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Rei por dois meses

sexta-feira, 3 de junho de 2011

por Josy Antunes


Da Central do Brasil até a Candelária, seguindo pela Avenida Presidente Vargas, existem cerca de oito vendedores de tapioca. Cada vendedor trabalha atrás de um carrinho de alumínio, adesivado com variadas possibilidades de sabores e preços, que geralmente vão de R$2,50 a R$4,50. Com o menor valor, compram-se sabores tradicionais como presunto com queijo. O mais caro oferece carne seca ou peculiares misturas doces.

Os vendedores de tapioca competem com os carrinhos de amendoín torrado, batata frita e churros. Alguns "tapioqueiros" fazem pequenas mutações em seus carrinhos, de forma a dividir espaço com outro tipo de alimento. É comum ver carrinhos de tapioca/churros, por exemplo. Com o cair da tarde, todos os ambulantes competem ainda com a cerveja com karaokê dos botecos. O desafio da massa de trabalhadores que ruma para a Central é chegar ao seu destino sem ser vencida pelas doces e salgadas tentações.

CulturaNI em números

sábado, 30 de abril de 2011

por Josy Antunes

Desde julho de 2010, a equipe de jovens repórteres do CulturaNI acompanha as estatísticas do blog através da ferramenta Google Analytics, que dá acesso a informações como "número de visitas", "tempo médio no site" e "origens de tráfego", além de uma série de gráficos que permitem ter real noção da capacidade de alcance de nossos textos.
Agora, no finalzinho de abril de 2011, ainda no clima da milésima postagem, faremos um passeio pelos 10 meses de "Analytics", relembrando as matérias mais lidas e conferindo os números dessa trajetória.
Vale lembrar que:
1. Os jovens repórteres de Nova Iguaçu utilizam o http://culturani.blogspot.com desde setembro de 2009, portanto, todos os números anteriores a julho de 2010 não estão contabilizados.
2. Antes do http://culturani.blogspot.com existia o http://jovemreporter.blogspot.com, com publicações desde agosto de 2007. E que houve ainda o http://minharuatemhistoria.blogspot.com. Mas, a partir daí, já são outras histórias, que estão resumidas em textos como o "Nossa milésima postagem", de autoria da Jésica Oliveira ou em "A dona do Sollyorks", que traça um paralelo entre a história do projeto e a vida da repórter Marrentinha.

A produção do joão sem braço

domingo, 10 de abril de 2011

por Josy Antunes

Durante a mais recente edição do Iguacine - o Festival de Cinema de Nova Iguaçu - ocorrida em abril de 2010, jovens repórteres do Cultura NI estavam agitados em meio a entrevistas e publicações no blog. Em ocasiões como o evento, a equipe tem por sede a biblioteca Professor Cial Brito, que fica dentro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro. É de lá que acontece a cobertura em tempo real, sobre as sessões de filmes, acontecimentos inesperados e a programação como um todo. É lá onde se concentram cerca de 30 jovens para rápidas e objetivas reuniões de pauta coordenas por Julio Ludemir. Neste clima de produção intensa, Rodrigo Caetano, então com 20 anos, surgiu com seu black power, se apresentando como músico e produtor cultural. De súbito, recebeu uma pauta: Cobrir a exibição de “Alô, alô, carnaval!”, de Adhemar Gonzaga. E assim começava uma das primeiras experiências de Rodrigo com produção "séria" de textos.

Cinquenta dias perdidos

segunda-feira, 7 de março de 2011

por Josy Antunes/ Imagem: Google Maps

O Cineclube Digital é um encontro realizado mensalmente no Sesc de Nova Iguaçu, que coloca pessoas ao redor de um filme e, geralmente, diante de um debate sobre o mesmo. Foi no mês de fevereiro que tive a felicidade de conhecer o professor e compositor Sérgio Fonseca, organizador do Cineclube Vide o Verso, em Mesquita. Após a projeção do longa "O sucesso a qualquer preço", debruçada sobre meus joelhos num assento bem próximo ao debatedor, ouvi pela primeira vez a expressão "Eu não moro longe. Eu estudo longe". Naquele momento, eu era uma recém-formada com aversão ao nome Barra da Tijuca, e a rotina que me fazia acordar diariamente às 4 da manhã, para estar às 7 na faculdade. Em dois minutos, Sérgio Fonseca conduziu meu pensamento à certeza de que a principal referência não era a opinião da turma - "Olha, coitadinha, ela mora tão longe" - mas sim, a minha casa e a minha cidade.

