Retratos da vida

terça-feira, 5 de abril de 2011

por Fernando Fonseca

Alegrias, tristezas, lembranças, memórias e nomes. Conquistas, idades, valores, significados e pensamentos. Tantas coisas perdidas, esquecidas ou ocultas em uma fotografia. Momentos registrados aos quais jamais serão contados em sua totalidade por quem os presencia. Contudo, estão ali, prestes a serem decifrados, relembrados, interpretados. É neste mundo de interpretações que vive Carlos da Silva Rodrigues.

Folclórico personagem de Nova Iguaçu, fotógrafo há mais de trinta anos, Carlos é funcionário da mais conhecida loja de fotografias de Comendador Soares, em Nova Iguaçu, a Loja Objetiva. Nascido e criado em nosso município, nosso personagem carrega em seu rosto e em seu discurso as marcas do peso e da paixão de se viver no mirabolante mundo da fotografia, em pleno século XXI. “Trabalho aqui há mais de cinco anos e, há três, trabalho com câmera digital. Os recursos da câmera digital são melhores, sem dúvida, entretanto, mudanças nunca são simples. Trabalhamos, especialmente, com fotos 3x4 e venda de películas para câmera fotográfica analógica”.

Quem tem medo da intimidade?

domingo, 3 de abril de 2011

por Saulo Martins


Sempre me interessei pelas relações humanas. Pra mim são, e sempre foram, muito interessante os laços que as pessoas criam baseados em palavras, ações e sentimentos. Esse interesse é um ingrediente importante quando eu procuro algum filme ou livro, e talvez tenha sido esse o motivo da minha identificação com Quem tem medo de Virginia Woolf? (Who's Afraid of Virginia Woolf?, 1966), do diretor Mike Nichols.

Logo no seu primeiro longa-metragem, Nichols conseguiu a façanha de ser indicado para todas as categorias do Oscar que ele poderia, vencendo cinco (Melhor atriz [Elizabeth Taylor], Melhor atriz coadjuvante [Sandy Dennis], Melhor Fotografia Preto-e-branco, Melhor figurino preto-e-branco e Melhor direção de arte preto-e-branco). É quase possível comparar o filme e o diretor com Orson Welles e seu filme de estréia Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941), indicado para sete categorias do Oscar e considerado o filme mais importante na história cinematográfica. As duas obras têm uma importância histórica e qualidades inovadoras, dignas das suas indicações ao Oscar.

Um apaixonado pela vida

por Marcelle Abreu

6 de outubro de 1989. Nasce um bebê lindo e saudável e que recebe o nome de Joaquim Tavares Junior. Nome forte segundo sua mãe Suenin Tavares, além de ser o mesmo nome de seu pai, porém esse poderia ser trocado caso Joaquim não gostasse. Ele gostou e nunca teve problemas. “Fora a diretora do colégio onde estudava que cantava uma musiquinha que não me recordo muito bem e as pessoas que falavam que era nome de velho, nunca me importei. Respondia que ninguém nasce com 50 anos, não é verdade?", conta ele, hoje com 21 anos e dono de uma autoestima elevada de contagiar a todos ao seu redor.

Joaquim foi uma criança gordinha e que se destacava por sua inteligência, que lhe rendeu até umas boas palmadas. Aos dois anos, desenhou numa folha uma lata e ao lado escreveu LATA e logo tratou de chamar sua mãe para ver o feito, porém essa não acreditou que tivesse sido ele o responsável pelo desenho e muito mais ainda da associação do nome com objeto. Antes de pedir que refizesse, brigou com ele e lhe deu umas boas palmadas. “Ela perguntava quem havia feito e eu respondia que tinha sido eu, mas nada a fazia acreditar. Apanhei por isso e só depois que ela resolveu pedir que eu fizesse de novo que se orgulhou e me encheu de beijos. Ser inteligente nesse caso foi algo ruim”.

Mínimos detalhes

por Juliana Portella

Nos seus cinco anos de atividades, a Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu vem mudando a vida de jovens e crianças através do audiovisual. A Escola, que era mantida pela prefeitura desde o ano de 2006, passa a contar com um aliado de peso para dar continuidade a seus trabalhos. Através de recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura (ICMS), a ELC ganha patrocínio da Petrobrás para dar continuidade ao sonho de investir na capacitação de crianças e jovens da periferia.

Palavra, corpo e território. É nessa trilogia que está focada a revolução no ensino audiovisual que propõe a Escola Livre de Cinema desde a sua formação, pelo cineasta, escritor e diretor Marcus Vinicius Faustini. A cada ano o ensino é baseado em uma metodologia. Em 2009, as produções basearam-se nos contos de Câmara Cascudo. Em 2010, os alunos tiveram o desafio de produzir um vídeo autorretrato, com apenas um minuto, sem poder mostrar o próprio rosto. Toda essa didática compõe a cena estética da escola . Este ano a metodologia é baseada na ficção. Sendo o cinema um retrato da realidade do mundo, com esse tema como principal, mundos inventados estão por vir.

O underground nunca vai morrer

sexta-feira, 1 de abril de 2011

por Dannis Heringer

Está na cara que os pernambucanos Keops e Raony são de longe a cara do novo rock no Rio de Janeiro, cidade na qual passaram a morar depois de uma passagem por São Paulo. Mas são poucas as pessoas que sabem que o primeiro contato com música se deu por intermédio da banda de Dudu Valle, um dos seis integrantes da banda Medulla. “Uma das minhas grandes inspirações quando toquei meu acorde foi o Dudu”, admite o vocalista da banda, que tem 23 anos. A convivência com artistas que tocavam a música da antiga banda de Dudu no rádio deixou-o cheio de esperanças.
Um dos maiores fenômenos da cena underground, a formação do Medulla teve como epicentro o estúdio que o Dudu tinha na Tijuca, também frequentado pelo baixista Rodrigo DaSilva, que na época tocava em uma banda de bossa e trabalhava com produção cultural. O guitarrista Alan Lopez estava sempre presente nos ensaios e na corrida da banda antes mesmo do primeiro CD lançado pela Sony/BMG. Já o baterista Daniel Martins tinha feito parte de uma banda quando os gêmeos eram pivetes.

 
 
 
 
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