por Josy Antunes
Eles estiveram presentes nas sete pré-conferências de cultura, de forma constante e participativa. Munidos de papéis, canetas e gravadores, não deixaram que sequer um ator social fosse embora sem passar por seus registros. Parte do resultado pôde ser conferido na abertura da III Conferência Municipal de Cultura, num vídeo apresentado no telão do teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro, onde mais de 100 pessoas puderam se reconhecer nas fotos, frases e perfis exibidos.
Quem acompanha de perto os frutos da inserção da juventude na Secretaria de Cultura de Nova Iguaçu, já identifica que o trabalho provém de um grupo diferente dos jovens repórteres, que alimentam o conteúdo do blog Cultura NI: são os pesquisadores. O grupo, atualmente com cerca de 30 membros, desdobrou-se para que cada participante dos encontros pelos sete bairros fossem identificados, sob a orientação da antropóloga Marcella Camargo.
Todos por um!
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Reinação pré-modernista
por Lívia Pereira
Não é difícil, por exemplo, encontrar no trabalho, na escola, ou até mesmo no trânsito, um "cara de coruja". Mas há quem diga que pode ser ainda pior se você encontra um "cara de corujíssima seca" atravancando seu caminho.
Monteiro Lobato, nascido em Taubaté, no Vale do Paraíba paulista, perdeu sua nacionalidade territorial e passou à mundial através de suas obras. Aproximou-nos de questões reais como o campo, a imaginação, a universalidade das histórias. Enquanto a maioria dos escritores da época falava sobre natureza tocando os pés na cidade, Monteiro Lobato pisava a terra para depois escrevê-la.
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Sugestões esporrantes
por Michele Ribeiro
As gargalhadas com o que viram na internet estimularam o grupo de amigos a improvisar eles próprios suas situações de amor. “Os amigos da escola gostaram das nossas cenas e resolvemos levar nossas brincadeiras para um teatro de verdade”, conta o mesmo Marcos Rossi, para quem é gratificante ver a plateia rindo.
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Café com riso
por Robert Tavares
Nomes importantes da cena cultural da Baixada marcaram presença, como Los Tchathos, Arcanjo e Mozart Guida. Mas não foram só as celebridades da região que foram dar uma bicada nesse café. "É tudo muito novo e encantador pra mim", disse Katzuki de Castro, uma moradora de Inhaúma que nunca tinha vindo à Baixada. "Eu sempre ouvi falar bem do movimento cultural em Nova Iguaçu e Mesquita, e agora eu posso afirmar que é verdade".
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Racismo na saúde
por Jefferson Loyola
Tendo como objetivo discutir os impactos do racismo na saúde, nas comunidades de terreiro, o SUS e a importância da divulgação da doença Anemia Falciforme na Educação, ocorrerá no dia 05 de novembro, quinta-feira, o primeiro Seminário Pró-Saúde da População Negra. Organizado pelo Centro de Integração da Cultura Afro-Brasileira (CIAFRO), o seminário será realizado na Sede da ong em Nilópolis, localizada na Rua Senador Salgado Filho, 818, Olinda.
O seminário contará com a presença de José Marmo da Silva, coordenador da Rede Nacional das Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, e de Ilka do Carmo, do Instituto Afro-Brasil Cidadão. A quantidade de vagas é limitada e as inscrições estão sendo feitas pelo telefone: 3761-3354/7837-3710 ou pelo e-mail: contato@portalciafro.org.br.
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Um palmo além do limite
por Hosana Souza
Joseane Cataldo, que os leitores deste blog conhecem como Josy Antunes, está projetando uma exposição fotográfica que remonta os anos de história das normalistas. Ela, que está participando do programa da UFRJ com mais nove colegas da Escola Livre de Cinema, escolheu o tema por causa das recomendações que ouviu ao longo de quatro anos, para que tivesse muito cuidado com o uniforme. Foi ao longo da pesquisa que essa jovem voraz, que praticamente não dorme para conciliar os horários da faculdade com cursos de cinema e as reportagens que publica aqui, descobriu que as gerações que a antecederam usavam também uma boina azul e uma jaqueta do mesmo tom.
O projeto de Josy Antunes, que já está concluído, mostrará todas as faces e fases das normalistas de nossa cidade, começando desde a época em que o público que optava pelo curso era majoritariamente masculino. “O mais difícil foi conseguir encontrar as fotos antigas, porque a escola não possui um banco de imagens. Então tive que buscar algumas pessoas que tinham fotos pessoais guardadas. Durante as minhas visitas ao IERP, também fotografei as atuais alunas e fiz algumas reproduções das fotos antigas”, diz ela, que está aguardando a leitura da banca avaliadora para fazer as alterações de praxe em trabalhos dessa natureza.
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Todo poder aos livros
por Larissa Leotério
O projeto partiu de um desafio proposto por Marcus Vinícius Faustini, o titular da SEMCTUR: fazer com que a biblioteca Cial Brito fosse mais que um lugar com livros para consulta e um eventual empréstimo. “Apesar de essa função ser fundamental, não atinge a cidade toda”, lembra Écio Salles, o braço direito do secretário.
A pretensão do ‘Livro Livre’ é acabar com o deslocamento até uma biblioteca e a burocracia inerente ao uso dos livros catalogados, ambos igualmente inibidores da leitura em uma cidade grande e pobre como Nova Iguaçu. “Nossa ideia é fazer com o que o livro circule pela cidade”, afirma Écio Salles, que lembra que o único compromisso de quem recebe o livro é, depois de lê-lo, deixá-lo em algum lugar onde outras pessoas possam aproveitá-lo também.
Écio Salles é um homem muito criterioso no uso das palavras, dando-se o trabalho de falar “estadounidense” no lugar de “americano” ou “norte-americano”, pois esses dois últimos termos englobariam tanto os mexicanos quanto os colombianos. Por isso, evita a expressão “doar livros”, ainda que em última instância seja isso o que acontece. “Insistimos na ideia de libertação do livro porque o livro é um objeto livre, que possibilita que as pessoas tenham acesso à cultura em quaisquer lugares e circunstâncias, sem burocracia.”
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Celebração do cinema
por Robert Tavares
• Visita à Universidade de Wildstone, de Ralph Smith.
• Monocelular, de Felipe Cataldo.
• Selva Urbana, de Emilio Domingos e Gregório Mariz.
• Funk-se 2.0, de Slow e Márcio Grafiti.
• Gaiola, do Cineclube Tupinambá.
• O que vai ser? de Getúlio Ribeiro.
• Bicho Lamparão, de Rodrigo Folhes e Rafael Mazza.
• Me Nina Vida - Adereços de uma Manhã de Carnaval, de Sabrina Bitencourt.
• Salomé, de Igor Cabral.
• Queimado, de Igor Barradas.
Para o grupo que organiza o cineclube, essa é uma noite especial, pois, além da honra de estarem sendo o primeiro meio de exibição dos filmes citados a cima, os realizadores dos curtas são amigos, o que dá um prazer a mais.
Nos seus sete anos de estrada, o Mate Com Angu já conta com mais de 25 produções no currículo e para celebrar os novos filmes, o grupo promete uma das suas super festas após a sessão para celebrar a noite.
