por Raphael Teixeira
Quem pretende tomar uma boa cerveja e ainda por cima ter ao lado vinis e um enorme sebo, num ambiente aconchegante e com cheiro do período imperial, as opções com certezas não são muitas. Mas a exceção à regra existe. O Al-Farabi, que fica na Rua do Rosário e ocupa um casarão centenário, bem pertinho do Paço, na Praça XV, oferece um cardápio para todos os sentidos. Cervejas nacionais e internacionais e preços que variam entre 4 e R$100 estimulam o paladar. Já para aguçar a visão, quadros expostos por todo o salão dão toque especial ao ambiente. Tudo ao som de bossas-nada-novas.
Lá, é possível trocar ideias com os atendentes sobre cervejas super caras e dicas de como se beber melhor. Mais comum em vinacotecas, explicam com o que beber cada tipo de cerveja. Nos momentos mais tranquilos, vale a pena folhear um livro e distrair. O espaço também oferece refeições de altíssimo nível de segunda a sábado e happy-hour de terça a sábado.
Cheiro imperial
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Guia da universalidade
por Raphael Teixeira
Na última semana, enquanto ouvia a reapresentação do programa da Mpb fm em que a entrevistada era a escritora e idealizadora do projeto Tramas Urbanas, Heloísa Buarque de Hollanda, lembrei que não fazia muitas semanas havia lido um livro que estava martelando minha cabeça.
Era o livro do cineasta, ator, secretário de Cultura de Nova Iguaçu e agora escritor Marcus Vinicius Faustini. Faustini, com a história que, essa sim, poderia ser a de qualquer um de nós, preenche, com o seu "Guia Afetivo da Periferia" (Tramas Urbanas), uma lacuna existente, mas que até agora estava sem um acabamento, talvez ainda no tijolo.
Muitos beberam de fonte parecida e tentaram identificar o verdadeiro brasileiro. Sérgio Buarque de Hollanda, com seu "Raízes do Brasil", fez um raio x da identidade brasileira. O filho, Chico, nas suas músicas, sempre buscou dar a voz que os excluídos nao tinham, tratando-os como personagens principais em seus versos. Roberto Da Matta cavucou os meandros da malandragem brasileira e descobriu cada jeitinho que, sendo da periferia ou não, tornava o Brasil um país único.
Então o que há de novo nesse livro que evidencia o real brasileiro? O ineditismo do "Guia(..)" é a ambientação e o trato dado às questões que, até então, não eram abordadas. Talvez o elitismo literário (sempre existente nas artes) esteja tentando – numa corrente que cresce não só com Faustini, mas também com autores como Écio Salles, entre outros - reverter esse estigma e falar de situações verdadeiramente brasileiras.
Não posso falar que, enfim, essa corrente irá trazer uma literatura genuinamente brasileira, despida de influências fúteis, num país acostumado a vestir-se de banalidade alheia. Mas é certo que buscando o nosso próprio jeitinho, nossa própria identidade, encontraremos a universalidade literária buscada por todo artista.
Assim, qualquer regionalismo será transcendido e, talvez, o livro se torne popular e realmente lido por todos. Aí, livros como Vale Quanto Pesa, de Silviano Santiago, não precisem mais serem escritos para evidenciar o tratamento ridículo que o livro se encontra no Brasil.
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Vizinhos das celebridades
por Juliana Schiffler
Falar de um lugar tão sombrio nos faz lembrar imediatamente da morte, algo triste e melancólico. Mas em Jardim Sulacap, um pequeno bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, há quem considere que a morte proporcione vizinhos famosos. É que o Jardim da Saudade, um dos mais importantes cemitérios do estado, fica lá. E seus enterros são as únicas oportunidades que os moradores têm para ver de perto as celebridades que habitam as telas da tevê.
Foi no Jardim da Saudade que foram sepultados personalidades como a cantora Cássia Eller, a modelo Fernanda Vogel, o jornalista Tim Lopes e a cantora Dalva de Oliveira, que recentemente foi relembrada no seriado da Rede Globo “Dalva e Herivelto”. No meio da multidão ali reunida para se despedir do seu ídolo, há sempre um morador de Jardim Sulacap.
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Calor do bairro
por Hosana Souza
A mídia já percebeu o sucesso do carnaval iguaçuano e marcou presença no desfile das escolas locais em 2009, chegando ao ponto de a Bandeirantes, Rede Brasil, SBT e Record o transmitirem ao vivo. E temos, também, os expressivos números do último carnaval: 150 mil foliões em cada dia do evento, somando todos os bairros da cidade.
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A falta que 'seu' Ruy faz
por Nany Rabello
Sabe, eu tinha cinco anos quando o conheci. Eu não sabia o que era um soneto, dois quartetos e dois tercetos, métrica perfeita da poesia. Nem sabia o que eram autistas, ascetas, e nem mesmo poetas. Mas eu sabia que gostava, pois ele era um poeta, e que o que estava escrito era lindo, e que passava horas repetindo, só pra ficar ouvindo os sons das palavras e as rimas. As rimas eu sabia o que eram, ahh se sabia! E também sabia qeu um dia eu queria ser como ele. Escrever como ele. Agradecer a ele.
Sabe, faz nove anos que ele se foi. Naquela época, eu não escrevia, não rimava, não sonhava. Naquela época, ele não era mais meu diretor. Não mandava mais me buscar na sala de aula, durante as aulas de inglês, só pra me mostrar um soneto novo. Não mais, não naquele ano. Só nos que vieram antes. Nos anos em que eu ainda não sabia o que era literatura.
Hoje eu gostaria de agradecer. Ele foi poeta, pintor, escritor, advogado, formador de opiniões, diretor do melhor colégio que uma criança poderia estuda, foi ídolo, foi inspirador, foi meu amigo. Hoje eu sinto falta dele, como sentia antes, só que doendo mais.
Hoje eu queria mais do que nunca que ele soubesse que eu estou bem. Que aprendi a fazer meus próprios versos, que descobri minha maneira autista e o mundo dos poetas. Que hoje tem um novo mestre na minha vida que me inspira a crescer e fazer sempre melhor. Mas cada texto ainda é pra você, professor. Obrigada por fazer naquela época que eu sentisse com seus textos o que sinto hoje com os meus: Vida. Obrigada por ter feito parte da minha. Você faz falta, 'seu' Ruy.
