por Wanderson Duke
Manto de preocupações, colcha gigante de retalhos das possibilidades e uma legião de adultos preocupados com a forma de trabalho da cultura nas escolas: Todos os ingredientes perfeitos para a III Conferência Municipal de Cultura que está ocorrendo em Nova Iguaçu.
Mas, em meio a tantos dilemas existencialistas e propostas de dinâmicas da cultura na cidade, uma história de amizade entre duas crianças e amor aos livros se forma no segundo andar do Espaço Cultural Sylvio Monteiro: Waldemir Junior, 9 anos, aluno da Escola Estadual Machado de Assis, em Mesquita, e Samira dos Santos, 8 anos,aluna da Escola Estadual Arco-íris,em Caioaba, Nova Iguaçu.
Ambos estavam descortinando a magia dos livros ali mesmo, na biblioteca do Sylvio Monteiro, compartilhando ambos a amor pela leitura.
Samira conta que seu contato com os livros vem desde cedo, que contou com a ajuda de sua mãe para desenvolver sua paixão pela leitura. “ O primeiro livro que li foi ‘O Menino Maluquinho’, do Ziraldo, quando tinha apenas 5 anos. Adorei”, conta a empolgada Samira. A menina veio acompanhada pela avó que, segundo a ela, sempre foi envolvida com cultura na cidade e suas mais variadas formas artísticas.
Já com Waldemir a situação é um pouco diferente. O interesse pelas obras literárias o segue desde berço, segundo conta sua mãe, Leoneida Rosa dos Santos, sua grande incentivadora nessa grande trajetória que ele tem pela frente. Leoneida é atriz há cerca de dois anos.
“Ela sempre me incentivou a ler, mesmo antes de trabalhar com teatro. Depois que ela fez a peça ‘A invasão’, meu interesse aumentou", diz Júnior, cuja leitura preferida é 'A Turma da Mônica', de Maurício de Souza. “Não gosto de Homem-aranha nem do Superman", afirma, para acrescentar em tom patriótico. "Os melhores gibis e as melhores histórias são nossas”.
Samira e Waldemir lamentam o fato de não haver bibliotecas em seus bairros, nem nas escolas em que estudam. “Se não fosse minha mãe comprando livros e gibis para mim, eu quase não leria nada”, diz Junior. “Se tivesse um biblioteca, pelo menos na escola, iria ser muito legal. Eu ia ler muito, muito mesmo. Principalmente ‘O Menino Maluquinho’, finaliza Samira.
Histórias de amor
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De mãos dadas
por Dariana Nogueira
Uma das 500 pessoas que participou da III conferência de Cultura de Nova Iguaçu foi Delmar José da Silva, que vem a ser o secretário de cultura de Mesquita. No cargo desde março de 2007, ele faz uma associação entre o evento e o momento singular pelo qual vem passando a Baixada Fluminense como um todo, no âmbito cultural especialmente. "A conjuntura é altamente favorável à Baixada desde que Gilberto Gil assumiu o Ministério da Cultura", afirma o secretário.
Embora reconheça a importância das mudanças implementadas nacionalmente, Delmar da Silva não deixa de reconhecer o surgimento de lideranças municipais eficientes no campo da cultura, que souberam traduzir para seus respectivos territórios as novas políticas nacionais. "As lideranças locais têm se mostrado eficientes em propor políticas satisfatórias, aproveitando o momento favorável e potencializando os movimentos culturais locais."
O secretário aponta para certa uniformidade nos municípios da Baixada. Como há uma identidade comum entre os territórios, é possível pensar em políticas regionais onde a Baixada inteira seja contemplada. Mas para isso é preciso que haja um diálogo entre os responsáveis pela implementação de políticas culturais na região. "Municípios como Caxias, e sobretudo Nova Iguaçu, alcançaram avanços significativos do ponto de vista sistêmico no que diz respeito ao desenvolvimento cultural, mas havendo diálogo intermunicipais é possível estender esses avanços aos demais municípios".
Delmar da Silva acredita que as conferências municipais de cultura são o palco por excelência para o diálogo preconizado por ele, e não foi à toa que fez questão de marcar presença no Espaço Cultural Sylvio Monteiro no dia de hoje: "Eu tenho participado de diversas conferências, justamente por acreditar no diálogo, na interatividade entre municípios distintos, etc. Mas a realização da conferência é essencial porque é o momento onde a organização e a sistematização do movimento cultural são pensadas, discutidas e ampliadas, contando com a participação de todos, que é o mais importante."
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A voz de Cabuçu
por Edson Borges Vicente e Fernanda Bastos
Nádia Luiza Filgueiras Ponciano, 26 anos, é professora do primeiro segmento do ensino fundamental há oito anos na escola. Estudante de matemática da Universidade Federal Rural de Nova Iguaçu, ela é a coordenadora de aprendizagem e tem a responsabilidade de organizar as ações da equipe de mediadores da escola. Convidada pelos mediadores ela veio à conferência para aprender. “Tenho muito contato com a SEMED. Vim para ficar por dentro do que está se discutindo na cultura. Isso é importante para potencializar meu trabalho com os mediadores” ressalta ela.