Local: Lira de Ouro.
Rua Sebastião de Oliveira, 72. Centro, Duque de Caxias.
Mais informações em
http://www.matecomangu.com.br/ , pelo Twitter www.twitter.com/matecomangu ou pelos telefones 9288-3300 e 7601-6700.
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Conflito de gerações
por Michele Ribeiro
A maioria dos jovens reclama por sempre receber um “não” de seus pais como resposta, ainda que esses últimos sempre aleguem que estão agindo para o bem dos próprios filhos. “Minha filha Natane não me entende agora”, admite o professor Roberto Rocha, 45 anos. “Diz que sou chato e que gosto de deixá-la com raiva, mas quando ela for mãe vai me entender.”
Sua filha Natane é uma estudante de 16 anos, que muitas vezes acha que os pais não tiveram juventude, mesmo quando eles dizem que o mundo de hoje é muito diferente daquele em que viveram. “Me sinto presa por meus pais”, queixa-se a menina, para quem os pais são excessivamente conservadores e rigorosos. “Até parece que nunca sentiram vontade de sair, dançar e curtir com os amigos”.
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Folia da memória
por Camilla Medeiros

A pesquisadora Andressa Leite percebeu nesses cortejo a grande presença de crianças e adolescentes. “É importante que eles participem, pois assim a Folia de Reis tem mais chances de ter continuidade. Porém, mais do que isso, percebi também que as dificuldades financeiras para esse 'desfile' podem ser um dos motivos pelo qual a Folia de Reis está ficando cada vez mais rara.”
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Guerra fria
por Nany Rabello
Tensão e silêncio. Foi assim o clima durante todas as apresentações dos candidatos a delegados representando as instituições, e durante a eleição também. Frio e pesado, que só deu lugar a aplausos uma única vez: quando os eleitos foram anunciados e todos puderam sair da sala.
Catorze pessoas influentes, representantes de grandes grupos, pessoas envolvidas diretamente com cultura e política, que têm uma grande bagagem e um grande portifólio de suas instituições, tiveram dois minutos para mostrar por que seria importante serem delegados e o que pretendiam fazer se fossem eleitas. Nenhum deles fez isso. Catorze discursos. Catorze pessoas dizendo quem eram e o que que faziam. Não foi à toa que nenhum discurso foi aplaudido.
A primeira a falar foi irmã Cecília Onófreo, da ong Meduca. Tudo sobre os três anos de trabalho que está desenvolvendo e sobre os quatro pontos de cultura, o seu e mais três, de que cuida foi dito. Mas nada sobre por que seria importante tê-la como delegada. A segunda foi Arlene de Katendê, presidente do Afoxé Maxambomba. Tem um currículo surpreendente, realmente sabe pelo que está lutando: pela comunidade, pela cultura afro e pela cidade como um todo. O terceiro foi João Gomes, que está fazendo um belo trabalho à frente das quadrilhas de São João. Trabalha com jovens, busca aprofundar o resgate das raízes históricas, e nenhuma proposta.
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Um país fantástico
por Jefferson Loyola
Como sugere o título da peça, o grupo faz uma viagem de norte a sul do país, mostrando, por intermédio de canções e coreografias, lendas de todas as regiões do Brasil. É uma rara oportunidade de se conhecer o lado fantástico da nossa cultura.
O grupo foi criado em 2006 após vários anos de estruturação e é formado por um coletivo versátil de percussionistas, bailarinos e músicos. Também oferecem oficinas de capacitação em danças folclóricas, percussão e lendas, além de realizar palestras sobre cultura popular e folclore brasileiro, desenvolvendo pesquisas e estudos sobre os mesmos.
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Idas e vindas do amor
por Jefferson Loyola
Baseado no romance “The time traveler’s wife, de Aundrey Niffe, o filme mostra a determinação de Clare Abshire (Rachel McAdams) para manter seu casamento, apesar das constantes viagens do marido através do tempo. Clare se apaixonou por Robert ainda menina, durante uma das viagens do futuro marido. Apesar das circunstâncias desfavoráveis, ela acredita que eles foram destinados a ficarem juntos e tenta desesperadamente construir uma vida com seu verdadeiro amor.
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O céu de Verônica
por Carine Caitano
Verônica Nascimento começou a ocupar esse espaço de mobilização dentro da SEMCTUR desde o projeto “Minha rua tem história”, uma gincana social que em setembro de 2008 mobilizou cerca de 3.500 jovens da periferia de Nova Iguaçu: “O trabalho incluía grafite, pinturas, exibições, postagens em blogs”, lembra ela, saudosa de um trabalho que em seu momento de pico chegou a ter cerca de 20 pessoas na produção. “Ali, meio que na porrada, eu tive que aprender a trabalhar”
Tornou-se desde então uma pessoa indispensável na SEMCTUR, mudando com garra e determinação uma história de vida que há não muito tempo teve capítulos dramáticos como dormir na rua e catar latinhas no carnaval da cidade. “Eu meio que me aproprio das coisas pra garantir que elas vão funcionar. Procuro ouvir muito pra saber o que está acontecendo. É uma lenda urbana a meu respeito. Sou uma pessoa normal, que fico com mau humor, mas, ao mesmo tempo, dizem que tenho uma doçura quase servil”.
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Caravana da alegria
por Hosana Souza e Jéssica Oliveira
Para quem dormiu em praias e ganhou a vida recitando poesias aos amantes do mar, ficar parado com os braços cruzados vendo a vida passar de forma inútil é quase um martírio. Aos 33 anos, o malabarista Mozart Guida carrega uma história onde aprendeu que se deve correr atrás de seus objetivos ao invés de ficar esperando tudo cair do céu. E foi imbuído desse espírito que o jovem ativista cultural pôs a cabeça para pensar e o corpo para trabalhar em busca de formas que agilizassem a implantação dos projetos contemplados nos editais da SEMCTUR, ambos oferecendo oficinas de malabares e circo para as crianças da rede municipal de Nova Iguaçu. “Quando eu vi que a grana do Fundo Municipal de Cultura ia sair em um mês, eu pensei: ‘Se eu ficar esperando a grana sair para começar a articular as coisas, não dará para realizar o projeto esse ano’”, explica.
Para que as atividades nas escolas não ficassem para 2010, ele elaborou uma lista de escolas municipais e procurou suas respectivas diretoras, sempre com a justificativa de que tinha um grande presente para oferecer a cada uma delas. “A gente não acredita que vá fazer só se a grana vier”, disse ele na entrevista concedida em meio ao corre-corre da III Conferência Municipal de Cultura de Nova Iguaçu, que superlotou o auditório do Espaço Cultural Sylvio Monteiro no último fim de semana. “Até porque, se a grana não vier algo, já foi iniciado e nós arrumamos o dinheiro de outra forma. Não ficamos esperando ninguém, nós temos que fazer por eles e ponto”. Foi assim que, com o dinheiro no bolso, só precisou levar sua equipe para as 12 escolas que aceitaram as oficinas malabares e circo que propôs: além de as escolas já terem sido contatadas, o roteiro já estava escrito e, mais importante, a divulgação nos bairros estava a mil e não faltavam alunos interessados em aprender a arte milenar do circo.
