Fábula moderna encanta a criançada

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

por Hosana Souza



Nesta manhã quente de terça-feira, o teatro do Sesc lotou com a presença de cinco escolas da rede municipal de Nova Iguaçu. Unindo jovens, adultos e crianças, seja pelo humor ou pelo drama, a VIII edição do Encontro de Artes Cênicas da Baixada (Encontrarte), tem feito educação e cultura caminharem juntas, um mesmo espetáculo para varias plateias, para vários olhares.

A peça apresentada foi “O Segredo de Cocachim”, fábula moderna que conta a história de Beto e Bia, – respectivamente Alexandre Contini, 24 anos e Maria Eduarda Machado, 22 anos – crianças que compram um mapa e saem em busca do tesouro da Princesa Cocachim em uma ilha deserta.

A saga de Beto e Bia conquista a antes agitada plateia, que era na maioria formada por crianças entre sete e onze anos, dando com leveza lições sobre amizade, educação ambiental e principalmente o ato de fazer escolhas. A magia do teatro fez com que mais de cinquenta crianças se calassem, interagindo e respondendo aos atores, mas sem deixar de prestar atenção. “O que eles conseguiram é o sonho de qualquer professor. Ensinar coisas e prender a atenção deles assim”, diz entre risos a estudante Jéssica Ramos, de 17 anos.

Alexandre e Maria dividem-se na interpretação dos outros personagens que compõe a historia; pequenos objetos são retirados e recolocados nas mochilas infantis durante o espetáculo, fazendo com que o cenário fique por conta da imaginação de cada um. “Foi incrível! Eu gostei quando eles estavam dormindo. Foi engraçado. E quando eles entraram nadando também”, comenta a alegre e animada Taísa dos Santos, 9 anos, aluna da Escola Municipal Julio Rabelo.

Isso, isso, isso é cultura!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

por Josy Antunes


28 de setembro de 2009: uma manhã chuvosa de segunda-feira, quando pode-se obviamente esperar que o quentinho das camas seja deixado com dificuldade. A música circense se espalhava pela Getúlio Vargas, acabando com a movimentação preguiçosa das ruas centrais de Nova Iguaçu. Na passarela da estação ferroviária, os trabalhadores perguntavam-se o destino daquela legião de crianças uniformizadas, que coloriam de azul a rampa de descida. Os mais informados já sabiam: era o Encontrarte, atraindo a população iguaçuana para o Espaço Cultural Sylvio Monteiro.

No pátio externo do local, sentadas juntinhas no chão, as crianças não desviavam os olhos dos palhaços da Fanfarras Produções Artísticas. Os adultos, com suas pernas compridas, misturavam-se aos pequenos. Em frente à tenda vermelha e roxa que lhes servia de cenário, os três “fanfarreiros” apresentavam suas habilidades, com as mais inusitadas acrobacias e jogadas humorísticas, que deveriam “caber” em 15 minutos de apresentação.

Munida apenas de sua vontade de reviver a clássica série de Roberto Bolaños, a fotógrafa Bruna Jacubovski deu descanso ao seu equipamento e a si própria, para unir-se ao público, infantil em sua maioria. “Liguei para meu sócio e falei que não ia dar pra ir cedo, porque ia ver uma peça de teatro”, conta em meio a “muitissíssimas” risadas – aproprio-me aqui da linguagem da turma que, em instantes, dominaria o palco – ainda achando absurda a ideia de, aos 19 anos, ter cometido tal ação. “Quero rir muito! Vim sozinha, ninguém quis vir comigo”, conta a moça, que tem o You Tube como aliado, quando se faz presente a saudade do famoso menino do barril.


O espetáculo “A turma do Chaves” vem sendo apresentado, há cerca de 3 anos, pela Miraguri Produções Artísticas. A partir do nome, nota-se a principal preocupação do grupo. “Guri”, expressão gaúcha que designa “criança”, é o melhor termo para tal objetivo, na opinião do ator Fábio de Luca, que acrescentou o “Mira”, no sentido de “foco”.

