levo as crianças para os eventos musicais, dançantes e teatrais do SESC", conta a diretora. "É a primeira vez que venho com eles aqui no Espaço Cultural Sylvio Monteiro".
As crianças adoraram os palhaços - e vibraram tanto que apenas duas delas choraram no inicio do espetáculo. Contudo, os atores tiveram a presença de espírito necessária para cessar o choro da dupla e arrancar todas as gargalhadas dos pequenos da platéia. Foi assim até o final da peça, quando a maioria das crianças subiu ao palco para tirar fotos com os palhaços.

Raciocinando

por Fernanda Bastos da Silva e Edson Borges Vicente


Os jovens Aldebaram Oliveira, 18 anos e Alex Teixeira, 22 anos, que formam a Companhia de Teatro Racionais, convocaram os espectadores do Encontrarte 2009 a refletir sobre dois temas muito polêmicos: o racismo e o preconceito. Na performance do dia 30 de setembro, eles encarnaram o músico popular João e o polêmico apresentador Paulo Cidade no espetáculo “Intervalo”. A peça trata a distinção de tratamento entre o apresentador ‘Paulo Cidade’ (Aldebaram) do programa com mesmo nome e o cantor de samba João das Candongas (Alex).

Durante o intervalo, por trás das câmeras, o apresentador demonstra ser muito preconceituoso com o sambista. Porém, para defender a tese da decantada democracia racial brasileira, ele aponta outras formas de preconceito de que até mesmo o cantor não consegue se livrar. Durante a apresentação, os atores desencarnam dos personagens para interagir com público e buscar uma reflexão.

A Cia. Racionais, formada exclusivamente para o festival, reúne um estudante de direção teatral da Escola de Belas Artes da UFRJ (Aldebaram) e um jornalista recém-formado (Alex). Os dois se conheceram há dez anos, quando estudaram na atual Escola Municipal de Teatro Jornalista Tim Lopes no Centro Cultural de Nilópolis. Eles já realizaram trabalhos conjuntos, porém nunca haviam contracenado. Para Alex, a performance foi “a oportunidade” que surgiu para que a dupla pudesse participar do evento.

Discutindo relações

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Domingos de Oliveira faz o público delirar (no bom sentido) com "Todo mundo tem problemas sexuais" no terceiro dia do Iguacine. por Edson Borges Vicente O fechamento do sábado, dia 29, no II IGUACINE teve grandes surpresas. O diretor Domingos de Oliveira - produtor do longa "Todo mundo tem problemas sexuais" - viu lotar o teatro do Centro Cultural Silvio Monteiro. Entre risadas e gargalhadas, o público não se conteve com atuação brilhante de Pedro Cardoso, Cláudia Abreu, Priscilla Rozembaum , Orã Figueiredo e Paloma Riani que, numa mistura da peça teatral em cartaz já há dez anos com o a linguagem do cinema, arrancou toda a emoção possível do público. Procurando separar a sensualidade da vulgaridade em uma linha muito tênue, o filme foi, a que tudo indica, o mais polêmico do dia. A platéia só ficou quieta em poucas cenas com mais suspense mas que, ao final, sempre terminavam na mesma coisa: risadas. Terminada a exibição o cineasta bateu um longo papo com o público que muito interagiu com ele. Com certeza todos os presentes sairam dalí diferentes, ao menos com muita pergunta pelo ar. Esse terceiro dia do II Iguacine foi marcante e o encerramento vai ser, com certeza, muito emocionante. Interatividade: Você costuma se perguntar se tem problemas em sua relação amorosa?

 
 
 
 
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