por Lívia Pereira
“Não te peço a ventura desejada,
Nem os sonhos que outrora tu me deste,
Nem a santa alegria que puseste
Nessa doce esperança, já passada.
O futuro de amor que prometeste
Não te peço! Minha alma angustiada
Já te não pede, do impossível, nada,
Já te não lembra aquilo que esqueceste!
Nesta mágoa sorvida, ocultamente,
Nesta saudade atroz que me deixaste,
Neste pranto, que choro ainda por ti,
Nada te peço! Nada! Tão-somente
Peço-te agora a paz que me roubaste,
Peço-te agora a vida que perdi!”
(Amélia de Oliveira)

Olavo Bilac, poeta da Via Láctea, pai e filho da perfeição parnasiana, teve ao longo de sua obra o sinal do amor impossível. Obra vasta, intensa, constante, digna dos que amam à distância extrafísica.
Amélia de Oliveira, irmã de seu grande amigo Alberto de Oliveira, foi sua eterna namorada, seu único amor. Conheceram-se no bairro do Barreto, em Niterói, na casa da família Oliveira.
A família se muda para o bairro da Engenhoca e Olavo, já consumido pelo amor, aparece ainda mais frequentemente. Ali, reduto dos grandes poetas, desencadeia-se e aprofunda-se ainda mais o laço que liga Olavo a Amélia. Um amor que se manteve vivo até sua morte ou quem sabe além.