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Educação é cultura
por Josy Antunes
Que a III Conferência Municipal de Cultura reuniu uma intensa gama de diversidade de participantes, já está mais do que claro. Representantes da pluralidade musical, artística e religiosa contribuíram e demarcaram seus espaços e visões. Durante as reuniões, as amigas Maria do Rosário do Nascimento e Claudete Janete dos Santos acompanhavam a tudo com interesse, anotando os pontos importantes e trocando informações entre si. A dupla faz parte da associação de moradores do bairro Jardim Palmares e, em benefício dele, buscaram a participação na Conferência. “Eu sempre lutei pra ajudar a comunidade. Participo das conferências, e quero que a sociedade veja os frutos disso”, alega Maria do Rosário, que há 19 anos milita em favor do local.
Maria, que atualmente é técnica em contabilidade, conta timidamente sobre um talento pelo qual ainda busca reconhecimento. Autora de 45 composições de música gospel, ela revela que é avessa a disputa encontrada no meio artístico, preferindo, muitas das vezes, guardar para si o seu trabalho. “Eu sou uma artista, mas estou atrás dos bastidores”, lamenta ela, devido a falta de apoio que encontra no meio musical.
Para financiar seu curso técnico, Maria conta, com orgulho, que empregou-se como babá, recepcionista, secretária e empregada doméstica. E que, esse ano, ingressou na faculdade, no curso de direito, em 25º lugar - um dos primeiros para a modalidade. Após concluir louvavelmente o primeiro período, teve que trancar sua matricula, abandonando o estudo, por hora, por conta do alto custo demandado. “Eu sou fruto de uma sociedade que não me deu condição pra que eu hoje fosse formada numa cadeira de direito”, desabafa ela, enfatizando que um apoio maior deve ser dado aos estudantes, independente da idade. “Eu não vou desistir dos meus sonhos. Creio que Deus vai permitir que eu conclua o curso”, diz Maria do Rosário que, aos 54 anos, carrega como meta ajudar os moradores de seu bairro nas questões jurídicas. “Meus filhos são as crianças da comunidade. Eu tenho amor a elas”, declara.
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Propostas da Baixada
por Lucas Lima
Um dos principais objetivos da III Conferência Municipal de Cultura de Nova Iguaçu foi discutir propostas para as Conferências Estadual e Nacional de Cultura, que serão organizadas no próximo ano. Para isso, foram organizados cinco grupos de trabalho para discutir e elaborar propostas com base nos eixos temáticos formulados pelo Ministério da Cultura.
Esses cinco grupos foram coordenados por membros da própria Secretaria de Cultura e Turismo. Um deles foi o subsecretário Marcelo Cavalcanti, que esteve à frente do grupo de trabalho Gestão e Institucionalidade da Cultura. “As pessoas levantaram questões fundamentais para a cultura no município”, comemora o subsecretário. “Foram muitas ideias, muitas das quais de difícil execução. Acho que será uma grande evolução para o município se conseguirmos executar pelo menos 30% delas”.
A principal preocupação de todos os grupos de trabalho foi formular estratégias para atrair os recursos das políticas culturais públicas para a Baixada Fluminense em geral e Nova Iguaçu, em particular. “A Baixada Fluminense representa mais de 30 por cento da região metropolitana do Rio de Janeiro, mas o grosso dos recursos destinados à região metropolitana fica na capital e em Niterói”, lamenta o secretário adjunto Raul Fernando, que coordenou o grupo de trabalho Cultura e Economia Criativa.
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A cara do blog
por Lucas Lima
O portal é herdeiro da experiência do Jovem Repórter, que, tal qual o Cultura NI, tinha o formato de blog e era totalmente produzido pelos jovens da Secretaria de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu. “Quando demos início à gestão, percebemos que tínhamos que criar um projeto de jovens”, lembrou o secretário. Outro importante projeto envolvendo a juventude iguaçuana é a Escola de Pesquisa, coordenada pela antropóloga paulista Marcella Camargo.
O portal Cultura NI, coordenado pelo escritor Julio Ludemir, cobrirá as ações culturais da cidade e as políticas públicas formuladas pela SEMCTUR. “O blog vai acompanhar as diversas ações da Secretaria, da sociedade civil, eventos, personagens e personalidades”, anunciou o secretário. A ideia é mostrar a identidade cultural do município, para que os agentes e a própria população saibam o que está acontecendo.
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Sutil presença
por Dariana Nogueira
Nos dois dias intensos da III Conferência Municipal de Cultura, foi possível notar a variedade de atores sociais que compõe Nova Iguaçu. Homens e mulheres com ideias, pensamentos e propostas diferentes se fizeram ouvir, buscando para além da representação política, a intervenção direta nos assuntos públicos.
Essa dinâmica pôde ser visualizada antes mesmo desses dois dias reservados para a conferência geral, nas pré-conferências que ocorreram em sete bairros da cidade.
Em todos os momentos, em meio às reivindicações, debates, discussões, tensões e aplausos, apenas um olhar mais atento conseguiria notar a presença sutil da jovem Karina Vasconcelos, de 22 anos, que participou ativamente, porém de maneira bastante silenciosa, de todos os eventos que cercaram esta III Conferência Municipal de Cultura.
Karina é moradora de Nova Iguaçu e cursa Produção Cultural no pólo da UFRJ em Nilópolis. Estagiária do Espaço Cultural Sylvio Monteiro, ela tornou-se responsável pela relatoria da III Conferência, no popular, ficou com a parte mais chata e mais fundamental do evento.
Segundo Karina, o relatório sistematiza tudo o que foi debatido durante a conferência geral e as pré- conferências, resultando na apresentação oficial do evento. Por isso vemos Karina no canto, com olhos vidrados na tela do notebook, ou anotando tudo em seu caderninho.
Ela lamenta por não poder participar diretamente das questões propostas, de não expor suas próprias ideias e opiniões sobre esse momento tão importante pelo qual a cidade está passando. Contudo, situa seu trabalho num grau de relevância bastante alto, além de reconhecer que tudo está servindo, inquestionavelmente, para o aperfeiçoamento de sua formação profissional.
Ou seja, a renúncia se dá por uma causa maior e reconhecemos isso agradecendo à Karina por seu esforço e contribuição imprescindíveis.
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Proposta e viagens
por Hosana Souza

Entretanto, há também propostas, digamos, impalpáveis, como a construção de um sambódromo, de um museu e de um teatro em nosso município, que seja no mesmo nível dos já existentes no Rio de Janeiro, além da proposta da construção de editais para pessoas físicas, onde elas se inscreveriam e receberiam verba também, o que abriria a possibilidade de fraudes.
