Lado cômico da arte

sábado, 17 de outubro de 2009

por Camilla Medeiros

Depois de vários anos funcionando apenas com patrocínio privado, o grupo Somos a arte tirou a sorte grande com os editais de cultura da Prefeitura da Cidade de Nova Iguaçu: ganhou um pontinho de cultura e foi contemplado com o Fundo Municipal de Cultura Escritor Antonio Fraga. O projeto no segundo edital, Malabares nas Escolas, foi o primeiro a ser colocado em prática entre os cerca de 30 ganhadores.

“Esse projeto teve ótima aceitação por todas as escolas que passamos, e isso nos surpreendeu bastante”, conta Mozart Guida, gerente executivo da Ong CPOVS (Centro de Preocupação e Organização com a Vida). O Malabares nas Escolas, que contou com a participação de mais de 15 malabaristas, passou por diversas escolas de Nova Iguaçu durante o mês de setembro, ensinando para crianças e adolescentes essa vistosa arte circense.

Revire sua noite!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

por Josy Antunes  

Apaixonados por poesia, teatro, música e artes plásticas têm hoje um destino certo: O “Revira João”, que acontecerá a partir das 19 horas no SESC de São João de Meriti. Participarão do evento Dani Francisco, Helen Paredes e Tubarão, que integram o grupo “Distraídos depois das 5”. “A nossa proposta é construir um espaço onde diferentes linguagens artísticas tenham seu espaço de expressão”, conta Helen.
O “Revira”, que nasceu em meados de 2008, traz ainda o momento “Revirando Poesia”, que dá vez para que o público participe com declamações. “É também uma ação artística que propõe reunir artistas da Baixada e da cidade do Rio de Janeiro, promovendo o intercâmbio de fazeres e produtos culturais”, complementa a organizadora. Prova disso é que, nessa edição, haverá a apresentação do grupo teatral Quatro M4, de Duque de Caxias. De Belford Roxo virá a atração musical atribuída à banda Mazé. E ainda, as intervenções do poeta Valdemir Costa, de São João de Meriti e do músico Rodrigo Drops. Além das atrações, haverá a distribuição de zines, contendo poesias de diversos artistas.

A caçula das pré-conferências

por Josy Antunes  

Quinta-feira, 15 de outubro, 19 horas. Entre grafites e instrumentos musicais, numa espaçosa sala da Escola Livre de Música Eletrônica, na Cerâmica, um grupo de mais de 30 pessoas está reunido em círculo, discutindo as relações dos moradores com a cultura local. Chegando ainda mais perto, podemos ver uma menina com aparência muito jovem, camisa laranja, óculos e flor no cabelo. Ela se apresenta como Yasmin, aluna da escola. Ao lado da mãe, a menina passa a observar com atenção a cada pessoa que toma a palavra, com um olhar de quem pretende absorver tudo o que for dito.
É quando Écio Salles convoca o pesquisador Antônio Lacerda, para fazer uma breve dissertação sobre a história do bairro, que a atenção de Yasmin parece triplicar. Seu encantamento é tanto que ela empunha seu celular e passa a fotografá-lo com a pequena câmera do aparelho. A partir daí, todos os presentes passaram a estar na “mira” da menina, que se dividia entre observar e capturar imagens do encontro.

Branca de alma afro-brasileira

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

por Jefferson Loyola e Lívia Pereira

Só falta a greve dos bancos acabar para que o Afoxé Maxambomba possa selar a parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, pela qual a instituição comandada por Arlene de Katendê foi contemplada com três projetos nos editais públicos lançados no segundo semestre de 2008. O primeiro projeto a ser colocado na rua será Fomento à História da África, Língua Kibundo Yorubá, que, nos próximo seis meses, atrairá professores da rede pública interessados na implantação da Lei 10.639 para o teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro, no Centro de Nova Iguaçu. Depois disso, sua ong ministrará aulas de dança e percussão para 340 alunos nos dois pontinhos de cultura que atuarão na Cerâmica e em Caioaba, abrilhantando o convênio assinado entre o governo Lindberg Farias e o Ministério da Cultura que atenderá as crianças de 30 escolas da rede municipal de Nova Iguaçu.

O Afoxé Maxambomba também entrou no chamado Pontão de Cultura, uma outra parceria entre a Prefeitura e o Governo Federal, com oficinas afro-brasileiras em Vila de Cava. “Está tudo assinado”, comemora a líder do projeto, que foi criado em parceria com a Prefeitura da Cidade de Nova Iguaçu em 2002. Na entrevista a seguir, ela conta como sua ong se tornou uma das principais referências da Baixada Fluminense quando o assunto é cultura afro-brasileira.

Como e quando surgiu o Afoxé Maxambomba?
O Afoxé Maxambomba era um projeto do mestre Azulão, mas, como já estava envolvido com seus trabalhos de capoeira, ele pediu para que eu ficasse à frente do grupo. O nome foi discutido em reuniões de diretoria, tudo em parceria com a Prefeitura, mas na gestão passada. O “afoxé” é por se tratar do famoso candomblé de rua, manifestado por música, dança e coreografia. Já o “Maxambomba” é por ter como palco de seu desenvolvimento a cidade de Nova Iguaçu. Mas o Afoxé Maxambomba, ao contrário dos afoxés tradicionais, se destina a todo e qualquer público, não há distinção quanto à religião, inclusive há no grupo pessoas católicas, pessoas que nem têm religião. Para participar, basta que se admire a cultura afro.

Melhor que chocolate

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

por Lívia Pereira

Estagiária há um ano e meio do Bairro-Escola, Patrícia Endringer começou sua relação com a Escola Municipal Monteiro Lobato assustando-se com o número de alunos em sua turma. Mas logo percebeu que os professores têm métodos interessantes e anticonvencionais para resolver os problemas de comportamento que surgem. Um dos que mais chamou sua atenção foi “método do chocolate”. “Um professor lecionando para uma turma que fazia muita algazarra ofereceu chocolate para que os alunos ficassem quietos’, lembra ela, que não aderiu à ideia com receio de estourar seu orçamento.


Também foi no início dessa experiência que ela percebeu o que na sua opinião é um dos maiores problemas enfrentados pelas crianças (e por extensão para ela) era a interpretação de textos, que leva a quedas vertiginosas no rendimento de qualquer turma. Iniciou então práticas de ensino subjetivas que trouxeram mudanças significativas em seus níveis de interpretação textual (literária e de mundo). “A interpretação de músicas como “Que país é esse?” permitiu que a turma refletisse sobre “sujeira em favelas” e “sujeira no senado” como coisas tão iguais na escrita e tão diferentes no significado”, conta a estagiária.

 
 
 
 
Direitos Reservados © Cultura NI