Iguacine em Síntese e Antítese

quarta-feira, 21 de abril de 2010

por Tuany Rocha 

Critica Iguacine
E termina o Iguacine como uma colcha de retalhos ou um mosaico de arte e cultura?
Nos cinco dias do evento se falou de vida, como no trabalho de Leonardo Sette em “Confessionário” e de cidade em “Polis”, de Marcos Pimentel. Falou-se de esperanças com “O presidente”, de Luiza Favale, e de sonhos como no curta “Ensaio de cinema”, de Allan Ribeiro.

Tivemos rostos consagrados como o de Cacá Diegues e Jorge Duran, e rostos em busca de consagração como o do jovem Ben-Hur, do filme “Sorte”, e de Getúlio Ribeiro com o curta “O que vai ser”, se brincou com Bruno de Oliveira em “A Infância de Margot” e com Elisandro Dalcin e Nélio Spréa em “Brincantes”, se inovou com “Recife Frio” de Kleber Mendonça filho, também nos apaixonamos com o curta “Carreto” de Marília Hughes e Cláudio Marques e até nos surpreendemos com a brandura da arte e beleza em uma nova visão da morte, como em o “Último Retrato”, de Abelardo de Carvalho.

A noite de premiação

por Tuany Rocha






Neste domingo, após o término do filme “Cinco vezes favela”, chegou o momento tão esperado por todos: era a hora de saber os grandes ganhadores. Sala cheia, torcidas animadas, enfim, uma mistura de pessoas, lugares e estilos diferentes, mas todos com um propósito: enriquecer as questões culturais que envolvem o cinema.
Logo de cara, além de Carlos Diegues, também foram homenageados Marão, o grande animador que tem suas raízes na Baixada Fluminense, e a equipe “Furacão 2000”, por ter feito um dos primeiros registros audiovisuais do funk carioca e para representá-la estava presente o fundador, Rômulo Costa, que ficou muito feliz ao receber o troféu, ele diz que se surpreendeu com o numero de pessoas presentes “pensei que fosse encontrar dez pessoas na platéia, no entanto o auditório está lotado.”, Rômulo gostou tanto do evento que disponibilizou dez minutos do seu programa para exibir os melhores momentos do Iguacine.

Na terra do nunca

por Fernando Fonseca


A beleza do visual, em sincronia perfeita com o áudio, se fez presente hoje no auditório d o Espaço Cultural Sylvio Monteiro, onde mais de duzentos e sessenta alunos da rede municipal de ensino de Nova Iguaçu pôde conferir a Mostra Bairro Escola. Nela, obras de Câmara Cascudo foram transformadas em curtas metragens de animação pelos alunos da Escola Livre de Cinema, juntamente com os alunos da Escola de Música Eletrônica.

Evolução desmedida

terça-feira, 20 de abril de 2010

apor Mayara Freire




Em meio ao dia de premiação do III Festival de Cinema de Nova Iguaçu, o secretario de cultura de Nova Iguaçu Marcus Vinicius Faustini fez um abalanço sobre a importância do Iguacine para o município, assim como para os realizadores de cultura e publico. Em uma rápida conversa descontraída, ele destacou o que considerou de mais importante e a projeção do evento.

Cultura NI: Qual foi sua avaliação sobre o resultado do III Iguacine?

Faustini - O festival é um ambiente, e a cultura precisa desses ambientes. Não é somente feito de objetos, como um filme e um objeto artístico. É necessário ter um ambiente de apresentação. Por isso, o iguacine  é um local de apresentação da Baixada para o Centro do Rio de Janeiro, o Brasil e vice versa. É um espaço para pessoas conversarem, criticarem. Isso sempre requer que se pense no festival. Quem acha que isso acontece naturalmente, na verdade não o é. Ele é sempre muito pensado. Acho que este ano está diferente em relação aos outros. Tem gente diferente, as estratégias deram certo, os artistas compareceram e realizaram coisas boas. A cidade está de parabéns, pois já compraram a idéia do Iguacine.  Sobretudo, isso mostra que a periferia não é lugar de carência e sim de potencia. Acabou esse conceito de que a periferia vai receber cultura. Agora ela também faz!

Cultura NI: Como você  vê a repercussão deste Festival?

Faustini- Observei que todos estão impressionados com o conceito do Iguacine.  Tenho certeza que o evento vai influenciar muitos outros festivais, muitas outras formas de fazer,  pensar, além de pensar ambientes. O festival não é formação de platéia apenas, mas sim um modo de ver o Brasil e a cultura brasileira. Eu acho que demonstra uma grande potencia. Estou feliz pois é resultado da minha gestão e de todos que estão trabalhando de maneira colaborativa. Acho que ajudou a superar o que a cidade tinha em alguns momentos: grupos culturais que brigavam entre si. Vejo que o evento acabou com isso, proporcionando misturar vários agentes culturais. Portanto, não estão mais separados e sim unidos.

Cultura NI: Quais foram as mudanças em relação aos outros festivais?

Faustini- Desta vez teve mais produção da baixada, mas ainda acho que devem produzir mais. Eu acho que o terceiro festival é o resultado das tentativas do primeiro e segundo. Definitivamente amadureceu. Saibam que o Iguacine não é feito pela Secretaria de Cultura de Nova Iguaçu, mas sim pela Escola Livre de Cinema, de Miguel Couto. E nós apoiamos a causa, participamos e ajudamos. Acredito que de modo geral coma minha saída, não se pode depender de uma pessoa em nenhum lugar. Esse é o momento de todos se unirem para garantir as mudanças que a nova gestão trouxe, e fortalecer mais ainda a sociedade civil de Nova Iguaçu para garantir as conquistas. Acho que a minha gestão foi boa para dar uma misturada, chacoalha e embaralhar o que era fixo. Acho que avançou o que começou. É muito bom ver gente com cara diferente. Teve gente com piercing a camisa de botão, trabalhadores, jovens a idosos;  de realizadores engajados a os que querem fazer filme de mercado. Teve de intelectual a pagodeiro, funkeiro. É isso o que eu acho de mais bacana: amistura. Essa é a potencia!

CulturaNi: Quais filmes que mais te impressionou no festival?

Faustini- No geral, sou apaixonado por “Recife Frio”, acho um filme contundente, e gosto de “O que vai ser?”.

‘Vai ser, foi e é’

por Nany Rabello


Na primeira vez que ele subiu ao palco faltaram palavras. Toda a equipe estava eufórica, se abraçando e sorrindo. Ele agradeceu muito e passou o microfone para outros que também desejavam agradecer. Da segunda vez que ele subiu ao palco já não havia nada a dizer. Dessa vez o abraço foi único, coletivo, e as lágrimas rolaram sem medo de tocar o chão. O microfone parou na mão do ator, que contou um pouco da história do grupo. E era nítido que Getúlio Ribeiro não acreditava ter ganhado os dois prêmios de sua categoria com o primeiro trabalho dele e do grupo.

O grupo, que ainda não tem um nome, mas tem a certeza de que não vai mais se separar, contou que se conheceu na Escola Livre de Cinema, de onde foram alunos, e depois de terminado o curso cada um seguiu seu caminho, até que alguns deles se reencontraram por acaso e resolveram ‘recrutar’ os outros para fazer um curta.

 
 
 
 
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