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Olhos atentos à tradição
por Larissa Leotério e Jefferson Loyola
Quem nos mostra que é importante olhar pra dentro de Nova Iguaçu com olhos e ouvidos atentos é alguém que nem mora na cidade: é a Iyalorisá Isabel de Oyá. Zeladora do Ilê de Oyá há 22 anos, ela acredita que Belford Roxo, a cidade onde vive, ainda é muito dependente de Nova Iguaçu. “A gente só tem a ganhar buscando sabedoria”, diz ela, justificando sua visita à Conferência Municipal de Cultura na manhã deste domingo.
Sobre a importância de conferências e fóruns culturais, a Iyalorisá conta que é preciso fazer com que as pessoas sintam orgulho de sua religião: “Quando alguém esconde sua religião para se beneficiar de alguma coisa, já está tendo preconceito consigo mesmo”, afirma. Ela acredita também que o preconceito vai sempre existir, com quaisquer religiões ou movimentos. Mas os congressos ajudam a entender e a aceitar.
Além da aceitação, outra bandeira que mãe Isabel levanta é a da conservação da tradição cultural dentro das casas de santo. E é por meio do Pontinho de Cultura que ela tem em Belford Roxo, a Associação Cultural e Recreativa Afoxé Raízes Africanas. O Afoxé surgiu dentro de seu Ilê quando se desvinculou do Afoxé Filhos de Gandhi, no dia 8 de dezembro de 2002. Além de dezembro ser o mês das Iyabás, o Afoxé é dedicado a Oxum, em homenagem a sua falecida mãe de santo, Dona Délia de Oxum.
“Hoje, muitos não se preocupam com políticas públicas, como a institucionalização”, observa. Para participar de editais públicos, os Ilês precisam ter CNPJ. “Uma casa sem CNPJ é uma pessoa sem identidade”, compara. A regularização faz com que o governo tenha condições de auxiliar as casas de santo. “Orgulho-me hoje de ter 34 anos de iniciada no candomblé e ter recebido a Digina (nome ritual) que Oyá me trouxe: Oyáguerê”, finaliza.
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A outra face da cidade
por Camilla Medeiros
No longo debate do GT (Grupo de Trabalho) do Eixo Cultura, Cidade e Cidadania, Josenir de Fátima da Silva, popularmente conhecida por Irmã Fátima, destacou uma informação que muito tem a dizer sobre a cara da nossa cidade: as áreas rurais.
No ano de 1997 uma deliberação da Prefeitura de Nova Iguaçu ignorou um dado muito concreto: Nova Iguaçu possui áreas rurais. A partir de então, iniciou-se uma luta para comprovar que Nova Iguaçu possui áreas rurais. Sindicatos, vereadores e a sociedade civil dessas áreas se mobilizaram e quase dez anos depois, 2006, o atual prefeito Lindberg Farias sancionou uma lei reconhecendo doze assentamentos rurais na cidade.
Numa entrevista informal, no pátio do Espaço Cultural Sylvio Monteiro, Irmã Fátima, Presidente da Associação Rural Regional de Campo Alegre, presidente da ONG Sociedade Beneficente de Campo Alegre e membro da Comissão de Cultura de Nova Iguaçu, revelou uma outra face da nossa cidade.
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Dentro das discussões da III Conferência Cultural, a inclusão de mais personagens no cenário cultural da cidade foi uma das pautas principais. Quais são as suas expectativas?
“Minha bandeira aqui é lutar pela integração entre as áreas rurais e urbanas de Nova Iguaçu. Dentro da mesma cidade temos esses dois mundos, que ficaram sem diálogo durante muito tempo. Certas coisas que acontecem num ambiente não são divulgadas no outro. Por exemplo, você sabia que essas áreas rurais de Nova Iguaçu foram excluídas? Muita gente aqui não sabe disso também.”
Como é o trabalho da sua ONG?
“Dentro da ONG temos uma creche comunitária chamada Centro de Educação Infantil Comunitário Semente do Amor. Através dessa, creche realizamos anualmente a Festa da Roça, para resgatar a identidade da gente de interior. Temos danças sertanejas, com forró, comida típicas. Não é festa junina não, é festa na roça mesmo! Além disso, todos os anos comemoramos o aniversário do nosso assentamento. No dia 9 de janeiro, reunimos todos os moradores para um grande café da manhã, com os produtos da terra, que a comunidade cultiva. Nesse dia fazemos questão de lembrar os mais novos da luta que foi para conquistar a terra, e nos mobilizamos frente o governo para reivindicar as mudanças, e fazer um balanço do que foi feito, do que andou, do que não andou. Além de chamar a mídia para expor tudo o que é feito.”
Qual foi o resultado dessa exclusão dos doze assentamentos de Nova Iguaçu?
“Quando aconteceu essa exclusão, não tínhamos nenhuma ligação com a cidade a não ser o nome. Isso só consolidou a realidade que já existia. Sempre nos deportávamos para Queimados para tudo, médico, compras, enfim, a única coisa que ligava nossa região à cidade era uma escola da prefeitura de Nova Iguaçu, pois nem ônibus para cá temos. Até hoje precisamos ir para Queimados e depois vir para Nova Iguaçu.
A maioria das pessoas transferiu seus títulos eleitorais para Queimados, que foi a cidade que acolheu essa comunidade. Como eu vou votar em uma cidade que me excluiu? Até eu mesmo transferi meu título para Queimados.”
Qual foi o resultado do reconhecimento desses doze assentamentos?
“Quando o prefeito Lindberg Farias assinou a lei que reconheceu nossa região, imediatamente percebemos as mudanças. Não falo isso para engrandecer ninguém, mas depois de tanto tempo abandonados essa ida do prefeito a Campo Alegre foi essencial para que a gente se identificasse mais com a cidade. E soubéssemos que nossa existência para a cidade era importante. Formou-se uma aliança entre a nossa comunidade e a Prefeitura de Nova Iguaçu. Atualmente temos uma sessão eleitoral em Campo Alegre, da qual eu fui convidada para ser presidente, e todos votam em Nova Iguaçu novamente. Mas antes mesmo que tivéssemos essa sessão, a comunidade se interessou em transferir de volta seus títulos para a cidade, pois estávamos preocupadas com a possível mudança na gestão da Prefeitura, e o retrocesso frente aos avanços que conseguimos.”
Que impressão teve dessa conferência?
“Creio que o meu objetivo foi cumprido. As áreas rurais estão sendo visadas nessas propostas, e espero que a gente possa partilhar em breve da mesma política de incentivo cultural que as áreas urbanas possuem.”
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Patrimônio da humanidade
por Wanderson Duke
Antes da plenária no teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro que escolheu os novos delegados para o Conferência Estadual de Cultura, todos os agentes culturais ali presentes puderam adquirir um exemplar de um livro. Não, não foi apenas uma doação simbólica ou uma forma de presente. Foi o lançamento oficial do programa Livro Livre, organizado pelo poeta Moduan Matus e pelo escritor Écio Salles, mediador cultural da cidade de Nova Iguaçu.
Os dois já haviam organizado outros dois “testes”, um deles no bairro de Nova Era, para avaliar como o público receberia o programa. O resultado foi além das expectativas deles. Um dos livros “libertados” em Nova Era foi recebido por um morador da cidade do Rio de Janeiro (Centro). “Isso nos surpreendeu bastante, pois a proposta por trás do Livro Livre é que os livros não possuem donos, e são na verdade um patrimônio cultural da humanidade”, diz Écio Salles, que é secretário adjunto de Cultura de Nova Iguaçu.
