O CulturaNI está na rede para mostrar as ações da Secretaria Municipal de Cultura de Nova Iguaçu. Também acompanhamos os eventos e processos artístico-culturais em curso na cidade. O blog é inteiramente produzido por jovens ligados à SEMCTUR. ***Críticas e sugestões de pauta: culturani@ymail.com
Sábado à noite é dia de sair, namorar, dançar, conhecer gente nova, beber... Comportamento típico da juventude atual. Mas no último sábado, o ponto de encontro de uma galera lá de Comendador Soares foi outro: a Paróquia São Francisco de Assis.
Às 21h, um grupo de jovens já estava reunido na igreja, preparando-se para o início da Vigília de Pentecostes, que começaria às 22h e só terminaria às 6h30 do dia seguinte.
No catolicismo, Pentecostes é 50° dia após a Páscoa, onde se comemora o envio dos sete dons do Espírito Santo de Deus aos apóstolos. Nesta noite, a igreja se reúne e celebra este acontecimento, eternizando-o e revivendo o que os discípulos de Cristo viveram há mais de dois mil anos.
Quinta-feira, 20 de maio de 2010. Cheguei ao Espaço Cultural Sylvio Monteiro às 16h, duas horas antes de o evento iniciar. Minha chegada cedo era para acompanhar a movimentação das pessoas para organizar o evento. Vários artesões estavam montando suas tendas para expor seus trabalhos de colares provenientes de cultura africana. Outros estavam com lindas roupas usadas dentro de toques de candomblé. Logo que vi uma barraquinha com um fogão, achei que seria vendido acarajé. Meus olhos brilhavam, porém logo em seguida, descobri que não era acarajé e sim doce de leite.
Pessoas conhecidas dentro do universo afro-brasileiro aqui no Rio de Janeiro passeavam pelo pátio do local à espera do início do evento. Um deles era o Babalawo Ivanir dos Santos, presidente do CEAP e organizador da comissão de intolerância religiosa, que deu inicio à caminhada de intolerância religiosa, que chega a sua 3º edição este ano, na orla de Copacabana. Todos estavam ali para prestigiar a aula inaugural do processo de introdução à história da África e línguas: Kimbundo e Yorubá.
Era uma quinta-feira, às nove da manhã, e eu ouvi alguém dizer que sabia que aquele seria um dia bom. Foi nesse exato momento que cheguei à Carceragem de Nova Iguaçu. Ia acompanhar a Oficina de Teatro Institucional, aplicada por Jitman Vibranovski e Paulo Antunes na 52° DP.
Faz dois anos que esse projeto estava para ser implantado aqui em Nova Iguaçu. No inicio de tudo, eles foram até as celas e explicaram como seria, e convidaram a todos para participar. A maioria disse que parecia ser muito legal, mas estava torcendo para não estar lá para participar das oficinas. Hoje a história é diferente. Quem é liberado já sai pedindo autorização para continuar fazendo as aulas, tamanha a paixão despertada neles.
Jitman ainda se lembra discurso do primeiro dia. “Não somos pastores, nem advogados, não estamos aqui para saber quem fez ou deixou de fazer o quê, nosso trabalho não é esse. Viemos fazer teatro. E esperamos que vocês também façam.” Como o trabalho com eles começou no dia 1° de Abril, o dia da mentira, o primeiro exercício foi convencer os atores de uma mentira que eles quisessem contar. E assim começou a magia do teatro.
Agora, já no sétimo encontro dos doze previstos pelo convênio entre o Teatro Institucional, a Secretaria de Cultura de Nova Iguaçu e o MinC, não são apenas cinco os presos que entram na tão querida sala de teatro da 52° DP: são doze. Os próprios detidos convidam-se para assistir e participar da oficina. “É um momento de escape. A gente pode ser tudo o que quiser e falar sobre tudo, sem ser julgado”, conta um dos detentos.
O solo firme das comédias românticas sempre foi o clássico "boy meets girl" - o "menino conhece menina". Que sempre funciona muito bem, mas acaba por caracterizar de forma errônea muitas produções do gênero. Com isso, o final é previsível – e tendem basicamente para dois tipos de desfecho: o primeiro é o clássico “felizes para sempre” e o segundo é o casal seguir destinos diferentes.
500 Dias com Ela ((500) Days of Summer) segue fielmente o paradigma, mas o subverte a ponto de se distanciar de ser rotulado como mais uma obra produzida pela colcha de retalhos da padronização. Levando os espectadores para uma experiência nova - sem ser ímpar.
O espaço Silvio Monteiro se tornou palco para o 5° circuito mix de esquetes, realizado pelo projeto Fama, esse espetáculo fez com que o publico mergulhasse ainda mais no mundo teatral. No dia 23, domingo, foi o encerramento do circuito onde houve homenagens ao “Pai do teatro brasileiro”, Sérgio Brito e a uma das maiores atrizes da dramaturgia brasileira, Zezé Mota.
Após a apresentação das marcantes esquetes, “Natal de repente”, “O Jantar”, “Meio Dia”, “A Roxa”, “Bilhete da sorte”, “Doce Ilusão” e “Em nome da liberdade”, Além de Zezé Mota e Sérgio Brito também foi homenageado um dos produtores do evento, Alexandre Gomes, que se surpreendeu com o bonito gesto de sua equipe.
A dança de Adilson Dias abrilhantou a noite e presenteou as estrelas homenageadas, cada uma levou um quadro retratando a apresentação que tanto os emocionou.
O momento mais esperado da noite chegou, a premiação. Como atriz revelação (Vanessa Fortini), melhor ator (Léo Castro), melhor atriz (Paula Pardon), melhor direção (Meio Dia), melhor texto (O Jantar), premio de jure popular (Meio Dia e O Jantar).
O evento não só estava lotado de pessoas como também de muita emoção e animação, afinal, não é todos os dias que se faz um tributo ao teatro brasileiro ao mesmo passo que se revela novos talentos, como por exemplo, o talento visto em “Bilhete da sorte” que ganhou o 3° lugar, em “Meio Dia”, ganhador do 2° lugar ou na incrível atuação das meninas da esquete “A Roxa” que depois de surpreender todo o circuito, levaram para casa o troféu de 1° lugar recebido das mãos do próprio Sérgio Brito e também a linda musica “Minha Missão” cantada por Zezé Mota.
O circuito foi marcado por gestos, sorrisos, olhares e palavras como as de Amir Haddad: “É o espetáculo que organiza o mundo e não o mundo que organiza o espetáculo”
Palavras de Sérgio Brito: “A cultura anda abandonada, mas o que me faz acreditar é saber que aqui em Nova Iguaçu ainda existe vocês.”
E isso tudo tornou o 5° circuito mix de esquetes um evento inesquecível.