Lembrancinha de pés pequenos

segunda-feira, 6 de junho de 2011

por Wanderson Duque

Quando conheci Hosana, meu primo Ramon já havia entrado no ônibus com um embrulho no bolso esquerdo do short camurça, que seria o motivo pelo qual ele levaria uma facada no braço por se recusar a entregá-lo a um assaltante, e eu era banhado pela garoa finíssima e a noite assustadora que abraçava Comendador Soares com o ímpeto de Saladino.

Ramon me deixou no ponto de ônibus desprovido de qualquer cobertura, enquanto eu pensava na possibilidade de ter tomado, junto com ele, aquela condução. O frio castigou o corpo até o momento que Jéssica e Giuseppe me presentearam com a sensação anestésica que foi contemplar o sorriso de Hosana, que se abriu gentilmente a mim como um botão de rosa. Uma menina tão branca quanto o leite em pó que eu misturava ao achocolatado Nescau nas manhãs cheias de dúvidas sobre minha decisão de fugir da casa de meus pais e ir morar com minha tia Lúcia. O rosto cheio de pintinhas lhe atribuía uma beleza a mais.

Seu nome ecoou na minha cabeça durante toda a noite. No dia seguinte, meu arquivo mental se abriu como um leque, e pude-me ver correndo no pátio de cimento batido e empoeirado da escola onde cursava o Jardim da Infância, gritando seu nome por causa de alguma brincadeira desses tempos pueris. Foi a primeira de muitas noites que passei acordado com o pensamento fixo na lembrança da beleza de seu carisma incontido e de seus pés pequenos.

Bullying virtual

domingo, 5 de junho de 2011

por Dine Estela

O que fazer quando seu filho de 9 anos mexe no seu Iphone com mais intimidade que você e já domina ferramentas como Orkut, Facebook e MSN sem deixar de ver e ouvir a TV e o MP3, mas ainda não tem malícia para se defender de ataques na internet. Estamos falando da “Geração Z”, que sucede a Y. Segundo estudos, as pessoas que nasceram a partir de 1995 têm essa agilidade para lidar com as novas tecnologias porque chegaram na era da World Wide Web (www). Como a grande característica dessa geração é zapear, para eles não importa as informações que estejam sendo passadas ao mesmo tempo porque só vão dar a devida importância ao que lhe interessar.

Diante desta realidade, a grande preocupação dos pais é com a segurança destes aventureiros que não medem esforços para conhecer novos horizontes e pessoas via internet, tornando-se vítimas frequentes de bullying e outras ameaças. Neste momento, é importante dialogar com os filhos para que não adicionem e conversem com pessoas estranhas, não passem informações pessoais pela rede e muito menos abram a webcan. No entanto, chegam diariamente à Delegacia de Crimes na Internet relatos de bullying e crimes de aliciamento de menores, restando a opção de controle dos pais oferecidos por vários softwares como o Norton Online Family e o AVG Link Scanner. Alguns provedores como a UOL também oferecem estas opções.

Terror nas escolas

por Dine Estela

Estudar sempre foi uma atividade difícil no Brasil e tem se tornado cada vez mais perigosa para os moradores de algumas localidades. Como já não bastasse a falta de condições que perpetua a prática do “cuspe e giz”, ainda tem a questão da violência dentro e fora da escola. A lista é grande e vai da bala perdida em algumas comunidades ao psicopata sexual que cerca os alunos no caminho.

Há pelo menos dois meses os moradores de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, estão perdendo a paz com os ataques constantes de um tarado que já atacou vários alunos nos horários de entrada e saída da escola. Há duas semanas, uma menina de 17 anos foi atacada ao descer do ônibus ao voltar da escola, por volta das 13h. Na semana passada outra menina de 12 anos chegou a ser perseguida no Parque Jupiara.

Deixa pra lá

por Emerson Menezes (foto) e Jéssica de Oliveira (texto)



Na fria tarde desse sábado, 4 de junho, a Superintendência de Igualdade Racial do Governo do Estado do Rio de Janeiro realizou um seminário no tradicional Colégio Leopoldo, em Nova Iguaçu, cujo objetivo era promover uma discussão sobre o extermínio da juventude negra no estado fluminense.

O superintendente Marcelo Dias cita números que apontam o grande índice desse massacre da juventude, em especial, a negra: “O Rio é o quinto estado do país com mais mortes de jovens de 15 a 29 anos, atrás somente de Espírito Santo, Pernambuco, Alagoas e Distrito Federal. Essa vitimização da nossa juventude negra é muito grande”.

Rei por dois meses

sexta-feira, 3 de junho de 2011

por Josy Antunes


Da Central do Brasil até a Candelária, seguindo pela Avenida Presidente Vargas, existem cerca de oito vendedores de tapioca. Cada vendedor trabalha atrás de um carrinho de alumínio, adesivado com variadas possibilidades de sabores e preços, que geralmente vão de R$2,50 a R$4,50. Com o menor valor, compram-se sabores tradicionais como presunto com queijo. O mais caro oferece carne seca ou peculiares misturas doces.

Os vendedores de tapioca competem com os carrinhos de amendoín torrado, batata frita e churros. Alguns "tapioqueiros" fazem pequenas mutações em seus carrinhos, de forma a dividir espaço com outro tipo de alimento. É comum ver carrinhos de tapioca/churros, por exemplo. Com o cair da tarde, todos os ambulantes competem ainda com a cerveja com karaokê dos botecos. O desafio da massa de trabalhadores que ruma para a Central é chegar ao seu destino sem ser vencida pelas doces e salgadas tentações.

 
 
 
 
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