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Cultura cidadã
por Camilla Medeiros
“Essa conferência representa um ponto de equilíbrio entre o público e o privado”. Com essa fala, a assistente social pernambucana Sandra Mônica iniciou os debates do eixo Cultura, Cidade e Cidadania. Ela lembrou em seguida que um dos principais objetivos da III Conferência de Cultura da Cidade de Nova Iguaçu é abrir um diálogo produtivo entre esses dois agentes.
Ontem, esse mesmo grupo havia levantado algumas questões a serem pensadas para a mudança do atual cenário cultural da cidade. E a pauta da reunião de hoje centrava-se na análise, discussão e construção de dez propostas, sendo duas delas prioritárias.
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Diversidade amarela
por Josy Antunes

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Cara nova
por Nany Rabello
Jovens descolados, conversando animadamente, expondo ideias e participando ativamente de debates de cultura. Há alguns anos, isso era difícil de ser imaginado. Hoje é realidade. Na III Conferência de Cultura de Nova Iguaçu é a cara dos jovens que é mostrada.
"Foi-se o tempo em que a cultura era só ir ao o cinema, ao teatro. A cultura precisa ganhar as ruas e não ficar restrita a quatro paredes", afirmava Bruno de Souza Santos, de 19 anos, que participou nos dois dias da conferência. Bruno é um dos jovens que querem fazer algo melhor da cultura do nosso país.
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Histórias de amor
por Wanderson Duke
Manto de preocupações, colcha gigante de retalhos das possibilidades e uma legião de adultos preocupados com a forma de trabalho da cultura nas escolas: Todos os ingredientes perfeitos para a III Conferência Municipal de Cultura que está ocorrendo em Nova Iguaçu.
Mas, em meio a tantos dilemas existencialistas e propostas de dinâmicas da cultura na cidade, uma história de amizade entre duas crianças e amor aos livros se forma no segundo andar do Espaço Cultural Sylvio Monteiro: Waldemir Junior, 9 anos, aluno da Escola Estadual Machado de Assis, em Mesquita, e Samira dos Santos, 8 anos,aluna da Escola Estadual Arco-íris,em Caioaba, Nova Iguaçu.
Ambos estavam descortinando a magia dos livros ali mesmo, na biblioteca do Sylvio Monteiro, compartilhando ambos a amor pela leitura.
Samira conta que seu contato com os livros vem desde cedo, que contou com a ajuda de sua mãe para desenvolver sua paixão pela leitura. “ O primeiro livro que li foi ‘O Menino Maluquinho’, do Ziraldo, quando tinha apenas 5 anos. Adorei”, conta a empolgada Samira. A menina veio acompanhada pela avó que, segundo a ela, sempre foi envolvida com cultura na cidade e suas mais variadas formas artísticas.
Já com Waldemir a situação é um pouco diferente. O interesse pelas obras literárias o segue desde berço, segundo conta sua mãe, Leoneida Rosa dos Santos, sua grande incentivadora nessa grande trajetória que ele tem pela frente. Leoneida é atriz há cerca de dois anos.
“Ela sempre me incentivou a ler, mesmo antes de trabalhar com teatro. Depois que ela fez a peça ‘A invasão’, meu interesse aumentou", diz Júnior, cuja leitura preferida é 'A Turma da Mônica', de Maurício de Souza. “Não gosto de Homem-aranha nem do Superman", afirma, para acrescentar em tom patriótico. "Os melhores gibis e as melhores histórias são nossas”.
Samira e Waldemir lamentam o fato de não haver bibliotecas em seus bairros, nem nas escolas em que estudam. “Se não fosse minha mãe comprando livros e gibis para mim, eu quase não leria nada”, diz Junior. “Se tivesse um biblioteca, pelo menos na escola, iria ser muito legal. Eu ia ler muito, muito mesmo. Principalmente ‘O Menino Maluquinho’, finaliza Samira.
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De mãos dadas
por Dariana Nogueira
Uma das 500 pessoas que participou da III conferência de Cultura de Nova Iguaçu foi Delmar José da Silva, que vem a ser o secretário de cultura de Mesquita. No cargo desde março de 2007, ele faz uma associação entre o evento e o momento singular pelo qual vem passando a Baixada Fluminense como um todo, no âmbito cultural especialmente. "A conjuntura é altamente favorável à Baixada desde que Gilberto Gil assumiu o Ministério da Cultura", afirma o secretário.
Embora reconheça a importância das mudanças implementadas nacionalmente, Delmar da Silva não deixa de reconhecer o surgimento de lideranças municipais eficientes no campo da cultura, que souberam traduzir para seus respectivos territórios as novas políticas nacionais. "As lideranças locais têm se mostrado eficientes em propor políticas satisfatórias, aproveitando o momento favorável e potencializando os movimentos culturais locais."
O secretário aponta para certa uniformidade nos municípios da Baixada. Como há uma identidade comum entre os territórios, é possível pensar em políticas regionais onde a Baixada inteira seja contemplada. Mas para isso é preciso que haja um diálogo entre os responsáveis pela implementação de políticas culturais na região. "Municípios como Caxias, e sobretudo Nova Iguaçu, alcançaram avanços significativos do ponto de vista sistêmico no que diz respeito ao desenvolvimento cultural, mas havendo diálogo intermunicipais é possível estender esses avanços aos demais municípios".
Delmar da Silva acredita que as conferências municipais de cultura são o palco por excelência para o diálogo preconizado por ele, e não foi à toa que fez questão de marcar presença no Espaço Cultural Sylvio Monteiro no dia de hoje: "Eu tenho participado de diversas conferências, justamente por acreditar no diálogo, na interatividade entre municípios distintos, etc. Mas a realização da conferência é essencial porque é o momento onde a organização e a sistematização do movimento cultural são pensadas, discutidas e ampliadas, contando com a participação de todos, que é o mais importante."
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A voz de Cabuçu
por Edson Borges Vicente e Fernanda Bastos
Nádia Luiza Filgueiras Ponciano, 26 anos, é professora do primeiro segmento do ensino fundamental há oito anos na escola. Estudante de matemática da Universidade Federal Rural de Nova Iguaçu, ela é a coordenadora de aprendizagem e tem a responsabilidade de organizar as ações da equipe de mediadores da escola. Convidada pelos mediadores ela veio à conferência para aprender. “Tenho muito contato com a SEMED. Vim para ficar por dentro do que está se discutindo na cultura. Isso é importante para potencializar meu trabalho com os mediadores” ressalta ela.
Dos cinco mediadores que acompanham a coordenadora, três são estudantes de Letras: Alessandra Aparecida Souza de Paula, 26 anos, trabalha com oficina de jornal há seis meses com crianças de 7 a 12 anos. Carlos Vinicius Moreira Assis, 21 anos, faz o mesmo e ainda desenvolve oficinas de técnicas de redação no ‘Escola Aberta’ da mesma escola. Já Carmem Inês Bispo, 32 anos, ajuda as crianças na árdua aprendizagem matemática.