A estética de uma despedida

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

por Josy Antunes/ Fotografias: Grupo de crianças do Cineclube Donana

No último domingo, 13/02, o Centro Cultural Donana estava num clima de festa e despedida. É que, após quase um ano de sessões fílmicas semanais ininterruptas, o Cineclube Donana se despedia e fechava as portas para reformas. Por outro lado, com almofadas e telão já preparados, o espaço recebia, pela segunda vez, a equipe do Festival Estética Central, para uma sessão memorável com participação especial do grupo Pó de Poesia. “O Estética Central é um projeto que começou lá na Central do Brasil. Por isso o nome”, explicou o monitor do evento, sendo observado pelas lentes dos pequenos Igor e Wendel, frequentadores das atividades infantis do Donana. “A gente tinha um quiosque lá na Central do Brasil e as pessoas pegavam câmeras digitais e celulares e faziam filmes ali em volta”, narra ele, emendando na explicação sobre a 2ª edição do Festival: numa Kombi, os monitores do Estética Central percorreram o Rio de Janeiro, durante um mês inteiro, num processo iniciado em dezembro de 2010.

Gastronomia de rua

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

por Dandara Guerra e Josy Antunes

Cinema de guerrilha

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

por Josy Antunes e Yasmin Thayná
Uma foto de infância seria capaz de entregar o futuro profissional de uma pessoa? Numa velha fotografia, com pai, mãe, irmão e seus oito anos de idade, o iguaçuano Miguel Nagle sorri diante dos estúdios Universal, nos Estados Unidos. Hoje, aos 27 anos e com uma bagagem de mais de 30 curta-metragens, Miguel revela o comentário que não o deixa esquecer de sua própria "promessa": "Eu tinha uma explicadora que dizia que já novinho eu falava que ia fazer cinema".

O cineasta responsável pelo filme que abriu o II Iguacine - o documentário "Um dia de Laura" - não assumiu de primeira o desejo pela sétima arte. Motivado pelo ramo de trabalho de seu pai, que possui uma empresa na área de informática, Miguel optou pelo curso de Ciência da Computação na hora de escolher "o que ser quando crescer". "Fazer cinema é uma realidade muito longe, ainda mais pra quem mora em Nova Iguaçu", justifica ele, que até hoje recebe expressões espantadas ao dizer que é um diretor cinematográfico.

Meu primeiro filme

sábado, 22 de janeiro de 2011

por Josy Antunes

Cristiane Brás, diretora da ELC - Imagem extraída de http://apalpe.wordpress.com/
O 2º dia de programações do Apalpe - A Palavra da Periferia - teve cara de evento da Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu. Entre os pontos em comum estão: 1 - Pessoas assíduas por novas experimentações. 2- Tantas pessoas assíduas por novas experimentações que ultrapassam o limite físico do local disponível para o evento. 3- Tantas pessoas tão assíduas por novas experimentações, que não sabe-se mais indicar com precisão quem é público observador e quem é público realizador, ou ainda, se há um limite entre um e outro. Além de tudo isso, a ELC estava representada ontem, 21 de janeiro, na Cia dos Atores, na Lapa. É que os alunos das turmas de roteiro e animação tinham a missão não só de representar a cidade, mas de defender suas criações diante de uma banca formada pelo cineasta Luis Carlos Nascimento e pelos críticos de cinema Carlos Alberto Mattos e Ivana Bentes.

Sonho parcelado

domingo, 16 de janeiro de 2011

por Josy Antunes

15 anos da Josy
Segundo regem as tradições, há pelo menos três eventos importantes na vida de uma jovem: a festa de 15 anos, a formatura e o casamento. Já passei pelos dois primeiros, com direito a bolo, vestido e beca. O anel dourado em meu dedo anelar da mão direita indica a proximidade da terceira ocasião. Como boa filha de "buffeteiros", a festa - com tudo a que se tem direito - é uma obrigação, digo, garantia. Os procedimentos não são lá muito diferentes dos realizados por uma debutante ou formanda: Pensa-se no orçamento para o evento, na decoração da festa, na(s) empresa(s) contratada(s), na lista dos convidados, no conforto dos convidados, na roupa usada, na aparência pessoal, no registro de cada momento e na realização de um sonho. E, para cada um dos itens citados, uma infindável lista de subitens ficam implícitos.

