Hummm! Que cheirinho de cultura!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

por Fernanda Bastos e fotos por Edson Borges Vicente

Maria de Fátima da Silva, 52 anos, é cozinheira do CISANE há oito anos. Durante a pré-conferência do dia 20, ela manteve o café ao alcance de todos como um combustível para a discussão tão importante. Ao final, distribuiu deliciosos pastéis, cachorros quentes e canapés que desceram com refrigerantes geladinhos.

“Cheguei ao CISANE na época do ‘Sementinha da manhã’”, conta ela, que inicialmente trabalhou na ONG como voluntária e da qual eventualmente se afastava para procurar um emprego de verdade. Foi durante um período de desemprego que o hoje amigo Edilso Maceió a convidou para trabalhar.

Além de cozinhar para o CISANE, dona Fátima frequentou o curso de cabeleireiro da ONG e atualmente faz o curso de artesanato. “Entre todas as atividades domésticas, a que mais gosto é cozinhar”, afirma. Foi por causa desse prazer que ela chegou às 15h30min no CISANE, a fim de preparar o lanche servido para as cerca de 50 pessoas que marcaram presença na pré-conferência da última terça-feira. “Eu sirvo o lanche aqui e no espaço que tem lá em baixo”, revelou a cozinheira, que sente um prazer especial em servir os meninos e os jovens.

As oficinas do CISANE são divididas em turnos: manhã e tarde. Dona Fátima é a responsável pelo lanche dessa galerinha, para a qual serve de cachorro quente a biscoitos, passando por canapés, pastéis e bolos. Com tantos mimos, as crianças não costumam deixar de ir às aulas do CISANE.

Não deixem o hip-hop morrer

por Edson Borges Vicente


Os jovens Felipe Siqueira Tavares, 16 anos, e Jeferson Miranda da Silva dos Santos, 15 anos, marcaram presença na Pré-conferência Municipal de Cultura do Bairro Nova Era na última terça feira, dia 20. O objetivo dos dois era apresentar uma performance musical com canto e dança, mostrando a cultura Hip Hop no fechamento das discussões da conferência.

Felipe é rapper desde pequenininho. Mas a aposta em seu dom se deu no ano passado, quando se reuniu com o amigo Cristiano Miranda da Silva na escola para formar a dupla ‘Cristian e Siqueira’. Suas primeiras músicas foram compostas em homenagem às suas namoradas. Orgulhoso de ser poeta, ele sabe de cor a tradução de RAP (Ritmo e Poesia), e sonha ver sua música na boca da galera. Para isso resolveu ir à conferencia mostrar seu trabalho. Ele também é aluno da oficina de graffite do CISANE.

Felipe (ou Mc Siqueira) chamou o amigo Jéferson, que é irmão de Cristian, para ir à conferência de Cultura. “Vai ter uma parada de cultura e a gente pode mostrar o que a gente faz”, disse ele, que não quer deixar que a cultura Hip Hop morra em Nova Era. Para o rapper, muitas pessoas gostam de Hip Hop, mas falta apoio para os artistas. “Falta alguém que chegue e fale: ‘vamos fazer um projeto, apoiar a cultura Hip Hop aqui em Nova Era”, lamenta.

Leitura sagrada

por Edson Borges Vicente


Durante a Pré-conferência Municipal de Cultura do bairro Jardim Nova Era, ocorrida no último dia 20 no Centro Social Amigos de Nova Era – CISANE - muitos temas foram debatidos e propostas discutidas. Mas neste mesmo espaço de tempo a cultura fluía para além da teoria na biblioteca comunitária Zuenir Ventura. Foi no Projeto Ler pra Valer que as crianças ficaram enquanto seus pais participavam da conferência, degustando maravilhosas contações de histórias.


O projeto nasceu através de um edital do Instituto C&A, no qual duas estagiárias do Centro de Referência em Assistência Social – CRAS – de Nova Era apostaram: Renata de Barros Oliveira Maracajá e Renata Brum. Renata Brum é assistente social e também atuou como orientadora social do Projovem Adolescente. Foi ela quem chamou Renata Barros para, juntas, montarem o projeto.

Formada em pedagogia, Renata Barros ficou com a responsabilidade de coordenar o projeto Ler pra Valer ao mesmo tempo em que trabalhava no CRAS. Dada a dificuldade de conciliar os dois projetos, a pedagoga resolveu ficar apenas no CISANE. Com um histórico significativo em ações sociais, ela fez parte do Pré-vestibular para Negros e Carentes de Cabuçu – o PVNC – antes de ingressar na faculdade de Educação.

Junto e misturado

por Lucas Lima
Uma das pontas mais visíveis do programa Bairro Escola é o Escola Aberta, um projeto do Ministério da Educação que funciona também em 65 municípios de dez estados brasileiros. Moradores de quase todos os bairros de Nova Iguaçu superlotam as salas de aula para fazer oficinas e atividade que vão do artesanato à luta marcial, da dança ao reforço escolar, tudo isso gratuitamente.


Essas oficinas, que acontecem simultaneamente em um mesmo espaço, têm o poder de agradar jovens e adultos com a mesma intensidade. “Aos sábados de manhã, a escola fica cheia de gente, todos em diferentes atividades, mas todo mundo sabe respeitar o espaço do outro”, conta a jovem Jessyca Pereira, de 17 anos, que frequenta as oficinas da Escola Municipal Rubens Falcão. Também compartilha dessa opinião a mãe de Jessyca, a aluna de artesanato Regina Célia Pereira, 55. “É muito bom porque oferece várias atividades, o que pode atender a todo mundo”.

Vida mansa

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

por Edson Borges Vicente


Jéferson Marinho dos Santos, 18 anos, conheceu o CISANE do KM 32 por intermédio de seu irmão Jenison Marinho dos Santos, 15 anos, que fazia parte das oficinas de capoeira e de percussão. Foi mais do que um amor à primeira vista. Como muitos jovens de Jardim Paraíso, ele usou as atividades oferecidas pela ong para romper com um histórico de ociosidade. “Tinha muitos jovens que ficavam na rua, sem fazer nada” afirma ele.


Para Jéferson, as atividades culturais que pratica vão além da dimensão simbólica. “A capoeira é uma atividade física, faz bem à saúde e ajuda também na disciplina”, explica.

Já com percussão ele foi mais longe. Juntamente com o irmão e todo o grupo, ele conheceu os estúdios da Rede Globo durante as gravações de Malhação. Conheceu artistas e fez o que sabe bem: tocar. Foi uma experiência maravilhosa para ele. “Chegamos e ficamos na maior vida mansa, só comendo e vendo televisão. Tiramos fotos com artistas e tocamos na gravação”, conta Jeferson.

 
 
 
 
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