Um casal muito interessante finaliza a composição do grupo de agentes culturais. Trata-se de Elisângela Melo, conhecida pelos jovens do Projovem como ‘ Fofão’, desde que trabalhou no projeto Minha Rua Tem História no ano passado no Abílio. “Fofão”, juntamente com seu esposo Odil Fonseca Barreto, trabalha com oficinas de banda. Odil ainda dá aulas no Brasil Alfabetizado e é parceiro do Bairro Escola. Os dois fazem parte do Pontinho de Cultura “Cultura Viva nas Comunidades”, que assistirá 280 alunos do 6ª ao 9ºano na Escola Municipal Profº Leonardo Carielo de Almeida, em Lagoinha.
Para Alessandra, conhecer as propostas também é importante e algo que a conferência proporciona. “Entramos em contato com pessoas com experiência na área da cultura”, afirma.
Odil apresenta a proposta do grupo que trata da escolha dos mediadores, dando oportunidades aos moradores dos bairros. Assim como ocorreu no concurso para agentes de saúde, onde os candidatos deveriam residir na área pretendida, os mediadores devem ser escolhidos na localidade. “Cada local deve ser trabalhado pelos próprios moradores. Assim, além de gerar oportunidades para todos, não teremos problemas com questões de segurança. Pois, uma vez sendo moradores do bairro fica mais fácil para os mediadores atuarem. Não tem esse negocio de ‘aqui não pode entrar por que é perigoso’. Desse modo haveria produção cultural em todas comunidades. Essa é a voz de Cabuçu” explica.
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Revolução híbrida
por Josy Antunes

O momento de pura emoção teve seu início em reuniões anteriores à conferência, quando Dida teve a ideia de congregar, num limite de tempo de vinte minutos, as manifestações artísticas da cidade. A “primeira lida", a tarefa pode parecer fácil, mas quando passa-se a enumerar a quantidade e diversidade dessas manifestações, a visão torna-se totalmente contrária. “Nós tivemos poesia, teatro, dança e música. Teve uma orquestra de berimbau, vários atabaques – uma coisa mais tribal - , bateria, baixo, teclado – que são instrumentos mais sofisticados, mais fáceis de se ver, normalmente – e tivemos também a inserção de música gospel”, relaciona o artista.

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Minha primeira conferência de cultura
por Lívia Pereira.
Uma colcha de retalhos bem diversificada se estendeu sobre o domingo ensolarado no Espaço Cultural Sylvio Monteiro. Diversos rostos, coloridos, sorrisos, expressões, enfim, presentes nos artistas, entidades, estudantes, cidadãos em geral.
Em meio a tanta diversidade, caras novas deixam no ar uma pergunta: o que as trouxe aqui? Que inquietações provocaram a vinda dessas pessoas? Tentando responder a essas perguntas, hora de lançar a dúvida em quem pode saná-la.
Estudante de Letras, cursando o 6º período da faculdade, moradora de Nova Iguaçu, Grace Silvério conta que a curiosidade a tirou de casa. "Uma amiga da faculdade me ligou e falou sobre a conferência. Como eu estava em Nova Iguaçu, passei pra dar uma olhada." Além disso, seu interesse cresceu por ter vários amigos envolvidos com música e teatro: "Quero levar a eles essas informações. Será que ainda dá tempo de eles participarem?"
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Diálogo cultural
por Hosana Souza / Fotos: Josy Antunes
“Eu tenho participado o máximo que posso, ido em todas as conferências que são possíveis”, diz Molon, que acredita que a Baixada não pode mais ser vista como cidade dormitório. Para o deputado inicialmente é necessário o diálogo entre as ações culturais, a sociedade civil e o poder público. “Se a sociedade civil se mobiliza, suas conquistas serão valorizadas, e elas serão temidas pelo poder público”. Molon acredita que todas as cidades devem ser convocadas para discutir as verbas da cultura.
“Correndo o estado e observando os municípios, eu percebo que as propostas não devem ser dadas por nós, poder público. Elas já nascem nos municípios, daqueles que fazem a cultura acontecer nesses locais por quem conhece a realidade”. O deputado acalorou os debates e não parou em momento algum de enfatizar a importância da participação da população. Segundo o político, é justamente pela importância desses processos que se construirá um sistema nacional de cultura, e esse sistema deve ser criado de baixo para cima, isto é, da sociedade civil para os governos.
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Conselho do poeta
por Edson Borges Vicente
Atual subsecretário de Cultura e presidente do conselho desde sua reorganização, em 2005, o poeta conselheiro busca levar a voz da democracia e resgatar a identidade da cultura popular. Jorge Cardozo diz estar totalmente afinado com a proposta de inclusão e participação do Ministério da Cultura – MinC. "Essa é uma proposta que entende que a cultura na verdade é de todo povo brasileiro”, afirma. Segundo ele, a proposta do MinC é a mesma da secretaria municipal.
Para o conselheiro, as mudanças na lei de incentivo à cultura – a Lei Rouanet - são muito importantes. E vão se tornar ainda melhores com a aprovação da chamada Pec 150, proposta de emenda constituicional por intermédio da qual 2% do orçamento federal serão alocados para a cultura. "Precisamos fortalecer o Fundo Nacional de Cultura e espalhar a presença do governo na esfera da cultura nos diferentes recantos do país, acabando com essa diferenciação tão forte que existia e ainda existe entre centro e periferia, entre cidade e bairro , entre zona urbana e rural ricos e pobres”.
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Quadrilha também é cultura
por Larissa Leotério
É sobre essas deficiências que me conta Vagner Vinícius, de 32 anos, quadrilheiro de Jardim Pitoresco e membro da Liga Independente das Quadrilhas Juninas de Nova Iguaçu (LIQUAJUNI). “Somos nós que procuramos as costureiras, fazemos as alegorias”, conta, comparando com preparativos de uma escola de samba.
Engana-se quem pensa que só as quadrilhas só se articulam às vésperas das festas juninas. Os quadrilheiros se preparam o ano inteiro. Ensaiam com muita antecedência. “Temos muitas preocupações. Tem que ter coreografia, e coreografia atualizada. Não é a mesma coisa todos os anos”, conta.
Quando está tudo pronto, com as coreografias ensaiadas e as roupas costuradas, eles saem à procura de locais pra se apresentar. “Nós organizamos nossas festas, mas procuramos outros arraiás, pra divulgar”. Segundo Vagner, o maior problema é a falta de divulgação. Quando tem competições, nem sempre ficam sabendo, ou não podem participar. “Não temos apoio e não recebemos ajuda nenhuma”, afirma.
Alan Medeiros, de 19 anos e também morador de Jardim Pitoresco, conta quem há quadrilhas de 20 anos ou mais participando da LIQUAJUNI e que não tem divulgação nem o reconhecimento merecido: “Acho que poderiam nos dar pelo menos metade do reconhecimento que dão às escolas de samba”, desabafa Alan. Para ele, com essa ajuda viriam competições mais abertas e mais divulgadas, como o Carnaval de Nova Iguaçu, o segundo maior do Estado.