Samba Light

sábado, 15 de janeiro de 2011

por Josy Antunes

Neste instante, na Via Light, em Nova Iguaçu, o samba, as luzes e o grandioso palco anunciam: A cidade está em festa. A comemoração pelos 178 anos do município está reunindo um público ainda tímido a aguardar a estrela da noite: Neguinho da Beija-Flor - sambista iguaçuano, que puxou seu primeiro samba, oficialmente, no bloco Leão de Iguaçu, há mais de 40 anos. A apresentação tem início previsto para às 23:30.

Enquanto isso, entre inúmeras barracas com delícias festivas, o radialista Francisco Barbosa conduz os iguaçuanos numa programação com a Orquestra Cuba Libre e o grupo de forró Pimentas do Reino.

Apareça!
O palco está montado no Parque 1 da Via Light, entre as ruas Oscar Soares e Coronel Francisco Soares, no centro de Nova Iguaçu.

Virada com chulé

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

por Josy Antunes

Na sala recém-pintada de verde (cada parede em um tom), uma mulher de touca na cabeça fazia biscoitos amanteigados em formato de estrela. No sofá ao lado, com capa verde musgo, um homem careca assistia TV com o controle remoto na mão, oscilando os canais entre os filmes "Alvin e os esquilos", "Central do Brasil" e a Retrospectiva 2010 na Globo. Ao lado da estante da TV, num móvel abarrotado de fios e CDs, um jovem atendia às pressas todas as chamadas do MSN, num velho computador onde lia-se em letras vermelhas "Reservado!". A imagem podia ser interpretada como o trio que compõe o "Cataldu's buffet", localizado em Belford Roxo. Ou, ainda, minha mãe, meu pai e meu irmão. O dia 30 de dezembro trazia uma certeza: Eles não passariam o réveillon comigo. Isso porque, no ramo das festas, a data representa o recebimento da mais alta "paga", como diz o pai. Os três, o pai, a mãe e o irmão, irão passar a virada de 2010 pra 2011 na festa de uma igreja metodista no Catete. "Ia ser em lugar diferente. Teu pai ia trabalhar em Icaraí. Aí ele falou pra mim assim: 'você não acha melhor a gente trabalhar juntos?' E eu disse: 'é!'", explicou minha mãe. "Eu vou receber, né?". "É pra pagar as contas. Já está tudo contado". Ouvi em seguida, no diálogo entre mãe e pai. No total, os três juntos conseguirão R$500 reais em troca da noite de festa em família, substituída por trabalho. "É difícil, porque eu gosto da família reunida. Desde que minha mãe faleceu as comemorações ficaram mais difíceis. Mudou muito. Ela fazia as coisas... Eu sinto falta dela", soltou a mãe, num misto de lamento e alívio de poder depositar o vazio na festa do Catete. Ao mesmo tempo, lançava pequenas fagulhas de esporro ao pai, que não deixava o canal da TV se manter por 5 minutos. "Você não sabe o que quer", disse ele pra mãe, para quem a Retrospectiva da Globo é o ritual de todo fim de ano.

Carona pública

sábado, 18 de dezembro de 2010

por Josy Antunes

Diego Jovanholi e Rodrigo Caetano - Foto por Bruno Baketa
De carona com os organizadores do evento Cinerock – um festival de cinema e rock que ruma para a terceira edição – conversei sobre as ideias que iniciaram o projeto e as motivações que perpassam as duas edições realizadas no Centro Cultural Donana, em Belford Roxo.

Diego Jovanholi, Rodrigo Caetano, e Vagner Vieira, todos moradores da Baixada Fluminense, são integrantes da Pública Alternativa, identificada pela enigmatica logomarca em forma de coroa, vista nas divulgações do Cinerock. Em comum, os rapazes possuem o desejo de fazer alguma coisa positiva pelo local onde moram, a paciência de quem espera por resultados gradativos e, é claro, a música.

O que é o Pública Alternativa?
Diego Jovanholi: É um coletivo produtor de audiovisual, design, eventos de música e cinema.