Engavetado
Para o Encontrarte, a Miraguri inscreveu, além do infantil, duas comédias adultas. Foram então enviados três materiais, que continham os vídeos com as apresentações na íntegra – como fora solicitado pela produção do evento. Foi Fábio que recebeu o telefonema que informava a aceitação do grupo. Seus companheiros de palco, ao receberem a notícia, logo perguntaram qual dos dois espetáculos para o público adulto havia sido selecionado. Para surpresa geral, a comissão julgadora havia se encantado com “Chaves”.

O espetáculo, que estava “engavetado” há alguns meses, ressurgiu especialmente para o Encontro de Artes Cênicas da Baixada Fluminense, que está em sua oitava edição. “Quando fiquei sabendo que eles passaram, eu falei: ‘gente, por favor, eu quero fazer a Pópis, quero fazer a Dona Florinda, quero voltar pro palco no Encontrarte, que é um evento que eu nunca participei’”, relembra a atriz e cineasta Loeni Mazzei, que interpreta as duas personagens. Com exceção de Mariah Huguenin e Fábio de Luca – respectivamente Chiquinha e Kiko – o grupo, como um todo, nunca participara do Encontrarte, de cima do palco.

Uma não peça

por Nany Rabello


Com um riso. É assim que Marília Martins, diretora do grupo Os Cênicos, fundado em 2000, entra no palco para iniciar “Meu nome é M”, seu primeiro monólogo. Pouca luz e muita risada, a comédia mostra uma atriz se preparando para entrar em cena, enquanto se lembra de sua história.

O texto, escrito por Luciana Guerra Malta, foi baseado em entrevistas que a própria Marilia deu. “Há mais de 6 horas de entrevistas gravadas com a Luciana, história da minha vida e dos meus personagens, que ela transformou em ficção. O que se vê no palco é mera coincidência”, conta Marília. O diretor do monólogo, Ribamar Ribeiro, foi aluno de direção central de Marília, que além de atriz ainda é professora de direção e dramaturgia.


Uma personagem cativante, M chega contando sobre sua primeira peça, sua segunda, sua terceira e vai falando de sua vida, seus personagens, seus sonhos... De repente, não se sabe mais onde é o limite do palco, a plateia se torna parte do espetáculo, e o espetáculo parte da platéia. A metáfora do não-ator interpretando uma não-peça.

A reação do público não poderia ser melhor. Riem, cantam, conversam e até xingam junto com a protagonista do grande espetáculo, fazendo um show à parte. O envolvimento é tanto que o público ajudou M até mesmo a reclamar do ex-marido. “Essa peça é feita pra Nova Iguaçu. O público daqui vem pro teatro pra se divertir, pra brincar sem se conter, eu já vim sabendo que ia ser bacana!”, conta Marília.

Quem sabe faz ao vivo

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Companhia de teatro mostra o que é que a arte do improviso tem de bom


Nesta terça-feira, dia 28, a noite do Encontrarte 2009 foi da Cia. de Teatro do Nada do Rio de Janeiro, com o espetáculo Improzap. Reunido há seis anos, o grupo trabalha com o estilo “impro”, um conjunto de técnicas desenvolvido pelo inglês Keith Johnstone, um professor de arte dramática cujos ensinamentos e livros se concentraram na improvisação teatral, projetando grande influência sobre a arte do improviso.

O espetáculo, descontraído, carregado de brincadeiras e muito bom humor, é muito mais trabalhoso do que se pode imaginar. É o que demonstra as falas de um dos integrantes da companhia, Vinicius Messias. “Nós começamos a pesquisar as técnicas do improviso há cerca de seis anos, que é mais ou menos a idade do grupo. Os espetáculos parecem só loucura, mas na verdade é necessário muito trabalho e pesquisa na criação”, afirma.

O Improzap é um espetáculo novo, que estreou este ano. Ele se caracteriza pela forma-longa de improvisação, ou seja, cerca de 20 minutos para cada história. Os improvisadores criam histórias cômicas inspiradas em vertentes dramatúrgicas nos estilos de Shakespeare, Brecht, Nelson Rodrigues, Tarantino, Ibsen, entre outros autores. Cada apresentação é única e as histórias jamais se repetem. Antes do espetáculo, os espectadores também escrevem títulos para as histórias, que serão sorteados e encenados na hora.

