Poesia da morte

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

por Jéssica Oliveira

A Cia. Teatral Entreato encerrou nesta sexta-feira, 02 de outubro, a programação de espetáculos do VIII Encontro de Arte Cênicas da Baixada Fluminense, o EncontrArte, com a peça A Incrível Viagem da Família Aço. Com texto de Lú Gatelli, também intérprete do personagem principal, a história trata de um assunto delicado e de difícil abordagem, principalmente quando envolve crianças: a morte de um familiar.
O espetáculo conta a história de uma família de palhaços - Pai Aço (Marcelo Gatelli), Vovózaço (Lígia Dechen), Vovôzaço (Richard Goulard) e o personagem central, Aço Júnior, um palhacinho que, no dia do seu aniversário, pede ao pai um presente que, infelizmente não pode receber: ele quer reencontrar sua mãe.
Com o desenrolar da história, o público percebe que a mãe do pequeno palhaço já não pode estar ao seu lado, pois ela faleceu. Entretanto, a história se complica ainda mais quando se nota que, por ser um assunto difícil de ser tratado com crianças, a família Aço não contou a verdade a Júnior.

A coisa mais linda do mundo

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

por Larissa Leotério

É com “Alma Gêmea”, do Fábio Jr., que começa a performance musical de Janinny Damas. E segue com clássicos da MPB, com uma ajudinha da pequena Yasmin, de 4 anos, que estava na plateia. Depois, a cantora natural da cidade de Mesquita continua sua apresentação.

Quando perguntada sobre a importância do EncontrArte, Janinny se declara suspeita para opinar. Amiga dos organizadores do evento, desde a época em que todos faziam teatro juntos no SESC, a moça esteve presente em sua primeira edição: “Saí num carro de som pela cidade, cantando. E foi a coisa mais linda do mundo”. Conta também que está adorando o crescimento do evento e que ama todos os organizadores, por fazerem do EncontrArte o sucesso que é.

Sobre seu repertório, aparentemente mais puxado para a MPB, Janinny se declara uma cantora eclética. Forró, rock... “Tudo que tiver de ser, eu canto”, conta. Em seu CD, “Janinny Damas - Corações”, revela que apenas duas faixas são regravações: ‘É d’Oxum’, de Jerônimo e Dedé Callazans, e ‘Dois Corações’, gravada por Nana Caymi.

Estilo próprio

por Lívia Pereira

O tempo e espaço da maioria dos adolescentes, a escola, foi o palco da entrevista com Joyce da Costa, autora dos quadrinhos “Electron tenn”, “ Nizz” e outros.

Em meio à confusão de gritos, fila de cantina, brincadeiras e correria na hora do intervalo, um recanto de tranquilidade e sensatez se alicerçava a cada palavra dessa jovem escritora e desenhista.

Aos seus quatorze anos, já sabe o que quer da vida, e da esperança de trabalhar com desenho vem a vontade de ser arquiteta. Dedicada a tudo que faz, vê-se a sutileza de suas fronteiras entre a escola e o mundo, entre as altas notas que tira e os desenhos descontraídos que faz.

“Eu sempre observava o meu primo quando ele desenhava, até consegui imita-lo, mas eu não fiquei satisfeita. Eu queria ter meu estilo próprio...”

Filhos de Deus

por Wandersson Duke

Em uma manhã de quinta-feira que reunia todos os motivos para que nos mantivéssemos sob o aconchegante abraço das cobertas, a Cia. Teatral Nós da Ribalta apresentou, no SESC, sua esquete infantil “Viver a vida”. Talvez por isso, apenas três dos 12 atores da companhia deram o “ar da graça” na mostra daquela manhã, dia 30 de setembro: o ator e diretor Cláudio Monart, 37, o ator e circense Sandro Felix, 22 e a atriz e dançarina de sapateado Lilian Lopes, 34.

Durante a apresentação da esquete, no hall de entrada do teatro do SESC, dava para se perceber os olhares curiosos lançados para os atores durante o desenrolar da história. “Viver a vida” foi minuciosamente observado pelo público espontâneo que ali estava e por alunos das escolas da rede municipal de ensino da região. Sob a supervisão dos professores das escolas, os alunos mostraram-se bastante preocupados quando o assunto era a proximidade e a percepção do espetáculo ali apresentado. Cada centímetro foi cautelosamente disputado pelos alunos, para que não perdessem nenhuma palavra ou gesto dos atores. “Quero entender tudo, faça silêncio”, disse Jéssica Caetano, 12 anos, aluna da Escola Municipal Monteiro Lobato, para um amigo que soltou um “eba” durante a encenação.

O enredo era o seguinte: três amigos de uma cidade pequena tinham cada qual seu talento. Mas, como ninguém na cidade se interessava em ver suas respectivas apresentações, partem para a desconhecida “Cidade Grande”. Lá, montam um espetáculo que resulta na união harmoniosa de um tom cômico circense, um musical muito bem orquestrado e uma apresentação de sapateado das mais apaixonantes. O enredo da trama - ensaiada às pressas e inicialmente feita com o propósito de treino - reflete a situação profissional de cada um dos integrantes da trupe. “Cada uma aqui exerce uma profissão independente das artes cênicas. Por esse motivo não estamos sempre em circuito, sempre paramos, mas também voltamos”, diz Lilian.