Dois tanques de guerra

sábado, 27 de novembro de 2010

por Josy Antunes

Hoje eu vi dois tanques de guerra. Às 10 horas da manhã, impregnados nas minhas retinas, já estavam duas grandes, verdes e pontentes máquinas de destruição do exército brasileiro. Soldados, tanques e policiais se espalhavam no trajeto minha casa x minha escola. Belford Roxo x centro do Rio. Queria não ter saído de casa. O medo me fez pensar assim. Não tendo jeito, saí, carregando o mesmo medo que preferia ter ficado debaixo de uma coberta. Saí pra me deparar com os dois tanques de guerra. Assim, ao vivo e em prontidão, museu nenhum tinha mostrado. Mas nós vimos - eu e meu medo. Na escola, um quase vazio. Ouvi de uma colega, horas mais tarde, que o caminho "até que estava tranquilo". E eu disse: "vi dois tanques de guerra". Tanques de guerra ela também viu e comentou: "me assustei, até que lembrei: o Rio está em guerra".

(D) de Diego

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

por Josy Antunes

No fogão a água estava quase no ponto para o preparo do café. O relógio marcava 5 horas da manhã. Numa das primeiras ações do dia, busquei no Google Maps a melhor forma de chegar ao endereço "Estrada de Adrianopolis, 1317 - Santa Rita, Nova Iguaçu". "Sua pesquisa por rotas de transporte público abrange um local fora de nossa área de cobertura", respondeu ele. 15 de novembro de 2010: o dia do meu primeiro vestibular. Com café já na caneca, e olhos vidrados na tela, eu terminava de devorar às pressas uns textos catados na internet. Há 3 meses fiz minha inscrição para o processo de seleção. Comunicação Social - Jornalismo. Na UFF. Imaginei que 3 meses seriam suficientes para colocar na minha cabeça tudo o que os 4 anos de formação no Curso Normal não colocaram. Talvez tivessem sido, se não fosse habitual deixar as coisas para a última hora, por pressão da agenda. Na semana da prova, mais precisamente no dia anterior, fiz um manuscrito da história mundial, num caderno que fora presenteado pelo meu pai. O mesmo caderno teria sido usado no pré-vestibular que me inscreví, o Educarte, em Nova Iguaçu, se eu não tivesse começado a trabalhar justamente no único dia que ainda me era livre: sábado.

Mais que bomba

por Josy Antunes
Ao adentrar no Espaço Cultural Sylvio Monteiro, em Nova Iguaçu, atente para a porta sempre aberta a direita da principal. Lá você encontrará algumas máquinas de escrever, algumas peças curiosas como tijolos e telhas antigas e, provavelmente, boa parte da memória da Baixada Fluminense, concentrada num senhor elegante de nome Ney Alberto Gonçalves de Barros: O "professor Ney".

O historiador, arqueólogo, escritor, compositor e advogado recebeu em sua sala a equipe de jovens repórteres de Nova Iguaçu, numa entrevista-aula que abre uma série de encontros com importantes nomes da cidade.

Viaje a 1946:

Foto agulha

sábado, 11 de setembro de 2010

por Josy Antunes

A convite do Ponto de Cultura Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, o fotógrafo Maurício Medeiros, atuante na arte há cerca de 20 anos, ministrou na tarde de ontem na Teia Baixada 2010 a oficina de PinHole: uma curiosa técnica de produção manual de imagens. Atendendo a 10 participantes, o encontro aconteceu ao redor de uma mesa farta de materiais de corte e colagem. Fitas adesivas pretas ou isolantes garantiriam o bom funcionamento do mecanismo que consiste na captura da luz numa pequena câmara preta. Apesar da longa trajetória fotográfica, Maurício passou a estudar e desenvolver a técnica somente há 2 anos, quando planejava levar para a rede municipal de ensino de Nova Iguaçu o projeto “Foto Escolar”, que atualmente atende 2 escolas na cidade, através do programa dos Pontinhos de Cultura.