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Surfando na lama
Carnaval para muitas pessoas é sinônimo de brilho, samba e festa!
Mas para aqueles que não têm pique para cair na folia, fugir para um lugar de descanso é sempre uma boa.
Há quase dez anos acampo durante o carnaval com minha família. É uma oportunidade quase única de reunir todos e passar algum tempo perto da natureza.
Conforto? Quem quer conforto fica em casa.
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Cansado dos humanos
por Wanderson Duke
Deve estrear no Brasil, no final de fevereiro, o longa Legião (Legion), que à primeira vista me pareceu ser um daqueles filmes religiosos cristãos, os quais vieram na onde de O Livro de Eli. Mas não é possível, porque aqui Deus é o vilão, já que se cansou dos humanos e resolveu nos destruir. Assim providencia um apocalipse, que só não fica pior porque um dos anjos chefes, Michael (Miguel), revolta-se contra ele e pede outra oportunidade. Mas seu irmão, que surge para matar a mulher, grávida de um filho que pode salvar a humanidade, não concorda.
Entenderam? Pois é, há uma espécie de parábola sobre José (no caso, o rapaz Lucas Black, que fez aquele s Velozes e Furiosos ambientado no Japão), que ama uma garçonete (que se faz às vezes de Maria, pois está grávida e não se sabe quem é o pai da tal criança que pode ser a salvação).
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Hippie de boutique
por Robert Tavares
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Malucos belezas
por Tuany Rocha Santos
Na década de 60, após a guerra do Vietnã, nos Estados Unidos, surgiu um novo estilo de mobilização e contestação social: jovens de classe média passaram a defender ideias e a se comportar de maneira totalmente oposta a uma sociedade mecanicista. Era a Contracultura.
Um dos filhos da Contracultura foi o movimento hippie, cujos seguidores tinham como característica cabelos compridos, roupas coloridas, misticismo, drogas e seu próprio estilo de música.
Mas era só isso?
Para a surpresa do sistema, não...
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Beijos garantidos
"O circo, o rock e a cerveja gelada estão de volta!" É com essa frase imperativa que a Geração Delírio, junto aos Los Tchatchos Trupe, anunciam a volta do antigo Cabaré Viaduto, agora com o sugestivo nome Cabaré Beijoca.
O evento ganha um espaço novo, "muito maior e mais tranquilo", como afima Daniélis Heringer, uma das produtoras da festa. Para essa moradora de Mesquita, a mudança de point era inevitável. "Movimentos criativos como o Cabaré, que recebem gente grande, precisam de lugares grandes. A galera precisa transbordar, e esse novo local é lugar para isso".
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Agentes da mudança
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Pipoca na Central
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Diversidade e beleza
por Fernando Fonseca
A mesa avaliadora, formada por um membro de cada uma das secretarias envolvidas no Bairro-Escola, teve muito trabalho na última quinta-feira. Das 9h às 17h, representantes de grupos culturais dos mais diversos bairros de Nova Iguaçu apresentaram ao longo de 10 minutos o que pretendiam levar para as crianças que frequentam o horário integral das escolas da rede municipal. O objetivo de cada um deles era convencer a banca a aprovar seu pontinho de cultura, uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu e o Governo Federal.
Participaram da concorrência tanto grupos já contemplados com pontos de cultura no edital anterior quanto atores que estão entrando agora no movimento social de Nova Iguaçu. Um dos destaques do edital foi o Grupo Iguaçuano de Acessibilidade (GIA), que nesta edição apoia sete projetos em diferentes áreas da cultura. A associação de projetos foi uma das estratégias encontradas já no primeiro edital para suprir a ausência de CNPJ, um dos requisitos para a inscrição, de grande parte do movimento social da Baixada Fluminense.
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Repulsa e fascínio
por Wanderson Duque
O mesmo se pode dizer dessa remake, que é um roteiro novo, inspirado naquele personagem que agora ganha nome (Terence McDonagh), mas continua um grande mau caráter e que agora vive em Nova Orleans, justamente na época do grande furacão e catástrofe (na primeira sequência, num ímpeto, ele salva um prisioneiro que está morrendo afogado numa prisão).
A novidade é que esta nova versão é feita pelo diretor alemão – agora radicado nos EUA – Werner Herzog (aquele mesmo que andou muito pelo Brasil, onde fez Fitzcarraldo, na Amazônia, e até andou dirigindo ópera por lá).
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Origem do Astro Boy
por Wanderson Duque
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Bicicleta nova
por Robert Tavares
Em outubro, enquanto a Ivi fazia sua viagem pela Europa, eu fui apresentado ao livro "Comer, rezar, amar", da Elizabeth Gilbert. De cara fiquei encantado por aquele que, pelo que parecia, seria meu futuro melhor amigo. Na mesma época recorri a diversos sites para fazer downloads, mas nunca dava certo. Era uma época difícil (adoro escrever "época difícil", me sinto maduro). Meu dinheiro era todo investido na hortinha que eu estava fazendo - que a propósito, nem existe mais.
Em novembro, fomos formalmente apresentados, com direito a todos aqueles detalhes que encontros amorosos nos proporcionam. O que fez minha vontade aumentar. Em dezembro, após meu cartão de crédito chegar, fui comprá-lo, mas o cartão não passou, eu havia gasto todo o meu limite com roupas e restaurantes.
Passou. Chegou janeiro, e com ele a ansiedade e vontade de ter aquele livro. Ontem fui ao shopping, e finalmente saí de lá na companhia dele. Eu parecia uma criança que acabara de ganhar a primeira bicicleta, o brilho nos meus olhos fazia com que todos percebessem que algo de muito incrível tinha me acontecido.
Agora estou na Itália, comendo - aliás, devorando. Logo em seguida vou para a Índia e como destino final tenho a Indonésia. Até mais.
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New face
por Robert Tavares

