Dois tanques de guerra

sábado, 27 de novembro de 2010

por Josy Antunes

Hoje eu vi dois tanques de guerra. Às 10 horas da manhã, impregnados nas minhas retinas, já estavam duas grandes, verdes e pontentes máquinas de destruição do exército brasileiro. Soldados, tanques e policiais se espalhavam no trajeto minha casa x minha escola. Belford Roxo x centro do Rio. Queria não ter saído de casa. O medo me fez pensar assim. Não tendo jeito, saí, carregando o mesmo medo que preferia ter ficado debaixo de uma coberta. Saí pra me deparar com os dois tanques de guerra. Assim, ao vivo e em prontidão, museu nenhum tinha mostrado. Mas nós vimos - eu e meu medo. Na escola, um quase vazio. Ouvi de uma colega, horas mais tarde, que o caminho "até que estava tranquilo". E eu disse: "vi dois tanques de guerra". Tanques de guerra ela também viu e comentou: "me assustei, até que lembrei: o Rio está em guerra".

Dia tranquilo

por Marcelle Abreu

Era um dia normal e tranquilo em Caxias, até que alguém chegou na sala gritando: “Gente, vai ter arrastão”. Eu ri, só podia ser boato. Pouco depois mais notícias, tiroteio na Penha. É, a situação estava esquentando e eu longe de casa.

Desço o viaduto correndo, só queria pegar o ônibus e chegar em casa. Quando olho a placa no ponto um papel informava: ônibus só até as 21h. Suspeita de ataque.

Meu coração disparou, entrei no ônibus e fechei os olhos. A única coisa que me restava naquele momento era rezar para que tudo ficasse bem e eu chegasse em casa.

Uma peça pra chorar

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

por Yasmin Thayná e Amanda Duque


    Leandro Santana interpreta Antenor. Retirada do álbum de fotografias do Centro Cultural Queimados Encena

Nesta sexta feira, o Baixada Encena exibiu ao público do Sylvio Monteiro pontualmente às 20 horas a peça "Qual a idade é a melhor idade," da Companhia Teatral Queimados Encena. A companhia é um dos braços do Centro Cultural Queimados Encena, criado pelo ator Leandro Santana.



Cidade maravilhosa

por Luciana Baroni

Rio de Janeiro, cidade maravilhosa... maravilhosa? O que pode ter de tão maravilhoso nestas favelas, nestas crianças que deveriam estar estudando e estão se matando, se drogando, se prostituindo? Achar o Rio uma cidade maravilhosa no meio deste caos seria covardia. Os traficantes fazem o que querem, pois a “cidade maravilhosa” é dentro de um país onde só há impunidade. Estudar, fazer uma faculdade, de repente virou fora de moda e hoje em dia, quem não se droga, como eu, é careta! Pois sou careta sim! Esse mundo de hoje é e sempre será o mundo dos fracos e ignorantes, que preferem usar a total ignorância como desculpa para não ir á luta e serem pessoas de bem. Enquanto houver políticos corruptos, gente sem o menor escrúpulo no poder, que nós colocamos, nós votamos, haverá violência, impunidade, drogas e corrupção.

Prova de fogo

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

por Jéssica de Oliveira


O post ficará sem foto porque não quero ficar olhando pra uma imagem de violência toda vez que acessar o blog. Não merecemos.

Primeiro escolhi o título, depois percebi o quanto ele se encaixa na situação que o Rio de Janeiro se encontra.

Ontem, fui ao Flamengo para fazer a cobertuda do 1° Encontro Cidade & Cultura morrendo de medo. Muito medo. Tentei não pensar muito no assunto, mas não tinha jeito de escapar dos meus próprios devaneios. Esse Tsunami de incêncios, roubos, arrastões e tiroteios me trouxe muita tensão.

Na ida, qualquer engarrafamentozinho me tirava do sério. Na volta, estava tão nervosa, que para não abrir a porta da van e sair correndo aos prantos, reclinei a poltrona e resolvi dormir. Minutos depois, acordei e vi qua ainda estava parada e então pensei "prefiro sonhar do que ficar com maus pensamentos na cabeça" e assim fiz.

 
 
 
 
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