Beleza das diferenças

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

por Camilla Medeiros

Teatro lotado, e expectativas à flor da pele. Assim estava o Teatro do Sesc de Nova Iguaçu, nesta quarta feira, 30. Várias crianças das escolas da prefeitura de Nova Iguaçu estavam lá para conferir essa peça de nome tão intrigante, “Levitador Interplanetário Xereta Orbital”.

Quando as luzes se apagaram, ao som dos três toques, o silêncio era “audível”!

O texto, produzido por Ivanir Calado e direção de Antonio Carlos Bernardes, conta com um cenário bem diferente. Uma projeção animada fica no fundo do cenário e interage com os atores todo o tempo.

Durante a peça, ouvi uma criança perguntar: "Nossa, tia! Como ele faz isso?" e a resposta: "Não faço idéia! Mas é muito legal, né?" Realmente, a peça surpreendia tanto adultos quanto crianças.

Dialeto dos sonhos

por Camilla Medeiros

Sábado, dia 26, o clima estava perfeito para curtir um teatro. Os iguaçuanos não perderam tempo e foram conferir mais uma atração do Encontrarte no Sesc de Nova Iguaçu. O espetáculo Os intrusos, da companhia que leva o mesmo nome, não deixou de surpreender o público com suas cenas engraçadas.

A peça, cujo texto foi escrito e dirigido por Carol Barros, também contou com sua participação em cena. "Montei toda a peça numa linguagem que agrada tanto baixinhos quanto grandões", conta Carol Barros.

Em cena, os atores André Jotha, Carol Barros e Rômulo Vidal encarnam personagens bem conhecidos do nosso cotidiano: ganhadores de um passeio à praia dos sonhos, alguns deles têm reações bem variadas.

A peça exige desses atores grande preparação física, pois mistura a linguagem oral com a linguagem corporal, que estimula os espectadores a novas interpretações do que está sendo encenado.

Fábula moderna encanta a criançada

por Hosana Souza



Nesta manhã quente de terça-feira, o teatro do Sesc lotou com a presença de cinco escolas da rede municipal de Nova Iguaçu. Unindo jovens, adultos e crianças, seja pelo humor ou pelo drama, a VIII edição do Encontro de Artes Cênicas da Baixada (Encontrarte), tem feito educação e cultura caminharem juntas, um mesmo espetáculo para varias plateias, para vários olhares.

A peça apresentada foi “O Segredo de Cocachim”, fábula moderna que conta a história de Beto e Bia, – respectivamente Alexandre Contini, 24 anos e Maria Eduarda Machado, 22 anos – crianças que compram um mapa e saem em busca do tesouro da Princesa Cocachim em uma ilha deserta.

A saga de Beto e Bia conquista a antes agitada plateia, que era na maioria formada por crianças entre sete e onze anos, dando com leveza lições sobre amizade, educação ambiental e principalmente o ato de fazer escolhas. A magia do teatro fez com que mais de cinquenta crianças se calassem, interagindo e respondendo aos atores, mas sem deixar de prestar atenção. “O que eles conseguiram é o sonho de qualquer professor. Ensinar coisas e prender a atenção deles assim”, diz entre risos a estudante Jéssica Ramos, de 17 anos.

Alexandre e Maria dividem-se na interpretação dos outros personagens que compõe a historia; pequenos objetos são retirados e recolocados nas mochilas infantis durante o espetáculo, fazendo com que o cenário fique por conta da imaginação de cada um. “Foi incrível! Eu gostei quando eles estavam dormindo. Foi engraçado. E quando eles entraram nadando também”, comenta a alegre e animada Taísa dos Santos, 9 anos, aluna da Escola Municipal Julio Rabelo.

Isso, isso, isso é cultura!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

por Josy Antunes


28 de setembro de 2009: uma manhã chuvosa de segunda-feira, quando pode-se obviamente esperar que o quentinho das camas seja deixado com dificuldade. A música circense se espalhava pela Getúlio Vargas, acabando com a movimentação preguiçosa das ruas centrais de Nova Iguaçu. Na passarela da estação ferroviária, os trabalhadores perguntavam-se o destino daquela legião de crianças uniformizadas, que coloriam de azul a rampa de descida. Os mais informados já sabiam: era o Encontrarte, atraindo a população iguaçuana para o Espaço Cultural Sylvio Monteiro.