Foi sem querer querendo

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

por Josy Antunes


Assim que vi a programação do VIII Encontrarte, o anúncio que dizia “A turma do Chaves”, apresentado pela Miraguri Produções, no dia 28 de setembro, saltou-me aos olhos. Como se o próprio Chaves e os demais moradores da vila tivessem me erguido os braços e gritado: “Isso, isso, isso”!

Quando as pautas começaram a ser distribuídas, lá estava eu ansiosa para arrebatar a oportunidade de cobrir o evento. E foi o que ocorreu. (Não contavam com minha astúcia!)

Na manhã da segunda-feira em questão, cheguei bem cedinho, a fim de acompanhar toda a movimentação ao redor da apresentação, que se iniciaria às 10 horas.

Crianças e adultos pareciam iguais na expectativa de ver de perto o mundo de Roberto Bolaños.
“Quem nunca viu Chaves, é porque não existe”, ouvi comentarem em meio à gigantesca fila.
Muitos se aglomeraram sem cerimônias nos degraus do teatro, inclusive eu - aliás, considero que o meu lugar tenha sido o mais privilegiado.
Depois do brilhante espetáculo que nos foi apresentado, fui recebida pelo grupo que acabara de deixar o palco do Espaço Cultural Sylvio Monteiro.
A entrevista, você confere a seguir:

Josy: Como surgiu a ideia de montar a peça “A turma do Chaves”?
Mariah Huguenin, a Chiquinha: Todo mundo gostava do Chaves. A gente sempre falava dele, de como é a linguagem e de como o humor é ingênuo. É um tipo de programa a que a gente assiste e já sabe o que vai acontecer, é muito previsível, mas é encantador. Um dia, conversando, a gente se perguntou: por que não montar o Chaves? E a gente não conhece ninguém que tenha feito isso.
Fábio Oliviere, o Professor Girafales: E tem o apelo comercial, é uma coisa que vende.

Josy: Como aconteceu a preparação corporal e de voz?
Fábio Oliviere: A gente procurou observar bastante os episódios, assistimos muito. Primeiro, a gente tentou que cada um desse a sua leitura a cada personagem. Só que é tão forte o que eles fizeram com os personagens, e por tanto tempo, que acaba que a gente faz igual. Porque já está tão entranhado, da gente ter assistido desde a infância, que a própria leitura que podemos pode criar é algo muito semelhante ao que eles fazem realmente.
Loeni Mazzei, a Dona Florinda e Pópis: E as crianças vêm querendo ver o que eles vêm na TV.

Josy: No espetáculo não estão presentes todos os personagens da série. Como foi feita essa seleção?
Fábio de Luca, o Kiko: A gente queria focar nas crianças principalmente: Kiko, Chaves e Chiquinha. E como não daria pra gente fazer uma produção muito grande, optamos por pegar os personagens que mais estão dentro do contexto desses três personagens: o pai da Chiquinha, a mãe do Kiko e o professor das crianças.
Loeni Mazzei: E a gente quis trazer a Pópis também. Porque a Chiquinha, por mais que ela seja uma menina, é muito moleque. E as menininhas às vezes não se identificam com ela, como se identificam com a Popís. E de alguma forma equilibra, ficam duas meninas e dois meninos.

Josy: Quais são as dificuldades para levar “A turma do Chaves” adiante?
Loeni Mazzei: Acho que todas, porque é um espetáculo delicado. A gente quer fazer uma homenagem pro Bolaños, mas ainda tem o programa na TV. O SBT não recebe muito bem essa coisa de liberar os direitos pra que a gente possa realmente fazer o Chaves, de verdade, reproduzindo o programa. E pra gente enquanto ator, pessoalmente, é difícil isso de representar um personagem que já existe, que não é seu. Por mais que tenha criação nossa. O público não consegue entender que tem um pouco da atriz ali, que a Pópis da TV é uma coisa e do teatro é outra.

Josy: Hoje, no Encontrarte, vocês receberam uma homenagem pelo trabalho realizado. Qual foi o maior reconhecimento que o grupo teve com o espetáculo?
Fábio Oliviere: O maior reconhecimento é você passar na rua, principalmente aqui em Nova Iguaçu, e uma criança te olhar e falar: Professor Girafales!

Josy: Qual foi a maior demonstração de carinho, recebido do público?
Jean Rizo, o Chaves: Uma vez, eu estava saindo com minha noiva de uma apresentação, quando fiz o Kiko num colégio, e uma criança, que tinha Síndrome de Down, chegou pra mim e disse: eu te amo, você é maravilhoso, obrigado. Foi emocionante. O carinho sempre acontece, mas esse foi o que marcou mais.

 
 
 
 
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