A la Hijos de Cida

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

por Josy Antunes
Enquanto o Renato comia miojo, eu resolvi filmar”, simplifica o estudante de letras Leonardo Guimarães, de 21 anos, que, inconscientemente, iniciava o curta-metragem “Macarrones Instantáneos”, que já ultrapassa os 300 acessos no YouTube. O filme, de 10 minutos, conta a história de um personagem que quase abdica de sua própria existência em função de sua paixão maior: os macarrõezinhos instantâneos que ficam prontos em 3 minutos. O “viciado em miojo” é interpretado por Renato Acácio, estudante de cinema da UFF – Universidade Federal Fluminense – e um dos integrantes da banda Hijos de Cida, dos quais Leonardo e Lívia Brito, 22 anos, também participam. “A gente tá sempre se gravando imitando os outros ou inventando personagens por pura falta do que fazer, o que de fato é o que o filme é. Temos um termo quando perguntam como é o som da nossa banda. Respondemos que é "a la caralho", que significa mais ou menos essa coisa de sair fazendo sem muito requinte, pretensão ou preocupação. Nos juntamos pra beber, tocar e se divertir. Acho que o filme é meio assim, embora estivéssemos sóbrios”, explica Renato, que há cerca de 6 meses assina reportagens para o culturani.blogspot.com. 

Eu não entrevistei João Moreira Salles

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

por Josy Antunes
Mas poderia ter entrevistado. Poderia começar este texto anunciando a suposta entrevista concedida pelo famoso documentarista, relatando com riqueza de detalhes o encontro e as falas inéditas. Faria uso do poder da palavra não só para inventar uma situação, mas para convencer sobre sua veracidade. A sedução de quem conta uma história e a potência do falso tanto no cinema quanto no próprio discurso verbal foram os pontos que mais inquietaram os universitários que ontem à noite assistiram à palestra de João Moreira Salles, no campus Tom Jobim, da Universidade Estácio de Sá.

“O documentário é uma invenção do diretor e do personagem. Destas duas invenções sai o filme. E o filme não é uma verdade”, ousou dizer o diretor, tomando como exemplo o filme “Jogo de Cena”, do qual foi produtor executivo: “O que o Coutinho estava querendo dizer é que o que interessa não é a verdade factual do que está sendo dito, mas sim a paixão com que se conta”. Em “Jogo de cena”, exibido na última terça-feira no Cineclube Digital, Eduardo Coutinho coloca o espectador diante de mulheres e suas respectivas narrações. Não fosse o fato de que algumas delas são atrizes popularmente conhecidas, identificar uma portadora real das memórias contadas seria uma tarefa impossível. Aliás, a dificuldade aparece de fato, quando fica claro que estamos diante de um jogo – que também envolve atrizes pouco conhecidas –, onde a verdade é o que menos importa. O que vale é a forma, não o conteúdo. “Não há bom filme que não pense sobre si mesmo”, garante o documentarista, aconselhando aos risos: “Não confie na gente”.

"A minha voz são as tintas"

domingo, 8 de agosto de 2010

por Josy Antunes

Assista a entrevista com a artista plástica, mãe, professora e integrante do grupo de poesia Gambiarra Profana: Gabriela Boechat, que esteve ontem no Bistrô Conexão Brasil, em Caxias, com a exposição “Arte-Mundo”. O trabalho da artista, que recentemente coloriu as paredes do Centro Cultural Donana com a exposição “O nu da minha voz”, pode ser acompanhado através do site www.gabrielaboechat.com.br e do blog artemundogabriela.blogspot.com.

O Chico e as letras

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

por Josy Antunes / Fotos: Diego Jovanholi

Por trás de cada propaganda vista em muros, faixas e cartazes há os pincéis dos pintores de letras. Mesmo com cidades abarrotadas por outdoors, banners e os recém-chegados anúncios audiovisuais, as letras produzidas manualmente se resistem no marketing visual urbano, além da gerar fonte de renda para aqueles que o fazem. Para encontrar tais obras e autores, basta dar uma olhada pela janela do ônibus, em trajetos pela Baixada Fluminense adentro. As palavras anunciam e se diferenciam. Em cada painel há a marca registrada do pintor, seja pela fonte tipográfica utilizada ou pelos detalhes detectados em sombras e contornos. “A gente conhece pela letra e pelo cliente. Tem cliente que só faz com um pintor”, conta Francisco Mendes, que assina “Chico Mendes”. A coincidência com o seringueiro e ativista ambiental vai além do nome: “Ele era meu tio-avô. Era irmão do meu avô”, explica.

 
 
 
 
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