No pátio externo do local, sentadas juntinhas no chão, as crianças não desviavam os olhos dos palhaços da Fanfarras Produções Artísticas. Os adultos, com suas pernas compridas, misturavam-se aos pequenos. Em frente à tenda vermelha e roxa que lhes servia de cenário, os três “fanfarreiros” apresentavam suas habilidades, com as mais inusitadas acrobacias e jogadas humorísticas, que deveriam “caber” em 15 minutos de apresentação.

Munida apenas de sua vontade de reviver a clássica série de Roberto Bolaños, a fotógrafa Bruna Jacubovski deu descanso ao seu equipamento e a si própria, para unir-se ao público, infantil em sua maioria. “Liguei para meu sócio e falei que não ia dar pra ir cedo, porque ia ver uma peça de teatro”, conta em meio a “muitissíssimas” risadas – aproprio-me aqui da linguagem da turma que, em instantes, dominaria o palco – ainda achando absurda a ideia de, aos 19 anos, ter cometido tal ação. “Quero rir muito! Vim sozinha, ninguém quis vir comigo”, conta a moça, que tem o You Tube como aliado, quando se faz presente a saudade do famoso menino do barril.


O espetáculo “A turma do Chaves” vem sendo apresentado, há cerca de 3 anos, pela Miraguri Produções Artísticas. A partir do nome, nota-se a principal preocupação do grupo. “Guri”, expressão gaúcha que designa “criança”, é o melhor termo para tal objetivo, na opinião do ator Fábio de Luca, que acrescentou o “Mira”, no sentido de “foco”.

Engavetado
Para o Encontrarte, a Miraguri inscreveu, além do infantil, duas comédias adultas. Foram então enviados três materiais, que continham os vídeos com as apresentações na íntegra – como fora solicitado pela produção do evento. Foi Fábio que recebeu o telefonema que informava a aceitação do grupo. Seus companheiros de palco, ao receberem a notícia, logo perguntaram qual dos dois espetáculos para o público adulto havia sido selecionado. Para surpresa geral, a comissão julgadora havia se encantado com “Chaves”.

O espetáculo, que estava “engavetado” há alguns meses, ressurgiu especialmente para o Encontro de Artes Cênicas da Baixada Fluminense, que está em sua oitava edição. “Quando fiquei sabendo que eles passaram, eu falei: ‘gente, por favor, eu quero fazer a Pópis, quero fazer a Dona Florinda, quero voltar pro palco no Encontrarte, que é um evento que eu nunca participei’”, relembra a atriz e cineasta Loeni Mazzei, que interpreta as duas personagens. Com exceção de Mariah Huguenin e Fábio de Luca – respectivamente Chiquinha e Kiko – o grupo, como um todo, nunca participara do Encontrarte, de cima do palco.

Uma não peça

por Nany Rabello


Com um riso. É assim que Marília Martins, diretora do grupo Os Cênicos, fundado em 2000, entra no palco para iniciar “Meu nome é M”, seu primeiro monólogo. Pouca luz e muita risada, a comédia mostra uma atriz se preparando para entrar em cena, enquanto se lembra de sua história.

O texto, escrito por Luciana Guerra Malta, foi baseado em entrevistas que a própria Marilia deu. “Há mais de 6 horas de entrevistas gravadas com a Luciana, história da minha vida e dos meus personagens, que ela transformou em ficção. O que se vê no palco é mera coincidência”, conta Marília. O diretor do monólogo, Ribamar Ribeiro, foi aluno de direção central de Marília, que além de atriz ainda é professora de direção e dramaturgia.


Uma personagem cativante, M chega contando sobre sua primeira peça, sua segunda, sua terceira e vai falando de sua vida, seus personagens, seus sonhos... De repente, não se sabe mais onde é o limite do palco, a plateia se torna parte do espetáculo, e o espetáculo parte da platéia. A metáfora do não-ator interpretando uma não-peça.

A reação do público não poderia ser melhor. Riem, cantam, conversam e até xingam junto com a protagonista do grande espetáculo, fazendo um show à parte. O envolvimento é tanto que o público ajudou M até mesmo a reclamar do ex-marido. “Essa peça é feita pra Nova Iguaçu. O público daqui vem pro teatro pra se divertir, pra brincar sem se conter, eu já vim sabendo que ia ser bacana!”, conta Marília.

 
 
 
 
Direitos Reservados © Cultura NI