Outra liderança de grupo caipira que está presente é Telma Lúcia Brito, do grupo 'Estrela Guia', de Rosa dos Ventos. Telma fundou o grupo quando o já existente no bairro se desfez. “Já existia a cultura das quadrilhas. E quando o grupo que tinha acabou, as pessoas reclamaram muito”, conta. O grupo ‘Estrela Guia’, existente desde 2002, também pede mais apoio. “É uma luta custear tudo do próprio bolso”, diz com certo desânimo.
O presidente da LIQUAJUNI, João Gomes, foi quem contatou pelo menos um representante de cada um dos 20 grupos da Liga. Ele diz estar satisfeito com a conferência e com a democratização da cultura na cidade: “Agora eu volto a acreditar que pode dar certo”, confia. João Gomes, que participou ativamente no debate de diversidade cultural no primeiro dia da conferência, vai pedir auxílio na organização de competições e festivais. “Quadrilha também é cultura”. Afinal, todo mundo é cultura.
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Um Edson*, um poeta e um conselho
por Edson Borges Vicente
Jovem repórter faz homenagem ao poeta Jorge Cardozo, presidente do Conselho Municipal de Cultura
De onde vem a força do poeta
Sobrevivendo em tempos obscuros
Tentando escapar do calabouço
e ver nascer o sol da liberdade?
Talvez venha do espírito de união
Da arte que o palco da vida ensina
Expressada nos espaços operários
Nas caras e nas bocas da cidade
E como imaginar tamanho feito
De ver raiar a luz da esperança
E das palavras tristes do poeta
Surgir a firme voz da liderança
E ao fim sentir que todos temos vida
Que a arte não está no cativeiro
Repousa sobre o velho e o moço
Desperta no coração da criança
Talvez se não morresse o tal menino
Ainda estivesse presa, a poesia
E a força e a garra do poeta
Fosse tal qual agulha no palheiro
Melhor é resistir à repressão
Seguir a cultura da ousadia
Viver do jeito que mais vale à pena
Conselhos de um poeta conselheiro
* Referência ao estudante Edson Luiz Lima Souto, assassinado em 1968, aos 18 anos, em uma operação de repressão, durante a ditadura militar (ver matéria 'Conselho do poeta')
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A sala da diversidade
por Nany Rabello
A 5° mesa de debate da III Conferência de Cultura da Nova Iguaçu também pegou fogo. O tema, Gestão e Institucionalidade, foi abordado das mais dinâmicas maneiras e as propostas pareciam surgir a cada segundo, em meio à diversidade dos presentes. A sala que começou vazia terminou repleta não só de pessoas como de ideias e propostas, além de várias explicações e esclarecimentos sobre o que é a Gestão de Cultura.
Coordenada pela representante do Ministério da Cultura Ana Lúcia Prado, a relatora Deise não teve problemas na hora de organizar as propostas formalmente. A representante do MINC estava acompanhada de Marcelo Cavalcanti, subsecretário de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu, na mesa. Juntos, não deixavam nada passar em branco. “O difícil não é elaborar algo, o difícil é fazer com que se aprove o que foi elaborado”, diz Marcelo.
Parece que a sala incorporou a proposta de diversidade do secretário Marcos Vinícius Faustini, pois representantes de associações de moradores dos bairros de Nova Iguaçu, professoras, fotógrafos, e demais camadas de agentes culturais estavam representadas.
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Paixão fantástica
por Josy Antunes


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Vale a pena
por Larissa Leotério
O secretário se sentiu ainda mais motivado a participar do processo cultural de Nova Iguaçu depois de ver a presença dos jovens e das mães na pré-conferência de Nova Era, na noite da última terça-feira. “As pessoas tiveram vontade de opinar, não acham mais que não vale a pena”.
Além disso, Carlos Ferreira diz ver com clareza a necessidade do incentivo à produção cultural feita com dinamismo.
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Oportunidade incrível
por Larissa Leotério
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Ao som do berimbau
por Josy Antunes e Larissa Leotério
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Quadrilhas ignoradas
por Jefferson Loyola e Larissa Leotério
Com a abertura da 3º Conferência Municipal de Cultura, iniciaram-se os debates em cada um dos eixos temáticos propostos pelo Conselho Nacional de Política Cultural para descobrir o melhor meio de lidar com os assuntos existentes, construir e interferir na cultura de Nova Iguaçu. Produção Simbólica e diversidade Cultural, o primeiro eixo da conferência, teve como foco as produções de arte e bens simbólicos, promoção de diálogos interculturais e convenção de diversidade. Trata-se de facilitar a produção, distribuição e consumo de bens culturais, juntando identidade com diversidade.
“Tem que se ter versatilidade”, disse Daiana Santana. Uma das integrantes do projeto Mais educação, ela que acredita que, de um modo geral, a cultura é versátil e diversa, misturando dança, teatro e música, entre outras coisas. Um dos grandes pontos discutidos dentro do eixo foi “Diversidade Cultural = Diversidade de linguagem”, durante o qual ficou claro que, mesmo não sendo a mesma coisa, as duas andam juntas. Diversidade de linguagem está inserida no contexto de diversidade cultural, apresentando como você irá expressar o que está pensando.
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Vanguarda cultural
por Larissa Leotério
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Desenvolvimento sustentável é cultura
por Dariana Nogueira
O eixo 3 da III Conferência Municipal de Cultura, coordenado por Egeu Laus, colocou em foco a importância estratégica da cultura no processo de desenvolvimento da cidade. De uma forma bastante sistemática e organizada, Egeu expôs um breve estudo sobre os significados das temáticas mais amplas apontadas no eixo e os conceitos que permeiam essas áreas interligadas entre si, além de suscitar propostas referentes à cultura e ao desenvolvimento sustentável, exigindo a participação dos presentes.
Um dos adjuntos da Secretaria de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu, Egeu Laus falou também da transversalidade da cultura, integrando campos distintos e secretarias diferentes. "Quando se criam projetos que unem cultura e saúde, há uma probabilidade muito maior de a proposta ser levada adiante justamente por ser implementada uma força maior para a sua execução", exemplificou ele, para quem este ponto tem se tornado cada vez mais fundamental no processo de construção de políticas públicas eficientes.
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A diferença do artista
por Larissa Leotério
A representante do Plano Estadual de Cultura foi a superintendente de Artes Eva Doris Rosental, que defende uma política cultural específica para a Baixada Fluminense. "Principalmente porque o município Nova Iguaçu foge do parâmetro, que tem apoio do governo e empenho da secretaria", afirmou.
A representante do estado reconheceu a dificuldade de elaborar um diagnóstico, já que cada município tem sua própria configuração. "Daí a necessidade de que seja um plano cíclico, vivo, que possa atender às necessidades dos dez anos em que o plano vigora."
Além disso, o Plano Estadual de Cultura conta com os indicadores oferecidos pela sociedade civil, tornando o processo mais dinâmico. "Tanto na área setorial, que são as artes cênicas, os museus e o ausiovisual, quanto na área estruturante, que é a parte da formação do agente e do produtor cultural."
