Frio a 65°

domingo, 18 de abril de 2010

por Jefferson Loyola e Tony Prado


Crítica 65° N
Um brasileiro documentando a memória de pessoas a 65 graus norte, na Islândia. O curta metragem “65° N”, dirigido por Lucas Gerville, mostrou entrevistas de várias pessoas na cidade e dados da vida de cada uma, trazendo a cultura da Islândia, que é muito diferente do nosso maravilhoso calor brasileiro, para as telas do III Iguacine .

O cinegrafista entrevista um senhor, apelidado de “O velho”, que lhe mostra um álbum de fotografias com imagens do festival que ocorre na cidade, chamado de Dia do Peixe. Durante este evento, que é aberto pelo padre, todos da cidade comparecem para quebrar o gelo e com isso pescar. Ocorre também uma disputa entre quem traz o maior peixe, sendo que todos têm o hábito de comprar agasalhos novos para o dia. “Este rapaz comprou um terno novo no dia do festival”, disse o senhor no curta, apontando para a foto de um jovem no álbum.

Atitudes extremas

por Mauro Vasconcellos

Crítica Vela ao Crucificado

O filme apresenta o velório de um menino realizado em família, seguido do sepultamento deste por seu próprio pai, sem qualquer ajuda ou apoio de nenhum perente ou amigo.

No decorrer do processo velório/sepultamento, questões sociais e culturais são levantadas pelas personagens, como a descrença no ser humano e os conflitos religiosos por que passam as pessoas que se veem submetidas a todo o tipo de privações, bem como as consequências de tais privações, que levam as personagens a tomarem atitudes extremas.

Um breve relato de um drama que é fruto das más condições de vida no interior do Maranhão, um retrato do cotidiano do sertanejo brasileiro e um final forte e perturbador, além da excelente interpretação de Auro Juriciê (ganhador do prêmio de melhor ator desta edição do IGUACINE) tornam “Vela ao crucificado”, de Frederico Machado, um filme que merece ser apreciado.

Se roubaram os sonhos, devolveram a esperança

por Marcelle Abreu e Tony Prado

Numa demonstração fiel à imagem da rotina de adolescentes nas comunidades do Rio de Janeiro, o longa “Sonhos Roubados” realmente “roubou” a atenção dos espectadores do III IGUACINE, dramatizando a história de três jovens em suas complexas vidas, sob a direção de Sandra Werneck, deixando a todos, espectadores e cooperadores, deslumbrados com o filme.

Saindo completamente do clichê pobreza, violência e sexo, "Sonhos Roubados" apresenta um ponto de vista mais feminino, sensibilizando e focalizando o drama das jovens. “Foi maravilhoso mesmo com o tema triste. Foi feito por meninas e dirigido por meninas. Tem toda uma sensibilidade”, comenta Amanda Diniz, atriz do longa. E realmente foi necessário muitos toques femininos, já que as mulheres são as maiores vítimas da violência e da prostituição. “O mais difícil em fazer o filme foi saber que é uma realidade. Eu sofri não em fazer e sim em ter mais conhecimento, saber que realmente acontece isso”, declarou Amanda.

Ave em extinção

por Marcelle Abreu

Crítica Áurea
Um curta que mistura ficção e documentário, que surgiu a partir de uma noite num bar em que o diretor Zeca Ferreira havia ido curtir. Tudo mudou ao se deparar com Áurea, que, para muitos, é uma cantora anônima, mas, para ele, uma curiosidade. O curta foi inspirado na verdadeira Áurea.“Ela é como uma ave em extinção no universo da noite”, diz o diretor. “Ela é uma cantora que mesmo não tendo reconhecimento faz seu papel como ninguém”.

Como muitos bares no Centro do Rio, não há camarim onde ela se apresenta. A maioria dos cantores noturnos, inclusive Áurea, tem que se arrumar em qualquer canto, até mesmo na cozinha. “A noite é uma escola, você trabalha com as pessoas e o clima que tiver na hora, não há roteiro, é preciso saber fazer. E eles também têm a obrigação de fazer de maneira que agrade o público, que é pequeno porém fiel”, afirma.

A morte é fotogênica

por Tuany Rocha
Crítica Último Retrato


E prossegue o III Iguacine, uma festa da consagração à arte com inúmeros trabalhos surpreendentes. Um belo exemplo foi o curta exibido na tarde desse último sábado, “Último Retrato”, do escritor, artista, professor e diretor Abelardo de Carvalho.

O filme fala da morte de uma forma inovadora, onde em apenas sete minutos 12 crianças mortas são retratadas pela visão artística do fotógrafo Juca Pereira no inicio do século XX. Após a apresentação de seu filme nesse 3º dia de Iguacine, Abelardo nos falou um pouquinho da sua obra.

 
 
 
 
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