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Boas-vindas
por Hosana Souza

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Todos podem fazer arte
por Jéssica de Oliveira
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O circo chegou!
por Jéssica de Oliveira
Maria Lúcia Cardoso, moradora do bairro Rancho Novo, levou seu filho de 6 anos, Matheus Cardoso para aproveitar o evento que dispensa gastos. "Eu, com certeza, aprovo a ideia. O grupo circense é ótimo e dá pra ver que todo mundo se diverte muito, não só as crianças como também os pais", conta.
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Revolução coletiva
por Josy Antunes

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Dedicação marginal
por Dariana Nogueira
Ministrada pelo estudante Matheus Topine, de 21 anos, a oficina abordou um pouco da história, forma e conteúdo do gênero que, apesar da riqueza e diversidade, é esquecido ou simplesmente ignorado pela grande maioria. Matheus fez questão de explorar o assunto, mostrando como tudo funciona na prática. Por isso, a oficina esteve quase o tempo todo ilustrada por trechos de filmes, entrevistas e trailers.
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12 meses de descobertas
por Hosana Souza / Foto: Bruna Jacubovski

Valdomiro Meireles, produtor cultural do SESC, observou a oficina, conheceu o grupo e não perdeu a oportunidade, fazendo o convite: “Vamos montar um Cineclube?”. O "sim" que ecoou naquela tarde foi apenas o inicio de um sonho. Após muitas reuniões, foi montado o “Cineclube Digital”, que teve sua primeira sessão no dia 13 de janeiro de 2009.
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Força do hip hop
por Fernando Fonseca

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Píer de Nova Iguaçu
por Robert Tavares

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Cinema em festa
Em parceria com a Cinequanon Produções, Cineclube Digital comemora um ano de existência, realizando o Sarau Cinematográfico.
por Josy Antunes
A partir de então, surgiram os primeiros passos do Sarau Cinematográfico. “A princípio, o meu grupo pensou em um evento menor, como uma palestra apenas, mas depois surgiu a ideia de fazer juntamente com o Cineclube Digital e com o SESC, realizando assim um evento de 2 dias, com variadas atrações, porém, todas relacionadas ao cinema”, detalha Brunna que, para a realização, criou junto com as amigas Monalisa Santana e Mariangela Augusto, a produtora independente “Cinequanon Produções”. “O nome surgiu numa aula de Arte Contemporânea”, explica.
Ainda no dia 12, às 19 horas, será exibida no teatro a sessão “Produção Cinematográfica da Baixada Fluminense”, onde os realizadores locais ganharão total visibilidade sobre suas produções. Às 21:30, o dia se encerrará com uma apresentação do VJ Paulo China.
Permeando a programação dos dois dias, no espaço Café Cultural, haverá exposições de cartazes de cinema da Rio-Filmes e de fotografias de Bruna Jacubovski.
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