Dos cinco mediadores que acompanham a coordenadora, três são estudantes de Letras: Alessandra Aparecida Souza de Paula, 26 anos, trabalha com oficina de jornal há seis meses com crianças de 7 a 12 anos. Carlos Vinicius Moreira Assis, 21 anos, faz o mesmo e ainda desenvolve oficinas de técnicas de redação no ‘Escola Aberta’ da mesma escola. Já Carmem Inês Bispo, 32 anos, ajuda as crianças na árdua aprendizagem matemática.
Um casal muito interessante finaliza a composição do grupo de agentes culturais. Trata-se de Elisângela Melo, conhecida pelos jovens do Projovem como ‘ Fofão’, desde que trabalhou no projeto Minha Rua Tem História no ano passado no Abílio. “Fofão”, juntamente com seu esposo Odil Fonseca Barreto, trabalha com oficinas de banda. Odil ainda dá aulas no Brasil Alfabetizado e é parceiro do Bairro Escola. Os dois fazem parte do Pontinho de Cultura “Cultura Viva nas Comunidades”, que assistirá 280 alunos do 6ª ao 9ºano na Escola Municipal Profº Leonardo Carielo de Almeida, em Lagoinha.
Para Alessandra, conhecer as propostas também é importante e algo que a conferência proporciona. “Entramos em contato com pessoas com experiência na área da cultura”, afirma.
Odil apresenta a proposta do grupo que trata da escolha dos mediadores, dando oportunidades aos moradores dos bairros. Assim como ocorreu no concurso para agentes de saúde, onde os candidatos deveriam residir na área pretendida, os mediadores devem ser escolhidos na localidade. “Cada local deve ser trabalhado pelos próprios moradores. Assim, além de gerar oportunidades para todos, não teremos problemas com questões de segurança. Pois, uma vez sendo moradores do bairro fica mais fácil para os mediadores atuarem. Não tem esse negocio de ‘aqui não pode entrar por que é perigoso’. Desse modo haveria produção cultural em todas comunidades. Essa é a voz de Cabuçu” explica.
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Revolução híbrida
por Josy Antunes
Em um discurso carregado de emoção, Ana Lúcia Pardo – a representante do Ministério da Cultura – trouxe para o teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro, onde está acontecendo a III Conferência Municipal de Cultura de Nova Iguaçu, um pedaço do que foi a 1ª Conferência Cultural de Belford Roxo, cidade vizinha, onde também esteve presente. Os encontros aconteceram em quatro dias, os dois últimos, 15 e 16 de outubro, na Câmara Municipal. O momento de pura emoção teve seu início em reuniões anteriores à conferência, quando Dida teve a ideia de congregar, num limite de tempo de vinte minutos, as manifestações artísticas da cidade. A “primeira lida", a tarefa pode parecer fácil, mas quando passa-se a enumerar a quantidade e diversidade dessas manifestações, a visão torna-se totalmente contrária. “Nós tivemos poesia, teatro, dança e música. Teve uma orquestra de berimbau, vários atabaques – uma coisa mais tribal - , bateria, baixo, teclado – que são instrumentos mais sofisticados, mais fáceis de se ver, normalmente – e tivemos também a inserção de música gospel”, relaciona o artista.
O primeiro desafio foi encontrar pessoas que estivessem dispostas a encarar o experimento. Depois – e talvez num grau de dificuldade maior – era preciso agrupar todos para os ensaios. “Eu tive uma tarefa árdua de reunir todos. Ensaiamos pouquíssimas vezes, mas sempre separadamente. Não consegui reunir o grupo todo”, conta Dida. Entretanto, os contratempos não impediram o sincronismo apresentado na conferência. “Ele regendo aquilo tudo, eu fiquei encantada, emocionada”, confirma Ana Lúcia Pardo, lembrando sua fala em reação ao que tinha acabado de observar: “Essa mistura dos diversos tipos de música que está acontecendo aqui, essa hibridação, tem que significar pra nós, gestores públicos, privados, poder legislativo, executivo e sociedade civil, um exemplo de sinergia, que é isso que a gente está buscando no sistema nacional de cultura”. Marcadores: Conferencias, Josy Antunes
Minha primeira conferência de cultura
por Lívia Pereira.
Uma colcha de retalhos bem diversificada se estendeu sobre o domingo ensolarado no Espaço Cultural Sylvio Monteiro. Diversos rostos, coloridos, sorrisos, expressões, enfim, presentes nos artistas, entidades, estudantes, cidadãos em geral.
Em meio a tanta diversidade, caras novas deixam no ar uma pergunta: o que as trouxe aqui? Que inquietações provocaram a vinda dessas pessoas? Tentando responder a essas perguntas, hora de lançar a dúvida em quem pode saná-la.
Estudante de Letras, cursando o 6º período da faculdade, moradora de Nova Iguaçu, Grace Silvério conta que a curiosidade a tirou de casa. "Uma amiga da faculdade me ligou e falou sobre a conferência. Como eu estava em Nova Iguaçu, passei pra dar uma olhada." Além disso, seu interesse cresceu por ter vários amigos envolvidos com música e teatro: "Quero levar a eles essas informações. Será que ainda dá tempo de eles participarem?"
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