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Abertura em grande estilo
por Dariana Nogueira
Está aberta a III Conferência Municipal de Cultura de Nova Iguaçu.
Hoje por volta das 10:30h no Espaço Cultural Sylvio Monteiro foi dado início ao evento que irá discutir as medidas e propostas que a cultura tem melhorar a vida na cidade de Nova Iguaçu, além de preparar os ânimos para II Conferência Nacional que acontecerá em março do próximo ano.
Compondo a mesa de abertura, representantes dos mais importantes segmentos políticos marcam presença. Como muito atentamente notou a representante do Ministério da Cultura Ana Lúcia Prado, "a mesa expressa a aliança entre as representações políticas mais significativas para o evento": o vereador Berriel - representando a Câmara; Jorge Cardozo - do Conselho de Cultura; a primeira dama Maria Antônia - coordenadora do programa Bairro Escola e representante do prefeito Lindberg Farias, juntamente com Marcus Vinícius Faustini - Secretário de Cultura de Nova Iguaçu e Carlos Ferreira - secretário municipal de fazenda - representando o município; Eva Dóris - representando a Secretaria Estadual de Cultura e por fim, a já citada Ana Lúcia Prado - representando o Ministério da Cultura.
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Cultura para todos!
por Mayara Freire
Depois de sete pré-conferências em diferentes bairros de Nova Iguaçu, a tão esperada III Conferência Municipal de Cultura de Nova Iguaçu terá início hoje, no Espaço Cultural Sylvio Monteiro. Nos dias 23 e 24 de outubro, os secretários de cultura, membros do Conselho Municipal de Cultura e agentes culturais irão discutir propostas para o plano cultural do município, além de levantar questões para a II Conferência Nacional, que ocorrerá no próximo ano. A expectativo dos organizadores é que o evento atraia pelo menos 500 pessoas.
Depois da solenidade de abertura, prevista para as 9h30, cinco grupos serão formados para discutir os eixos temáticos definidos pelo Ministério da Cultura: Produção Simbólica e Diversidade Cultural; Cultura, Cidade e Cidadania; Cultura e Desenvolvimento Sustentável; Cultura e Economia Criativa, assim como Gestão e Institucionalidade da Cultura. Os trabalhos do primeiro dia devem terminar às 14h.
No segundo dia da conferência, cujos trabalhos irão das 9h às 18h, os grupos de discussão se dedicarão à cidade de Nova Iguaçu. Serão apresentadas as propostas discutidas nas pré-conferências para o Plano Municipal de Cultura e a Pauta Nova Iguaçu, além dos eixos temáticos da II Conferência Nacional de Cultura e os Sistemas Nacional, Estadual e Municipal. Ao final da conferência, terá o plenário final sobre as propostas discutidas, além da eleição dos Conselheiros Suplentes do município e a eleição de delegados para a Conferência Estadual de Cultura.
O secretário adjunto Écio Salles contou que, além da importância de promover discussões sobre cultura na cidade, o evento pretende dar amplitude à conferência nacional. “Temos uma expectativa da presença significativa dos delegados para a conferência. Queremos conseguir ter voz, mostrar nossas propostas, se afirmar como município e trazer mais investimentos”, afirma ele, que conta com a participação de todos os interessados em cultura na cidade. "Essa conferência é relevante para os militantes, dirigentes de organizações, artistas e o público em geral”.
Para participar, é aconselhável chegar ao local antes da abertura para fazer credenciamento.
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Hummm! Que cheirinho de cultura!
por Fernanda Bastos e fotos por Edson Borges Vicente
Maria de Fátima da Silva, 52 anos, é cozinheira do CISANE há oito anos. Durante a pré-conferência do dia 20, ela manteve o café ao alcance de todos como um combustível para a discussão tão importante. Ao final, distribuiu deliciosos pastéis, cachorros quentes e canapés que desceram com refrigerantes geladinhos.
“Cheguei ao CISANE na época do ‘Sementinha da manhã’”, conta ela, que inicialmente trabalhou na ONG como voluntária e da qual eventualmente se afastava para procurar um emprego de verdade. Foi durante um período de desemprego que o hoje amigo Edilso Maceió a convidou para trabalhar.
Além de cozinhar para o CISANE, dona Fátima frequentou o curso de cabeleireiro da ONG e atualmente faz o curso de artesanato. “Entre todas as atividades domésticas, a que mais gosto é cozinhar”, afirma. Foi por causa desse prazer que ela chegou às 15h30min no CISANE, a fim de preparar o lanche servido para as cerca de 50 pessoas que marcaram presença na pré-conferência da última terça-feira. “Eu sirvo o lanche aqui e no espaço que tem lá em baixo”, revelou a cozinheira, que sente um prazer especial em servir os meninos e os jovens.
As oficinas do CISANE são divididas em turnos: manhã e tarde. Dona Fátima é a responsável pelo lanche dessa galerinha, para a qual serve de cachorro quente a biscoitos, passando por canapés, pastéis e bolos. Com tantos mimos, as crianças não costumam deixar de ir às aulas do CISANE.
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Não deixem o hip-hop morrer
por Edson Borges Vicente
Felipe é rapper desde pequenininho. Mas a aposta em seu dom se deu no ano passado, quando se reuniu com o amigo Cristiano Miranda da Silva na escola para formar a dupla ‘Cristian e Siqueira’. Suas primeiras músicas foram compostas em homenagem às suas namoradas. Orgulhoso de ser poeta, ele sabe de cor a tradução de RAP (Ritmo e Poesia), e sonha ver sua música na boca da galera. Para isso resolveu ir à conferencia mostrar seu trabalho. Ele também é aluno da oficina de graffite do CISANE.
Felipe (ou Mc Siqueira) chamou o amigo Jéferson, que é irmão de Cristian, para ir à conferência de Cultura. “Vai ter uma parada de cultura e a gente pode mostrar o que a gente faz”, disse ele, que não quer deixar que a cultura Hip Hop morra em Nova Era. Para o rapper, muitas pessoas gostam de Hip Hop, mas falta apoio para os artistas. “Falta alguém que chegue e fale: ‘vamos fazer um projeto, apoiar a cultura Hip Hop aqui em Nova Era”, lamenta.
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Leitura sagrada
por Edson Borges Vicente
O projeto nasceu através de um edital do Instituto C&A, no qual duas estagiárias do Centro de Referência em Assistência Social – CRAS – de Nova Era apostaram: Renata de Barros Oliveira Maracajá e Renata Brum. Renata Brum é assistente social e também atuou como orientadora social do Projovem Adolescente. Foi ela quem chamou Renata Barros para, juntas, montarem o projeto.
Formada em pedagogia, Renata Barros ficou com a responsabilidade de coordenar o projeto Ler pra Valer ao mesmo tempo em que trabalhava no CRAS. Dada a dificuldade de conciliar os dois projetos, a pedagoga resolveu ficar apenas no CISANE. Com um histórico significativo em ações sociais, ela fez parte do Pré-vestibular para Negros e Carentes de Cabuçu – o PVNC – antes de ingressar na faculdade de Educação.
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