Vinícius afirma que é necessário uma pesquisa prévia árdua sobre os estilos que serão apresentados. “Por mais que não sejamos inteiramente fiéis às obras dos autores que escolhemos, temos que nos aproximar bastante para que o público reconheça a proximidade. É nisso que está a graça”, diz. Além dos atores-jogadores, também compõem o espetáculo o apresentador e os improvisadores do som e da luz que dão um toque especial ao trabalho.


Na noite de ontem, a plateia foi premiada com histórias baseadas em Nelson Rodrigues, Quentin Tarantino e Shakespeare. A estudante Suellen Isidoro foi conferir a sessão da noite e saiu do espetáculo fã da Companhia. “Eu adoro improvisação", diz a estudante. "Já tive contato com alguns trabalhos pela internet como o Zenas Emprovisadas e os Improváveis, mas nunca tinha visto assim, ao vivo. Foi uma experiência muito agradável. Eu morri de rir”.

O improvisador Vinícius alertou ainda para a importância dos espectadores nesse tipo de espetáculo. “Precisamos da interação constante com o público, porque eles é que vão conduzindo a peça em certa medida. Tudo é escolhido por eles. E a propósito, gostaria de dizer que Nova Iguaçu foi uma plateia bastante talentosa hoje!”, contou rindo.

A Cia. De Teatro do Nada faz diversas apresentações em todo o estado. Para saber mais informações do grupo, acesse: http://www.teatrodonada.com.br/

Missão Imposssível: Parar de rir

Cia Teatral Comédia Brasil apresenta esquete no SESC e diverte o público.

Quem foi ontem ao SESC de Nova Iguaçu assistir ao espetáculo Cabeça De Vento, de Bia Bedran, se surpreendeu com três militares no salão de entrada, fazendo uma varredura no local atrás de um meliante chamado Gordo. Seus nomes eram general Guerra, major Topeira e soldado Valente, que estavam cumprindo ordens: executar a Missão Impossível.

Trata-se da Cia Teatral Comédia Brasil, que foi um dos grupos de esquetes escolhidos para realizar intervenções performáticas antes dos espetáculos. Sob a direção de Evandro Rocha, que é também o soldado Valente, e com mais dois atores, Francielle Santos, 24 anos, que interpretou o general Guerra e Felipe Souza, 24 anos, o major Topeira, a Missão Impossível contou rapidamente a história de um grupo de oficiais designados para a tarefa de salvar a população de um mal que a está atacando.

“O tempo todo nós falamos 'vamos matar o Gordo, porque ele é perigoso' e fazemos o maior suspense”, conta Evandro, que abusou do bom-humor para fazer com que sua plateia se interessasse pela história que já teve seu nome e elenco mudado inúmeras vezes. “A peça já contou com muitos atores, mas eu não abro mão do meu papel de soldado Valente. O Rambo brasileiro”, brinca.


Por fim, depois de muita trapalhada, eles conseguem realizar sua árdua missão de prender o Gordo, que, para surpresa geral, é um rato. "Eu achei a peça muito interessante e engraçada. Eles são muito bons", conta Barbara Torres, de 17 anos, que aprovou a apresentação.

A Cia Teatral Comédia Brasil está com essa peça há 14 anos, arrancando boas risadas do publico por onde passa. Os ensaios são realizados na casa do autor, que também é professor de teatro. “Como somos quatro - a atriz Rosa Santos também faz parte do elenco, mas não pôde participar da apresentação no SESC -, o ensaio é na minha casa, mas se chegar mais alguém querendo 'entrar na dança', nós contamos com o Espaço Sylvio Monteiro para ensaiar”, conta Evandro.

Apesar do sucesso da peça, a Cia quer alçar voos mais altos. Eles estão produzindo dois longa-metragens: A Invasão e Deu Águia Na Cabeça, cujas histórias também prometem muita diversão aos espectadores.

 
 
 
 
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